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  • Cuidativa: uma década de cuidado e a esperança do primeiro Hospice da região Sul

    Desde 2016, a Cuidativa tem se tornado referência em cuidados paliativos na região Sul do Rio Grande do Sul. Vinculada à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a iniciativa ocupa o prédio da antiga Fábrica de Lãs, localizado na avenida Duque de Caxias nº104, e funciona como uma unidade-dia, oferecendo atendimento gratuito e humanizado a pacientes que convivem com doenças ameaçadoras da vida. Hoje, o centro acompanha cerca de 350 pessoas, o que representa em torno de 1.300 atendimentos mensais.

    À frente da equipe está Julieta Fripp, médica paliativista, diretora da FAMED e coordenadora do projeto. Ela lembra que o propósito da Cuidativa é “aliviar o sofrimento humano na sua integralidade, atendendo os aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais”, filosofia inspirada no conceito de “dor total”, criado pela médica inglesa Cicely Saunders, pioneira mundial dos cuidados paliativos.

    Julieta Fripp

    Um novo passo: o Hospice da Cuidativa

    A ideia de criar um Hospice em Pelotas começou a tomar forma entre 2008 e 2010. Segundo Julieta, a proposta nasceu da necessidade de oferecer aos pacientes uma estrutura de internação diferente do ambiente hospitalar tradicional.

    “Começamos a pensar numa estrutura que pudesse acolher os pacientes em regime de internação, mas diferente do ambiente hospitalar. Queríamos um lugar que tivesse um aspecto de casa, que fosse acolhedor e humano”, explica.

    Inspirado em modelos internacionais, especialmente no St. Christopher’s Hospice, na Inglaterra, berço do movimento moderno dos cuidados paliativos, o projeto busca unir acolhimento, dignidade e cuidado especializado.

    O Hospice da Cuidativa integrará o próprio centro regional de referência, ampliando o alcance do serviço para pacientes em estágios avançados de doenças graves. O espaço, com cerca de 1.600m², contará com 20 leitos de internação, salas de enfermagem e de procedimentos, áreas de convivência, jardim, cozinha e um espaço acadêmico voltado à formação de profissionais na área.

    Imagem: Reprodução

    Obra avançada, mas ainda em busca de apoio

    As obras começaram em 2014 e, segundo Julieta, a estrutura já está 90% concluída. O desafio agora é finalizar a urbanização e os acessos externos, o que depende de novos recursos.

    “Precisamos concluir esse restante que falta. O cálculo orçamentário aponta que ainda são necessários cerca de três milhões de reais”, detalha.

    Nos últimos meses, o projeto recebeu reforços importantes: uma emenda de R$ 1 milhão da deputada federal Maria do Rosário e outra de R$ 500 mil da deputada estadual Stella Farias. A equipe da Cuidativa segue em campanha para captar os R$ 2,5 milhões restantes até o início de 2026.

    A expectativa é que, com o apoio da comunidade e de novos parceiros, o Hospice possa ser inaugurado em 2026, tornando-se a primeira estrutura do tipo na região Sul do estado.

    Mais do que uma obra física, o projeto simboliza o compromisso com o cuidado, o respeito e a dignidade de quem enfrenta o fim da vida.

  • Comunidade busca respostas sobre obras que alteram a rotina na Rua Marcílio Dias

    Por Isadora Jaeger e Maria Clara Goulart

    Esquina das Ruas Marcílio Dias e Avenida em obras, ao fundo a fachada da Escola de Ensino Fundamental São Luiz Gonzaga (Foto: Maria Clara Valério Goulart)

    Os moradores da Rua Marcílio Dias, uma das principais vias de acesso à “Prainha”, em Rio Grande, enfrentam mudanças na rotina devido a uma obra de drenagem e pavimentação executada pela prefeitura. A intervenção do executivo municipal busca resolver antigos problemas de alagamento agravados pela enchente de 2024, mas tem causado transtornos e insegurança para quem vive e circula pela região.

    Segundo informações de autoridades municipais, a obra prevê a substituição da antiga rede de drenagem pluvial, a instalação de novas tubulações e caixas de captação, além da reconstrução do pavimento asfáltico. No entanto, durante a execução, moradores relatam dificuldades de acesso, insegurança e transtornos diários.

    A Rua Marcílio Dias é predominantemente residencial e abriga instituições importantes, como a Escola São Luís, onde estudam dezenas de crianças e adolescentes do bairro. Alice Quevedo, de 14 anos, estudante da escola, conta que a rotina ficou bem mais difícil. “A gente anda pela calçada, mas tá cheio de pedras, terra e uns canos grandes atravessando o caminho. É difícil passar, principalmente quando chove, porque escorrega e suja tudo. Tem dia que nem dá pra ir pelo mesmo lado, tem que atravessar a rua ou vir pela rua de trás”, descreve.

    A mãe dela, Aline, complementa que atualmente a obra é um cenário preocupante de falta de segurança e organização. “Nós moramos aqui, na Marcílio Dias, e como ela estuda aqui também, todos os dias fazemos o trajeto a pé. Além dos buracos e do barro, colocaram banheiros públicos dos trabalhadores bem em frente à escola. É ruim pra quem passa ali todos os dias, principalmente pras crianças.”

    Banheiro químico colocado em frente a Escola de Ensino Fundamental São Luiz Gonzaga (Foto: Maria Clara Valério Goulart)

    Outra moradora, Márcia Helena Peres, que vive na rua desde a infância e trabalha em casa fazendo salgados para eventos, afirma que a intervenção sempre foi necessária, mas que sua rotina de trabalho foi afetada. “Essa rua sempre foi difícil. Antes mesmo da obra já tinha muita pedra solta, criava buraco e juntava água quando chovia. Quando a obra passou pela minha quadra, fizeram uma montanha de terra bem na frente da minha porta, ficou ainda mais complicado atender meus clientes que vêm buscar encomendas, eles não conseguem parar o carro e nem chegar direito na porta. A gente estava vivendo no meio da terra e do esgoto”.

    A situação tem se agravado ainda mais atualmente, apesar das quadras iniciais já estarem finalizadas. Obras paralelas também estão em andamento em ruas próximas, como a Avenida Portugal e a Rua Visconde de Mauá. Com os acessos parcialmente bloqueados, a Marcílio Dias virou a principal rota alternativa de ligação entre o Centro e os bairros. Isso fez aumentar o tráfego de veículos e, consequentemente, os transtornos.

    Motoristas e moradores reclamam da péssima condição de dirigibilidade, visto que, em algumas quadras, o asfalto não foi aplicado e, segundo os moradores, as equipes apenas realocaram pedras e terra, o que deixa o trajeto irregular e com riscos, especialmente após dias de chuva.

    Montanha de terra criada decorrente da obra realizada na rua Marcílio Dias. (Foto: Maria Clara Valério Goulart)

    “Essas partes que ficaram só com terra parecem mais um atoleiro. É perigoso pra quem anda a pé e até pros carros. O serviço parece inacabado”, comenta um comerciante que preferiu não se identificar.

    Embora reconheçam a importância da obra para evitar alagamentos futuros, os moradores cobram maior clareza sobre o cronograma e a fiscalização da execução. A Rua Marcílio Dias é um eixo de circulação essencial, e a sua paralisação prolongada afeta não apenas o bairro, mas toda a dinâmica de tráfego da região.

    O GPPE informou, em publicações nas redes sociais, que o projeto segue o cronograma estabelecido em contrato e que o trabalho é acompanhado tecnicamente por engenheiros do órgão. No entanto, não há divulgação pública detalhada sobre o prazo final e etapas de conclusão da obra.

    Enquanto isso, quem vive e trabalha na região segue aguardando que as melhorias prometidas se concretizem — e que a Rua Marcílio Dias volte a ser um caminho seguro e acessível para todos.

     

  • Obra de duplicação da ERS-734 avança e impacta o cotidiano em Rio Grande

    (Foto: Reprodução/O Litorâneo) 

    Com previsão de entrega para 2026, duplicação da rodovia muda o trânsito, gera expectativas e divide opiniões na comunidade rio-grandina.

    Por Bryan Sanches Kern

    A duplicação da ERS-734, que liga o centro de Rio Grande ao Balneário Cassino, é uma das intervenções viárias mais visíveis na cidade nos últimos anos e tem provocado mudanças palpáveis na rotina de moradores, motoristas e comerciantes. O projeto prevê a duplicação de 6,53 quilômetros da pista e recebe aporte estadual. Segundo o DAER, trata-se de uma obra estratégica para melhorar a segurança e mobilidade na entrada do município.

    Ao longo de 2025 as máquinas avançaram em diferentes frentes: instalação de drenagem, preparação de base e pavimentação da nova faixa, além de intervenções em acessos laterais e pontos de interseção. O governo estadual divulgou informativos sobre o andamento do serviço e vem apresentando a obra como parte de um pacote de investimentos na região Sul. Em reportagens e notas oficiais, o DAER e o Executivo do Estado têm destacado que uma parcela significativa do projeto já foi executada.

    As mudanças no traçado e as interdições temporárias alteraram o fluxo local: a Prefeitura de Rio Grande, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (SMMAS), publicou avisos sucessivos com orientações sobre desvios, trechos em mão-dupla provisória e pontos de afunilamento para proteger operários e manter o trânsito. Essas alterações buscam conciliar a continuidade das obras com a circulação de veículos e pedestres, mas exigem atenção constante dos condutores.

    Na prática, moradores relatam incômodos cotidianos: poeira, barulho de máquinas e a necessidade de rotas alternativas para chegar a serviços e comércios. Comerciantes da área também têm registrado queda no movimento em dias de bloqueio e apontam perda de clientela enquanto a execução atinge trechos urbanos. Autoridades locais afirmam que medidas de sinalização e abertura de acessos emergenciais foram adotadas para amenizar impactos, e há reuniões periódicas entre Prefeitura, DAER e executora para ajustar fluxos e minimizar transtornos.

    No campo administrativo, a obra passou por revisões contratuais: em outubro de 2025 noticiou-se que tramita um aditivo de prazo, motivado, segundo esses relatos, pela necessidade de desapropriações para inclusão de uma via marginal e por ajustes técnicos no trajeto, o que projeta a conclusão para meados de 2026, conforme reportagens locais que consultaram o DAER. Esse alongamento de prazo reacende debates sobre custos, cronogramas e os efeitos sociais das desapropriações.

    As desapropriações, aliás, já têm base legal, decretos estaduais anteriores declararam utilidade pública para fins de desapropriação de imóveis necessários à duplicação, procedimento técnico-jurídico comum em obras que implicam alterações no traçado urbano. A existência desses atos administrativos confirma que há trechos do projeto que exigem regularização fundiária antes da entrega final.

    Quanto aos benefícios esperados, técnicos e gestores apontam que a pista duplicada deve reduzir pontos de ultrapassagem perigosos, melhorar a fluidez no período de alta temporada e contribuir para a integração entre o porto, a malha viária e a área urbana, efeitos que tendem a se materializar de forma mais evidente após a conclusão e a entrega das obras. Entretanto, especialistas ouvidos por veículos locais lembram que ganhos de longo prazo dependem de qualidade na execução, manutenção futura e gestão do entorno urbano.

    (Foto: Reprodução/DAER-RS)

    Para quem vive à beira do canteiro, o sentimento é duplo. Há expectativa por uma estrada mais segura e moderna, mas também cansaço com o tempo de obra e com os transtornos enquanto o projeto não é finalizado. A administração municipal e o DAER dizem que continuam atentos às demandas, sinalização, aberturas emergenciais de acesso e diálogo com comerciantes, e que os próximos meses serão dedicados a concluir etapas críticas e a negociar as questões fundiárias pendentes.

  • Estudantes sentem prejuízos e insegurança com falta de ônibus de apoio da UFPel

    Por Bruna Palharini, Echylen Fernandes, Líliti Goulart e Lylian Santos

    Filas extensas, longos períodos de espera e ônibus lotados são situações que se tornaram parte do cotidiano de quem depende do transporte universitário. (Foto: reprodução/CLC)

    A escassez de ônibus de apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é um problema antigo que tem afetado diretamente a rotina de centenas de estudantes. A frota, composta por veículos antigos e frequentemente em manutenção, aliada às limitações orçamentárias da instituição, tem resultado em atrasos, superlotação e insegurança, principalmente à noite.

    No último mês, o tema voltou ao centro das discussões estudantis. Filas extensas, longos períodos de espera e ônibus lotados são situações que se tornaram parte do cotidiano de quem depende do transporte universitário. “Demora de mais de uma hora para entrar no ônibus, filas quilométricas, ônibus lotado com estudantes com medo de estar dentro”, relatou Arthur Schwab, presidente do Centro Acadêmico (CA) de Jornalismo, que afirma ter procurado o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a administração da universidade em busca de soluções. Segundo ele, a situação “beira o absurdo”.

    Arthur Schwab, presidente do Centro Acadêmico (CA) de Jornalismo, que afirma ter procurado o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a administração da universidade em busca de soluções. (Foto: arquivo pessoal)

    O transporte de apoio é essencial para estudantes de diferentes cursos e campi, especialmente para quem mora ou estuda em Capão do Leão, onde está localizado um dos principais polos da universidade. A linha que atende o município, que deveria operar com nove ônibus, estava circulando com apenas seis veículos, de acordo com a nota oficial da Universidade. Já a linha ESEF/FAMED tem sido alvo de críticas constantes dos estudantes devido à frota insuficiente, principalmente nos horários considerados de pico. 

    Brenda Paranhos, estudante de Jornalismo, afirma que o serviço faz diferença, mas ainda está longe de atender a todos.“Um ônibus que te deixa na porta da faculdade é muito bom, principalmente para quem não pode custear o transporte diário. Mas de 0 a 10, eu daria nota 7. O serviço é bom, mas precisa de muitos ajustes”, avaliou.

    Brenda conta que, por falta de horários e paradas acessíveis, precisa recorrer a transportes por aplicativo para se deslocar à noite. “Como moro em Capão do Leão, para voltar para casa preciso pegar Uber todos os dias do Anglo até a parada da minha cidade. É perigoso caminhar sozinha à noite pelo centro de Pelotas”, explicou.

    Filas extensas, longos períodos de espera e ônibus lotados são situações que se tornaram parte do cotidiano de quem depende do transporte universitário. (Foto: reprodução/CLC)

    A sensação de insegurança também é compartilhada por Eduarda Peverada, estudante de Psicologia, que evita o ônibus de apoio devido à localização das paradas. “Estudo à noite e a parada mais próxima fica em uma rua deserta. Muitas vezes prefiro gastar com Uber para não correr risco. Se fosse mais frequente e tivesse mais opções, eu utilizaria o ônibus para ir e voltar das aulas”, contou.

    Além da precariedade da frota, a falta de horários nos períodos de pico, como ao meio dia e no início da noite, é uma das principais queixas. A universidade enfrenta dificuldades financeiras e logísticas para manter o serviço e cumpre papel essencial na permanência estudantil. Apesar disso, os alunos esperam melhorias na frota e ampliação dos trajetos, incluindo novas paradas e horários mais adequados. “O transporte estudantil é um direito, não um favor. Sem ele, muitos alunos simplesmente não conseguem frequentar as aulas”, resume Arthur.

    Enquete revela insatisfação generalizada
    Uma enquete realizada pelas repórteres com estudantes da UFPel reforça as críticas ao serviço de transporte. 95% dos participantes afirmaram utilizar o ônibus com frequência, destacando sua importância para a rotina universitária. No entanto, 63% consideraram os horários apenas razoáveis, enquanto 32% classificaram como “muito ruins”, apontando longas esperas e falta de previsibilidade.

    Os dados mostram ainda que 100% dos entrevistados relataram ter enfrentado algum tipo de problema, principalmente atrasos, superlotação e falta de informações sobre trajetos e horários. Quanto à localização das paradas, 84% disseram já ter enfrentado dificuldades, seja às vezes ou com frequência, o que aumenta a sensação de insegurança, especialmente entre estudantes que frequentam o turno da noite.

     Voz da comunidade universitária
    Os resultados da enquete e os depoimentos coletados apontam para um problema crônico que ultrapassa a questão do conforto, o transporte de apoio está diretamente ligado à permanência estudantil e à segurança dos alunos. Para muitos, a ausência de melhorias e a falta de comunicação entre a universidade e os estudantes têm agravado um cenário de precariedade que se repete semestre após semestre. “O transporte é essencial para quem estuda longe ou não tem condições de pagar ônibus todos os dias. Mas do jeito que está, acaba sendo um estresse diário”, resume uma das estudantes ouvidas.

    A universidade enfrenta dificuldades financeiras e logísticas para manter o serviço. (Foto: reprodução/CLC)

     O que diz a universidade?
    Segundo nota da gestão da UFPel nas redes sociais, o Transporte de Apoio é gratuito e tem por objetivo facilitar o deslocamento entre campi, porém reconhece que a frota própria ainda não atende 100 % da demanda e atribui os danos às restrições orçamentárias. “A meta de aquisição de mais ônibus permanece como prioridade da Reitoria. Foi observado que uma mudança nas rotas, para atender mais alunos, gerou aumento no percurso e tempo de deslocamento”. No entanto, tais iniciativas apenas aliviam o impacto imediato, sem resolver o problema.

  • Educação, território e juventude: experiências formativas em comunidades pesqueiras norteiam projeto

    Theodora Nunes, Maria Eduarda Santos, Júlia Radmann e Mariana Pereira 

    Jovens aprendem mais sobre a atividade pesqueira em projeto na Z3 e no Pontal da Barra (Leon Gonçalves/Reprodução)

    Às margens da Lagoa dos Patos, em Pelotas (RS), o projeto “Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal” foi criado em 2025. O objetivo é preservar a tradição pesqueira local por meio de oficinas e debates sobre educação popular, aproximando os jovens de suas raízes e fortalecendo o vínculo com o próprio território. 

    O Rio Grande do Sul reúne cerca de 21 mil pescadores e pescadoras profissionais registrados. Pelotas se destaca como a terceira maior região pesqueira do estado, atrás apenas de São José do Norte e Rio Grande. Na Colônia Z3, mais de mil famílias vivem da pesca artesanal. Há mais de 100 anos, a comunidade atua na atividade, atravessando gerações e sustentando a identidade local. Junto com Liza Bilhalva, Ederson Silva, professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), é coordenador e idealizador do projeto. Filho de pescadores, ele nasceu e foi criado na região e, ao longo de toda a sua trajetória profissional, manteve uma relação próxima com a comunidade. 

    “É uma vontade muito antiga que a gente tem de desenvolver um trabalho de formação com os jovens. Eu, particularmente, já há mais de 10 anos vinha querendo desenvolver um projeto com essas características”, conta Ederson. 

    Ederson Silva, coordenador e idealizador do projeto

    A proposta de capacitar jovens locais, unindo o saber tradicional às atividades formativas sobre pesca, território e meio ambiente, foi acolhida pelos estudantes. Desde o início do projeto, a combinação entre conhecimento científico e cultura tem se mostrado uma ferramenta importante para criar diálogos e estratégias de resistência. Para Marianne Gomes, uma das participantes, é uma forma de pertencimento. “A gente já sentia essa necessidade antes do projeto. Faltava um espaço pros jovens trocarem ideias, aprenderem e se expressarem do jeito deles. A educação popular sempre pareceu importante pra gente por causa disso”, destaca.

    Participantes do projeto Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal durante oficina de educação popular (Diego Freitas/Reprodução)

    Reconhecer os jovens das comunidades tradicionais é parte do processo de educação, não apenas como herdeiros de práticas culturais, mas como protagonistas na produção e na transmissão de conhecimentos. Luizyane de Souza Fonseca, de 19 anos,  reflete sobre o futuro e a formação cidadã da juventude: “(O projeto) ajuda a  sabermos de onde viemos, quem somos, e também para sabermos nossos direitos”. 

    A iniciativa é um espaço de escuta e reconstrução coletiva. Como explica Ederson, o projeto busca “despertar neles o interesse de identificar a pesca como atividade profissional, como oportunidade de futuro, não necessariamente no ato de pescar, mas em funções que dão suporte, como assistência técnica, elaboração e execução de projetos”. 

    Ao unir conhecimentos comunitários e vozes locais, o “Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal” reafirma que a educação popular é também um exercício de comunicação: contar suas próprias histórias, pelos olhos e pelas palavras de quem vive na região. 

  • Notícias do Porto

    É um site da disciplina de Jornalismo Comunitário do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas, ministrada pelo professor doutor Paulo Eduardo Silva Lins Cajazeira.

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