{"id":1235,"date":"2026-08-18T12:07:01","date_gmt":"2026-08-18T15:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=1235"},"modified":"2026-08-18T12:10:21","modified_gmt":"2026-08-18T15:10:21","slug":"a-lingua-da-familia-uma-heranca-que-acompanha-a-crianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2026\/08\/18\/a-lingua-da-familia-uma-heranca-que-acompanha-a-crianca\/","title":{"rendered":"A l\u00edngua da fam\u00edlia: uma heran\u00e7a que acompanha a crian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, ainda \u00e9 comum vermos pais e professores sentirem um \u201cfrio na barriga\u201d ao ouvirem uma crian\u00e7a \u201cmisturar\u201d o portugu\u00eas com outro idioma no dia a dia. Tamb\u00e9m \u00e9 comum ouvir que alternar entre duas l\u00ednguas significa que n\u00e3o se conhece bem nenhuma delas. Embora se tenha acreditado que isso causava confus\u00e3o ou atraso, pesquisas cient\u00edficas recentes mostram que o bilinguismo \u00e9 um recurso valioso para o desenvolvimento infantil. Para fomentar esse potencial, \u00e9 preciso entender que intercalar entre sistemas lingu\u00edsticos \u00e9 natural e criativo. Incentivar o uso de uma l\u00edngua materna em casa traz benef\u00edcios sociais e afetivos para toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora e pesquisadora Isabella Mozzillo explica que o aprendiz bil\u00edngue entende desde muito cedo que uma mesma coisa pode ter nomes diferentes, o que pode desenvolver uma capacidade maior de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s l\u00ednguas e de assimila\u00e7\u00e3o do funcionamento dos idiomas. Quando a crian\u00e7a mistura palavras, ela n\u00e3o est\u00e1 confusa, mas est\u00e1 usando a sua criatividade para conseguir transmitir a sua mensagem, j\u00e1 tendo consci\u00eancia de que possui dois repert\u00f3rios diferentes e sabendo com quem deve\/pode usar cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Usar em casa um c\u00f3digo diferente da l\u00edngua do ambiente externo ensina, desde a inf\u00e2ncia, a transitar entre duas culturas. Enquanto o idioma da rua predomina na escola e nas brincadeiras, a heran\u00e7a lingu\u00edstica de casa precisa de mais cuidado. A especialista em bilinguismo Cristina Flores alerta que, sem a pr\u00e1tica di\u00e1ria da comunica\u00e7\u00e3o familiar, o c\u00e9rebro tende a enfraquecer o aprendizado acumulado. Por isso, se a escola ou os pais desencorajam esse uso, o falante pode ter vergonha de sua origem e perder um v\u00ednculo afetivo com sua l\u00edngua e cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que esse ensinamento continue vivo, os momentos simples do dia a dia s\u00e3o fundamentais para criar um ambiente acolhedor e motivador, permitindo que a crian\u00e7a se sinta segura e motivada para usar a l\u00edngua de casa. As educadoras Ivian Destro Boruchowski e Ana L\u00facia Lico orientam que n\u00e3o basta apenas \u201couvir\u201d o idioma, \u00e9 preciso tamb\u00e9m oferecer incentivos pr\u00e1ticos, como contar hist\u00f3rias, falar rimas e ditos populares, cantar e narrar brincadeiras, participando, assim, de intera\u00e7\u00f5es reais que d\u00e3o sentido \u00e0quela pr\u00e1tica lingu\u00edstica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1240\" aria-describedby=\"caption-attachment-1240\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1240\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed.jpg?resize=400%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?resize=400%2C225&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?w=1208&amp;ssl=1 1208w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/08\/unnamed-scaled.jpg?w=1812&amp;ssl=1 1812w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1240\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Foto da fam\u00edlia de Maren Bergmann, que transmite\u00a0 pomerano, l\u00edngua de heran\u00e7a, ao menino Vicente em casa. Fonte: Arquivo pessoal da autora.\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, ao contr\u00e1rio do que sugerem os mitos, o uso da fala familiar n\u00e3o atrapalha a aprendizagem escolar e, al\u00e9m de manter o carinho com as ra\u00edzes, ainda treina o c\u00e9rebro. Quando essa diversidade \u00e9 abra\u00e7ada, pais e professores ajudam a construir um futuro em que cada jovem se sinta orgulhoso de sua hist\u00f3ria e se perceba capaz de usar suas habilidades para aprender novos saberes e vencer desafios com mais facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora: <strong>Maren Camile Rutz Bergmann<\/strong>, falante de pomerano de Cangu\u00e7u (RS), mestranda em Letras pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<br \/>\n<\/strong>BORUCHOWSKI, Ivian Destro; LICO, Ana L\u00facia. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/330485449_COMO_MANTER_E_DESENVOLVER_O_PORTUGUES_COMO_LINGUA_DE_HERANCA_SUGESTOES_PARA_QUEM_MORA_FORA_DO_BRASIL\"><strong>Como manter e desenvolver o <\/strong><strong>portugu\u00eas como l\u00edngua de heran\u00e7a<\/strong>: sugest\u00f5es para quem mora fora do Brasil<\/a>. Miami: Consulado-Geral do Brasil em Miami, 2016.<br \/>\nFLORES, Cristina. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/333503403_BILINGUISMO_INFANTIL_UM_LEGADO_VALIOSO_DO_FENOMENO_MIGRATORIO\">Bilinguismo infantil. Um legado valioso do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio.<\/a> <strong>Diacr\u00edtica<\/strong>, v. 31, n. 3, p. 237-250, 2017.<br \/>\nMOZZILLO, Isabella. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/352261897_Algumas_consideracoes_sobre_o_bilinguismo_infantil\">Algumas considera\u00e7\u00f5es sobre o bilinguismo infantil.<\/a> <strong>Veredas<\/strong>: Revista de Estudos Lingu\u00edsticos, Juiz de Fora, v. 19, n. 1, p. 147-157, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o de uso de IA<\/strong>: Conforme a Portaria 2664\/2026, Pol\u00edtica de Integridade na Atividade Cient\u00edfica do CNPq, de 6 de mar\u00e7o de 2026, declara-se o uso de intelig\u00eancia artificial gerativa neste trabalho. Este texto foi revisado gramaticalmente com o aux\u00edlio de Intelig\u00eancia Artificial (NotebookLM, vers\u00e3o de julho de 2026), sob supervis\u00e3o da autora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje em dia, ainda \u00e9 comum vermos pais e professores sentirem um \u201cfrio na barriga\u201d ao ouvirem uma crian\u00e7a \u201cmisturar\u201d o portugu\u00eas com outro idioma no dia a dia. Tamb\u00e9m \u00e9 comum ouvir que alternar entre duas l\u00ednguas significa que n\u00e3o se conhece bem nenhuma delas. 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