Sexta edição do Café com a Coordenação reúne estudantes e Coordenação do Comércio Exterior em roda de conversa

Na sexta-feira, dia 04 de setembro, às 19h, na sala 427 do Campus Anglo, aconteceu a sexta edição do Café com a Coordenação, iniciativa do projeto de extensão Comunicação Organizacional e Pública para o Curso de Comércio Exterior. O encontro reuniu estudantes veteranos e calouros do curso e contou com a presença dos professores Daniel Lena Marchiori Neto, Coordenador do Curso, e Luciano Vaz Ferreira, Coordenador Adjunto. A roda de conversa se organizou em quatro pontos.

No primeiro ponto, a coordenação apresentou o Protocolo Institucional para Gestão de Eventos Climáticos Extremos da UFPel, instituído pela Portaria nº 270/2026. O Protocolo estabelece quatro níveis de enquadramento de impacto, baixo, médio, alto e severo, cada um associado a orientações distintas sobre o funcionamento das atividades acadêmicas. No nível severo as atividades presenciais são suspensas, com reposição posterior. No nível alto as atividades passam ao formato não presencial, de modo assíncrono, pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem. Já no nível médio o Protocolo prevê a manutenção das atividades presenciais, associada ao mapeamento das pessoas atingidas pelo evento extremo e à garantia de recomposição de frequência e conteúdo aos estudantes impossibilitados de comparecer.

Foi justamente esse último ponto que concentrou boa parte do debate. Os estudantes relataram que, mesmo em um cenário de impacto médio, as condições concretas de deslocamento até a Universidade costumam ser difíceis. Citaram ruas que alagam com facilidade, a ausência de transporte público em determinados trajetos e paradas de ônibus sem cobertura. A coordenação perguntou sobre a possibilidade de adoção do ensino remoto síncrono nessas situações e a proposta foi bem recebida pela turma. Os estudantes comentaram que já estão habituados a esse formato de ensino e não veem prejuízo na sua adoção, sobretudo porque as aulas ficam gravadas no sistema. Ponderaram, contudo, que a modalidade não deveria contar com controle de frequência por acesso ao vivo, uma vez que parte da turma pode enfrentar dificuldades pontuais de acesso à internet mesmo durante o evento climático. Sugeriram, como alternativa, outras formas de verificação de participação, como a entrega de trabalhos. Essa foi a posição consensual da turma. A coordenação sugeriu que o Diretório Acadêmico elaborasse um documento com a assinatura de todos os estudantes registrando essa posição, a ser encaminhado ao Colegiado do Curso para a construção de um protocolo de orientação aos docentes em situações de evento climático de nível médio.

No segundo ponto, a coordenação explicou o funcionamento das eleições para a Coordenação e para o Colegiado do Curso. Aproveitou o momento para sugerir aos estudantes que se engajassem no Diretório Acadêmico e buscassem construir, a partir dele, uma representação consensual para o Colegiado.

O terceiro ponto tratou das disciplinas ofertadas na modalidade EaD. A coordenação explicou que, pela primeira vez, o curso oferece uma disciplina a distância, no contexto do currículo novo, e apresentou os motivos que levaram o projeto pedagógico a incorporar essa modalidade. A medida responde à necessidade de flexibilizar o currículo para os estudantes que trabalham. A oferta de EaD não constitui uma opção isolada, mas uma diretriz pensada para quem concilia trabalho e estudo. A equipe docente se preparou por um ano e meio para apresentar a modalidade aos estudantes com rigor, buscando um ensino sério e distante do modelo adotado por muitas instituições privadas com fins lucrativos, nas quais a oferta a distância se resume à disponibilização de material. No EaD do curso há combinação de aulas assíncronas, gravadas por docentes em estúdio da UFPel, com aulas síncronas e acompanhamento continuado. Trata-se de experiência inédita no curso, que depende do retorno dos estudantes para o seu aprimoramento. O Diretório Acadêmico se comprometeu a acompanhar a opinião da turma e auxiliar os docentes nesse processo. Os estudantes, por sua vez, destacaram a importância de combinar ensino a distância e presencial, já que parte deles atua como freelancer, e enxergaram nessa flexibilização uma via para ampliar a permanência no curso.

O quarto ponto foi dedicado à extensão. O professor Daniel Lena Marchiori Neto fez um relato extenso sobre a forma como a extensão passou a ser curricularizada pela legislação federal, a partir da Meta 12 do Plano Nacional de Educação, Lei nº 13.005/2014, cuja estratégia 7 determina a reserva de, no mínimo, 10% dos créditos curriculares da graduação para programas e projetos de extensão universitária. Segundo o professor, os docentes ainda seguem em processo de adaptação a essa exigência. Durante a discussão do novo Projeto Pedagógico do Curso, diversas estratégias de curricularização da extensão foram avaliadas, mas o curso enfrenta limites concretos. Não existe espaço físico adequado e exclusivo para o Comércio Exterior, o que dificulta, entre outras coisas, a participação do curso no PEIEX, o Projeto de Extensão Industrial Exportadora mantido pela Apex-Brasil, voltado à qualificação de pequenas e médias empresas para o processo de exportação. Some-se a isso o fato de o curso ser um tecnólogo noturno de curta duração, o que impede os estudantes de participarem de atividades ao longo do dia.

Diante desse cenário, o curso optou por aproveitar a extensão para inserir conteúdos de direitos humanos e políticas públicas, em linha com as diretrizes do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, que recomenda às instituições de educação superior o estímulo a ações de extensão voltadas à promoção dos direitos humanos. É essa orientação que explica por que as ementas do curso se adequam a projetos como o Constituição nas Escolas. O formato de extensão adotado pelo curso, com envolvimento efetivo junto à comunidade, também funciona como um laboratório de aperfeiçoamento de competências como liderança e oratória. O curso busca ainda integrar a formação à prática profissional por meio de visitas técnicas, política que já vem sendo executada e que coloca o Comércio Exterior entre os cursos que mais conseguem viabilizar visitas técnicas na Universidade via editais.

A coordenação apresentou uma proposta de flexibilização adicional para os estudantes. A ideia consiste em estender as regras de transição também aos alunos do novo currículo. Assim, quem não desejar cursar Oficina de Extensão I e Oficina de Extensão II poderia solicitar aproveitamento de estudos, combinando disciplinas optativas fora do Banco de Optativas, não utilizadas para a integralização das 150 horas optativas, com certificados de participação em projetos de extensão realizados desde o ingresso do estudante no curso. A proposta foi bem recebida pela turma, mas a coordenação alertou para um risco. A exigência de certificado pressupõe uma ação já concluída, com relatório aprovado pelo COCEPE e certificado encaminhado por e-mail aos estudantes, processo que pode atrasar a formatura de quem depender dele. O tema seguirá para avaliação do Colegiado do Curso.

O encontro se encerrou com um coffee break, momento em que estudantes e professores puderam descontrair.