{"id":298,"date":"2022-05-10T14:54:57","date_gmt":"2022-05-10T17:54:57","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/?p=298"},"modified":"2022-05-10T14:58:37","modified_gmt":"2022-05-10T17:58:37","slug":"entrevista-com-felipe-caldas-o-criador-da-exposicao-ago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/2022\/05\/10\/entrevista-com-felipe-caldas-o-criador-da-exposicao-ago\/","title":{"rendered":"Entrevista com Felipe Caldas, o criador da Exposi\u00e7\u00e3o AG\u00d4."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-305 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/files\/2022\/05\/FC.jpg\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/files\/2022\/05\/FC.jpg 466w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/files\/2022\/05\/FC-400x400.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/teliganoca\/files\/2022\/05\/FC-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Foto: Arquivo Pessoal de Felipe Caldas<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Mat\u00e9ria: Matheus Pinho<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe do Te Liga no CA entrevistou Felipe Caldas, o criador da exposi\u00e7\u00e3o Ag\u00f4 que encontra-se aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia 17\/06, de segunda \u00e0 sexta das 8h \u00e0s 22h, na Galeria A Sala (sala 111) no Centro de Artes. Felipe falou sobre a exposi\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m sobre sua carreira, confira abaixo:<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>TLNCA<\/strong> &#8211; Felipe, nos fale sobre sua forma\u00e7\u00e3o e carreira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>FC<\/strong> &#8211; Eu possuo doutorado pelo IA-UFRGS na \u00e1rea de Hist\u00f3ria, Teoria e Cr\u00edtica da Arte. Na adolesc\u00eancia, por volta dos 12 anos de idade decidi que seria artista visual e aos 18 anos era estudante do Instituto de Artes da UFRGS, antes disto, a partir dos 16 anos de idade frequentava aulas no Atelier Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Minha forma\u00e7\u00e3o toda se deu no \u00e2mbito destas duas institui\u00e7\u00f5es, IA-UFRGS e Atelier Livre da PMPA. Nestes lugares conheci pessoas admir\u00e1veis e que s\u00e3o refer\u00eancias e influ\u00eancias at\u00e9 hoje, al\u00e9m das amizades que s\u00e3o fundamentais em qualquer forma\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">No \u00e2mbito da carreira sempre estive entre a cruz e a espada, ou seja, se de um lado eu tinha como meta a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, de outro as principais oportunidades durante a forma\u00e7\u00e3o me chegaram do campo da Hist\u00f3ria, Teoria e Cr\u00edtica de Arte, at\u00e9 que eu me entendi enquanto um artista que produz pesquisa em Hist\u00f3ria, Teoria e Cr\u00edtica.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Em termos de carreira eu decidi ainda no primeiro ano da universidade que seria professor universit\u00e1rio, e assim, guiei minhas escolhas nos \u00faltimos 15 anos,\u00a0 penso que de algum modo deu certo, eu me tornei professor universit\u00e1rio em uma universidade federal, ou seja, na FURG e com passagens pela UFPel enquanto professor substituto em duas ocasi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>TLNCA<\/strong> &#8211; Qual foi sua inspira\u00e7\u00e3o quando pensou em montar a Exposi\u00e7\u00e3o AG\u00d4?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>FC<\/strong> &#8211; Este trabalho \u00e9 uma continuidade de meus trabalhos anteriores no qual estou interessado em investigar os sistemas de cren\u00e7a e suas ancoragens materiais e simb\u00f3licas. Ou seja, n\u00e3o\u00a0 \u00e9 fruto de &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, \u00e9 resultado e meio de continuidade reflexiva, po\u00e9tica. Nesta continuidade eu venho explorando trabalhos e organiza\u00e7\u00f5es tridimensionais, pois trabalhei muito tempo com desenho e pintura. Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de representar certo material ou mesmo o agregar na superf\u00edcie de uma tela, ou papel, decidi explora-lo em si e com toda a sua potencialidade material e simb\u00f3lica. Eu parto neste trabalho de minha viv\u00eancia desde a inf\u00e2ncia no terreiro acompanhando minha m\u00e3e, e especificamente, ag\u00f4 \u00e9 uma express\u00e3o dita geralmente na frente do Quarto de Santo e tem como objetivo pedir permiss\u00e3o, simultaneamente reverenciar os orix\u00e1s. Assim, Ag\u00f4 \u00e9 um pedido de licen\u00e7a. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um pedido de licen\u00e7a depois de dois anos em suspens\u00e3o das atividades presenciais na universidade, e simultaneamente o carv\u00e3o \u00e9 associado misticamente enquanto elemento de limpeza energ\u00e9tica. Por outro lado, a maioria de n\u00f3s trabalhadores, somos apenas meio para o usufruto do outro, somos queimados como carv\u00e3o por um sistema explorat\u00f3rio em que reproduzimos muitas vezes de modo inconsciente. O carv\u00e3o tamb\u00e9m remete ao desmatamento e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Por sua vez, este mesmo carv\u00e3o est\u00e1 impregnado no fazer art\u00edstico, no desenho, sendo o carv\u00e3o vegetal um material corriqueiro na forma\u00e7\u00e3o em artes visuais. S\u00e3o muitas as poss\u00edveis camadas interpretativas e justamente estas possibilidades que me fizeram optar por este elemento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>TLNCA<\/strong> &#8211; Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos que voc\u00ea almeja em sua carreira art\u00edstica?<\/span><\/p>\n<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>FC<\/strong> &#8211; A vida me ensinou a viver um dia por vez. Se na juventude eu carregava in\u00fameros sonhos e ambi\u00e7\u00e3o,\u00a0 me imaginava ocupando determinados lugares sociais e com visibilidade, planejava os passos, hoje eu penso que a busca incessante por visibilidade e reconhecimento \u00e9 uma grande armadilha que nos leva a auto escraviza\u00e7\u00e3o, e a infelicidade. Retira de n\u00f3s o direito de ver as flores crescerem, sentir o cheiro da terra molhada, e sobretudo, nos torna pessoas de vida ocupada, assim incapazes de contemplar o amanhecer, o vento que nos corta o rosto, e a possibilidade da experi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Eu apenas espero estar vivo amanh\u00e3 pra beijar meu filho e minha esposa, pra ver os rostos de um turma de jovens universit\u00e1rios e o brilho em seus olhos a cada nova descoberta do mundo da arte e de si mesmos por meio do fazer art\u00edstico. Eu desejo a gargalhada seja onde for. Eu quero estar vivo amanh\u00e3 pra fazer um novo desenho, uma pr\u00f3xima instala\u00e7\u00e3o, escrever um novo texto,\u00a0 em que a atividade em si baste por si mesmo. N\u00e3o s\u00e3o mais os aplausos, holofotes, ou o desejo de reconhecimento de minhas virtudes art\u00edsticas e intelectuais que me seduzem ou que guiam minhas escolhas profissionais, e sim, o pr\u00f3ximo trabalho, a pr\u00f3xima tarefa autoimposta que gera sentido em si mesma. O que quero lhe dizer, \u00e9 que n\u00e3o mais produzo absolutamente nada pensando que aquilo ser\u00e1 meio pra outra coisa ou pra atingir um objetivo externo, como por exemplo reconhecimento.. Eu simplesmente quero fazer, assim n\u00e3o estou planejando o amanh\u00e3, n\u00e3o tenho um objetivo de reconhecimento, meus objetivos s\u00e3o produzir o pr\u00f3ximo trabalho, e estar aberto ao que acontecer.\u00a0<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal de Felipe Caldas Mat\u00e9ria: Matheus Pinho A equipe do Te Liga no CA entrevistou Felipe Caldas, o criador da exposi\u00e7\u00e3o Ag\u00f4 que encontra-se aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia 17\/06, de segunda \u00e0 sexta das 8h \u00e0s 22h, na Galeria A Sala (sala 111) no Centro de Artes. 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