{"id":527,"date":"2021-03-08T09:24:10","date_gmt":"2021-03-08T12:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=527"},"modified":"2021-03-08T09:24:10","modified_gmt":"2021-03-08T12:24:10","slug":"o-que-imigracao-tem-a-ver-com-lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2021\/03\/08\/o-que-imigracao-tem-a-ver-com-lingua\/","title":{"rendered":"O que imigra\u00e7\u00e3o tem a ver com l\u00edngua?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo bastante comum atualmente. Diariamente, centenas de pessoas v\u00e3o para outros pa\u00edses por in\u00fameras raz\u00f5es como trabalho, estudos, busca por condi\u00e7\u00f5es melhores, guerras etc. Os imigrantes levam consigo as l\u00ednguas que eles falam para os diferentes pa\u00edses no qual passam a residir e, muitas vezes, se deparam com novas l\u00ednguas que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conheciam ou n\u00e3o falavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para se adaptar ao novo pa\u00eds, o imigrante, muitas vezes se v\u00ea obrigado a aprender a l\u00edngua que \u00e9 falada nesse novo contexto. No entanto, \u00e9 normal que se opte por tamb\u00e9m manter a l\u00edngua materna, j\u00e1 que ela permite que a pessoa preserve v\u00ednculos com sua origem, com sua cultura e com sua fam\u00edlia no pa\u00eds natal, conforme explica a linguista Camila Lira (2018).<\/p>\n<figure id=\"attachment_529\" aria-describedby=\"caption-attachment-529\" style=\"width: 298px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-529 \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/02\/Imagem1-1.jpg?resize=298%2C318&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/02\/Imagem1-1.jpg?resize=374%2C400&amp;ssl=1 374w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2021\/02\/Imagem1-1.jpg?w=479&amp;ssl=1 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-529\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: https:\/\/webstockreview.net\/image\/immigration-clipart-transparent\/2842348.html<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao formar uma fam\u00edlia num pa\u00eds diferente, os pais devem tomar a importante decis\u00e3o de que l\u00edngua(s) falar\u00e3o com os filhos. Pensemos na seguinte situa\u00e7\u00e3o: uma mulher brasileira conhece um norte-americano \u00a0e se muda para os Estados Unidos. Com o nascimento de seu primeiro filho, a m\u00e3e precisa decidir se vai falar com ele em portugu\u00eas (sua l\u00edngua materna) ou em ingl\u00eas (l\u00edngua materna do pai e l\u00edngua predominantemente falada no pa\u00eds). Caso a m\u00e3e escolha a primeira op\u00e7\u00e3o, o portugu\u00eas vai se tornar a l\u00edngua de heran\u00e7a (LH) do seu filho. LH, de acordo com Guadalupe Vald\u00e9s (2000), \u00e9 a l\u00edngua falada em ambiente dom\u00e9stico que \u00e9 diferente da l\u00edngua dominante na sociedade local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a pesquisadora Ana Lucia Lico (2011), o desejo de passar a LH para o filho surge da vontade da m\u00e3e e\/ou do pai imigrante de transmitir emo\u00e7\u00f5es em sua l\u00edngua materna e de preservar os v\u00ednculos com a cultura brasileira (no caso de imigrantes brasileiros). Por\u00e9m, muitas vezes, manter a LH n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim, pois existe uma forte press\u00e3o social para que s\u00f3 se fale a l\u00edngua do local, fazendo com que as crian\u00e7as n\u00e3o queiram utilizar suas LHs, como aponta o estudo de Ana Souza (2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tal press\u00e3o social ocorre porque, de acordo com Isabella Mozzillo (2015), ainda prevalece, em muitas sociedades, a ideia de que cada pessoa deve falar uma \u00fanica l\u00edngua e que falar mais de uma pode ser prejudicial. No entanto, a crian\u00e7a \u00e9 capaz de aprender naturalmente mais de uma l\u00edngua durante a inf\u00e2ncia sem ter problemas de desenvolvimento, conforme explica Cristina Flores (2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cabe, ent\u00e3o, aos pais imigrantes, resistir \u00e0 press\u00e3o social e manter, a todo custo, a LH viva no seio da fam\u00edlia, permitindo que as crian\u00e7as convivam com essa l\u00edngua constantemente. \u00a0Isso pode ser feito n\u00e3o apenas com o incentivo dos pais de usarem a LH em casa, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s do contato com <a href=\"http:\/\/www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br\/a-comunidade\/associacoes-brasileiras-exterior\">institui\u00e7\u00f5es<\/a> no exterior formadas por brasileiros imigrantes, que proporcionam o conv\u00edvio com o portugu\u00eas e, consequentemente, com a cultura brasileira por meio de recrea\u00e7\u00f5es, clubes de leitura, comemora\u00e7\u00f5es de datas especiais, aulas de portugu\u00eas etc. Essas pr\u00e1ticas s\u00e3o essenciais para manter viva a l\u00edngua de heran\u00e7a, que \u00e9 um bem valioso, pois faz parte da origem e da identidade de seus falantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finalmente, l\u00edngua tem tudo a ver com imigra\u00e7\u00e3o, pois os imigrantes frequentemente devem conviver com outras l\u00ednguas e, ao mesmo tempo, decidir o que far\u00e3o com a bagagem lingu\u00edstica que levam consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para saber mais sobre LH, \u00e9 poss\u00edvel ver o filme <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Espangl%C3%AAs_(filme)\"><em>Espangl\u00eas<\/em><\/a> que retrata uma m\u00e3e e uma filha mexicanas que se mudam para os Estados Unidos e mant\u00eam a LH (espanhol) como representante de suas identidades. H\u00e1 tamb\u00e9m a autobiografia <a href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/25614298-in-other-words#:~:text=eloquent%20nonfiction%20debut-,In%20Other%20Words%20is%20at%20heart%20a%20love%20story%E2%80%94of,trip%20to%20Florence%20after%20college.\"><em>In Other Words<\/em><\/a> da escritora Jhumpa Lahiri na qual ela conta sobre a rela\u00e7\u00e3o conflituosa que possui tanto com a sua LH (bengali) quanto com o ingl\u00eas, sua outra l\u00edngua materna. E, por \u00faltimo, a <a href=\"http:\/\/tudosobreminhamae.com\/blog\/2015\/5\/27\/7-perguntas-para-ana-lucia-lico-embaixadora-do-portugus-fora-do-brasil\">entrevista<\/a> com a autora Ana Lucia Lico explica e tira d\u00favidas sobre LH.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nFLORES, C. Bilinguismo infantil. Um legado valioso do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. <em>Diacr\u00edtica<\/em>, v. 31, n. 3, p. 237-250, 2017.<br \/>\nLICO, A. L.C. Ensino do portugu\u00eas como l\u00edngua de heran\u00e7a: pr\u00e1tica e fundamentos. <em>Revista SIPLE<\/em>, v. 1, n. 2, p. 22-33, 2011<br \/>\nLIRA, C. O portugu\u00eas como l\u00edngua de heran\u00e7a em Munique: pr\u00e1ticas de desafios. <em>F\u00f3lio<\/em> \u2013 Revista de Letras, v. 10, n. 1, 2018.<br \/>\nMOZZILLO, I. Algumas considera\u00e7\u00f5es sobre o bilinguismo infantil. <em>Veredas<\/em>, v. 19, n. 1, p. 147-157, 2015.<br \/>\nSOUZA, A. Motherhood in migration: A focus on family language planning. <em>Women\u2019s Studies International Forum<\/em>, v. 52, p. 92 \u2013 98, 2015.<br \/>\nVALD\u00c9S, G. Introduction. In: Sandstedt, l. <em>Spanish for Native Speakers:<\/em> AATSP Professional Development Series Handbook Vol. I. New York: Harcourt College, 2000, p. 1-20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Autora:<\/strong> Raphaela Palombo Bica de Freitas<br \/>\nGraduada em Letras &#8211; Portugu\u00eas e Espanhol pela Universidade Federal de Pelotas (2018). Atualmente \u00e9 mestranda em Letras pela mesma institui\u00e7\u00e3o e professora particular de l\u00edngua espanhola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo bastante comum atualmente. 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