No dia 03 de julho de 2025, foi realizada em Buenos Aires a 66ª Cúpula do MERCOSUL a qual marcou a transição da presidência pró-tempore do bloco regional da Argentina para o Brasil.
Neste aspecto, avalia-se as principais pautas levantadas do país sob a liderança do Presidente Lula, demonstrou uma abordagem pragmática e propositiva, focada na reativação de agendas estratégicas para a integração regional. As prioridades anunciadas na 66ª Cúpula do Mercosul em Buenos Aires refletem uma clara intenção de fortalecer os pilares econômicos e políticos do bloco (BRASIL, 2025).
Entre os pontos de destaque, observa-se a ênfase na finalização do acordo Mercosul-União Europeia, o que sublinha a ambição de expandir as relações comerciais externas do bloco. A proposta de fortalecimento da Tarifa Externa Comum (TEC) e a incorporação de setores-chave como o automotivo e o açucareiro ao regime comercial indicam um esforço para aprofundar a união aduaneira, um objetivo fundamental para a consolidação do Mercosul como um bloco econômico coeso. A iniciativa de um “Mercosul verde” e o avanço no Fundo para a Convergência Estrutural (FOCEM 2) demonstram uma preocupação com a sustentabilidade e o desenvolvimento regional equitativo, respectivamente.
Além disso, a cooperação em segurança pública, como pauta principal, e o fortalecimento da dimensão política e social, com a valorização de institutos como o Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH) e o Instituto Social do Mercosul (ISM), revelam uma visão multidimensional da integração, que transcende a esfera meramente comercial. O combate ao crime organizado como prioridade pode ser vista como uma resposta reativa a uma ameaça crescente, e uma tratativa de visão proativa para a integração regional. O Mercosul, para se fortalecer, necessita de agendas que impulsionem o crescimento econômico e a estabilidade social, fatores que, a longo prazo, também contribuem para desarticular as bases do crime (CNN, 2025).
Dessa forma, a postura brasileira, ao buscar o diálogo, a negociação de acordos comerciais e o fortalecimento institucional, alinha-se a uma tradição de diplomacia multilateral e de valorização dos blocos regionais como plataformas para projeção internacional e desenvolvimento conjunto, característicos de suas diretrizes da política externa. Essa abordagem tende a fomentar a estabilidade e a previsibilidade nas relações intra-bloco, essenciais para a atração de investimentos e o crescimento econômico, situação contrária apresentada durante a presidência de Milei onde a instabilidade econômica interna, com retração do consumo e estagnação industrial, comprometeu a capacidade do governo de formular propostas coerentes no âmbito do Mercosul. Destaca-se que o perfil ideológico confrontacional do argentino também dificultou a construção de consensos regionais e enfraqueceu a posição do bloco, gerando atritos que poderiam minar a confiança mútua entre os Estados-membros (GRECCO, 2025).
Referências:
BRASIL. Presidência da República. Presidente Lula participa da 66ª Cúpula do Mercosul em Buenos Aires. [S. l.], 2025. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/06/presidente-lula-participa-da-66a-cupula-do-mercosul-em-buenos-aires. Acesso em: 24 jul. 2025.
CNN BRASIL. Alberto Pfeifer: Combate ao crime organizado é principal pauta do Mercosul. [S. l.], [2025]. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/alberto-pfeifer-combate-ao-crime-organizado-e-principal-pauta-do-mercosul/. Acesso em: 24 jul. 2025.
GRECCO, E.. Geomercosul. Mercosul: os dilemas da presidência pro tempore de Milei. Pelotas, 3 jul. 2025. Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/geomercosul/2025/07/03/mercosul-os-dilemas-da-presidencia-pro-tempore-de-milei/. Acesso em: 24 jul. 2025.
* Eduardo Grecco é acadêmico de Relações Internacionais/UFPEL e pesquisador do GeoMercosul.
