A pesquisa apoia-se no paradigma da sustentabilidade, pensando no projeto de cidades cujos espaços coletivos potencializem a inclusão e a sensibilidade aos aspectos intergeracionais e de diversidade de gêneros e culturas. Para isso, partiu-se do conhecido Triple Botton Line – linha das três pilastras criadas por Jonhn Elkington em 1994 (Elkington, 2012), que indica que o desenvolvimento sustentável deve ser economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo (Iaquinto, 2018).
No entanto, para a tornar o estudo mais operativo, o projeto desdobra essas três linhas em várias dimensões. Silva, Souza e Leal (2012) definem cinco dimensões da sustentabilidade: ambiental, social, econômica, política e cultural. No projeto Cidades Médias são assumidas quatro desses pilares – dois deles agrupados em um (sociopolítica) – e incorporada uma quinta dimensão: a dimensão formal/espacial.
Obviamente temos consciência da interface e interpenetração entre todas as dimensões – aspectos culturais, políticos, sociais e espaciais estão presentes em todas elas. A classificação se dá unicamente em função da operacionalização dos trabalhos.
Por outro lado, além de ser um projeto multidimensional, engloba tanto metodologias de análise e diagnóstico tradicionais na área da Arquitetura e Urbanismo como metodologias e práticas de participação comunitária: a inclusão da percepção da população sobre o espaço que habita permite uma melhor compreensão das suas demandas atuais. Como a avaliação e a dinâmica das ações perpassam os aspectos sociais, culturais, ambientais, territoriais e formais, constituem-se como um importante elo de diálogo entre as várias dimensões do estudo ao coletarem informações de interesse de todas elas[1].
Observamos também que os estudos de evolução urbana desenvolvidos inicialmente dentro da subdimensão processo/crescimento/devir urbano também produziram um material especialmente importante para o conjunto da investigação, servindo de base a todas as dimensões estudadas ao trazer uma compreensão do processo de formação da cidade.
Dimensões da pesquisa:
- Socio-Política : estudos que dizem respeito à garantia de que “todas as pessoas tenham condições iguais de acesso a bens, serviços de boa qualidade necessários para uma vida digna” (Mendes, 2009, p. 54) e à “presença de espaços que incrementem a participação democrática dos sujeitos nas tomadas de decisões” (Silva, Souza e Leal, 2012, p. 184). Neste estudo confere-se grande atenção à presença do Estado nos espaços estudados e como as comunidades locais têm se apropriado desses territórios;
[1] É importante destacar que o estudo e seus instrumentos já estão aprovados na Plataforma Brasil, estando garantidas assim a proteção dos participantes e a ética científica.
- Ambiental e Ecológica: respeito aos ecossistemas naturais; preservação dos recursos naturais, bem como limitação de uso. Refere-se, de modo geral, às questões de “manutenção da integridade do ambiente pela minimização dos impactos urbanos” (Silva, Souza e Leal, 2012, p. 184). Nesta investigação adquire especial importância os aspectos de mudanças climáticas e os impactos urbanos em termos de alagamentos agravados pela localização da área de estudo à margem de um canal. Avalia-se ademais as condições de infraestrutura nas áreas de estudo. Também é tema de destaque o estudo do conforto térmico a partir de diferentes combinações de morfologia urbana e vegetação em espaços abertos, levando em conta características climáticas diferenciadas no extremo sul do Brasil;
- Cultural: equilíbrio entre tradição e inovação, dando autonomia a projetos nacionais, ao mesmo tempo em que promove a confiança e abertura para o mundo. São questões específicas da pesquisa a “promoção da diversidade e identidade cultural em todas as suas formas de expressão” (Silva, Souza e Leal, 2012, p. 184), preservando e divulgando a história e os valores culturais regionais. Este projeto tem especial interesse em identificar o grau de reconhecimento pela população dos objetos e espaços com salvaguarda pelos órgãos oficiais, assim como inventariar os lugares e objetos memoráveis e de forte referência para a comunidade;
- Formal e Espacial: dá ênfase à espacialidade urbana incluindo aspectos ligados à memória, ambiência e paisagem urbana e cultural. Faz uma referência direta à urbanidade e vitalidade das zonas de estudo na cidade de Pelotas e à capacidade dos lugares em potencializar a apropriação e o uso por parte da população. Essa dimensão dá ênfase à espacialidade urbana incluindo aspectos ligados à memória, ambiência e paisagem urbana e cultural. Faz uma referência direta à urbanidade e vitalidade das zonas de estudo na cidade de Pelotas e à capacidade dos lugares em potencializar a apropriação e o uso por parte da população. Toma como definição de apropriação a de Lara-Hernandez, Melis e Caputo (2017): uma sinergia contínua entre os cidadãos e a paisagem urbana evidenciada através de atividades específicas que contribuem para a construção da paisagem social urbana.

Tabela 1 Legenda: estrutura da pesquisa indicando as várias dimensões, as perguntas de pesquisa, os objetivos e os. Fonte: Pesquisa Cidades Médias.