{"id":1179,"date":"2026-01-09T01:03:26","date_gmt":"2026-01-09T04:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/?p=1179"},"modified":"2026-01-09T01:03:26","modified_gmt":"2026-01-09T04:03:26","slug":"por-que-nao-faz-sentido-separar-as-linguas-na-escola-bilingue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/2026\/01\/09\/por-que-nao-faz-sentido-separar-as-linguas-na-escola-bilingue\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o faz sentido separar as l\u00ednguas na escola bil\u00edngue?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais dificuldades ao implementar um projeto bil\u00edngue em uma escola, conforme os pesquisadores Helena Kieling e Rafael Vetromille-Castro (2022), \u00e9 a pr\u00f3pria barreira com a l\u00edngua adicional, que at\u00e9 ent\u00e3o ocupava uma aula semanal. Nessas aulas, n\u00e3o havia qualquer envolvimento ou integra\u00e7\u00e3o com outros componentes curriculares e professores da l\u00edngua materna ou de outras l\u00ednguas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na escola bil\u00edngue, \u00e9 importante adotar uma vis\u00e3o <strong>heterogl\u00f3ssica de l\u00edngua<\/strong>, que significa reconhecer que, no dia a dia, os estudantes fazem conex\u00f5es e mobilizam todo o seu repert\u00f3rio lingu\u00edstico (todo o conhecimento das l\u00ednguas que os estudantes possuem e utilizam) para entender o mundo, se comunicarem e participarem das situa\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1181\" aria-describedby=\"caption-attachment-1181\" style=\"width: 304px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1181 \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/tesouro-linguistico\/files\/2026\/01\/Imagem1.jpg?resize=304%2C304&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"304\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1181\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte: Cria\u00e7\u00e3o pela autora no ChatGPT<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora Ofelia Garc\u00eda (2009) defende que, em vez de tratar as l\u00ednguas como caixas separadas, a escola precisa reconhecer que os alunos usam tudo o que sabem de linguagem de maneira integrada. Para ela, n\u00e3o faz sentido imaginar que a crian\u00e7a se torne duas pessoas monol\u00edngues, uma para cada l\u00edngua. Um exemplo dessa exig\u00eancia \u00e9 quando, em uma situa\u00e7\u00e3o de sala de aula, uma professora diz:<em> \u201cAh, agora n\u00e3o pode usar o ingl\u00eas\/alem\u00e3o porque eu n\u00e3o entendo!\u201d<\/em> Separar as l\u00ednguas rigidamente n\u00e3o corresponde \u00e0 forma real como as crian\u00e7as aprendem e se expressam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em projetos de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, \u00e9 essencial que a escola compreenda que os estudantes trazem experi\u00eancias lingu\u00edsticas diversas; assim, cria-se um ambiente mais acolhedor e prop\u00edcio \u00e0 aprendizagem. A crian\u00e7a n\u00e3o precisa \u201cesquecer\u201d ou \u201cdesligar\u201d uma l\u00edngua para aprender outra; ao contr\u00e1rio, ela pode usar tudo o que j\u00e1 sabe para compreender, se expressar e avan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perspectiva torna o curr\u00edculo mais significativo.\u00a0<span style=\"box-sizing: border-box; margin: 0; padding: 0; text-align: left;\">Professores podem e devem incentivar os alunos a fazerem\u00a0<strong>conex\u00f5es entre as l\u00ednguas<\/strong>, a compararem formas de dizer, a explorarem sentidos e a usarem a comunica\u00e7\u00e3o de maneira natural, como acontece fora da escola.<\/span>\u00a0Quando valorizamos essa pluralidade, a aprendizagem se torna mais aut\u00eantica, e os estudantes desenvolvem maior confian\u00e7a e compet\u00eancia em ambas as l\u00ednguas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nGARC\u00cdA, Ofelia. <strong>Bilingual education in the 21st century<\/strong>: A global perspective. Oxford: Wiley-Blackwell, 2009.<br \/>\nKIELING, Helena dos Santos; VETROMILLE-CASTRO, Rafael. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5007\/2175-8026.2021.e80662\">Desafios da Implementa\u00e7\u00e3o de um Curr\u00edculo Bil\u00edngue: reflex\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o desse novo espa\u00e7o do ingl\u00eas nas escolas<\/a>. <strong>Revista Pap\u00e9is<\/strong>, Campo Grande, v. 26, n. 51, p. 39-58, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora: <strong>Helena dos Santos Kieling<\/strong>, Doutora em Letras &#8211; Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Pelotas e Especialista em Educa\u00e7\u00e3o Bil\u00edngue e Cogni\u00e7\u00e3o (IENH).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das principais dificuldades ao implementar um projeto bil\u00edngue em uma escola, conforme os pesquisadores Helena Kieling e Rafael Vetromille-Castro (2022), \u00e9 a pr\u00f3pria barreira com a l\u00edngua adicional, que at\u00e9 ent\u00e3o ocupava uma aula semanal. 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