{"id":850,"date":"2023-10-18T17:51:25","date_gmt":"2023-10-18T20:51:25","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=850"},"modified":"2023-12-19T18:47:17","modified_gmt":"2023-12-19T21:47:17","slug":"desmistificando-a-fluencia-em-uma-lingua-estrangeira-o-que-e-ser-fluente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2023\/10\/18\/desmistificando-a-fluencia-em-uma-lingua-estrangeira-o-que-e-ser-fluente\/","title":{"rendered":"Desmistificando a flu\u00eancia em uma l\u00edngua estrangeira: o que \u00e9 ser fluente?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum pensar que s\u00f3 quem cresce em lugares onde se falam duas l\u00ednguas ao mesmo tempo (ambientes bil\u00edngues) ou mais (ambientes multil\u00edngues) consegue falar fluentemente um idioma estrangeiro. No entanto, estudos na \u00e1rea de aprendizagem de idiomas desmitificaram a ideia de que precisamos nos tornar &#8216;duplamente monol\u00edngues&#8217;, ou seja, falar como nativos em uma l\u00edngua estrangeira, ignorando as l\u00ednguas que j\u00e1 conhecemos. A ideia de que s\u00f3 podemos ter um alto n\u00edvel em um idioma estrangeiro se crescermos em um ambiente com diversas culturas e l\u00ednguas n\u00e3o \u00e9 sustentada pela ci\u00eancia lingu\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprender uma l\u00edngua estrangeira \u00e9 desafiador, mas vi\u00e1vel com dedica\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica, mesmo para adultos que come\u00e7am tardiamente, pois o c\u00e9rebro humano \u00e9 altamente adapt\u00e1vel em qualquer idade. A motiva\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o regular \u00e0 l\u00edngua estrangeira e pr\u00e1tica consistente s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-856 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?resize=400%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?resize=400%2C300&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?w=1208&amp;ssl=1 1208w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2023\/10\/Design-sem-nome.png?w=1812&amp;ssl=1 1812w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariando a cren\u00e7a de que \u00e9 preciso falar como um nativo, estudos, como os de Stephen Krashen (1982), mostram que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esquecer as l\u00ednguas que j\u00e1 conhecemos. A chave est\u00e1 em compreender mensagens desafiadoras, mas compreens\u00edveis, em vez de focar exclusivamente em regras gramaticais e vocabul\u00e1rio. Com o investimento adequado de tempo e esfor\u00e7o, as pessoas podem aprender bem outra l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante saber que existe uma janela \u00f3tima de oportunidade para aprender uma nova l\u00edngua, geralmente at\u00e9 a puberdade e em um ambiente natural (no dia-a-dia), n\u00e3o em sala de aula. Estudando em sala de aula, voc\u00ea pode alcan\u00e7ar um alto n\u00edvel, mas n\u00e3o ser\u00e1 um falante nativo. N\u00e3o se frustre; tenha orgulho do seu sotaque, pois ele reflete sua identidade lingu\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas de idiomas muitas vezes acreditam que s\u00f3 se deve usar a l\u00edngua-alvo em sala de aula, mas isso vem do mito do duplo monol\u00edngue. Ignorar as l\u00ednguas maternas dos alunos n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. A ideia de que apenas falantes nativos podem ter flu\u00eancia \u00e9 ultrapassada. Todos t\u00eam potencial para aprender e se comunicar em diferentes idiomas. Para uma aprendizagem eficaz de uma l\u00edngua estrangeira, \u00e9 importante valorizar as l\u00ednguas maternas dos alunos e incorpor\u00e1-las ao ensino, criando um ambiente acolhedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, a ideia de que apenas pessoas criadas em ambientes bil\u00edngues ou multil\u00edngues podem possuir alto n\u00edvel de profici\u00eancia em uma l\u00edngua estrangeira \u00e9 um mito que n\u00e3o se sustenta. \u00c9 hora de desconstruir o mito do duplo monol\u00edngue e incentivar a aprendizagem de novas l\u00ednguas. \u00c9 hora de superar cren\u00e7as limitantes e abra\u00e7ar o desafio de aprender uma nova l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/index.php\/letronica\/article\/view\/5432\">AQUINO, Carla de. Uma discuss\u00e3o acerca do bilinguismo e do preconceito lingu\u00edstico em popula\u00e7\u00f5es bil\u00edngues no sul do Brasil. <em>Letr\u00f4nica<\/em>, v. 2, n. 1, p. 231-240, 2009.\u00a0<\/a><br \/>\nCUNHA, Jos\u00e9 Carlos C. Metalinguagem e did\u00e1tica integrada das l\u00ednguas no sistema escolar brasileiro. In: PRADO, Ceres; CUNHA, Jos\u00e9 Carlos C. (orgs.). <em>L\u00edngua materna e l\u00edngua estrangeira na escola<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2003.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/periodicos.ufjf.br\/index.php\/veredas\/article\/view\/25100\">CUNHA, Jos\u00e9 Carlos C.; MANESCHY, Vanessa B. O espa\u00e7o da l\u00edngua materna nas pr\u00e1ticas de sala de aula de l\u00edngua estrangeira. <em>Veredas<\/em>, v. 15, n. 1, p. 136-147, 2011.<\/a><br \/>\nDAHLET, Patrick. L\u00ednguas distintas e linguagem m\u00fatua. In: PRADO, Ceres; CUNHA, Jos\u00e9 Carlos C. (orgs.). <em>L\u00edngua materna e l\u00edngua estrangeira na escola<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2003.<br \/>\nKRASHEN, Stephen D. <em>Principles and Practice in Second Language Acquisition.<\/em> Oxford: Pergamon Press, 1982.<br \/>\nSCH\u00dcTZ, Ricardo E. <a href=\"https:\/\/www.sk.com.br\/sk-educacao-bilingue.html\">Educa\u00e7\u00e3o infantil bil\u00edngue<\/a>. Fonte: English Made in Brazil.<\/p>\n<p>Autor: <strong>Eriovan Moraes-Toledo. <\/strong>Internacionalista, graduando em Letras &#8211; Portugu\u00eas e Franc\u00eas pela Universidade Federal de Pelotas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum pensar que s\u00f3 quem cresce em lugares onde se falam duas l\u00ednguas ao mesmo tempo (ambientes bil\u00edngues) ou mais (ambientes multil\u00edngues) consegue falar fluentemente um idioma estrangeiro. 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