{"id":733,"date":"2022-05-06T20:34:52","date_gmt":"2022-05-06T23:34:52","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=733"},"modified":"2022-05-06T20:35:51","modified_gmt":"2022-05-06T23:35:51","slug":"nao-se-preocupe-os-estrangeirismos-nao-estao-matando-a-lingua-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/05\/06\/nao-se-preocupe-os-estrangeirismos-nao-estao-matando-a-lingua-portuguesa\/","title":{"rendered":"N\u00e3o se preocupe: os estrangeirismos N\u00c3O est\u00e3o \u201cmatando\u201d a l\u00edngua portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um dos boatos que se ouve por a\u00ed \u00e9 de que \u201ca l\u00edngua portuguesa est\u00e1 sendo assassinada pelos estrangeirismos\u201d. Fala-se que o constante empr\u00e9stimo de palavras de outros idiomas far\u00e1 com que, cedo ou tarde, o portugu\u00eas perca for\u00e7as e deixe de existir. O purismo lingu\u00edstico sem sentido desse discurso tem origem em ideias nacionalistas e patrioteiras, conforme diz Marcos Bagno (2001), importante linguista e ativista brasileiro. As pessoas se esquecem do fato de que o portugu\u00eas brasileiro tem sido influenciado por diversas l\u00ednguas ao longo dos s\u00e9culos e que nem por isso se tornou uma l\u00edngua moribunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ter em mente que \u201cas l\u00ednguas n\u00e3o se desenvolvem, n\u00e3o progridem, n\u00e3o decaem, n\u00e3o evoluem, [&#8230;] elas simplesmente mudam\u201d (BAGNO, 2001, p. 70) de acordo com a a\u00e7\u00e3o de seus falantes de carne e osso. Bagno (2001) ainda ressalta que as mudan\u00e7as que ocorrem nas l\u00ednguas acontecem de forma lenta, \u00e0s vezes at\u00e9 de forma impercept\u00edvel, e que h\u00e1 sempre um equil\u00edbrio que possibilita entendimento m\u00fatuo entre falantes de gera\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, trago alguns exemplos de palavras que pegamos emprestadas e que hoje s\u00e3o t\u00e3o comuns que nem parece que vieram de outros idiomas. A <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/educacao\/blog\/dicas-de-portugues\/post\/palavras-que-vem-das-linguas-indigenas.html\">palavra \u201cmingau\u201d<\/a> vem da forma \u201cminga\u2019u\u201d, do tupi, e significa \u201ccomida que gruda\u201d. <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/conheca-as-palavras-que-herdamos-da-africa\/\">\u201cMuvuca\u201d vem da forma \u201cmv\u00faka\u201d<\/a>, da l\u00edngua quicongo, de origem banta (regi\u00e3o na metade sul do continente africano), e significa \u201caglomera\u00e7\u00e3o ruidosa de pessoas\u201d. <a href=\"https:\/\/lusopatia.wordpress.com\/2013\/09\/30\/la-vem-o-alemao-palavras-alemas-no-portugues\/\">\u201cBlitz\u201d<\/a>, a qual normalmente usamos ao falar de uma blitz policial, significa \u201crel\u00e2mpago\u201d ou \u201craio\u201d em alem\u00e3o. E <a href=\"https:\/\/pt.babbel.com\/pt\/magazine\/10-palavras-em-portugues-que-vieram-da-lingua-arabe\">\u201cfulano\u201d vem de \u201cful\u00e2n\u201d<\/a>, do \u00e1rabe, e significa \u201calgo como tal\u201d, \u201caquele\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_735\" aria-describedby=\"caption-attachment-735\" style=\"width: 398px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-735\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2022\/05\/estrangeirismos.png?resize=398%2C201&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"201\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-735\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte: https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/redacao\/estrangeirismos.htm).<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, por mais que haja quem n\u00e3o goste da utiliza\u00e7\u00e3o de estrangeirismos, lutar contra essa pr\u00e1tica \u00e9 como dar murro em ponta de faca. Vivemos em uma sociedade globalizada em que diversas culturas e l\u00ednguas entram em contato constantemente, ainda mais com a presen\u00e7a da Internet no dia a dia. Inclusive, diversos termos tecnol\u00f3gicos vindos do ingl\u00eas s\u00e3o utilizados atualmente no portugu\u00eas, como &#8220;site&#8221;, &#8220;download&#8221; e &#8220;design&#8221;. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de nos preocuparmos com a \u201cmorte\u201d do portugu\u00eas, porque os estrangeirismos s\u00e3o super normais e os utilizamos desde que o Brasil \u00e9 Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<br \/>\n<\/strong>BAGNO, M. Cassandra, F\u00eanix e outros mitos. <em>In<\/em>: FARACO, C. A. <strong>Estrangeirismos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Par\u00e1bola, 2001. p. 49-83.<br \/>\nConhe\u00e7a as palavras africanas que formam nossa cultura. <strong>CARTA CAPITAL<\/strong>, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/conheca-as-palavras-que-herdamos-da-africa\/&gt; Acesso em: 26 jun. 2021.<br \/>\nFREITAS, A. 10 palavras portuguesas de origem \u00e1rabe que v\u00e3o fazer voc\u00ea se surpreender. <strong>BABBEL<\/strong>, 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/pt.babbel.com\/pt\/magazine\/10-palavras-em-portugues-que-vieram-da-lingua-arabe&gt; Acesso em: 26 jun. 2021.<br \/>\nNOGUEIRA, S. Palavras que v\u00eam das l\u00ednguas ind\u00edgenas. <strong>G1<\/strong>, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/g1.globo.com\/educacao\/blog\/dicas-de-portugues\/post\/palavras-que-vem-das-linguas-indigenas.html&gt; Acesso em: 26 jun. 2021<br \/>\nSABORIDO, C. L\u00e1 vem o alem\u00e3o: palavras alem\u00e3s no portugu\u00eas. <strong>Lusopatia<\/strong>, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/lusopatia.wordpress.com\/2013\/09\/30\/la-vem-o-alemao-palavras-alemas-no-portugues\/&gt; Acesso em: 2 maio 2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor: <strong>Johann Bonow Neves<br \/>\n<\/strong>Formado em Licenciatura em Letras &#8211; Portugu\u00eas\/Ingl\u00eas pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente, \u00e9 aluno do Programa de Mestrado em Letras da mesma universidade e sua pesquisa \u00e9 voltada \u00e0 Lingu\u00edstica Sist\u00eamico-Funcional e aos Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 trabalhou como professor de L\u00edngua Inglesa em curso livre, foi professor bolsista de L\u00edngua Inglesa do Programa Idiomas sem Fronteiras e foi professor de L\u00edngua Inglesa da C\u00e2mara de Extens\u00e3o do Centro de Letras e Comunica\u00e7\u00e3o da UFPel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos boatos que se ouve por a\u00ed \u00e9 de que \u201ca l\u00edngua portuguesa est\u00e1 sendo assassinada pelos estrangeirismos\u201d. Fala-se que o constante empr\u00e9stimo de palavras de outros idiomas far\u00e1 com que, cedo ou tarde, o portugu\u00eas perca for\u00e7as e deixe de existir. O purismo lingu\u00edstico sem sentido desse discurso tem origem em ideias nacionalistas &hellip; <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2022\/05\/06\/nao-se-preocupe-os-estrangeirismos-nao-estao-matando-a-lingua-portuguesa\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">N\u00e3o se preocupe: os estrangeirismos N\u00c3O est\u00e3o \u201cmatando\u201d a l\u00edngua portuguesa<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":916,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-733","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-linguas-estrangeiras-adicionais"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/916"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=733"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":737,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/733\/revisions\/737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}