{"id":782,"date":"2022-10-28T19:38:22","date_gmt":"2022-10-28T22:38:22","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=782"},"modified":"2025-07-17T01:03:58","modified_gmt":"2025-07-17T04:03:58","slug":"mostre-me-como-voce-fala-que-eu-direi-quem-e-voce-e-serio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/10\/28\/mostre-me-como-voce-fala-que-eu-direi-quem-e-voce-e-serio\/","title":{"rendered":"Mostre-me como voc\u00ea fala, que eu direi quem \u00e9 voc\u00ea! \u00c9 s\u00e9rio?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com certeza, voc\u00ea j\u00e1 se pegou fazendo coment\u00e1rios sobre como os atendentes de telemarketing usam a l\u00edngua portuguesa ou como falam os seus vizinhos. Al\u00e9m disso, deve ter opini\u00f5es sobre os sotaques do feirante da banca das verduras e do vendedor ambulante, de quem voc\u00ea quer comprar a linda rede nordestina para colocar na varanda. Entretanto, voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar por que faz, ou melhor, por que fazemos isso? Por que reagimos e \u201cjulgamos\u201d a pron\u00fancia, o sotaque, as formas como as pessoas falam?<\/p>\n<figure id=\"attachment_784\" aria-describedby=\"caption-attachment-784\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-784\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/10\/Imagem1.jpg?resize=400%2C260&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/10\/Imagem1.jpg?resize=400%2C260&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/10\/Imagem1.jpg?w=433&amp;ssl=1 433w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-784\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte: Arquivo pessoal de Andrea Ualt<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a pesquisadora brasileira Raquel Freitag, isso se deve a nossa <em>consci\u00eancia sociolingu\u00edstica<\/em>, isto \u00e9, a um conjunto de cren\u00e7as, sentimentos, conhecimentos e experi\u00eancias com a(s) l\u00edngua(s), que levamos nas nossas mem\u00f3rias. Essa consci\u00eancia nos faz reagir, avaliar, classificar, manipular e entender modos de falar diferentes dos usados por n\u00f3s, toda vez que os ouvimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas das rea\u00e7\u00f5es que temos sobre a(s) l\u00edngua(s) n\u00e3o s\u00e3o conscientes: escutamos um determinado sotaque e automaticamente projetamos nossos sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a ele. Outras rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais reflexivas, falamos sobre elas: quando como opinamos sobre a \u201ca l\u00edngua ideal para conseguir um bom emprego\u201d; ou \u201co melhor portugu\u00eas do Brasil\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a pesquisadora da Universidade de Ohio, Anna Babel, assegura que essas <em>percep\u00e7\u00f5es<\/em> (sejam elas mais ou menos conscientes) sobre modos de falar, sotaques e pron\u00fancias das pessoas est\u00e3o fortemente ligados \u00e0 forma como as classificamos, levando em considera\u00e7\u00e3o requisitos que n\u00e3o s\u00e3o lingu\u00edsticos, tais como ra\u00e7a, classe social, escolariza\u00e7\u00e3o ou mesmo o lugar onde vivem. Para a autora, projetamos nossos preconceitos sociais na l\u00edngua. Assim sendo, qualquer julgamento que fa\u00e7amos sobre a exist\u00eancia de uma \u201cl\u00edngua certa\u201d ou um jeito bonito de falar, com certeza n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade dos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, a consci\u00eancia sociolingu\u00edstica dos falantes \u00e9 como um tesouro lingu\u00edstico que, quando decifrado, revela uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es importantes para os linguistas: os modos que entendemos as l\u00ednguas e as pessoas; quais conhecimentos, cren\u00e7as e sentimentos as comunidades compartilham sobre os falares uns dos outros; os preconceitos que algumas l\u00ednguas e dialetos sofrem. A consci\u00eancia sociolingu\u00edstica torna poss\u00edvel entender a diferen\u00e7a lingu\u00edstica e cultural n\u00e3o como um problema que precisa ser resolvido ou eliminado, mas como um direito e recurso que melhora nossas rela\u00e7\u00f5es com as outras pessoas e com o lugar em que vivemos.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<br \/>\n<\/strong>FREITAG, Raquel M. K. O desenvolvimento da consci\u00eancia sociolingu\u00edstica e o sucesso no desempenho em leitura. <strong>ALFA<\/strong>: Revista de Lingu\u00edstica, S\u00e3o Paulo, v. 65, p. 1-27, 2021.<\/p>\n<p><strong>V\u00eddeo<br \/>\n<\/strong>BABEL, Anna. <strong>Como classificamos falantes duma l\u00edngua?<\/strong> TED Ideas Worth spreading, 2020, 10min47s. Dispon\u00edvel em: www.ted.com\/anna_babel. Acesso em: 23 de agosto de 2022, 14h44min.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora: <strong>Andr\u00e9a Ualt<br \/>\n<\/strong>Licenciada em Letras \u2013 Espanhol e Literaturas de L\u00edngua Espanhola, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da UFPel. Professora de Espanhol do IFSul-<em>Campus\u00a0<\/em>CaVG.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com certeza, voc\u00ea j\u00e1 se pegou fazendo coment\u00e1rios sobre como os atendentes de telemarketing usam a l\u00edngua portuguesa ou como falam os seus vizinhos. Al\u00e9m disso, deve ter opini\u00f5es sobre os sotaques do feirante da banca das verduras e do vendedor ambulante, de quem voc\u00ea quer comprar a linda rede nordestina para colocar na varanda. &hellip; <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/10\/28\/mostre-me-como-voce-fala-que-eu-direi-quem-e-voce-e-serio\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Mostre-me como voc\u00ea fala, que eu direi quem \u00e9 voc\u00ea! \u00c9 s\u00e9rio?<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":916,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[17,11],"tags":[],"class_list":["post-782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bilinguismo","category-variacao-linguistica"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/916"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=782"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1123,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions\/1123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}