Roteiro – Performance Faz de Conta que Somos Livres

Sessão de sociodrama dirigida por Alice Madeiros

1. CONTEXTUALIZAÇÃO
– Antes de tudo, entregar um pedaço de barbante para cada um e pedir pra prender em alguma parte do corpo;
– Explicar rapidamente o sociodrama;
– “Boa tarde gente, hoje nós estamos aqui para realizar uma sessão de sociodrama. Técnica criada por J. L. Moreno. O sociodrama é uma forma de a gente refletir sobre temas que envolvem a vida em grupo e questões sociais através da encenação. Ninguém precisa saber atuar — aqui, o que importa é participar.
– Explicar o que será feito, que será dividido em três momentos: aquecimento, dramatização e compartilhamento;
– Explicar rapidamente cada momento;
– Aquecimento > o grupo passa a se conhecer, interagir, brincar um com outro através dos jogos cênicos; Dramatização > é o momento que vamos poder compartilhar nossas histórias de grupo através do jogo teatral e da encenação; Compartilhamento > talvez o momento mais importante do dia, onde podemos compartilhar as histórias que motivaram nossa dramatização, nossos sentimentos referentes ao tema debatido.
– Apresentação dos lapsers;
– Cada um da sala deve dizer seu nome para o grupo.

2. AQUECIMENTO – Durante o alongamento pode começar a cantar MALUCO BELEZA, bem baixinho pra ser plano de fundo (se a música acabar antes da próxima ficar só na guitarra)
– Alongamento simples;
– Caminhar pela sala (puxados por linhas como se fossem marionetes);
– Cumprimentar o colega com o dedo mindinho da mão esquerda:
– Seguir o cumprimento, agora olhando no olho e falando o próprio nome;
● Jogos cênicos: – Assim que eu mencionar que começaremos os jogos cênicos pode começar a cantar super fantástico.
– Telefone sem fio corporal;
– Faz de conta: pássaro, gato, galinha;
– Volta a caminhar; – Aqui eu vou explicar que nós vamos brincar de estátua. Enquanto começo a explicar, já pode começar a cantar Estátua da Xuxa.
– Estátua (quando a música parar); – Após acabar a brincadeira de estátua, começar a música CARRO-CÉU e cantar até o fim do mestre mandou.
– Volta a caminhar cumprimentando o colega com um sorriso;
– Mestre mandou;
– Volta a caminhar lentamente; – Enquanto as pessoas caminham, cantar bem baixinho como plano de fundo É PRECISO DAR UM JEITO MEU AMIGO (pode cantar até eu convidar todo mundo pra sonhar e dormir, ou caso acabe, fica só na guitarra pra manter o ritmo).

– Ler: O que nos impede – FBC:

“Calcula o tempo que eles roba
Trânsito, emprego…
Diz: e pro resto quanto sobra?
(…)
O que nos impede de ter um dia bom?
O que nos impede?
Não dormir tão cedo
Acordar mais tarde
O que nos impede?
O que nos impede?
Me diz, o que é ser rico?
Talvez seja poder ir à escola do seu filho
Em um dia qualquer
Em uma hora qualquer
Sem pedir permissão ou coisa do tipo
Pra mim, isso é ser rico!
Tem coisas que a carreira te tira,
Me diz se é mentira
Pra melhorar de vida
Tu quase que não respira
Tu quase não vê amigos
Tu quase não vê família
Tu quase não vive o tempo que te resta na vida
Nasce ontem
Morre hoje
E Amanhã faz dois dias
Todos contra
O que te evidencia?”

 

– Continuar a reflexão;
– “Então… O que nos impede? O que impede a gente de ainda brincar de faz de conta? O que te impede de se divertir tal qual a criança que tu foi um dia? De ser criativo frente às pequenas dificuldades que atravessam os teus
caminhos? O que impede que o nosso tempo, o teu tempo seja usado para lazer ou diversão?”
– A partir daqui, silêncio. Depois disso, a música só vai ser necessária quando os convidados solicitarem para suas dramatizações. Obrigada!!!
– Agora, no faz de conta, todo mundo dorme, bem confortável, e sonha.
– Ler: Os corpos dóceis – Focault:
– “Segunda metade do século XVIII: o soldado tornou-se algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas; lentamente uma coação calculada percorre cada parte do corpo, se assenhoreia dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível, e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos.”
– Conduzir o grupo a lembrar de um momento em que foi ordenado, moldado, feito apenas para cumprir ordens, não podendo exercer a criatividade ou simplesmente ter um momento de lazer, de diversão, de brincadeiras, tal qual uma criança pequena. “Pode ser uma cena da escola, do trabalho, de casa, onde você sentiu que não podia simplesmente ser você, brincar, criar…”
– “Alguém aqui já se sentiu como uma peça em uma máquina?”

3. DRAMATIZAÇÃO
– Levantar e caminhar lentamente;
– Compartilhar a história com uma pessoa de confiança;
– Unir as histórias;
– Compartilhar a única história e unir mais uma vez com outra dupla;
– Tempo para cada um decidir os personagens;
– Decidir trilha sonora
– Dramatizar;

4. COMPARTILHAMENTO
– Quais sentimentos nos visitaram enquanto encenávamos ou assistíamos a peça dos colegas?;
– Compartilhar as próprias histórias;
– Como eu me senti ao falar sobre o assunto?;
– Ao fim do compartilhamento Retomar simbolicamente o momento em que estavam sendo puxados como marionete e o pedaço de barbante;
– Convidar os convidados a se desvencilhar desse fio que controla cada um.
– Finalizar: “agora finalmente podemos tornar o nosso faz de conta de liberdade ser real, pq agora, somos livres para fazer tudo que quisermos”

Músicas:
– Maluco beleza – Raul Seixas;
– Super fantástico – Balão Mágico;
– Estátua – Xuxa.
– Carro-céu – Priscilla e Yudi.
– É preciso dar um jeito, meu amigo – Erasmo Carlos.
Objetivo geral:
Refletir sobre como somos moldados para servir e produzir, sem que seja possível espaço para lazer ou diversão na vida adulta.
Dicas do grupo:
Sorriso com todos os dentes ao invés de careta
Ler os trechos parada