Pesquisas em andamento

Heloise Nunes Semper

“Intervenções em Friches industriais: Reflexões sobre o patrimônio arquitetônico industrial na Zona Portuária de Pelotas”

Dissertação de mestrado 

Resumo:

A pesquisa parte do entendimento de que a reabilitação do patrimônio industrial exige não apenas a preservação física das edificações, mas também a consideração de seus valores históricos, simbólicos e sociais. Para tanto, adota-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, estruturada em quatro etapas principais: (I) revisão teórica sobre os fundamentos da intervenção em patrimônio, com base nos documentos internacionais e nos conceitos de autores como Riegl (1984), Solà-Morales (2008) e De Gracia (1992), associada à análise de referências internacionais de reconversão de friches industriais para uso educacional; (II) identificação e interpretação dos valores patrimoniais atribuídos aos edifícios industriais da zona portuária de Pelotas, com base em estudos teóricos específicos e em levantamento histórico-documental e morfológico do território; (III) a partir da análise das intervenções da Universidade Federal de Pelotas e da observação dos casos referenciais, com base no referencial teórico, o presente trabalho busca elaborar reflexões que permitam extrair estratégias projetuais aplicáveis ao contexto urbano pelotense. A partir do estudo conjunto de casos locais e experiências de reuso internacionais, busca-se identificar atitudes que conciliam preservação, inovação e apropriação urbana. O estudo contribui para ampliar o repertório teórico-prático sobre requalificação de edificações industriais, fornecendo subsídios para decisões projetuais mais adequadas e contextualizadas, com vistas à valorização do patrimônio fabril como componente ativo da cidade contemporânea.

Link do arquivo:

https://drive.google.com/file/d/1GIhI7O_eMZLAudVPXqweLxJnb3N1Pc0i/view?usp=drive_link

Darlan Almeida da Rosa

“Arruinamento e patrimonialização dos remanescentes da Caieira Bajeense: percepções, memórias e apropriações comunitárias”

Dissertação de mestrado 

Resumo:

Os processos de declínio industrial e reestruturação urbana ocorridos ao longo do século XX deixaram como legado, em diversas cidades brasileiras, remanescentes industriais em condição de abandono, subutilização ou deterioração ativa. Esses espaços, frequentemente situados em áreas centrais ou estratégicas na malha urbana, colocam em tensão práticas cotidianas, memórias sociais e instrumentos tradicionais de preservação patrimonial, que nem sempre são capazes de reconhecer valores produzidos para além da materialidade edificada. Nesse contexto, a presente dissertação investiga a reabilitação de remanescentes industriais urbanos a partir da leitura social do espaço, considerando como percepções, memórias e práticas comunitárias participam da ressignificação de lugares em processo de arruinamento ativo. O estudo tem como recorte empírico os remanescentes do antigo complexo da Caieira Bajeense, localizado na cidade de Bagé (RS), em uma área marcada por transformações urbanas, disputas simbólicas e usos informais que atravessam o território. A pesquisa busca compreender de que forma as percepções sociais do lugar, as memórias comunitárias e as práticas cotidianas relacionadas ao entorno da Caieira influenciam a leitura urbana do sítio e podem orientar estratégias de reabilitação do seu entorno, considerando tanto a dimensão material quanto simbólica do patrimônio. Metodologicamente, a pesquisa se estrutura a partir de uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória–descritiva, com foco na compreensão, interpretação e caracterização social do espaço a partir das percepções, memórias e práticas associadas aos remanescentes da Caieira Bajeense, articulando levantamento histórico-documental, análise de registros fotográficos e iconográficos, pesquisa bibliográfica e procedimentos participativos. Essas informações são analisadas em diálogo com o debate teórico sobre leitura social do espaço, memória coletiva, cultura popular urbana, patrimônio cultural e processos de deterioração ativa. Assim, pretende-se refletir quanto aos limites das políticas patrimoniais tradicionais frente a bens em arruinamento e sobre o potencial das referências culturais produzidas socialmente como subsídio para estratégias de reabilitação urbana.

Renan Rosso Bicca

“A apreensão da forma urbana na contemporaneidade da cidade de médio porte Pelotas/RS: O caso do bairro Simões Lopes.”

Tese de doutorado  

Resumo: 

O estudo dos elementos urbanos como: ruas, lotes, quarteirões e edificação são essenciais para compreender como a cidade se constituiu, no passado e, como se constitui na contemporaneidade é método de análise do campo da morfologia urbana. Em Pelotas/RS, a implantação da ferrovia em 1884, trouxe um período de expansão e crescimento urbano. O avanço das ruas do centro da cidade em direção a estação ferroviária teve como limites o arroio Santa Bárbara e a própria linha férrea. Em 1910, foi erguido o bairro Simões Lopes na parte posterior a ferrovia com o fim de suprir a demanda residencial da época, possuía, em sua formação, tanto casas para trabalhadores quanto à classe média. Apesar de possuir projeto de loteamento, o bairro Simões Lopes cresceu próximo à av. Brasil, recebendo o segundo loteamento, com expansão, na década de 1950. O objetivo deste estudo é analisar os elementos que compõem o ambiente urbano do bairro Simões Lopes na contemporaneidade, buscando construir parâmetros de qualidade do espaço urbano, inserido no contexto da cidade de médio porte de Pelotas, buscando compreender: (i) os elementos e espaços que compõem a forma urbana, posterior ao canal Santa Bárbara, do bairro Simões Lopes; (ii) as características históricas e culturais deste espaço urbano; e (iii) as formalidades e informalidades morfológicas dos espaços urbanos na contemporaneidade.

Franciele Fraga Pereira

Do porto à estação: um estudo morfológico às margens do Canal São Gonçalo em Pelotas-RS-Brasil

Tese de doutorado 

Resumo: 

A morfogênese de Pelotas é marcada pelo traçado hipodâmico, e a localização do primeiro assentamento relaciona-se aos cursos d’água, vetores de desenvolvimento a partir do fim do século XVIII. A ferrovia implantada em 1884, consolidou-se como segundo modal de transporte, atuando como linha de fixação urbana: ao mesmo tempo que estimulou o crescimento, configurou uma barreira na cidade. Os períodos morfológicos subsequentes revelam ciclos de desenvolvimento industrial, seu declínio e o respectivo esquecimento da área. Mais recentemente, parte do espaço foi reavivada com a implantação da UFPEL; em contrapartida, em outras extremidades surgiram assentamentos informais, que adensam o território e reduzem áreas livres desse fringe belt. O recorte espacial do estudo evidencia o encontro da cidade formal, informal e da natureza. O objetivo da tese é investigar o trecho urbano entre o porto e a estação férrea, próximo ao canal São Gonçalo, buscando compreender: (i) como a abordagem histórico-geográfica da escola Conzeniana pode ser útil para compreender o palimpsesto peculiar dessa paisagem urbana; (ii) em que medida tais instrumentos são ideais para interpretar as zonas de transição entre traçado formal e informal, comuns nas cidades brasileiras; (iii) observar o quanto a forma urbana contribui para a apropriação das áreas livres por parte de população.

Juliana Aidê Bortolotti

“Expografia de arquitetura como espaço dialógico sobre patrimônio cultural: os sentidos atribuídos ao espaço da Estação Férrea de Pelotas pela comunidade escolar de seu entorno

Dissertação de mestrado  

Resumo: 

Este trabalho investiga a expografia como mediação entre patrimônio cultural, políticas públicas e público escolar, tomando como estudo de caso a Estação Férrea de Pelotas, situada no bairro Simões Lopes. O problema de pesquisa delimita-se na leitura das escolas do entorno: como alunos e comunidade escolar percebem, reconhecem e significam a estação e de que modo essa leitura orienta escolhas expográficas (o que narrar, como narrar e por quais meios) no contexto de uma proposta de museu no edifício. A pesquisa adota abordagem qualitativa, aplicada e exploratória, delineada como estudo de caso, com produção de dados por metodologias participativas em ambiente escolar (dinâmicas lúdicas com imagens e palavras-chave) e grupos focais. Os registros são organizados por categorias e analisados de modo interpretativo para identificar recorrências e lacunas, que são convertidas em princípios narrativos e diretrizes expográficas (conteúdo, percurso, linguagem, dispositivos de mediação e acessibilidade), articulando-as ao marco institucional da preservação (Decreto-Lei nº 25/1937, art. 19, e materiais do Iphan/Programa Conviver). Como resultados parciais, as atividades já realizadas indicam lacunas na compreensão da história local e baixa vinculação entre narrativas familiares/escolares e a trajetória da estação, orientando a formulação de mediações que conectem história ferroviária, transformações do edifício e relação com o bairro.

Sandro Martinez Conceição

“As áreas de borda das águas da cidade de Bagé/RS: entre percepções e políticas públicas dirigidas à Panela do Candal e ao Paredão”

Tese de doutorado

Resumo: 

As áreas de borda dos corpos d’água urbanos constituem sistemas complexos nos quais se articulam dimensões ambientais, culturais, sociais, históricas e institucionais. Em Bagé, a Panela do Candal e o Paredão localizam-se às margens do Arroio Bagé, curso d’água protegido por instrumentos legais. Contudo, as paisagens associadas às suas bordas, embora reconhecidas simbolicamente por diferentes atores sociais e técnicos, não são objeto de tombamento específico no mesmo instrumento jurídico, nem de políticas públicas setoriais integradas de valorização, gestão e intervenção, como evidenciam as ocupações espontâneas por populações vulneráveis e a ausência de diretrizes claras para essas áreas.

Nesse contexto, tais bordas permanecem submetidas a processos recorrentes de degradação ambiental, assoreamento, poluição hídrica e usos urbanos precários, em um cenário paradoxal no qual a cidade enfrenta crises de abastecimento de água. Esses processos revelam fragilidades na articulação entre memória social, percepções coletivas sobre as águas urbanas e a formulação de políticas públicas. A pesquisa propõe uma investigação crítica sobre a constituição histórica da Panela do Candal e do Paredão como patrimônio, as percepções sociais e comunitárias associadas a essas áreas e o funcionamento das políticas públicas municipais que incidem sobre as bordas do Arroio Bagé. Como método, adota-se um estudo de caso qualitativo, de caráter exploratório e interpretativo, que combina revisão bibliográfica e documental, análise histórica e interpretativa da paisagem, trabalho de campo e entrevistas semiestruturadas com gestores públicos, técnicos, conselheiros, moradores do entorno e coletivos culturais e ambientais. A análise fundamenta-se na triangulação entre fontes, articulando normas, discursos institucionais, percepções sociais e evidências empíricas do território. Espera-se, com isso, contribuir para a compreensão das relações entre percepções, valores e políticas públicas, bem como para a proposição de diretrizes integradas voltadas à valorização, proteção e gestão sustentável das bordas do Arroio Bagé, especialmente em um contexto de vulnerabilidade socioambiental e mudanças climáticas.