Bagé é um município localizado no sul do estado do Rio Grande do Sul, próximo ao rio Negro, maior afluente do rio Uruguai e fazendo fronteira com o Uruguai. Em termos de evolução urbana, Bagé foi alçada à categoria de município em 1846. Na época, com exceção do quartel, praças e outras poucas edificações, seu entorno ainda era totalmente despovoado. Apesar de eventos como a Guerra do Paraguai, que contribuíram, de certa forma, para o crescimento da região, grande parte da infraestrutura ainda era muito precária, incluindo as estradas municipais.
No entanto, aos poucos isso começa a mudar. No final do século XIX, em 1884, estabelece-se a ferrovia ligando Rio Grande, Pelotas e Bagé, permitindo, assim, um fortalecimento do município bageense e uma maior autonomia em relação a Pelotas, sobretudo a partir do início do Ciclo do Charque. A grande maioria das charqueadas instalaram-se ao longo da viação férrea e estimularam também uma incipiente “zona industrial” e ocupação de apoio no município. Como acontece em outras núcleos urbanos no Brasil, o início do século XX em Bagé foi marcado por obras de melhoramento, incluindo de iluminação pública, rede de esgoto, ajardinamento e calçamento de vias e calçadas.
Nas décadas de 1930 e 1940, com a queda do mercado de charque, o setor pecuarista contorna a crise econômica através da inauguração de frigoríficos, que fazem Bagé voltar a prosperar regionalmente. Além da influência econômica, o município também teve ressonância política, com muitas figuras locais ocupando cargos de destaque no estado. Além dos frigoríficos, sobretudo a partir de investimentos pelo Banco Nacional da Habitação, estabelecido em 1964, o setor da construção civil também passa a dominar a economia bageense. O último censo (2022) indicou uma população de 117.938 habitantes no município de Bagé, conforme dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Recorte geográfico da pesquisa
Seguindo os mesmos critérios da seleção da área de estudo em Pelotas – o tema da ferrovia e as ideias de limite, margem e fronteira – foi escolhida como área de trabalho em Bagé a faixa que acompanha o leito da antiga linha férrea e que, atualmente, cruza a cidade de Norte a Sul. Além disso, o recorte geográfico da pesquisa também contemplou exemplares de interesse como a Ponte Seca. A região que a circunda, inclusive, foi escolhida como zona piloto na cidade, justamente, pela demanda detectada pelos próprios pesquisadores locais, ao perceberem o grau de deteroriação da Ponte, marco urbano localizado na área central de Bagé.
