{"id":425,"date":"2022-04-13T10:00:00","date_gmt":"2022-04-13T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=425"},"modified":"2022-04-13T12:59:37","modified_gmt":"2022-04-13T15:59:37","slug":"perfil-nelson-rolim-de-moura-publicar-num-pais-sem-leitores-e-uma-teimosia-muito-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/04\/13\/perfil-nelson-rolim-de-moura-publicar-num-pais-sem-leitores-e-uma-teimosia-muito-grande\/","title":{"rendered":"Perfil \u2013 Nelson Rolim de Moura: \u201cPublicar num pa\u00eds sem leitores \u00e9 uma teimosia muito grande\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Eduardo Ritter\/Super\u00e1vit Caseiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O ano \u00e9 1994. O Brasil come\u00e7ava a sair de uma economia marcada pela hiperinfla\u00e7\u00e3o, com o caos financeiro arraigado na sociedade, para respirar o m\u00ednimo de organiza\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real. Na pol\u00edtica, o soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso ganhava as elei\u00e7\u00f5es para assumir o posto que seria deixado pelo improvisado e desajeitado Itamar Franco. No esporte, o Brasil comemorava o tetracampeonato de futebol conquistado na Copa do Mundo dos Estados Unidos e chorava a morte de um dos maiores \u00eddolos da hist\u00f3ria esportiva do pa\u00eds, Ayrton Senna, ap\u00f3s acidente durante o GP da It\u00e1lia, curiosamente o pa\u00eds derrotado na final da Copa pela sele\u00e7\u00e3o brasileira. No cinema, enquanto estava a mil a produ\u00e7\u00e3o do filme brasileiro O Quatrilho, que seria lan\u00e7ado no ano seguinte, o longa A Lista de Schindler conquistava o Oscar de melhor filme, relembrando \u00e0 humanidade as atrocidades cometidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Na m\u00fasica, Kurt Cobain, astro da banda Nirvana, e Tom Jobim, um dos monstros da composi\u00e7\u00e3o no Brasil, deixavam a vida para entrar para a hist\u00f3ria. Na televis\u00e3o, o irreverente Ant\u00f4nio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido como Mussum, falecia em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 na literatura, morria um dos \u00faltimos escritores malditos do s\u00e9culo XX: Charles Bukowski, aos 73 anos. Tudo isso, e muito mais, aconteceu no marcante ano de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para um ga\u00facho de Bag\u00e9, que em 42 nos de vida havia se aventurado nos cursos de Engenharia e Hist\u00f3ria e j\u00e1 tinha experi\u00eancia como gr\u00e1fico, jornalista e produtor art\u00edstico, o ano de 1994 foi um ano ainda mais marcante e inesquec\u00edvel. Foi nesse mesmo ano que Nelson Rolim de Moura fundava em Florian\u00f3polis (SC) uma das editoras que se tornaria refer\u00eancia nacional no mercado editorial de diversas \u00e1reas, com destaque para o Jornalismo, a Comunica\u00e7\u00e3o e a Literatura: a Editora Insular, que em 2022 completa 28 anos de exist\u00eancia, enquanto o seu fundador e propriet\u00e1rio completou sete d\u00e9cadas de vida. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 consolidar o seu neg\u00f3cio em um dif\u00edcil e concorrido ramo, Rolim acumulou experi\u00eancias que auxiliaram muito na forma\u00e7\u00e3o do seu car\u00e1ter e tamb\u00e9m na persist\u00eancia em sempre acreditar e sonhar atrav\u00e9s das letras e da cultura. Ele conta que nos tempos em que estudou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sempre participou ativamente do movimento estudantil. \u201cNa UFRGS, fui presidente do Centro de Estudantes Universit\u00e1rios de Engenharia (CEUE) e do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE), sempre em sintonia com a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE)\u201d. Mesmo quando estudava Engenharia, por exemplo, Rolim lembra que sempre esteve envolvido na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado cultural.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-768x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-428\" width=\"720\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-768x1024.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-300x400.png 300w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-1152x1536.png 1152w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-600x800.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim-945x1260.png 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/Nelson-Rolim.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Editor e escritor Nelson Rolim conta que ele mesmo montou todas as livrarias que teve e a pr\u00f3pria Editora Insular<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Essa paix\u00e3o pelas artes e, em especial, pelos livros e pela literatura, acompanhou Rolim por onde ele passou. Primeiro, em Bag\u00e9, cidade natal. Depois, em Porto Alegre, onde estudou. J\u00e1 no per\u00edodo da repress\u00e3o militar, que al\u00e9m de perseguir opositores tinha uma especial avers\u00e3o \u00e0 cultura e \u00e0s cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, Rolim teve que buscar asilo em Buenos Aires, na Argentina. Por fim, fixou resid\u00eancia em Florian\u00f3polis, capital catarinense, cidade de onde administra, planeja e controla o seu neg\u00f3cio, a Editora Insular.<\/p>\n\n\n\n<p>O editor lembra que o sonho de trabalhar com livros era antigo. \u201cDesde os tempos de estudante, no final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio da de 1970, pensava em ter uma livraria. No in\u00edcio dos anos 1990 decidi que queria ser editor de livros, exclusivamente livros. Eu mesmo montei todas as livrarias que tive e tamb\u00e9m a editora, inclusive as prateleiras\u201d, revela. Com uma trajet\u00f3ria uniforme, marcada pela dedica\u00e7\u00e3o absoluta, Rolim conta que teve grandes momentos como, por exemplo, quando foi publicada a obra Hist\u00f3ria da Na\u00e7\u00e3o Latino-Americana, de autoria de Jorge Abelardo Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto alto foi quando Nelson Rolim lan\u00e7ou, em 2015, o seu livro &nbsp;N\u00e3o esquecemos a ditadura &#8211; Mem\u00f3rias da viol\u00eancia. Apesar de parecer f\u00e1cil para um editor publicar sua pr\u00f3pria obra, ele revelou ao Instituto de Estudos Latino Americanos (IELA) que esse n\u00e3o foi um processo t\u00e3o simples assim. &#8220;O motivo que me fez libertar estas palavras \u00e9 porque na verdade sabemos certas coisas que n\u00e3o queremos guardar para sempre no adormecimento da mem\u00f3ria, pois podem significar algo para algu\u00e9m. Fiz muitas coisas na minha vida, de tudo um pouco. Aqui uso duas pr\u00e1ticas que desenvolvi: jornalismo, fazendo jornais, e literatura, editando livros. As duas no sentido mais prosaico que possam ter, mas agudamente. Como editor, foi dif\u00edcil deixar outros livros para cuidar deste&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-785x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-434\" width=\"544\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-785x1024.jpg 785w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-307x400.jpg 307w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-768x1001.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-600x782.jpg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1-945x1232.jpg 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/04\/livro.nelsinho-1.jpg-1.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><figcaption>Livro publicado por Nelson Rolim em 2015<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das dificuldades enfrentadas pela luta de direitos b\u00e1sicos que a sociedade brasileira vivenciou ao longo dos anos, Rolim conta que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil investir em livros no Brasil. \u201cVivemos em crise desde que surgimos e isso \u00e9 compensado por sacrif\u00edcios pessoais. Publicar num pa\u00eds sem leitores \u00e9 uma teimosia muito grande, alimentada pela utopia socialista de que algum dia todos os brasileiros ter\u00e3o direito a ter seus livros e l\u00ea-los\u201d, comenta Rolim.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio enfrentado pelas editoras no s\u00e9culo XXI \u00e9 se adaptar \u00e0s novas tecnologias e \u00e0 mudan\u00e7a cultural dos poucos leitores que sobraram. Rolim conta que segue mantendo o livro impresso como carro-chefe da editora. No entanto, ele n\u00e3o fecha as portas para as novas gera\u00e7\u00f5es que preferem o digital, investindo tamb\u00e9m na publica\u00e7\u00e3o de e-books. E sobre o futuro, quais os planos do editor de cabelos e barba branca, fala r\u00e1pida e largo sorriso no rosto? Se aposentar? Que nada. \u201cPretendo publicar mais e mais livros, at\u00e9 que a velhice me impe\u00e7a de ir para a editora de madrugada, como fiz e fa\u00e7o muitos dias nos \u00faltimos 28 anos\u201d. Os leitores [e autores] agradecem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eduardo Ritter\/Super\u00e1vit Caseiro O ano \u00e9 1994. O Brasil come\u00e7ava a sair de uma economia marcada pela hiperinfla\u00e7\u00e3o, com o caos financeiro arraigado na sociedade, para respirar o m\u00ednimo de organiza\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real. 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