Aluna do MACSA é selecionada para participar da Escola de Luz Síncrotron ER2LS 2025, em Campinas

A estudante Emanuélle Soares Cardozo, doutoranda PPG MACSA (Programa de Pós-Graduação em Manejo e Conservação do Solo e da Água), foi selecionada para participar da 8ª edição da Escola Ricardo Rodrigues de Luz Síncrotron (ER2LS), promovida pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). O evento ocorreu entre os dias 14 e 25 de julho de 2025 e teve como objetivo capacitar novos usuários para aplicação de técnicas avançadas com luz síncrotron na análise de materiais.

Aproveitando essa oportunidade, a aluna Emanuélle Soares Cardozo, integrante dos grupos de pesquisa do LabBio e GRAEM, apresentou o trabalho intitulado: “Re-formação do espaço poroso de agregados de solos construídos em áreas de mineração de carvão após 30 anos de restauração”.

O estudo busca compreender os efeitos de longo prazo da restauração ecológica sobre a estrutura física do solo em ambientes minerados, com foco especial na reorganização do espaço poroso dos agregados. Essa abordagem permite avaliar a qualidade do solo reconstruído após décadas de intervenção, fornecendo informações valiosas sobre sua funcionalidade ecológica e potencial produtivo. A pesquisa reforça a relevância de técnicas avançadas para análise estrutural, como aquelas disponibilizadas por meio da luz síncrotron, no aprofundamento do conhecimento sobre solos degradados.

A seleção e participação da aluna na escola representa um importante passo para a formação de jovens pesquisadores e para o fortalecimento das pesquisas realizadas pelo MACSA e GRAEM, especialmente aquelas voltadas ao estudo de solos e seus componentes por meio de técnicas analíticas sofisticadas.

A importância da ER2LS para pesquisas com solos

A participação na ER2LS contribui diretamente para o aprimoramento das pesquisas em ciência do solo, ao capacitar estudantes para utilizar ferramentas que possibilitam investigar em nível atômico e molecular os processos que ocorrem nos materiais. No contexto do MACSA, técnicas como espectroscopia de absorção de raios X (XANES/EXAFS) e difração de raios X (XRD) são fundamentais para estudar minerais, formas de carbono, metais pesados e suas interações com a matéria orgânica do solo.
Esse tipo de investigação é essencial para compreender processos como a adsorção de contaminantes, dinâmica da matéria orgânica, biodisponibilidade de nutrientes e estrutura dos agregados do solo, tópicos centrais nas linhas de pesquisa do grupo.

Como é gerada a luz síncrotron e como são feitas as análises

A luz síncrotron é produzida quando elétrons são acelerados a velocidades próximas à da luz e desviados por campos magnéticos em uma trajetória circular dentro de um acelerador, como o Sirius, instalado no campus do CNPEM. Ao serem desviados, os elétrons emitem radiação eletromagnética de amplo espectro, com alta intensidade e brilho, conhecida como luz síncrotron.

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Box de Curiosidades: Você sabia?

O Sirius é um dos aceleradores de elétrons mais avançados do mundo!
Localizado em Campinas (SP), o Sirius é o maior e mais complexo equipamento científico já construído no Brasil. Ele é um síncrotron de 4ª geração, capaz de produzir uma luz até um bilhão de vezes mais brilhante que a do primeiro acelerador brasileiro (UVX).

Pesquisas para diversas áreas do conhecimento
A luz síncrotron gerada no Sirius é usada em mais de 40 áreas de pesquisa, desde o desenvolvimento de novos medicamentos, nanomateriais e baterias, até o estudo de fósseis, pigmentos em obras de arte e, claro, a química do solo.

Linhas de luz especializadas
Cada linha de luz do Sirius é dedicada a um tipo de análise. Por exemplo:

  • Manacá: usada para biologia estrutural, inclusive ajudou em pesquisas sobre o vírus da COVID-19.
  • Ipê e Cateretê: permitem observar materiais em escala nanométrica.
  • Mogno: linha ideal para estudos de materiais inorgânicos, como minerais do solo.

Brasil na vanguarda científica
Com o Sirius, o Brasil integra um seleto grupo de países que dominam a tecnologia de luz síncrotron de 4ª geração, ao lado de nações como Suécia, França e Japão.

Experimentos sem destruir a amostra
Uma grande vantagem da luz síncrotron é permitir análises não destrutivas, ou seja, os cientistas conseguem investigar profundamente a composição e estrutura de uma amostra sem precisar cortá-la ou alterá-la — ideal para materiais frágeis como solos tropicais.

Um marco para a formação científica

A participação da aluna Emanuélle Soares Cardozo na ER2LS 2025 representa não apenas uma conquista individual, mas um marco para o MACSA, GRAEM e para a UFPel, evidenciando o compromisso do grupo com a formação científica de excelência. Ao dominar as técnicas disponíveis no Sirius, a estudante passa a integrar um seleto grupo de usuários capacitados a propor e conduzir experimentos de alta complexidade com luz síncrotron.
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