Regulamentação do Design

Na seção diversos trazemos textos de assuntos variados que tem como ponto em comum trazerem uma autorialidade que as outras seções do blog não possuem. Tem algum texto bacana que gostaria que publicassem aqui? Envie para vitrinesuldesign@gmail.com.

Antes de começar gostaria de deixar claro que tudo escrito abaixo é a MINHA opinião sobre o assunto, não estou dizendo que eu estou certo e que quem está contra a minha opinião está errado, pois acredito que ninguém é bom o suficiente para dizer o que é certo ou errado, até por que isso é uma questão muito pessoal, social e cultural. Também não venho com esse texto querer mudar, persuadir, confundir, problematizar a opinião de ninguém: cada um tem seu livre arbítrio e o direito de tomar sua decisão, mas as pessoas se posicionam e também tem o direito de falar o que pensam desde que não desrespeitem ninguém e o que falo aqui é apenas o meu posicionamento. Mais ainda, antes de começar, queria dizer que pesquisei e troquei ideias amigáveis com pessoas que são contra a regulamentação da profissão de design e indico para todos que concordam comigo sobre o texto abaixo que façam o mesmo, porque para ter uma opinião concreta sobre algo que – seja o assunto que for – tem que entender os dois lados da moeda, caso contrário você estará sujeito a ser só mais um acéfalo da internet que julga todo mundo e não quer ser julgado porque isso fere o seu ego.

A geração da internet gosta muito mais de falar do quê de ouvir, muito de postar e pouco de pesquisar. Parece que as pessoas têm medo de ouvir quem é contrário a elas porque tem medo de mudar de opinião ou de estar errado e isso mexe com o ego da gente, e quem gosta de ter o ego quebrado? Mas isso faz parte da vida e quem está no meio acadêmico já deveria ter se acostumado com isso, além de que, quando não se ouve uma pessoa que pensa o contrário do que você pensa, não se tem base alguma para se continuar carregando nas costas o posicionamento que você defende, quando alguém te fala o contrário do que você pensa, você é obrigado a raciocinar os motivos de tudo que você acredita estar realmente certo, PARA VOCÊ. E se você mudar de opinião também não tem problema, nunca é tarde para reconhecer que errou.  Reconhecer erros se chama amadurecer. Por tanto deixo uma dica: quando for ouvir alguém contrário a sua opinião, escute essa pessoa, não a interrompa, mesmo que doa ao seu ego, apenas a escute, isso vai te tornar uma pessoa muito melhor.

Agora sem mais demoras, minha opinião:

Minha opinião sobre a regulamentação do design é: Essa história de que qualquer um pode ser um designer deveria acabar e eu vou explicar o meu ponto de vista. Se existe cursos profissionalizantes, cursos técnicos, cursos de artes (que também deixam a pessoa apta a trabalhar como designer), se existem universidades e academias te ensinando a se profissionalizar em um assunto é por que devidamente você deve se tornar um profissional acadêmico nesse assunto. Faculdades de medicina profissionalizam médicos, de direito advogados e de design, designers. Não se vê por aí uma pessoa entrando no Youtube e aprendendo em vídeo aula como operar uma ponte de safena, também não se vê um dentista aprendendo a arrancar um dente ou colocar aparelhos com “no vídeo de hoje você vai aprender a ser um dentista”, então não faz sentido uma pessoa aprender a ser designer assistindo vídeos na internet e ser considerado um profissional sem ter passado por todo um processo de aprendizado acadêmico ou técnico (independentemente da plataforma) antes.

Eu não acordo todos os dias pela manhã, mal ou bem humorado, triste ou feliz, doente ou são, com problemas ou sem problemas, aturando muitas vezes humilhações implícitas de certos professores ou aturando pessoas que não suporto, gastando com aluguel, contas para pagar, móveis, consertos, comida, falta de segurança, dependendo da boa vontade de agências, professores com projetos para disponibilizarem bolsas e estágios para que possa me manter em uma cidade para estudar design, pra uma pessoa ficar em casa sem fazer nada o dia inteiro assitir um vídeo no Youtube de 20 minutos aprendendo a vetorizar uma forma e ganhar o dinheiro que eu deveria estar ganhando e que só perdi por ser um profissional e o valor que cobro do meu serviço ser maior do que o da pessoa que ficou em casa assistindo vídeo.

 
Há argumentos que dizem que com a regulamentação a valorização do serviço de design vai desvalorizar porque muitas pessoas boas não poderão trabalhar e que podem existir pessoas que são ruins, com diploma, aptos a fazer o serviço. Mas na minha opinião, em 1º lugar, a desvalorização existe a partir do momento que uma pessoa que nunca fez um curso de design faz um trabalho de péssima qualidade e o cliente por não entender nada sobre design, confia nesse suposto profissional, paga pelo produto e usa o trabalho de design em sua loja, empresa, etc como se fosse a melhor obra do mundo, chamamos esses supostos profissionais de os famosos “sobrinhos”. Isso, além de desvalorização, é falta de caráter, o cliente confiar na pessoa, gastar seu dinheiro e a pessoa exibir um péssimo trabalho e ainda por cima ser chamado de designer, isso é uma péssima imagem para nós.
Em 2º lugar, não existe designer ruim, existe designer sem técnica: essa que aprendemos aonde? Pois é, de novo: faculdades, ensinos técnicos, cursos de arte e etc.  Eles estão aí para te ensinar da essência do conceito e metodologia à parte visual para que tudo fique muito bem executado, e esse designer, apto por um diploma, que faz um trabalho ruim hoje em dia, a culpa é tanto do aluno que não aproveitou o conhecimento que lhe foi ensinado e as oportunidades de tirar sua dúvida e dos professores que na hora de avaliar aquele projeto horrível do aluno sendo exibido nos slides, sem profissionalismo nenhum nem na hora da apresentação oral com conceito de web 1.0 quando já estamos entre web 3.0 e 4.0 deu nota 8, 9, 10. Quando não vamos bem em algo, nos questionamos o porquê de estar errado.

 

 
E novamente sobre desvalorização de trabalho se não houver regulamentação, – ainda envolvendo esse assunto de alunos apresentando serviços ruins após saída de formação – Você se considera um bom designer? Se a resposta é sim, que tipo de desvalorização você irá sofrer perto de um concorrente, que mesmo formado, faz um trabalho ruim? Você não vai lucrar mais? Não vai conseguir mais clientes se seu concorrente for ruim? Então que tipo de desvalorização é essa? Tem também argumentos econômicos sociais de quem é contra a regulamentação, visando que cursos de design são caros e nem todos têm condição de pagar. Entendo isso perfeitamente, concordo e inclusive conheço pessoas que se encaixam nesse argumento. Aliás sou contra meritocracia: não existe meritocracia num país com desigualdade social e para quem acredita nisso tenho um ótimo material mostrando essa realidade, porém as cotas oferecidas pelo governo estão aí para suprir essa demanda. Tenho um amigo (a) que me deixou contar um pouco de sua história sobre isso, ele (a) entrou pelo sistema de cotas porque realmente precisou, a nota dessa pessoa no Enem foi muito baixa e seu estudo foi precário, o que o (a) prejudicou muito quando foi fazer curso pré-vestibular aliás, só conseguiu entrar por que o concorrente antes dele (a) na fila de chamada não compareceu a chamada oral. Concordo que cotas devem existir, mas apenas por que nem todos têm a mesma qualidade de estudo, na realidade o correto é que todos tenham a mesma qualidade de estudo. Esse meu amigo (a) não se orgulha de ter precisado utilizar o sistema de cotas, ele diz que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam os cotistas não se orgulham de precisar usar um sistema de cotas para conseguir o básico, que é estudar. Ele (a) conta também que logo que ele veio morar na cidade, arrumou um emprego nos classificados do jornal para pagar seu cursinho para conseguir entrar na faculdade de design, o dinheiro que ganhou trabalhando não foi para fazer Mário Quintana, foi para pagar o cursinho mais barato da cidade. Isso tudo para estar num curso de universidade federal, para um cara abrir o Youtube, aprender a vetorizar uma marca em 20 minutos, ser considerado designer e conseguir clientes que deveriam ser desses outros alunos como eu?

 
Por tanto, por todo o trabalho que estudantes de design passam para entrar dentro do curso, por tudo que esses estudantes passam para conseguir se manter no curso, e pelo fim de “sobrinhos” realizando trabalhos ruins, cobrando preços completamente descabíveis e aí sim desvalorizando meu trabalho, sou a favor da regulamentação do design.

 

 

Autor: Anônimo

Postado por: Mariana do Couto e Silva

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