{"id":381,"date":"2022-04-01T10:00:00","date_gmt":"2022-04-01T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=381"},"modified":"2022-03-31T21:50:16","modified_gmt":"2022-04-01T00:50:16","slug":"o-brasil-dos-brasileiros-que-nao-sentem-mais-seu-poder-de-compra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/04\/01\/o-brasil-dos-brasileiros-que-nao-sentem-mais-seu-poder-de-compra\/","title":{"rendered":"O Brasil dos brasileiros que n\u00e3o sentem mais seu poder de compra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Ester Caetano\/Super\u00e1vit Caseiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O brasileiro tem visto a cada dia que passa seu dinheiro valer menos. Nas compras do m\u00eas, cada vez menos coisas est\u00e3o indo para o carrinho do supermercado. A sexta b\u00e1sica j\u00e1 aumentou em 48,3% at\u00e9 fevereiro desse ano. Isso influenciado pela taxa de juros, Selic, e a alta da infla\u00e7\u00e3o, decorrente da pandemia e outros fatores. Al\u00e9m disso, os pre\u00e7os dos alimentos b\u00e1sicos continuaram pressionados pela guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano passado, o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7o ao Consumidor Amplo (IPCA), balizado pela taxa Selic, teve um aumento de cerca de 10%, ou seja, o consumidor viu seu poder de compra diminuir na d\u00e9cima parte, al\u00e9m de comprometer o rendimento salarial de suas fam\u00edlias. Este ano a previs\u00e3o \u00e9 de que o IPCA aumente em mais 6%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Dr. Marcelo Passos, coordenador do Curso de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), avalia que a infla\u00e7\u00e3o deva seguir aumentando at\u00e9 o final do ano. \u201cEstamos tendo mais infla\u00e7\u00e3o, agravada agora com o aumento de pre\u00e7o de combust\u00edveis, com a guerra da Ucr\u00e2nia e o aumento do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo\u201d, salienta. Al\u00e9m disso, ele lembra que no ano passado houve uma deprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, resultando em desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real. \u201cIsso tudo tamb\u00e9m impacta em v\u00e1rios produtos, em v\u00e1rios insumos, como o trigo, que \u00e9 importado. Todos os insumos importados s\u00e3o impactados pela desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira\u201d, comenta o docente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos conta que os alugu\u00e9is tamb\u00e9m subiram de valor. Isso porque s\u00e3o corrigidos pelo \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os-Disponibilidade Interna (IGP-DI) e pelo \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os do Mercado (IGP-M). Em 2020, o IGP-M cresceu 17,68% e o IGP-DI 17,64%. Esses s\u00e3o alguns fatores que fazem com que se impulsione e se eleve os pre\u00e7os de v\u00e1rios setores, n\u00e3o somente da \u00e1rea alimentar. \u201cOs pre\u00e7os que formam o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o aumentando continuamente e de forma muito espalhada, quer dizer, voc\u00ea n\u00e3o tem s\u00f3 um ou dois, tr\u00eas, quatro, cinco pre\u00e7os aumentando, voc\u00ea tem v\u00e1rios pre\u00e7os aumentando continuamente em fun\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos a\u00ed uma s\u00e9rie de pre\u00e7os aumentando e isso faz com que o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o diminua, caia bastante\u201d, complementa o economista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A acompanhante de idosos, Edinir Ferreira, 57, \u00e9 uma dessas consumidoras que sentem no bolso a infla\u00e7\u00e3o e o aumento dos pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Ela conta que estava desde janeiro deste ano sem poder fazer as compras do m\u00eas, para alimentar a ela e ao filho. Para ir ao supermercado, dona Edinir sempre busca onde est\u00e3o as melhores promo\u00e7\u00f5es para comprar alguns alimentos necess\u00e1rios em casa. \u201cEu estou fazendo compra grande agora, mas desde janeiro que n\u00e3o fa\u00e7o. Hoje vou saber de fato quanto subiu. Eu deixei de fazer as compras por n\u00e3o ter dinheiro. Eu pesquisava onde estavam as promo\u00e7\u00f5es e assim ia equilibrando tudo na minha casa\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/supermercado-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-384\" width=\"840\" height=\"587\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/supermercado-2.jpg 888w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/supermercado-2-400x280.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/supermercado-2-768x537.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/supermercado-2-600x420.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption>Alimentos s\u00e3o alguns dos itens que mais est\u00e3o subindo. Ap\u00f3s quase dois meses, Dona Edinir levou um susto ao se deparar com os reajustes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No supermercado, Edinir, que tamb\u00e9m precisa incluir no seu or\u00e7amento medicamentos de valores altos, tomou um susto ao se deparar com os pre\u00e7os dos produtos \u201cSubiu muito a alimenta\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 um absurdo. Estava ali, vendo o pre\u00e7o, o \u00f3leo de cozinha mais de dez reais. Tomei at\u00e9 um susto, pois antes estava sete reais e de sete pra dez, d\u00f3i no bolso da gente. Sem contar as verduras, que aumentaram muito. O tomate tamb\u00e9m foi para dez reais. Achei muito caro, mas fazer o qu\u00ea? A gente tem que fazer compra daquilo que \u00e9 prioridade para a alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, desabafa, chateada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo vivendo um dos per\u00edodos mais ca\u00f3ticos no que diz respeito aos n\u00fameros da economia, o brasileiro j\u00e1 tinha enfrentado algo pior. Por\u00e9m, seu sentimento em rela\u00e7\u00e3o ao poder de compra n\u00e3o era de escassez, como est\u00e1 sendo agora. O economista e professor Marcelo Passos explica que, antes do plano real, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita era menor e os juros eram maiores. No per\u00edodo p\u00f3s-real essa l\u00f3gica foi mantida, s\u00f3 que \u201cagora esse sentimento de empobrecimento \u00e9 mais intenso. Por que isso? Porque a gente t\u00e1 vivendo um per\u00edodo a\u00ed com uma alta taxa de desemprego\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No per\u00edodo de 2008 a 2011 a taxa de desemprego era de 4,7% e a desocupa\u00e7\u00e3o em 2011 passou para 6%. Logo ap\u00f3s o <em>impeachment<\/em> da ex-presidente Dilma Roussef houve uma grave crise fiscal e o pa\u00eds passou por uma grande recess\u00e3o. \u201cA taxa de desocupa\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNDA), medida pelo IBGE, passou de 6% para 11,3% e nunca mais caiu. Ela permanece num patamar muito elevado, chegando a 12,8% em 2016, e continua bem alta. Tem tamb\u00e9m a taxa m\u00e9dia de desemprego, que era de 6,62% e agora est\u00e1 em 11,2%\u201d. Passos complementa que essas taxas fazem com que um ex\u00e9rcito de pessoas n\u00e3o consigam emprego, resultando em um aumento na marginaliza\u00e7\u00e3o social e nos subempregos informais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo parecendo contradit\u00f3rio, a infla\u00e7\u00e3o pode favorecer a gera\u00e7\u00e3o de empregos. A economia fica mais pujante, ou seja, a economia cresce com a infla\u00e7\u00e3o alta, por\u00e9m, a renda fica concentrada na m\u00e3o de poucas pessoas. \u201cAumenta at\u00e9 a pobreza com a economia crescendo. Foi acontecendo no per\u00edodo da hiperinfla\u00e7\u00e3o: pobreza maior do que a pobreza que n\u00f3s temos hoje. Mas com um desemprego muito elevado, como agora, a sensa\u00e7\u00e3o de pobreza \u00e9 maior\u201d, pondera o professor e economista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos conta que o Brasil passa por uma estagna\u00e7\u00e3o que causa um sentimento de impot\u00eancia e de pobreza, isso porque o PIB cresceu 5,20% em 2020, e, depois, em 2021 caiu para 4,06%. J\u00e1 para esse ano a tend\u00eancia \u00e9 que o PIB cres\u00e7a somente 0,52%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pelotas na economia do mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelotas foi um dos munic\u00edpios da metade Sul do Rio Grande do Sul que sentiu bastante os efeitos econ\u00f4micos da pandemia, afinal, seu principal setor econ\u00f4mico \u00e9 o com\u00e9rcio, seguido da pecu\u00e1ria, abastecimento e constru\u00e7\u00e3o. Em todo o Rio Grande do Sul a agropecu\u00e1ria cresceu 60,6%, a ind\u00fastria elevou sua produ\u00e7\u00e3o para 9,7% e o PIB ga\u00facho cresceu 10,4%, mesmo com a estiagem, que afetou a produ\u00e7\u00e3o no campo em 2020.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/Marcelo-Passos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-385\" width=\"408\" height=\"347\"\/><figcaption>Coordenador do curso de Economia da UFPEL, Marcelo Passos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Marcelo Passos avalia que a estiagem foi recuperada e a produ\u00e7\u00e3o industrial puxou o resultado do PIB. \u201cEnt\u00e3o n\u00f3s tivemos esses dados positivos. Tamb\u00e9m temos a\u00ed uma recupera\u00e7\u00e3o, uma movimenta\u00e7\u00e3o recorde aqui no primeiro bimestre dos portos. A Movimenta\u00e7\u00e3o dos portos superou o per\u00edodo de 2018 e bateu um recorde, um crescimento de 26% entre janeiro e fevereiro de 2022, nos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre\u201d, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse crescimento portu\u00e1rio \u00e9 significante para Zona Sul em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio internacional, j\u00e1 que vivemos a crise da Ucr\u00e2nia, que \u00e9 uma pot\u00eancia agr\u00edcola e agropecu\u00e1ria de gr\u00e3os, principalmente na produ\u00e7\u00e3o do trigo. A Ucr\u00e2nia passou a reter suas exporta\u00e7\u00f5es e com isso o Brasil pode entrar em um cen\u00e1rio favor\u00e1vel de exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os. \u201cA movimenta\u00e7\u00e3o do trigo subiu 139% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro do ano passado. O cloreto de pot\u00e1ssio e o arroz praticamente dobraram a movimenta\u00e7\u00e3o. O arroz, que \u00e9 t\u00e3o importante aqui para a regi\u00e3o de Pelotas, cresceu a\u00ed quase cem por cento, ficando em 99,89%. E as cargas v\u00e3o para a China, Ar\u00e1bia Saudita, Indon\u00e9sia e, agora com a crise da Ucr\u00e2nia, n\u00f3s temos uma possibilidade de abastecer regi\u00f5es que eram abastecidas por produtos ucranianos\u201d ressalta o economista.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos ainda comenta sobre o munic\u00edpio: \u201cAqui em Pelotas tamb\u00e9m houve uma recupera\u00e7\u00e3o muito grande e vis\u00edvel da constru\u00e7\u00e3o, principalmente residencial. Ent\u00e3o temos a\u00ed investimentos sendo feitos aqui em Pelotas e regi\u00e3o tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil e a luz no t\u00fanel para sair da crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas e economistas alegam que o Brasil vinha recuperando sua atividade econ\u00f4mica no final de 2019 e in\u00edcio de 2020. S\u00f3 que com a pandemia essa recupera\u00e7\u00e3o ficou estagnada e gerou uma recess\u00e3o. O economista e professor da UFPEL explica que em 2021 houve um crescimento da economia em 5,25%. Por\u00e9m, em meados de 2021, sobretudo a partir de setembro, declara\u00e7\u00f5es pol\u00eamicas do presidente Jair Bolsonaro aprofundaram a instabilidade pol\u00edtica no pa\u00eds, reduzindo os investimentos no Brasil. O d\u00f3lar subiu, o c\u00e2mbio e o Real pioraram e a infla\u00e7\u00e3o aumentou significativamente. \u201cEm meados do ano passado, tivemos uma infla\u00e7\u00e3o do IPCA de 10,6%. Ent\u00e3o, essa situa\u00e7\u00e3o toda de queda de investimentos, sobretudo, agravado pelo aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis desacelerou a economia no segundo semestre do ano passado\u201d, exp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O panorama para 2022, de acordo com Passos, \u00e9 a tend\u00eancia da economia subir apenas 0,52%, um crescimento muito abaixo do esperado. Isso se reflete na infla\u00e7\u00e3o, com redu\u00e7\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, juros altos e desemprego. Para muitos brasileiros essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 ter\u00e1 mais alastramento com o per\u00edodo eleitoral que vem a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 para o economista Luiz Ant\u00f4nio Leopoldo, a solu\u00e7\u00e3o da economia brasileira est\u00e1 nas reformas estruturais, sendo as principais a reforma tribut\u00e1ria e pol\u00edtica. \u201cA reforma de Estado, a famosa reforma do RH, \u00e9 importante, mas n\u00e3o t\u00e3o relevante quanto essas que nos guiar\u00e3o no m\u00e9dio e longo prazo. Existem &#8216;N&#8217; fatores para que n\u00e3o ocorram investimentos que gerem emprego e renda. No entanto, a reforma tribut\u00e1ria tira as armadilhas que muitos empres\u00e1rios se deparam no dia a dia das rotinas de suas empresas. E a quest\u00e3o fundamental que vejo na reforma tribut\u00e1ria \u00e9 os tributos sobre os bens de consumo. No Brasil isso \u00e9 um absurdo. A maior tributa\u00e7\u00e3o deveria ser sobre a renda e o patrim\u00f4nio\u201d, opina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o brasileiro n\u00e3o vivencia as reformas e uma tributa\u00e7\u00e3o maior para os mais ricos, Ana Cristina, 55 anos, dona de restaurante, conta que fazer um estoque na dispensa virou uma realidade distante. \u201cAs compras diminu\u00edram bastante em compara\u00e7\u00e3o ao que eu comprava, pois realmente teve muito aumento. Mas entendo que o governo tem uma d\u00edvida muito grande e, em virtude da Covid-19, eu mesma tive que fechar meu com\u00e9rcio. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 vendo agora o que est\u00e1 acontecendo. E o resultado t\u00e1 a\u00ed: os pre\u00e7os muito caros. Antes eu conseguia fazer estoque de alimentos, mas agora n\u00e3o d\u00e1 mais. S\u00f3 reponho quando d\u00e1\u201d, lamenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ester Caetano\/Super\u00e1vit Caseiro O brasileiro tem visto a cada dia que passa seu dinheiro valer menos. Nas compras do m\u00eas, cada vez menos coisas est\u00e3o indo para o carrinho do supermercado. 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