“O esforço valeu a pena”: goleira de Pelotas é convocada para a Seleção Brasileira Sub-20 de futsal

Duda Artifon, 20, formada nas categorias de base da Malgi, vai disputar o Sul-Americano Sub-20 de Futsal Feminino, na Venezuela, e fala da emoção de vestir a camisa canarinho.

(Foto: Rafael Fontoura)

“O esforço valeu a pena.” É assim que a goleira Duda Artifon, 20, resume a sensação de ter sido convocada, na última semana, para defender a Seleção Brasileira de Futsal Feminino Sub-20 no Sul-Americano da categoria, na Venezuela.

A relação de Duda com o futsal começou ainda na infância, jogando com os guris do condomínio onde morava. Quando entrou para uma escolinha de futsal feminino que estava surgindo, viu a oportunidade de explorar ainda mais o esporte. Na época, porém, ela nunca havia pensado na possibilidade de se tornar goleira. O próprio pai, que também era goleiro, a incentivava a não escolher a posição. A mudança aconteceu durante um amistoso na escolinha, quando Duda e as colegas se alternavam no gol. Ao perceber que ela tinha características que poderiam ser desenvolvidas na posição, o treinador a aconselhou a investir na função. A partir dali, começou a construir uma trajetória que a levaria até a Seleção Brasileira.

Duda chegou à Associação Malgi de Esportes em 2023, na base, no ano seguinte, começou a treinar com a equipe adulta. Em 2026, Duda foi titular da equipe na Liga Feminina de Futsal (LFF), a elite do futsal nacional, sendo escolhida como a melhor jogadora em uma das partidas. A Malgi é a única equipe gaúcha na competição, destacando a importância da visibilidade do futsal feminino.

O cenário do futsal feminino no Brasil ainda enfrenta muitos desafios: um deles é a falta de investimento e oportunidades. Duda destaca: “vir de um clube como a Malgi, em Pelotas, significa lidar com um cenário em que as oportunidades, a visibilidade e o próprio espaço da mulher no futsal ainda são limitados, principalmente quando falamos de competições e de acesso a estruturas e oportunidades que muitas vezes estão concentradas nos grandes centros. Então, representar a Malgi e Pelotas em uma competição internacional pela Seleção Brasileira Sub-20 é resultado de um trabalho que vem sendo construído há bastante tempo”.

Criada oficialmente em 2016, a Associação Malgi de Esportes tem suas raízes em um projeto iniciado em 2010, a partir da iniciativa do professor Maurício Lobo Giusti para desenvolver o futsal feminino em Pelotas e região. Ao longo de mais de uma década, a equipe passou por diferentes parcerias e nomes, mantendo o trabalho de formação de atletas e a presença entre as principais equipes do futsal gaúcho. Entre os principais feitos estão títulos estaduais, conquistas nos Jogos Abertos de Pelotas e a participação inédita na Copa do Brasil e em uma competição internacional, em Angola, em 2024.

Em 2025, a Malgi conquistou pela primeira vez o Campeonato Estadual Gaúcho e, no mesmo ano, fez sua estreia na Liga Feminina de Futsal (LFF). Em 2026, pelo segundo ano consecutivo, a equipe representa Pelotas e o Rio Grande do Sul na elite do futsal feminino brasileiro.

Para Duda, a associação tem um papel importante na sua formação. “Foi dentro do clube que tive a oportunidade de crescer, ganhar experiência, enfrentar diferentes desafios e entender cada vez mais o que significa ser uma atleta de alto rendimento. Acredito que grande parte da atleta que sou hoje foi construída aqui. Foram treinos, competições, momentos bons e também momentos difíceis, que me fizeram amadurecer e buscar sempre evoluir. Além disso, tive oportunidade de trabalhar com grandes nomes do futsal que me ajudaram nesse processo de aprendizado, e com uma comissão técnica que acreditou no meu potencial e abriu oportunidades para que eu pudesse desempenhar o meu trabalho”.

A Malgi é o único clube do Rio Grande do Sul com uma atleta convocada para disputar a competição neste ano, reafirmando a força e o alcance do trabalho desenvolvido em Pelotas. Duda destaca: “E acho que isso não representa só a mim, mas também a Malgi, que se mantém há tantos anos no cenário, resistindo, conquistando seu espaço e mostrando a força do futsal feminino feito aqui no interior. Para mim, é muito especial poder levar esse nome comigo para uma competição internacional. É uma conquista pessoal, mas também representa todas as pessoas que fazem parte desse processo. E, principalmente, espero que isso possa inspirar outras gurias daqui, mostrando que elas também podem sonhar, acreditar no próprio potencial e buscar esses espaços. Se a minha trajetória puder fazer alguma guria acreditar que é possível chegar mais longe, então essa conquista passa a ter um significado ainda maior”.

A convocação para uma atleta é um momento sonhado e esperado por muitas. Duda comenta a emoção de ser uma das convocadas para representar a amarelinha em 2026. “Acredito que vá cair a ficha realmente quando eu estiver com todo o elenco e vivenciando na pele tudo isso, mas desde já tá sendo tudo muito gratificante. Sentimento inexplicável. Vestir a camisa da Seleção Brasileira é olhar para toda a minha trajetória e pensar: ‘o esforço valeu a pena’. É lembrar de cada treino, dificuldade, renúncia e de todos os momentos em que precisei acreditar no processo, mesmo sem saber onde ele iria me levar.

Aos 20 anos, a goleira agora se prepara para representar o Brasil no Sul-Americano Sub-20, levando consigo não apenas a camisa da Seleção, mas também a história construída em Pelotas.

“É uma realização enorme poder representar o meu país e ver todo esse trabalho se transformar em uma oportunidade como essa. Ao mesmo tempo, é uma responsabilidade que me motiva a continuar evoluindo e dar o meu melhor para honrar essa camisa.”



Com informações de Eduarda Artifon e Site Oficial Associação Malgi de Esportes.

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