Pelotas

A cidade de Pelotas localiza-se no sul do estado do Rio Grande do Sul, às margens do Canal de São Gonçalo e da Lagoa dos Patos. Em 1812 a localidade foi elevada à categoria de Freguesia de São Francisco de Paula, em 1832 à categoria de Vila e, em 1835, à cidade de Pelotas. O desenvolvimento econômico da região teve seu auge no século XIX, a partir da produção da indústria saladeiril. Nesse período, diversas charqueadas escravagistas instalaram-se às margens dos cursos d’água, em especial no arroio Pelotas e no Canal de São Gonçalo.

A desobstrução da foz do Canal de São Gonçalo possibilitou o embarque do charque na cidade, que antes dependia do translado no porto de Rio Grande. Essa obra impulsionou a atividade portuária na cidade. A instalação da ferrovia possibilitou a conexão entre os dois modais de transporte, ampliando a comunicação da região com a campanha gaúcha. A instalação dessas atividades nas margens da cidade configurou uma espacialidade diferenciada nesses locais de borda, de transição entre o tecido já consolidado e as áreas de expansão, junto e a partir desses limites urbanos. Nesses locais localiza-se uma parte expressiva do patrimônio cultural material e imaterial da região. Alguns desses bens encontram-se protegidos pelos órgãos de preservação. Outros ainda encontram-se à margem da salvaguarda oficial. O último censo (2022) indicou uma população de 325.685 habitantes no município de Pelotas, conforme dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Recorte geográfico da pesquisa

Paralelamente à construção de um referencial conceitual para a pesquisa, estabeleceram-se s às áreas a serem estudadas nas duas cidades, Pelotas e Bagé. Em Pelotas, a equipe de pesquisadores, depois de discutir o material levantado pelo grupo e nos debates, seminários e reuniões internas, concordaram que a área de pesquisa em Pelotas seria uma zona ao sul da cidade, de maneira a englobar: a margem do Canal São Gonçalo; o leito da ferrovia (ativa e inativa); e ocupações urbanas como as comunidades das Doquinhas, Passo dos Negros e bairro Simões Lopes (ilustrados no mapa abaixo); esse último escolhido como zona piloto – isto é, a primeira região a serem aplicados os instrumentos de pesquisa.

É importante ressaltar que a escolha por essa região no bairro Simões Lopes, em Pelotas, ocorreu pela complexidade espacial e social do lugar e pela multiplicidade de questões a serem investigadas ali. Por um lado, há a linha férrea e construções pertinentes que trazem a questão do patrimônio material e imaterial, incluindo a memória do lugar, aspectos históricos e intergeracionais. Por outro, a zona também possibilita o aprofundamento de temas contemporâneos referentes à produção do espaço, no sentido Lefebvriano do termo, como o uso formal/informal do território, a apropriação do ambiente construído, a presença do estado na região e a relação entre qualidade espacial e promoção de políticas públicas. 

Mapa das áreas de estudos de Pelotas

Por fim, mas não menos importante, o recorte geográfico da pesquisa também abrange algumas das áreas da cidade que sofreram com as enchentes de maio de 2024 ou que foram demarcadas como área de risco para alagamentos. As áreas em destaque, dentre outras urgências, evidenciam, portanto, a importância da inclusão também de aspectos ambientais e climáticos na pesquisa.