{"id":318,"date":"2022-03-22T11:10:00","date_gmt":"2022-03-22T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=318"},"modified":"2022-03-22T01:17:54","modified_gmt":"2022-03-22T04:17:54","slug":"o-fenomeno-airton-ortiz-e-a-dificil-missao-de-viver-de-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/03\/22\/o-fenomeno-airton-ortiz-e-a-dificil-missao-de-viver-de-literatura\/","title":{"rendered":"Perfil &#8211; O fen\u00f4meno Airton Ortiz e a dif\u00edcil miss\u00e3o de viver de literatura"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou em ganhar dinheiro para viajar pelo mundo e escrever sobre essas experi\u00eancias? O que pode parecer uma tarefa simples para muitos, na verdade exige muito esfor\u00e7o, disciplina, planejamento, trabalho duro e coragem. Foi s\u00f3 com muita prepara\u00e7\u00e3o e ousadia que Airton Ortiz, hoje com 67 anos, conseguiu colocar em pr\u00e1tica o que \u00e9 o sonho de muitos escritores e viajantes: viver da atividade liter\u00e1ria e, ao mesmo tempo, conhecer os mais diversos lugares do planeta. Teoricamente, uma miss\u00e3o imposs\u00edvel, o que torna o caso de Airton Ortiz um fen\u00f4meno singular em um mundo onde cada vez mais se valoriza a imagem em movimento (preferencialmente perec\u00edvel) em detrimento das narrativas impressas atemporais.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi atrav\u00e9s do jornalismo e da literatura que Ortiz construiu uma biografia que \u00e9 formada por um quebra-cabe\u00e7a de viagens e experi\u00eancias. Em dado momento, ele pegou sua mochila e viajou pelos lugares mais remotos da Am\u00e9rica Latina. Em outro, comprou um passaporte adulterado para entrar no Tibete pelo Nepal. Tamb\u00e9m houve tempos em que ele flanou tranquilamente pelas famosas ruas de Nova York, Londres e Paris. Uma aparente tranquilidade que n\u00e3o tem nada a ver com a aventura de escalar o monte Kilimanjaro, na \u00c1frica, ou de atravessar o Alasca at\u00e9 o Oceano \u00c1rtico. Pois foram todas essas experi\u00eancias, e muitas outras, que o jornalista e escritor Airton Ortiz viveu nas \u00faltimas d\u00e9cadas e compartilhou com os leitores.<\/p>\n\n\n\n<p>E quem \u00e9 esse fen\u00f4meno, n\u00e3o apenas do jornalismo e da literatura, mas tamb\u00e9m da arte do planejamento e da estrat\u00e9gia para viabilizar tantos projetos, ano ap\u00f3s ano? Para entender, \u00e9 necess\u00e1rio ir at\u00e9 o munic\u00edpio de Rio Pardo (RS), onde em 1954 nasceu Airton Ortiz. Durante a inf\u00e2ncia, Airton Ortiz era um ass\u00edduo ouvinte de r\u00e1dio. Foi diante do aparelho radiof\u00f4nico que o futuro jornalista inicialmente viajava nas ondas das emissoras AM, acompanhando as grandes reportagens dos anos 1960 e 1970. \u201cEu fui criado na zona rural, interior do munic\u00edpio de Rio Pardo e, naquela \u00e9poca, o mundo chegava at\u00e9 mim pelo r\u00e1dio. E aquilo me despertou a curiosidade de conhecer aqueles lugares que os caras falavam\u201d, recorda Ortiz.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista salienta que depois de morar no munic\u00edpio de Candel\u00e1ria (RS), ainda na inf\u00e2ncia, ele e sua fam\u00edlia mudam para Cachoeira do Sul (RS). Foi l\u00e1 que Ortiz teve seus primeiros contatos com o jornalismo e a literatura. Primeiro, em 1968, quando ainda na escola ganhou seu primeiro pr\u00eamio liter\u00e1rio escrevendo sobre a amizade entre Brasil e Portugal. Pouco depois, ele passou a seguir os passos dos locutores que falavam sobre o mundo, ingressando no meio, inicialmente na R\u00e1dio Cachoeira. Os la\u00e7os com o jornalismo ficaram mais fortes quando passou a colaborar com a editoria de esportes do Jornal do Povo, trabalhando como rep\u00f3rter. Em 1975, Ortiz muda para Porto Alegre, onde vai perseguir o sonho de ser jornalista, formando-se em Jornalismo pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS), afinal, Ortiz tinha consci\u00eancia que a melhor maneira para conhecer o mundo era investindo na carreira de rep\u00f3rter. \u201cEu cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que a \u00fanica maneira que eu tinha para viajar e conhecer aqueles lugares era se eu fosse jornalista e se algu\u00e9m pagasse para eu viajar\u201d, comenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, Ortiz cursou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), al\u00e9m de aprofundar o seu conhecimento em outros idiomas, como o ingl\u00eas e o espanhol. &nbsp;Nessa \u00e9poca teve outra experi\u00eancia marcante atuando na R\u00e1dio Farroupilha na equipe de Fl\u00e1vio Alcaraz Gomes, outro rep\u00f3rter que publicou livros de viagem como \u201cUm rep\u00f3rter na China\u201d, \u201cMorrer por Israel\u201d e \u201cEu vi: itiner\u00e1rios de um rep\u00f3rter\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/Airton-Jornal-do-Comercio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-321\" width=\"645\" height=\"420\" \/><figcaption>Airton Ortiz foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 2014. Foto: Jornal do Com\u00e9rcio<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas foi no meio impresso que Ortiz teve uma experi\u00eancia que mudaria a sua vida e lhe daria bagagem para mais tarde poder planejar a realiza\u00e7\u00e3o do grande sonho, que era viver de literatura. Tudo aconteceu quando ele mesclou os conhecimentos adquiridos no Jornalismo e na Administra\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando um novo projeto empreendedor, que resultou na funda\u00e7\u00e3o do Jornal Tch\u00ea!, que tinha como tem\u00e1tica a cultura ga\u00facha. O ve\u00edculo circulou no Rio Grande do Sul at\u00e9 a primeira metade da d\u00e9cada de 1980. Nesse per\u00edodo, ele tamb\u00e9m fundou e criou a editora Tch\u00ea!, que publicava principalmente autores ga\u00fachos. Em 1997, no entanto, o jornalista encerrou as atividades da editora para atuar como rep\u00f3rter e fot\u00f3grafo <em>freelance<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 1999, j\u00e1 tendo uma boa bagagem de leituras e experi\u00eancias profissionais de todos os tipos, que Ortiz publica o seu primeiro livro com narrativas de viagem: \u201cAventura no topo da \u00c1frica\u201d, lan\u00e7ado pela editora Record. A partir de ent\u00e3o, ele passou a publicar uma obra por ano, passando a produzir o que foi chamado de Jornalismo de Aventura. O autor apresenta a defini\u00e7\u00e3o para esse tipo de jornalismo: \u201c\u00c9 uma mescla de emo\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Mas a ideia principal \u00e9 levar o meu leitor para aqueles lugares onde eu estou como se ele estivesse viajando comigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Ortiz passou a ser refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de narrativas de viagem no Brasil, tornando-se patrono de diversas feiras do livro e jornadas liter\u00e1rias, tal qual a Feira do Livro de Porto Alegre, em 2014. No entanto, como ele consegue se dedicar exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o desses livros? Ortiz revela que \u00e9 extremamente necess\u00e1rio ter um projeto de longo prazo, pois a carreira de um escritor n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda de maneira r\u00e1pida e imediata, bem como a aprova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e o retorno financeiro. \u201c\u00c9 preciso ter paci\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o e convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 isso que se quer\u201d. Ele revela que os projetos autorais s\u00e3o patrocinados pela rede de supermercados e hipermercados Zaffari, com sede no Rio Grande do Sul. \u201cDesde a primeira viagem que eu fiz para produzir o primeiro livro, a viagem foi bancada pelo Zaffari e desde ent\u00e3o todas as viagens s\u00e3o patrocinadas pelo Zaffari. \u00c9 verba de publicidade deles e eles t\u00eam um bom retorno com isso\u201d, salienta. Ortiz viajou para mais de 80 pa\u00edses e publicou 19 narrativas de viagem, al\u00e9m de livros de fotografias, obras infantis, infanto-juvenis e contribui\u00e7\u00f5es para antologias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/airton-aventura-ao-topo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-322\" width=\"423\" height=\"612\" \/><figcaption>Primeiro livro de viagem de Ortiz: Aventura no topo da \u00c1frica, de 1999<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As narrativas de viagens escritas por Ortiz podem ser classificadas em tr\u00eas tipos de textos: livro-reportagem viagem, cr\u00f4nicas e narrativas de fic\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, \u00e9 nas obras de fic\u00e7\u00e3o que Airton Ortiz pretende apostar na sua retomada com as flexibiliza\u00e7\u00f5es das atividades ap\u00f3s os piores picos da pandemia de Covid-19. \u201cDaqui para frente pretendo me dedicar mais aos livros de fic\u00e7\u00e3o, mas sempre no estilo viagem de aventura\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica que a pandemia acabou tendo impactos diretos no seu trabalho. \u201cEm mar\u00e7o de 2020 eu estava em Israel fazendo uma trilha conhecida como Trilha de Jesus, cerca de 80 quil\u00f4metros entre Nazar\u00e9 e Cafarnaum, no Mar da Galileia, para escrever um livro sobre essa experi\u00eancia. Ao final do primeiro dia de caminhada, em Cana\u00e3, fui expulso da cidade, em virtude do surgimento do v\u00edrus. Dali pra Tel Aviv e de l\u00e1 para o Brasil, aonde cheguei dia 18, um dia ap\u00f3s a primeira morte no pa\u00eds. Em virtude disso, em 2020 n\u00e3o publiquei nada. Primeiro ano, desde 1999, que n\u00e3o lan\u00e7o um livro. O que se repetiu em 2021\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi um duro golpe em quem precisa viajar para escrever sobre essas experi\u00eancias. No entanto, h\u00e1 outras implica\u00e7\u00f5es que acabaram aliviando o momento de crise global. \u201cToda a minha renda \u00e9 fruto do meu of\u00edcio de escritor. Isso implica, al\u00e9m dos direitos autorais, palestras, patroc\u00ednios, viagens guiadas (quando levo os leitores de determinada obra a percorrer parte do trajeto narrado no livro). Tamb\u00e9m avalio originais para editoras e, \u00e0s vezes, fa\u00e7o at\u00e9 alguma revis\u00e3o estil\u00edstica. Enfim, vivo do meu of\u00edcio de escritor\u201d, conta Ortiz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar nesse patamar, de poder viver daquilo que mais gosta de fazer, o antigo dono da Editora Tch\u00ea conta que mant\u00e9m uma boa rela\u00e7\u00e3o com os seus editores, de forma completamente profissional. \u201cCumprindo prazos, participando de eventos de lan\u00e7amentos, ajudando na divulga\u00e7\u00e3o. Editor e autor s\u00e3o parceiros na mesma empreitada: fazer o livro ser lido\u201d, finaliza Ortiz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou em ganhar dinheiro para viajar pelo mundo e escrever sobre essas experi\u00eancias? O que pode parecer uma tarefa simples para muitos, na verdade exige muito esfor\u00e7o, disciplina, planejamento, trabalho duro e coragem. 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