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O 9º Seminário de Pesquisa do Mestrado em Artes Visuais (IX SPMAV), realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAVI), do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), busca pensar o papel da arte nos mais variados contextos de crise. A necessidade de refletir sobre a potência da arte em tempos tortuosos surge justamente da realidade atual, pois nos vemos atravessades por instabilidades e incertezas. A educação, a saúde, a economia, a política - e até mesmo as relações intersubjetivas - estão em situação de extrema vulnerabilidade. Este estado de crise - ou de crises - é potencializado pela presença de um vírus que causa medo, insegurança e, ao mesmo tempo, diminui as possibilidades de encontros, trocas e afetos. Abraçar u outre já não é possível. Busca-se, assim, a tecnologia e suas ferramentas mediadoras que, de certa maneira, possibilitam encontros e, ao seu modo, aproximam as pessoas fisicamente distanciadas.  

A pandemia do coronavírus não só coloca em xeque o valor da vida como também expõe o fato de que o sofrimento de algumas pessoas não é socialmente relevante. Ou seja: a doença é para todes, mas, como geralmente acontece nas crises, o sofrimento é maior nos grupos mais marginalizados da sociedade. Exemplo disso são as diversas ações tomadas por líderes locais, nacionais e internacionais que, ao invés de proteger as comunidades mais fragilizadas, acentuam práticas de exclusão, com consequências devastadoras para as parcelas vulneráveis das populações. Assim, emerge a pressuposição falaciosa e antiética de que algumas vidas importam mais do que outras. E esse modo seletivo de proteger a vida humana traz ainda mais à superfície o racismo, o machismo, o capacitismo, a xenofobia, a LGBTQIA+fobia, a injustiça, a intolerância - problemas sistemáticos da sociedade que se tornaram mais visíveis e evidentes (noticiados pelas principais mídias e também por mídias independentes) para a maioria da população durante a pandemia como por exemplo, o constante genocídio da população preta tanto no Brasil, como no exterior por meio da violência policial ou negligência sanitária e de acesso à saúde, bem como a desassistência da população mais pobre e a precarização dus trabalhadorus brasileires. 

Nesse contexto de instabilidades, distanciamentos e aproximações, faz-se imprescindível pensar a potência da arte contemporânea, da educação e das tecnologias. Assim, as proposições de artistes, educadorus e pesquisadorus  reunidos pelo SPMAV se configuram enquanto força criativa e podem ser compreendidas enquanto táticas para fundamentar os modos poéticos de se comunicar. A tática é um movimento inerente da arte, que atua a partir da arbitrariedade da linguagem subvertendo as lógicas - sejam elas quais forem. E, em uma realidade brutal, o encontro para trocas entre pesquisadorus surge como uma possibilidade de vigor, de ânimo, de resistência. Assim, o SPMAV deste ano visa ser um desvio desta brutalidade e potencializador da diversidade, uma tática para aproximar saberes e singularidades e, a partir destes encontros, tentar agir sobre as durezas do cotidiano. Por meio da geração de encontros que aproximam, ainda que, por intermédio da tecnologia, o SPMAV propõe a reflexão sobre qual é o papel da arte nas crises, especialmente considerando a instabilidade que aflige o Brasil em várias instâncias. A arte é um meio propício para criar essas distensões, provocações, e como coloca Ailton Krenak, em tempos de tantas incertezas, a arte parece se fazer “no lugar mais potente e provável de se constituir novas respostas e perguntas para o mundo que vamos ter que dar conta daqui para frente”*.

SPMAV – Seminário de Pesquisa do Mestrado de Artes Visuais UFPel

 

* Participação de AILTON KRENAK, no seminário Perspectivas anticoloniais, na abertura da 7ª. Edição do MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo em 6/3/2020, no Sesc Av. Paulista.

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