{"id":771,"date":"2022-09-11T18:13:46","date_gmt":"2022-09-11T21:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=771"},"modified":"2022-09-11T18:14:27","modified_gmt":"2022-09-11T21:14:27","slug":"voce-ja-ouviu-falar-em-translinguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/09\/11\/voce-ja-ouviu-falar-em-translinguagem\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em translinguagem?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou em 1994, quando o pesquisador Cen Williams criou o termo <em>trawsieithu<\/em> para denominar um modelo de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, comum no Pa\u00eds de Gales desde os anos 1980. O objetivo desse estilo de aula era expor os alunos a material em l\u00edngua inglesa \u2013 livros, v\u00eddeos, imagens \u2013 e estimul\u00e1-los a produzir algo \u2013 um texto, uma apresenta\u00e7\u00e3o oral, uma discuss\u00e3o \u2013 em l\u00edngua galesa. Isso quer dizer que a <em>trawsieithu<\/em> reunia a l\u00edngua materna dos alunos e a l\u00edngua que eles estavam aprendendo em uma mesma li\u00e7\u00e3o. A grande finalidade desse m\u00e9todo era desenvolver o bilinguismo dos alunos, que \u00e9 a habilidade de gerenciar duas ou mais l\u00ednguas, segundo as pesquisadoras Isabella Mozzillo e Karen Spinass\u00e9 (2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, o termo <em>trawsieithu<\/em> foi traduzido para o ingl\u00eas como <em>translanguaging<\/em> (em portugu\u00eas: translinguagem). Al\u00e9m disso, o termo, al\u00e9m de ganhar um novo nome, ganhou tamb\u00e9m um novo significado. A professora <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5l1CcrRrck0\">Ofelia Garc\u00eda<\/a> (2017) se tornou um nome importante neste assunto ao chamar de translinguagem os usos da linguagem que falantes bil\u00edngues empregam no dia-a-dia e de que formas utilizam as suas l\u00ednguas para se comunicarem em diferentes situa\u00e7\u00f5es. Segundo a autora, bil\u00edngues n\u00e3o possuem duas l\u00ednguas separadas dentro do c\u00e9rebro. N\u00e3o! O que eles realmente possuem \u00e9 um <strong>\u00fanico repert\u00f3rio lingu\u00edstico<\/strong>, composto por elementos \u2013 sons, palavras, express\u00f5es etc. \u2013 de todas as l\u00ednguas que conhecem. Dependendo da situa\u00e7\u00e3o na qual se encontram, essas pessoas utilizar\u00e3o somente elementos da l\u00edngua X (pois podem estar conversando com algu\u00e9m que fale somente essa l\u00edngua); e haver\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que essas pessoas poder\u00e3o utilizar elementos tanto da l\u00edngua X quanto da l\u00edngua Y, caso estejam frente a frente com outro bil\u00edngue que conhe\u00e7a as mesmas l\u00ednguas que elas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_773\" aria-describedby=\"caption-attachment-773\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-773\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/09\/13568783.jpg?resize=400%2C194&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/09\/13568783.jpg?resize=400%2C194&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/09\/13568783.jpg?w=612&amp;ssl=1 612w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-773\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte: https:\/\/www.kinderaerztliche-praxis.de\/a\/gelebte-mehrsprachigkeit-mit-translanguaging-1813177<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Garc\u00eda, em parceria com a pesquisadora Sara Vogel (2017), explica que o prefixo <em>trans <\/em>(da palavra \u201ctranslinguagem\u201d) serve tamb\u00e9m para designar determinados usos da linguagem que n\u00e3o podem ser classificados nem como uma l\u00edngua nem outra. S\u00e3o nesses casos que os indiv\u00edduos \u201ctranslinguam\u201d \u2013 isto \u00e9, empregam formas lingu\u00edsticas que re\u00fanem elementos de mais de uma l\u00edngua (<em>trollar, crushzinho <\/em>etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ocorre porque, de acordo com a pesquisadora Tatyana Kleyn (2019), termos como \u201cingl\u00eas\u201d, \u201cchin\u00eas\u201d e \u201cespanhol\u201d servem para estabelecer uma diferen\u00e7a entre povos e na\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o possuem nenhuma fun\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mental. Isso significa que o \u00fanico lugar onde as l\u00ednguas est\u00e3o separadas \u00e9 nos mapas mundiais. Dentro do c\u00e9rebro, as l\u00ednguas est\u00e3o reunidas e entrela\u00e7adas, e \u00e9 justamente por isso que usos transl\u00edngues da linguagem s\u00e3o t\u00e3o comuns entre sujeitos que falam duas ou mais l\u00ednguas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<br \/>\n<\/strong>LEWIS, Gwyn; JONES, Bryn; BAKER, Colin. Translanguaging: Origins and development from school to street and beyond. <strong>Educational Research and Evaluation: An International Journal on Theory and Practice<\/strong>, v. 18, n. 7, p. 641\u2013654, 2012.<br \/>\nKLEYN, Tatyana; GARC\u00cdA, Ofelia. Translanguaging as an Act of Transformation: Restructuring Teaching and Learning for Emergent Bilingual Studentes. <em>In<\/em>: OLIVEIRA, Luciana. (org.) <strong>The Handbook of TESOL in K-12. <\/strong>John Wiley &amp; Sons Ltd., 2019. p. 69-82.<br \/>\nMOZZILLO, Isabella; PUPP SPINASS\u00c9, Karen.\u00a0<a href=\"https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/ojs2\/index.php\/rle\/article\/view\/18521\/0\">Pol\u00edticas lingu\u00edsticas familiares em contexto de l\u00ednguas minorit\u00e1rias<\/a>.\u00a0<strong>Linguagem &amp; Ensino<\/strong>, Pelotas, v. 23, n. 4, p. 1297-1316, 2020.<br \/>\nVOGEL, Sara; GARCIA, Ofelia. Translanguaging. <strong>Oxford Research Encyclopedia of Education<\/strong>, USA, p. 1-19, 2017.<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<div>Autor:\u00a0<strong>Leonardo Ribeiro<\/strong>, graduado em Licenciatura em Letras \u2013 Portugu\u00eas e Ingl\u00eas pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atualmente, \u00e9 aluno do mestrado em Aquisi\u00e7\u00e3o, Varia\u00e7\u00e3o e Ensino, com pesquisas em multilinguismo e translinguagem.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"yj6qo ajU\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou em 1994, quando o pesquisador Cen Williams criou o termo trawsieithu para denominar um modelo de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, comum no Pa\u00eds de Gales desde os anos 1980. O objetivo desse estilo de aula era expor os alunos a material em l\u00edngua inglesa \u2013 livros, v\u00eddeos, imagens \u2013 e estimul\u00e1-los a produzir algo \u2013 &hellip; <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/09\/11\/voce-ja-ouviu-falar-em-translinguagem\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em translinguagem?<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":916,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-771","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bilinguismo"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/916"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=771"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":776,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/771\/revisions\/776"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}