Pernas pra que te quero #5 – Sozinho de novo tive que sair

Correr escutando música quase sempre é uma boa ideia

Júlio Gemiaki

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Se você é brasileiro e já escutou alguma coisa de música sertaneja provavelmente conhece de onde saiu o título desta coluna. “Sair de que jeito? Se nem sei o rumo para onde vou” é o refrão da faixa Boate Azul, gravada por diversos cantores, mas mais conhecida nas vozes de José Rico e Milionário e de Bruno e Marrone. Mas por que falar tanto sobre música? Porque é justamente esse o assunto de hoje: correr escutando música. 

Inclusive, os versos escolhidos para o nome e a contextualização deste texto não são por acaso. Nas últimas duas edições da Pernas pra que te quero, corri acompanhado em ambas. Desta vez, também deveria, mas eu e minha dupla perdemos o horário e acabamos dormindo um pouco demais. Dentro dessa perspectiva, pensei que a melhor solução para o meu dia era ir sozinho, mas não solteiro, já que meu relacionamento com meus fones verde-limão é sério e instável (às vezes ele me deixa na mão). 

Não pensei muito, coloquei a primeira música recomendada pelo algoritmo do aplicativo: TNT – CORTIS de 134 batimentos por minuto. Eu não fazia ideia de quantos bpm ela tinha até começar a escrever aqui. Mas, pesquisando sobre o tema, apareceu uma relação entre ritmo da canção e intensidade do exercício físico. Por causa disso, senti a necessidade de conferir o que eu estava escutando.

Estudos apontam que ouvir alguma obra musical durante o exercício pode condicionar a frequência dos movimentos e,  potencialmente, alterar os padrões articulares do corpo. Isto é, existe uma relação direta entre bpm e pace, duas expressões que podem significar “ritmo”. Além disso, existe uma correlação psicofisiológica entre escutar um som e correr. Diversas pesquisas indicam que a prática de ouvir música enquanto realiza atividade física pode fazer com que o cérebro reduza a percepção de esforço, fazendo com que a motivação e a tolerância ao exercício aumentem. Assim, é seguro dizer que canções funcionam como um regulador psíquico e físico quando ouvidas durante a corrida. 

Para finalizar, em clima da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, que ocorreu na semana em que escrevo este episódio, a GZH soltou uma série de matérias sobre corrida, uma delas que contempla a nossa temática aqui. Nela, a repórter Kimberly Barbosa entrevista o professor de Educação Física, Bruno Victor. Em complemento ao que eu trouxe aqui, a notícia traz dois apontamentos pertinentes nas falas do professor: 1) apesar de liberados em competições amadoras, fones de ouvidos são proibidos em provas com atletas profissionais e 2) é importante entender o ritmo que o treino pede. 

Quanto à questão número Um, não só a questão da regulação emocional e corporal que faixas sonoras podem propiciar proíbem o uso de fones por atletas, mas também a possibilidade de estabelecer comunicação com o treinador ou com a equipe durante a prova, sendo considerado prática antidesportiva. Enquanto o agravante do ponto Dois é que, mesmo sendo amador, é importante seguir uma organização durante os treinos, que pode ser atrapalhada por uma música muito agitada em um treino que deveria ser mais lento, prática que é capaz de causar lesões ou sobrecarga ao corpo. 

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E você? Escuta música enquanto se exercita ou prefere fazer tudo em silêncio ou, ainda, acompanhado? Isso é algo que varia de cada um. Quando corro com alguém, dificilmente escuto música, se sim, coloco bem baixinho no fone. 

É possível regular o pace com o bpm de forma fácil. Existem muitas playlists por aí que são organizadas por alguma dessas grandezas, é só encontrar uma lista que seja para o seu ritmo de corrida. 

Por mais que eu tenha tentado escrever o episódio de hoje de forma bem humorada, articulando informação, opinião e uma pitada de humor, esta não era a ideia inicial. Era para ser um texto ainda mais desinibido. No entanto, a atmosfera do dia não permitiu que fosse desse jeito até o final.

Escrevo hoje, dia 02 de junho de 2026, tinha já uma frase inicial escrita quando recebi a notícia de que o colega do curso de Jornalismo aqui da UFPEL, Marco Ayala, havia falecido pela manhã. Não éramos próximos, apenas costumávamos nos cumprimentar quando nos víamos e tivemos algumas poucas interações no período em que cursamos a faculdade juntos. Mesmo assim, foi algo que me abalou e me fez reestruturar esta coluna e usar ela, de certa forma, como um regulador emocional para mim mesmo. Desejo força a todos nós enquanto curso de Jornalismo, e à família e aos amigos de Marco. Acredito que ele tenha sido uma pessoa especial para quem o conheceu de qualquer maneira.

(Estamos com as publicações atrasadas e imagino que não seja diferente com essa aqui, mas sinto que preciso comunicar meus votos de que ele descanse em paz desta forma)

 

Referências Bibliográficas:

TERRY, Peter C.; KARAGEORGHIS, Costas I.; CURRAN, Michelle L.; MARTIN, Olwenn V.; PARSONS-SMITH, Renée L. Effects of music in exercise and sport: a meta-analytic review. Psychological Bulletin, Washington, v. 146, n. 2, p. 91-117, 2020. DOI: https://doi.org/10.1037/bul0000216.

WU, Jianfeng; ZHANG, Lingyan; YANG, Hongchun; LU, Chunfu; JIANG, Lu; CHEN, Yuyun. The effect of music tempo on fatigue perception at different exercise intensities. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 19, n. 7, p. 3869, 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph19073869.

SUWABE, Kazuya; KAWASE, Satoshi. High-groove music boosts self-selected running speed and positive mood in female university students. Frontiers in Sports and Active Living, Lausanne, v. 7, p. 1586484, 2025. DOI: https://doi.org/10.3389/fspor.2025.1586484

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