{"id":681,"date":"2019-04-08T09:19:16","date_gmt":"2019-04-08T12:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/travessias\/?page_id=681"},"modified":"2019-04-08T10:45:50","modified_gmt":"2019-04-08T13:45:50","slug":"entrevistas-de-manejo-cartografico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/travessias\/entrevistas-de-manejo-cartografico\/","title":{"rendered":"Entrevista de manejo cartogr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O procedimento metodol\u00f3gico da\u00a0 <strong>entrevista de manejo cartogr\u00e1fico<\/strong>, assume um aspecto qualitativo, se aproxima de uma conversa, em que h\u00e1 um roteiro de perguntas flex\u00edveis e adapt\u00e1veis a cada situa\u00e7\u00e3o. O processo da entrevista n\u00e3o se restringe a perguntas e respostas, extrapola tamb\u00e9m o campo da percep\u00e7\u00e3o, do ambiente inserido, e da apreens\u00e3o de todas as for\u00e7as coletivas envolvidas. \u201cA entrevista visa n\u00e3o \u00e0 fala sobre a experi\u00eancia, e sim \u00e0 experi\u00eancia na fala\u201d (TEDESCO, SADE, CALIMAN; 2014, p.100).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No segundo volume do livro Pistas do m\u00e9todo da cartografia, Silvia Tedesco, Cristian Sade e Luciana Caliman se dedicam a esclarecer alguns apontamentos sobre o procedimento da entrevista, mas logo de in\u00edcio afirmam que \u201cn\u00e3o existe entrevista cartogr\u00e1fica, mas manejo cartogr\u00e1fico de entrevista\u201d (2014, p.93). O interesse da cartografia est\u00e1 em pesquisar a experi\u00eancia, os processos e as din\u00e2micas dos encontros e atravessamentos. Sendo assim, a entrevista \u00e9 um instrumento \u00fatil para capturar a ess\u00eancia dos acontecimentos. Desde a acolhida do entrevistado, at\u00e9 o compartilhamento de experi\u00eancias de vida, conte\u00fado e express\u00f5es na fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A aplica\u00e7\u00e3o da entrevista das cidades-g\u00eameas se dividiu em duas frentes de abordagem, a primeira est\u00e1 relacionada ao acaso e acolhimento inesperado do<br \/>\nentrevistado (morador ou turista) que, preferencialmente, se encontra no espa\u00e7o p\u00fablico na linha de fronteira, inserido no contexto das pr\u00f3prias inquieta\u00e7\u00f5es do pesquisador. A segunda frente de abordagem envolve uma prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, um agendamento antecipado que escolhe alguns entrevistados mediante sua rela\u00e7\u00e3o intelectual, profissional com as cidades, tanto gestores (prefeitos, vereadores, secret\u00e1rios) como t\u00e9cnicos (arquitetos, engenheiros) ou pesquisadores (professores, historiadores) que de certa forma s\u00e3o respons\u00e1veis e conhecem as transforma\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico binacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Anterior a abordagem, o pesquisador estrutura um roteiro de perguntas \u201cgatilho\u201d que s\u00e3o constru\u00eddas mediante a eixos tem\u00e1ticos, mas sem a obriga\u00e7\u00e3o de qualquer ordem ou precis\u00e3o de que todas sejam respondidas. Diferente da entrevista convencional, ou mesmo question\u00e1rio, a entrevista de manejo cartogr\u00e1fico n\u00e3o est\u00e1 fixa as perguntas, mas deseja observar o desenrolar do di\u00e1logo e permitir a fluidez em que outras perguntas podem saltar. Para isso as perguntas precisam ser mais abrangentes, indo na contram\u00e3o de palavras de ordem ou que limitam muito o campo das respostas. Evitando perguntas muito diretas e simplistas, como \u201co que \u00e9?\u201d, \u201cconcorda, ou n\u00e3o?\u201d, e dar prefer\u00eancia as perguntas abertas a complexidade e aos desdobramentos poss\u00edveis, que v\u00e3o em busca da experi\u00eancia para formular como resposta, \u201ccomo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro eixo tem\u00e1tico das perguntas se refere a fronteira Brasil-Uruguay: (a) como \u00e9 estar na Fronteira? Como \u00e9 conviver (morador) ou transitar (turista) nessa Fronteira? (b) como voc\u00ea se sente ao atravessar a fronteira? (c) em que circunst\u00e2ncias voc\u00ea utiliza a outra cidade de fronteira? (d) qual a tua experi\u00eancia com as aduanas e a presen\u00e7a militar? O segundo eixo se refere ao espa\u00e7o\/lugar p\u00fablico da fronteira: (e) como voc\u00ea avalia os espa\u00e7os p\u00fablicos (ruas, pra\u00e7as, ponte), em especial aqueles pr\u00f3ximos \u00e0 linha de fronteira? (f) como voc\u00ea se sente ao usar o espa\u00e7o p\u00fablico, as ruas, pra\u00e7as e pontes, que s\u00e3o pertencentes aos dois pa\u00edses ao mesmo tempo? O terceiro eixo \u00e9 direcionado as autoridades, t\u00e9cnicos e pesquisadores e se det\u00e9m ao conhecimento pol\u00edtico das quest\u00f5es de fronteira: (g) qual a responsabilidade dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos quanto ao espa\u00e7o p\u00fablico comum na linha de fronteira? De quem \u00e9 a responsabilidade? (h) quanto aos canteiros centrais e \u00e0s ruas (fronteiras secas) ou a ponte (fronteiras molhadas), como funciona a manuten\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico nesses locais? Vale ressaltar que todas estas perguntas tamb\u00e9m foram traduzidas para o espanhol para facilitar a compreens\u00e3o das quest\u00f5es, visto que por ser uma cidade de fronteira encontramos o uso tanto das l\u00ednguas oficiais o portugu\u00eas e o espanhol, quanto do portunhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na entrevista ao acaso o entrevistador precisa primeiro da permiss\u00e3o e disponibilidade do entrevistado, a abordagem inicia em uma apresenta\u00e7\u00e3o da pesquisa, o objetivo a que se prop\u00f5e e, quando consentido, inicia-se a conversa amparada por um gravador. No caso da entrevista programada, a primeira apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais breve, visto que anteriormente j\u00e1 estava esclarecido a inten\u00e7\u00e3o da entrevista. Quanto a dura\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma grande varia\u00e7\u00e3o, mas normalmente o tempo da entrevista programada \u00e9 mais longo, visto que h\u00e1 uma prepara\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o do tempo dedicado para a entrevista. Ao passo que a entrevista no espa\u00e7o p\u00fablico depende da pressa e compromissos do entrevistado. Al\u00e9m do roteiro de perguntas e o gravador, um outro instrumento \u00e9 o termo de consentimento, uma carta em que o entrevistado assina p\u00f3s-conversa confirmando que concedeu a entrevista de forma volunt\u00e1ria de acordo normas \u00e9ticas destinadas \u00e0 pesquisa envolvendo seres humanos, da Comiss\u00e3o Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (CONEP) referente ao Grupo III no item 6.5 Planejamento Urbano e Regional. Permitindo ent\u00e3o que o pesquisador utilize os relatos da entrevista como fonte documental de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A \u00faltima etapa, momento em que o trabalho de pesquisa se encontra, consiste na transcri\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de cada entrevista. Fase que exige muita dedica\u00e7\u00e3o e prud\u00eancia do pesquisador para evitar falhas de interpreta\u00e7\u00e3o, ou indu\u00e7\u00e3o e antecipa\u00e7\u00e3o de respostas. Quando se toma um distanciamento e retorna a ouvir a entrevista com mais calma, em outro momento \u00e9 interessante observar outras correla\u00e7\u00f5es e min\u00facias que se apresentam como novas pistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ouvir as vozes da fronteira, vozes que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o escutadas, mas que resistem e que comp\u00f5em o lugar do entre, pode ser considerado um ato pol\u00edtico, \u00e9tico e est\u00e9tico na apreens\u00e3o desse territ\u00f3rio. A inova\u00e7\u00e3o obtida est\u00e1 justamente na captura da experi\u00eancia de quem vive a fronteira atrav\u00e9s da fronteira, desviando de uma perspectiva individual e tempor\u00e1ria de um visitante estrangeiro. Experi\u00eancia da ebuli\u00e7\u00e3o, que despertou tanto desconforto, ang\u00fastia, inseguran\u00e7a, como motiva\u00e7\u00e3o, encanto, emo\u00e7\u00e3o, afectando e transformando o viajante-pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A entrevista de manejo cartogr\u00e1fico demostrou ser um potente elemento para a composi\u00e7\u00e3o de mapas cartogr\u00e1ficos. Na pr\u00f3xima etapa, almeja-se desvendar algumas pistas que possam contribuir para o entendimento da complexidade do lugar p\u00fablico na fronteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #800000\">*Texto retirado do resumo expandido: <a style=\"color: #800000\" href=\"http:\/\/cti.ufpel.edu.br\/siepe\/arquivos\/2018\/SA_02319.pdf\">A ENTREVISTA DE MANEJO CARTOGR\u00c1FICO: APREENS\u00c3O DE UM TERRIT\u00d3RIO DE FRONTEIRA<\/a>, produzido pelos autores dessa pesquisa publicado nos Anais do XXVII CIC\/UFPEL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 10pt\">Refer\u00eancias:<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 10pt\">TEDESCO, Silvia Helena; SADE, Cristian; CALIMAN, Luciana Vieira. A entrevista na pesquisa cartogr\u00e1fica: a experi\u00eancia do dizer. In.: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; TEDESCO, Silvia (Orgs.). Pistas do M\u00e9todo da <\/span><span style=\"font-size: 10pt\">Cartografia: A experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum. Vol. 2. Porto Alegre: <\/span><span style=\"font-size: 10pt\">Sulina, 2014, p. 92-127.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O procedimento metodol\u00f3gico da\u00a0 entrevista de manejo cartogr\u00e1fico, assume um aspecto qualitativo, se aproxima de uma conversa, em que h\u00e1 um roteiro de perguntas flex\u00edveis e adapt\u00e1veis a cada situa\u00e7\u00e3o. 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