Pernas pra que te quero #4 – Um novo começo

O nascimento de um novo corredor de rua

Júlio Gemiaki

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Amanheceu um dia nublado, cinza e úmido, bem característico de Pelotas. Existia um combinado para correr às 09:30 da manhã, com a única limitação de que até meio dia deveria se estar em casa. As cobertas estão quentinhas, bem diferente do frio que faz na rua. Enfim, é nesse contraste que as notificações começam a ir de um celular para outro. 

Samuel, meu amigo de longa data, estava se preparando para correr na rua pela primeira vez em muito tempo e queria saber se era para já estar no Mercado Público ou para sair de casa no horário. Após uma breve troca de mensagens, não decidimos muita coisa, mas eram 09:32 quando eu saí e avisei para que ele também fizesse o mesmo. 

Como a ideia era ver o quanto meu amigo iria conseguir correr, usei o caminho até o ponto de encontro como um aquecimento e corri no meu ritmo habitual, imaginando que iríamos eventualmente diminuir ele depois. Chegando no largo do mercado, fiquei esperando alguns minutos e assistindo a uma aula de zumba ao ar livre que estava acontecendo lá. Era uma atividade bem característica da modalidade, um bando de senhorinhas dançava a partir dos comandos de um professor e de uma professora que trocavam turnos no palco, e, com eles, a música também mudava. 

Não demorou muito até que o Samuel apareceu do outro lado e eu já fui ao encontro dele. “E aí Z, vamo dale?”, foi a primeira coisa que falei, e então conversamos um pouco sobre a aula de zumba e um ônibus da Brigada Militar que dividiam os polos do local onde estávamos e fomos para a Praça Coronel Pedro Osório. Aquele tinha sido o cenário para ver por quanto tempo um corredor de primeira viagem iria conseguir desempenhar. Duas voltas era o nosso combinado, a partir daí decidiríamos o restante da atividade.

Pois bem, passamos um pouco pela estátua de Simões Lopes Neto e começamos a correr a partir da segunda placa. Logo antes da primeira esquina, o Z já mostrava sintomas do mal do corredor: querer ir rápido demais e não saber qual o próprio ritmo. O problema, de verdade, é que eu também sofro dessa mesma enfermidade. O que fez com que a nossa primeira volta tenha sido num ritmo de 5:40 minutos por quilômetro, que não é exatamente recomendável para uma primeira vez. 

Mesmo acometidos desse probleminha, a volta Um pareceu confortável pro Samuel. Agora, não podemos dizer o mesmo da volta Dois. A primeira esquina, aquela mesma que usamos para regular a intensidade antes, marcou quando o cansaço iria começar a vencer a vontade. Meu amigo começou a cair de ritmo um pouco antes da metade da segunda volta, o que fez com que ele precisasse dobrar o esforço para conseguir finalizá-la. Para minha surpresa e para a dele, o Z conseguiu. Um quilômetro completo na primeira atividade de corrida que ele levou mais a sério na vida. 

Pode não parecer, mas isso é um feito e tanto: o primeiro quilômetro sem interrupções é uma marca muito importante na vida de todos que correm. No entanto, logo depois disso, meu parceiro me disse “bah, quase morri”, indicativo que não poderíamos ir muito mais longe nessa. O que também foi uma contradição. Depois disso, ainda percorremos mais 1,5 km, com eventuais pausas para caminhar. Ao fim da atividade, o Samuel havia corrido 2,5 km, uma boa quantidade para iniciar. 

Como um todo, foi algo bem legal de se fazer, passamos por pontos como o Mercado, a Praça, o Teatro e descemos depois para o Estádio Bento Freitas e finalizamos no Ginásio Municipal. Além disso, a companhia e as conversas deixam a corrida muito menos solitária e bem mais divertida. Houveram dois pontos diferentes, o meu, que saí naquela manhã para me exercitar e aconselhar um amigo a como poderíamos começar a correr, e o dele, que queria entender justamente como era esse começo e, de alguma forma, testar a si mesmo nessa atividade. 

Por fim, diferente das outras, acho que vou terminar esta coluna com um discurso meio motivacional: “Começar a correr é um passo importante e vai trazendo vários benefícios ao longo do tempo, continuar a correr intensifica isso e melhora nossa saúde física e mental, não parar de correr e poder passar por diversas experiências como essa nos motiva a seguir em frente.”

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Antigamente eu trazia dados científicos e comentava sobre influências psicológicas e corporais que a corrida traz em nós. Eventualmente, pretendo voltar a trabalhar com isso também. 

Adendo importante: “Z” é o apelido do Samuel, e, sinceramente, eu nunca chamei ele de Samuel antes desse texto, então Z é praticamente o nome dele para mim. (Se lê “Zí” ou “Zee”, vindo da pronúncia da letra Zê em inglês)

 

Até a próxima!

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