{"id":492,"date":"2020-11-30T23:37:57","date_gmt":"2020-12-01T02:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=492"},"modified":"2022-07-08T15:19:57","modified_gmt":"2022-07-08T18:19:57","slug":"existe-racismo-linguistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2020\/11\/30\/existe-racismo-linguistico\/","title":{"rendered":"Existe racismo lingu\u00edstico?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para responder a esta pergunta, inicialmente, devemos compreender o papel da linguagem como constituidora de sentidos, ou seja, capaz de nomear a tudo e a todos. Para tanto, as rela\u00e7\u00f5es coloniais ser\u00e3o o ponto de partida. Especificamente, devemos nos remeter ao combate feito pelas comunidades europeias para apagar as l\u00ednguas dos grupos dos territ\u00f3rios dominados, com base em referenciais ocidentais, europeus, brancos, patriarcais e crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apagamento das l\u00ednguas demonstrava o que poderia ou n\u00e3o ser validado para aqueles espa\u00e7os. Os saberes e conhecimentos dos grupos dominados eram exterminados e forjava-se, com isso, marcas de domina\u00e7\u00e3o e racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os colonizadores europeus constru\u00edram nossas refer\u00eancias de l\u00ednguas \u201cimportantes\u201d e produziram estruturas hier\u00e1rquicas atrav\u00e9s das l\u00ednguas a fim de denominar aqueles que eram considerados <em>outros<\/em>. Os <em>outros<\/em> carregavam uma colora\u00e7\u00e3o de pele, um cabelo e um falar n\u00e3o europeu. Essas marcas fazem parte de um passado-presente que, a partir da linguagem, nos racializou e materializou as formas que conhecemos como racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A branquitude, ao oprimir, nos imp\u00f5e o conceito de ra\u00e7a e nos nomeia como <em>negros<\/em> por n\u00e3o termos as caracter\u00edsticas dessa mesma branquitude. Essa marca lingu\u00edstica que \u201cganhamos\u201d nos aparta dos demais; somos <em>outros<\/em>; a linguagem nos fez <em>outros<\/em>. Vozes de uma branquitude detentora do poder e capaz de nomear. Claro, as l\u00ednguas s\u00e3o racistas! N\u00e3o! Elas apenas apresentam as rela\u00e7\u00f5es de poder constru\u00eddas por aqueles que delas fazem uso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 fomos nomeados demais. Queremos que nossas vozes falem as nossas dores. Queremos que o movimento aconte\u00e7a de dentro para fora e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Com esse desejo e cruzando preconceito racial, social e lingu\u00edstico, o termo <em>racismo lingu\u00edstico<\/em> \u00e9 criado como uma perspectiva de an\u00e1lise das constru\u00e7\u00f5es de l\u00edngua e linguagem daqueles que n\u00e3o comp\u00f5em o espectro branquitude-poder. O termo d\u00e1 nome ao livro do professor Gabriel Nascimento, lan\u00e7ado em 2019, <a href=\"https:\/\/www.editoraletramento.com.br\/produto\/racismo-linguistico-os-subterraneos-da-linguagem-e-do-racismo-348#\"><em>Racismo Lingu\u00edstico: Os subterr\u00e2neos da linguagem e do racismo<\/em><\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_496\" aria-describedby=\"caption-attachment-496\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-496 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=267%2C400&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=267%2C400&amp;ssl=1 267w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=683%2C1024&amp;ssl=1 683w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=768%2C1151&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=1025%2C1536&amp;ssl=1 1025w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?resize=1367%2C2048&amp;ssl=1 1367w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?w=1656&amp;ssl=1 1656w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2020\/12\/312.jpg?w=1208&amp;ssl=1 1208w\" sizes=\"auto, (max-width: 267px) 100vw, 267px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-496\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">https:\/\/www.editoraletramento.com.br\/produto\/racismo-linguistico-os-subterraneos-da-linguagem-e-do-racismo-348<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nossas pr\u00e1ticas est\u00e3o contribuindo para a problematiza\u00e7\u00e3o desse tipo de racismo? Como nossos privil\u00e9gios afetam a condi\u00e7\u00e3o das demais pessoas? Conseguindo responder a essas perguntas ficar\u00e1 f\u00e1cil saber se existe racismo lingu\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancia<br \/>\n<\/strong>NASCIMENTO, Gabriel. <em>Racismo Lingu\u00edstico<\/em>: Os subterr\u00e2neos da linguagem e do racismo. Belo Horizonte: Letramento, 2019.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor: <strong>Maicon Farias Vieira<br \/>\n<\/strong>Licenciado em Letras &#8211; Portugu\u00eas e Espanhol, especialista em Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos, mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutorando no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Universidade Federal de Pelotas, al\u00e9m de atuar como professor na rede municipal de educa\u00e7\u00e3o de Pelotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para responder a esta pergunta, inicialmente, devemos compreender o papel da linguagem como constituidora de sentidos, ou seja, capaz de nomear a tudo e a todos. Para tanto, as rela\u00e7\u00f5es coloniais ser\u00e3o o ponto de partida. 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