Catálogo
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo

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Um museu, sete coleções e trinta e um anos de história

A realização deste catálogo resulta de alguns cruzamentos em torno das comemorações dos 30 anos de fundação do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas e que ocorreram ao longo do ano 2016. Dentre as exposições comemorativas realizadas, “As Sete Coleções do MALG” apresentou pela primeira vez, durante o período de julho a setembro de 2016, uma seleção de obras pertencentes às coleções que atualmente integram o acervo do Museu, dando uma dimensão da abrangência, diversidade, surgimento e transformação da própria instituição. Em maio do mesmo ano, o projeto “Ciclo de Palestras MALG 30 anos”, financiado pelo Edital de Apoio a Eventos Culturais do Programa Economia da Cultura e Diversidade da Secretaria de Cultura de Pelotas, já havia disponibilizado para as escolas públicas municipais um kit educativo contendo lâminas com material didático, concomitante a realização de um seminário sobre o Museu e a Arte na cidade de Pelotas para os professores da rede de ensino municipal, estudantes universitários e para o público em geral. A escolha das imagens para as lâminas contemplava cada uma das sete coleções do Museu e pode-se considerar que esse projeto tenha sido o embrião da exposição e do catálogo ora apresentado – realizado a partir de recursos obtidos pela SAMALG através do edital 005/2016 do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Procultura) – cuja importância, apesar de sua modesta amplitude, esperamos que possa ser justamente a de inaugurar um período de publicação e valorização da riqueza do acervo do Museu.


O MALG surgiu originalmente para abrigar a coleção de obras doadas por Leopoldo Gotuzzo, em diferentes momentos, à sua cidade natal. A primeira doação de obras se deu por ocasião da inauguração da Escola de Belas Artes, em 1949. Em 1955 o artista doou um conjunto de 18 obras e, nessa ocasião, afirmou que sua doação tinha por objetivo possibilitar aos jovens estudantes um maior contato com a arte e com os esforços de seu percurso. Alguns anos mais tarde, quando a Escola de Belas Artes já havia sido incorporada à Universidade Federal de Pelotas, Leopoldo Gotuzzo, com idade bastante avançada, mas sempre mantendo o vínculo com sua cidade de origem, declarou a doação póstuma de outro importante conjunto de obras suas, já com a expectativa da possibilidade de criação de um museu na Universidade que abrigasse seu legado. Foi assim que, após sua morte, em 1983, a terceira doação foi concretizada e, sob os auspícios da Professora Luciana Renck Reis, o MALG foi inaugurado em 07 de novembro de 1986. Pode-se observar, portanto, que o surgimento do Museu, desde seus primórdios, está em estreita sintonia com os princípios do ensino e, logo em seguida, da pesquisa e extensão da instituição que o origina e mantém.


Assim a Coleção Leopoldo Gotuzzo é a coleção fundadora do Museu – e mais do que isso, a razão mesma de seu surgimento e existência. Tal coleção compreende não apenas obras, em sua maioria desenhos e pinturas, mas objetos, mobiliário, documentos, fotografias, instrumentos de trabalho e outros itens pertencentes ao artista, doados por ele, adquiridos ou oriundos de doações posteriores. De acordo com o Regimento do Museu “cabe ao MALG garantir a integridade física do acervo de obras de Leopoldo Gotuzzo, patrono do Museu, e promover a pesquisa e produção crítica e intelectual a respeito de sua contribuição para história da arte brasileira”.

Além da Coleção do patrono, três outras coleções integraram o MALG no momento de sua criação. Duas coleções doadas à Escola de Belas Artes de Pelotas – Coleção Faustino Trápaga e Coleção João Gomes de Mello – além da própria coleção composta por obras de alunos e ex-alunos da Escola de Belas Artes – Coleção Escola de Belas Artes (ou Coleção Ex-alunos da Escola de Belas Artes). As coleções Faustino Trápaga e João Gomes de Mello foram doadas em 1952 e 1971, respectivamente, e chegaram a integrar a proposta da criação de uma Pinacoteca da UFPEL, ligada direta- mente à reitoria, mas que acabou por ser assimilada à criação do Museu.


As demais coleções são fruto do desenvolvimento e trajetória próprios do Museu dentro da perspectiva da Universidade e, nesse sentido, acompanham e revelam diferentes momentos, gestões e atividades da instituição. As obras que compõem a Coleção Século XX e a Coleção Século XXI são o resultado de doações espontâneas, avaliadas pelas comissões do Museu em diferentes períodos e circunstâncias, ou o resultado da doação compulsória feita por artistas que expuseram no museu entre a sua fundação e o ano 2000 (Coleção Século XX) ou a partir do ano 2001 até a atualidade (Coleção Século XXI). Por fim a Coleção L. C. Vinholes figura como a maior e mais recente coleção do MALG, doada integralmente por Luiz Carlos Lessa Vinholes e caracterizada por uma pluralidade que revela muitas das escolhas, gostos, percursos e cultura de seu doador.

Se a constituição das coleções do MALG conta muito sobre seus primeiros 30 anos, esperamos que o alvorecer de sua quarta década, brindado por acontecimentos de extrema importância, como a mudança para uma sede própria, redimensione e consolide seu compromisso na promoção da arte e cultura de qualidade e de acesso a todos, ao mesmo tempo em que cumpre seu papel na formação de profissionais qualificados e cidadãos sensíveis e capazes de fruir a arte para a construção de um mundo melhor.

Juliana Angeli e Lauer Alves Nunes dos Santos
Diretora e Diretor Adjunto do MALG