{"id":685,"date":"2021-11-25T13:29:02","date_gmt":"2021-11-25T16:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=685"},"modified":"2021-11-25T13:31:20","modified_gmt":"2021-11-25T16:31:20","slug":"documentacao-de-linguas-indigenas-brasileiras-uma-necessidade-para-alem-dos-estudos-linguisticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2021\/11\/25\/documentacao-de-linguas-indigenas-brasileiras-uma-necessidade-para-alem-dos-estudos-linguisticos\/","title":{"rendered":"Documenta\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras: uma necessidade para al\u00e9m dos estudos lingu\u00edsticos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Lingu\u00edstica Documental \u00e9 o campo de estudos dedicado \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o de registros (falados ou escritos) e revitaliza\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas minorit\u00e1rias e\/ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Apesar de haver resqu\u00edcios de documenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica no Brasil desde o s\u00e9culo XVI, com os mission\u00e1rios e viajantes europeus relatando e registrando (por meio de cartas, listas de palavras, serm\u00f5es, gram\u00e1ticas etc.) as l\u00ednguas ind\u00edgenas faladas no litoral do Brasil, foi a partir dos anos 1990 que a \u00e1rea alcan\u00e7ou o <em>status<\/em> de disciplina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com a linguista e antrop\u00f3loga brasileira Bruna Franchetto (2004), no Brasil, todas as l\u00ednguas ind\u00edgenas s\u00e3o consideradas minorit\u00e1rias e, devido a isso, surge a urgente necessidade de se documentar e preservar essas l\u00ednguas para que, dessa maneira, as mem\u00f3rias lingu\u00edstica, hist\u00f3rica, sociocultural e afetiva desses povos sejam preservadas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_687\" aria-describedby=\"caption-attachment-687\" style=\"width: 583px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-687\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/11\/Imagem1.png?resize=583%2C169&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/11\/Imagem1.png?resize=400%2C116&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/11\/Imagem1.png?w=567&amp;ssl=1 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-687\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Fonte; https:\/\/www.imaginie.com.br\/temas\/a-extincao-de-linguas-indigenas-no-brasil\/<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Para que uma documenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica seja realizada, \u00e9 necess\u00e1rio que a\/o profissional respons\u00e1vel pela coleta de registros falados e\/ou escritos numa determinada comunidade disponha de um leque de ferramentas (gravadores, c\u00e2meras, caderno de campo e computadores, por exemplo) que auxiliam em todas as etapas do processo, desde antes da documenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 as etapas p\u00f3s-documenta\u00e7\u00e3o. Todas as ferramentas devem ser checadas antes de serem utilizadas, e o uso deve ser feito com discernimento sem deixar de lado os aspectos \u00e9ticos envolvidos no processo de documenta\u00e7\u00e3o, uma vez que a privacidade e o protagonismo das comunidades ind\u00edgenas devem ser respeitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo a linguista Cilene Campetela e demais pesquisadores (2017), muitos projetos foram e t\u00eam sido idealizados em diversas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do pa\u00eds com o intuito de documentar e garantir a preserva\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, sobretudo as l\u00ednguas ind\u00edgenas. Com isso, professores e alunos, por meio da elabora\u00e7\u00e3o de estudos e projetos, t\u00eam cada vez mais despertado o interesse de outras pessoas no que se refere a esse campo de estudos t\u00e3o necess\u00e1rio que \u00e9 o campo da Lingu\u00edstica Documental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo com esses esfor\u00e7os, \u00e9 not\u00f3rio que s\u00e3o muitos os fatores que se apresentam como obst\u00e1culos ao processo de documenta\u00e7\u00e3o, a exemplo das quest\u00f5es econ\u00f4micas e socioculturais que nos permeiam. Ainda assim, \u00e9 necess\u00e1rio resistir, pois s\u00f3 assim teremos dispon\u00edveis pol\u00edticas e projetos de documenta\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o que, como sugere o t\u00edtulo deste texto, \u00e9 uma necessidade que vai muito al\u00e9m dos estudos lingu\u00edsticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nCAMPETELA, C. et al. <a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/rl\/article\/view\/10425\">Documenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, pesquisa e ensino: revitaliza\u00e7\u00e3o no contexto ind\u00edgena do norte do Amap\u00e1<\/a>. <em>Revista Lingu\u00edStica<\/em>, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 151-167, jan. 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FRANCHETTO, B. L\u00ednguas ind\u00edgenas e comprometimento lingu\u00edstico no Brasil: situa\u00e7\u00e3o, necessidades e solu\u00e7\u00f5es. <em>Cadernos de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/em>, C\u00e1ceres, v. 3, n. 1, p. 9-26, 2004.<\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es de sites que auxiliam na documenta\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas ind\u00edgenas do Brasil:<br \/>\n<\/strong><a href=\"http:\/\/www.etnolinguistica.org\/\">Biblioteca Digital Curt Nimuendaj\u00fa<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/progdoc.museudoindio.gov.br\/\">Museu do \u00cdndio \u2013 Funai<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.museu-goeldi.br\/\">Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi (MPEG)<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/P%C3%A1gina_principal\">Povos Ind\u00edgenas do Brasil<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Autor: <strong>Jo\u00e3o Gabriel Pereira da Silveira<\/strong><br \/>\nGraduando em Letras-Bacharelado com \u00eanfase em Estudos Lingu\u00edsticos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). \u00c9 revisor bolsista da Coordena\u00e7\u00e3o de Gest\u00e3o Editorial e Impacto Social (CGEI), vinculada \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o e Cultura da UFPE, e membro do Grupo de Estudos e de Pesquisa em Tradu\u00e7\u00e3o e Tecnologia (Getradtec) da mesma institui\u00e7\u00e3o. E-mail: jgsilveira96@gmail.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lingu\u00edstica Documental \u00e9 o campo de estudos dedicado \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o de registros (falados ou escritos) e revitaliza\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas minorit\u00e1rias e\/ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. 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