{"id":501,"date":"2020-12-08T00:24:57","date_gmt":"2020-12-08T03:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=501"},"modified":"2020-12-08T00:28:45","modified_gmt":"2020-12-08T03:28:45","slug":"linguas-africanas-no-brasil-voce-ja-pensou-sobre-essas-linguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2020\/12\/08\/linguas-africanas-no-brasil-voce-ja-pensou-sobre-essas-linguas\/","title":{"rendered":"L\u00ednguas africanas no Brasil: voc\u00ea j\u00e1 pensou sobre essas l\u00ednguas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na hist\u00f3ria do Brasil, sabe-se que o povo de origem africana chegou ao pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de pessoas escravizadas. Assim, de acordo com a historiadora Sharyse Amaral (2011), estima-se que entre os s\u00e9culos XVI e XIX milhares de pessoas do continente africano foram trazidas de forma abrupta e violenta. Os africanos que conseguiram resistir \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es a que foram submetidos nos navios negreiros trouxeram para a nova terra a cultura do seu lugar de origem, como os costumes, a religi\u00e3o e a l\u00edngua, foco deste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes de tudo, \u00e9 necess\u00e1rio mencionar que o nosso pa\u00eds n\u00e3o tem apenas o portugu\u00eas como o \u00fanico idioma, pois, de acordo com a linguista Terezinha Maher (2013), temos mais de 200 l\u00ednguas, entre l\u00ednguas de imigra\u00e7\u00e3o, ind\u00edgenas e as de origem africana, as quais s\u00e3o consideradas l\u00ednguas plenas ou especiais. \u00c9 poss\u00edvel encontrar as l\u00ednguas africanas em rituais de religi\u00f5es de matriz africana e como demarca\u00e7\u00e3o social, conforme dado apontado por Margarida Petter em 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar da aus\u00eancia dessas l\u00ednguas nas placas de \u201cBem-vindo\u201d, em entrada de cidades, assim como em placas indicando comunidades quilombolas ou placas tur\u00edsticas, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel ver sua influ\u00eancia em nosso vocabul\u00e1rio. Contamos com palavras influenciadas principalmente pelo banto, grupo etnolingu\u00edstico localizado principalmente na \u00c1frica subsaariana, como, por exemplo, <em>abad\u00e1, ca\u00e7ula, dengo, tanga, banguela, muvuca<\/em>, entre outras. Confira mais exemplos no <a href=\"http:\/\/www.afreaka.com.br\/notas\/diversidade-linguistica-africana-e-suas-herancas-na-formacao-portugues-brasil\/\">texto de Flora Pereira<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_503\" aria-describedby=\"caption-attachment-503\" style=\"width: 392px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-503 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/palavrasbrasil.jpg?resize=392%2C400&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/palavrasbrasil.jpg?resize=392%2C400&amp;ssl=1 392w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/palavrasbrasil.jpg?w=513&amp;ssl=1 513w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-503\" class=\"wp-caption-text\">http:\/\/www.afreaka.com.br\/notas\/diversidade-linguistica-africana-e-suas-herancas-na-formacao-portugues-brasil\/<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Considerando que na \u00e9poca do tr\u00e1fico negreiro a popula\u00e7\u00e3o escravizada era a maior na sociedade da \u00e9poca e, atualmente, a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente no Brasil representa mais de 50%, segundo os \u00faltimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), conv\u00e9m trazer para a nossa discuss\u00e3o a seguinte quest\u00e3o: Por que esse grande n\u00famero n\u00e3o foi suficiente, em termos quantitativos, para que tiv\u00e9ssemos maior conhecimento, presen\u00e7a e comunidades de fala com as l\u00ednguas de origem africana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 necess\u00e1rio lembrar que os africanos, desde sua chegada ao Brasil, j\u00e1 vieram ocupando posi\u00e7\u00f5es sociais marginalizadas e subjugadas. Isso explica, em partes, porque o povo preto pouco conseguiu manter viva sua l\u00edngua materna, especialmente pelo fato de os colonizadores promoverem a mistura de diferentes etnias africanas em uma capitania a fim de evitar uma rebeli\u00e3o. Junto disso, sabe-se que o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para essas pessoas era totalmente negado pela sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O caso das l\u00ednguas africanas revela que h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es de poder nas pol\u00edticas lingu\u00edsticas. A popula\u00e7\u00e3o africana escravizada, em virtude da sua posi\u00e7\u00e3o social marginalizada, n\u00e3o tinha poder na sociedade da \u00e9poca para manter sua l\u00edngua de origem, mesmo que contabilizasse a maioria da popula\u00e7\u00e3o na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, \u00e9 preciso levantar que o principal problema em torno das l\u00ednguas africanas e dos dialetos origin\u00e1rios dela \u00e9 a falta de visibilidade dessas l\u00ednguas, assim demonstrando certo apagamento de parte da cultura de um povo, o preto. Apesar disso, reconhecemos a sobreviv\u00eancia dessas l\u00ednguas em rituais religiosos e como demarca\u00e7\u00e3o social como um processo de resist\u00eancia da cultura afro-brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Refer\u00eancias<br \/>\n<\/strong>AMARAL, Sharyse Piroupo do. <em>Hist\u00f3ria do negro no Brasil. <\/em>Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Salvador: Centro de Estudos Afro orientais, 2011.<br \/>\nMAHER, T. M. Ecos de resist\u00eancia: pol\u00edticas lingu\u00edsticas e l\u00ednguas minorit\u00e1rias no Brasil. In: NICOLAIDES, C.; SILVA, K. A.; T\u00cdLIO, R; ROCHA, C. H. (Org.) <em>Pol\u00edtica e Pol\u00edticas Lingu\u00edsticas.<\/em> Campinas: Pontes, 2013. p. 117-134.<br \/>\nPETTER, Margarida. L\u00ednguas Africanas no Brasil. <em>\u00c1frica<\/em>: Revista do Centro de Estudos Africanos. USP, S. Paulo, n. 27-27, p. 63-89, 2007.\u00a0<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Autora: <strong>Nessana Pereira<\/strong><br \/>\nGradua\u00e7\u00e3o em Letras &#8211; Portugu\u00eas pela Universidade Federal de Pelotas (2018). Atualmente, \u00e9 mestranda em Letras pela mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na hist\u00f3ria do Brasil, sabe-se que o povo de origem africana chegou ao pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de pessoas escravizadas. 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