A Identidade Visual do IV ELBPGG/II RIAPG

A identidade visual do VI Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação e a II Reunión Ibero-americana sobre Patrimônio Geomorfológico (RIAPG) foi cuidadosamente elaborada para traduzir a complexidade, a singularidade e a beleza da geodiversidade da Planície Costeira do Rio Grande do Sul. A narrativa visual é conduzida por uma paleta de cores diretamente ancorada nos processos geomorfológicos que estruturam o estuário da Lagoa dos Patos e sua planície costeira associada.
O Azul Profundo inaugura a composição ao representar a influência do Oceano Atlântico Sul, cuja energia hidrodinâmica atua na gênese e reconfiguração das formas costeiras, controlando a abertura e o fechamento de barras, bem como a dinâmica sedimentar na interface oceano-laguna. Nesse contexto, destaca-se a penetração da cunha salina no interior do sistema lagunar, elemento fundamental para a configuração do estuário da Lagoa dos Patos, marcando a intrusão de águas marinhas e estabelecendo gradientes físico-químicos que condicionam processos sedimentares e morfológicos ao longo do canal estuarino.
O Azul-Turquesa traduz a zona estuarina propriamente dita, onde se materializa o encontro entre águas marinhas e continentais. Nesse ambiente de forte variabilidade hidrodinâmica, controlado sobretudo pela ação dos ventos e pelas oscilações de nível, desenvolvem-se feições geomorfológicas dinâmicas, como canais, bancos arenosos e ilhas lagunares, cuja morfologia reflete a instabilidade e a permanente reorganização do sistema.
O Verde-Água remete às águas interiores da lagoa, sob maior domínio fluvial, onde a menor energia relativa favorece a decantação de sedimentos finos e a formação de extensas superfícies planas. Esse domínio está associado à gênese de margens lagunares, planícies de inundação e áreas úmidas, evidenciando a estreita relação entre hidrodinâmica, sedimentação e modelado do relevo.
O Bege-Argiloso se refere aos depósitos transportados pelos principais sistemas fluviais que alimentam o estuário, como as bacias dos rios Camaquã, Jacuí e o sistema hidrográfico da Lagoa Mirim. Esses aportes sedimentares são fundamentais para a construção e constante reconfiguração de feições deposicionais recentes, como planícies de inundação, áreas úmidas e superfícies lagunares rasas, constituindo registros da evolução geomorfológica quaternária e das variações hidrossedimentares e climáticas ao longo do tempo.
Sobre essa base, o Verde-Terra representa os ambientes geomorfológicos associados à estabilização relativa das superfícies, como banhados, restingas e campos, que se desenvolvem em estreita dependência das condições hidrossedimentares. Esses ambientes expressam a interação entre processos geomorfológicos e cobertura vegetal, fundamentais para a manutenção da dinâmica e da integridade do sistema estuarino.
O Branco-Neblina sintetiza a dimensão atmosférica que atua sobre o relevo, especialmente por meio da ação dos ventos, da umidade e da recorrente formação de nevoeiros. Esses elementos influenciam diretamente a dinâmica das águas e a redistribuição de sedimentos, reforçando a leitura integrada entre hidrosfera, atmosfera e litosfera e evidenciando que o patrimônio geomorfológico do estuário da Lagoa dos Patos resulta de uma interação contínua entre processos aquáticos e formas do relevo.
Juntos, esses elementos reafirmam o papel do evento em promover uma compreensão integrada do patrimônio geomorfológico como um registro de relevância nacional e internacional.