O avanço da soja e seus impactos

A ameaça ambiental

O cultivo da soja emprega o uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas. Nos últimos vinte anos (2002-2022) a superfície cultivada de soja no Pampa latino-americano passou de 10.198 Km2 para 27.771 km2. Tal expansão, acunhada de “sojização”, acarreta:
a) Eliminação de espécies nativas e da fauna que habita o seu interior
b) Contaminação dos cursos d’água
c) Erosão dos solos e formação de desertos
d) riscos iminentes a outras atividades produtivas (vitivinicultura, olivicultura, apicultura)

 

Transformações demográficas

A expansão da soja acelera o êxodo rural, a expulsão prematura de jovens do campo e a masculinização da população rural.

Alterações na paisagem

Extensas planícies, mescladas com capões de mato, arroios e sangas vêm sendo convertidas em “desertos verdes” onde passa a reinar a monocultura sojeira.

Mudanças culturais

A soja produz uma mudança silenciosa e dramática que se dá através da eliminação de ofícios e atividades ligadas à pecuária extensiva. Alambradores, esquiladores, artesãos e artesãs da lã e do couro tornam-se o espectro de um mundo em franca desaparição.

Ilusão de riqueza

A quase totalidade da soja produzida no Brasil é exportada em bruto, sem qualquer agregação de valor ou geração de postos de trabalho no país. Crises de endividamento são frequentes entre os produtores devido ao alto grau de exposição aos humores do mercado, vulnerabilidade do sistema produtivo, altamente dependente de importação de insumos e especulação fundiária.

Insegurança alimentar e pobreza

Desafiamos a todos aqueles que erroneamente dizem que soja é um alimento. Em verdade se trata de um mero insumo usado na cadeia produtiva de rações que alimentam os rebanhos da Europa e Ásia. É crescente a importação de alimentos de outras regiões do país e do exterior. O espaço ocupado pela soja – altamente subsidiada pelo Estado via isenção de tributos – produz declínio de cultivos e criações que são cruciais para a soberania alimentar do Brasil.