Professor do curso de Comércio Exterior discute guerra informacional e eleições em podcast

O professor Luciano Vaz Ferreira, do curso de Comércio Exterior da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), participou na segunda-feira, 21 de setembro, do oitavo episódio do podcast Fronteiras, intitulado “Guerra informacional e as eleições brasileiras: o que você precisa saber”. O programa foi veiculado nas páginas e redes sociais do Jornal GGN.

Pesquisador da área de Relações Internacionais, o docente desenvolveu estudos sobre operações de influência cibernética a partir de pesquisas sobre operações cibernéticas e de um projeto realizado como professor visitante em uma universidade da Polônia.

Na entrevista, o professor definiu a guerra informacional como a ação de um Estado para interferir na percepção de públicos estrangeiros, ou moldá-la, com objetivos políticos, estratégicos ou militares. De acordo com o pesquisador, a prática remonta às operações psicológicas empregadas nas duas guerras mundiais e na Guerra Fria e segue princípios descritos por Paul Linebarger na obra Psychological Warfare, de 1948, entre eles a combinação de informações verdadeiras e falsas e a segmentação do público-alvo.

O pesquisador apontou o avanço tecnológico como o elemento novo desse cenário. Mais de 90% da população brasileira tem acesso à internet, e a mineração de dados permite a produção de mensagens segmentadas. O conteúdo circula entre familiares e amigos sem fonte identificada, enquanto a inteligência artificial generativa produz deepfakes de detecção cada vez mais difícil.

Em relação ao Brasil, o docente defendeu que o país não normalize essas operações e passe a denunciá-las em fóruns internacionais como violação de soberania, com papel de liderança entre os países do Sul Global. Entre os modelos de resposta apresentados no episódio, o norte-americano, o europeu e o chinês, o professor manifestou preferência pelo modelo regulatório da União Europeia, com adaptações à realidade nacional, e mencionou a agência pública sueca de combate à desinformação como referência.

O episódio completo pode ser assistido no YouTube.