{"id":301,"date":"2022-03-21T11:00:00","date_gmt":"2022-03-21T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=301"},"modified":"2022-03-21T13:15:26","modified_gmt":"2022-03-21T16:15:26","slug":"a-guerra-abriu-a-necessidade-de-termos-mais-producao-nacional-como-de-fertilizantes-combustiveis-e-ate-itens-de-defesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/03\/21\/a-guerra-abriu-a-necessidade-de-termos-mais-producao-nacional-como-de-fertilizantes-combustiveis-e-ate-itens-de-defesa\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cA guerra abriu a necessidade de termos mais produ\u00e7\u00e3o nacional, como de fertilizantes, combust\u00edveis e at\u00e9 itens de defesa\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Como apontou reportagem do Super\u00e1vit Caseiro da \u00faltima semana, a guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e1 trazendo reflexos sobre a economia mundial. Para aprofundar mais o assunto, o Super\u00e1vit Caseiro ouviu o coordenador do Curso Superior de Tecnologias em Processos Gerenciais da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), professor Dr. Alisson Eduardo Maehler. O docente tem mestrado em Administra\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutorado na mesma \u00e1rea pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele tamb\u00e9m \u00e9 l\u00edder do N\u00facleo de Estudos em Estrat\u00e9gia, Conhecimento e Inova\u00e7\u00e3o (NEECI\/CNPq). Na entrevista, o professor aborda as rela\u00e7\u00f5es entre a guerra e a economia nos cen\u00e1rios macro e micro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT &#8211; Vivemos um contexto em que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 subindo em ritmo acelerado e com perspectivas um tanto quanto negativas diante do cen\u00e1rio da guerra da Ucr\u00e2nia. Inicialmente, como se explica esse impacto da guerra na Ucr\u00e2nia na nossa infla\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler &#8211;<\/strong> Inicialmente cumpre ressaltar que com a economia globalizada, os mercados s\u00e3o interdependentes. O que acontece l\u00e1 fora em outros pa\u00edses afeta o nosso, em maior ou menor grau. No caso da infla\u00e7\u00e3o, temos dois elementos: a quest\u00e3o dos fertilizantes, porque a R\u00fassia e Balarus est\u00e3o entre os maiores produtores do mundo e exportam bastante ao Brasil. Com menos oferta e instabilidade, vai encarecer a mat\u00e9ria prima para os nossos agricultores e consequentemente, os pre\u00e7os aos consumidores finais; outro ponto s\u00e3o os combust\u00edveis, uma vez que a R\u00fassia \u00e9 grande produtor mundial e a instabilidade gerada na regi\u00e3o afeta a cota\u00e7\u00e3o internacional, pois \u00e9 uma <em>commoditie<\/em> e isso afeta o pre\u00e7o aqui no Brasil. E combust\u00edvel afeta toda a cadeia, pois aumenta o frete, o transporte de passageiros etc. Ent\u00e3o sentiremos os efeitos por ainda um bom tempo, resta saber qu\u00e3o grande ser\u00e1 esse efeito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT &#8211; Voc\u00ea trabalha com inova\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de cadeia de suprimentos. Como a guerra afeta a \u00e1rea de compra das empresas aqui no Brasil e, mais especificamente, em Pelotas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler &#8211; <\/strong>Acaba impactando sim, pois como eu disse, os pa\u00edses e as economias est\u00e3o conectados. Afeta as empresas aqui em termos de maiores gastos com combust\u00edveis, frete, pre\u00e7o de alimentos, em especial a farinha (R\u00fassia e Ucr\u00e2nia est\u00e3o entre os maiores produtores mundiais), e por conseguinte o p\u00e3o, bolos etc. O d\u00f3lar fica mais valorizado porque na instabilidade as empresas e as pessoas f\u00edsicas compram d\u00f3lar, e com maior procura h\u00e1 maior a cota\u00e7\u00e3o. Temos empresas de fertilizantes aqui perto, em Rio Grande, que importam muita mat\u00e9ria prima desses pa\u00edses em guerra, ent\u00e3o j\u00e1 tem impacto em suas cadeias. Ent\u00e3o muitas empresas, e mesmo os pa\u00edses, se deram conta que dependem muito de poucos fornecedores e isso \u00e9 muito arriscado. O caso da pandemia de Covid-19 foi um exemplo. Importamos muita coisa da China, desde luvas, m\u00e1scara, respiradores&#8230; Precisamos produzir mais internamente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT &#8211; Qual \u00e9 o cen\u00e1rio dessa \u00e1rea hoje, aqui em Pelotas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler &#8211; <\/strong>Pelotas n\u00e3o tem uma base industrial t\u00e3o forte e exporta mais produtos b\u00e1sicos, como arroz e outros alimentos. O impacto, penso, ser\u00e1 maior no custo da farinha e dos combust\u00edveis, na cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. Vai depender se a guerra ir\u00e1 durar mais tempo e se envolver\u00e1 mais pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT &#8211; Sobre inova\u00e7\u00e3o, como as empresas est\u00e3o fazendo para se adaptar a essa nova realidade que tem como pano de fundo a guerra e &nbsp;a pandemia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler &nbsp;&#8211; <\/strong>Muitas empresas passaram a vender mais forte de forma <em>online<\/em>, como pelo <em>whats app<\/em>, usando redes sociais para divulgar os produtos, fazendo um site mais chamativo e adotando uma plataforma de <em>e-commerce<\/em>. Na verdade, se observa uma tend\u00eancia de com\u00e9rcio h\u00edbrido, com parte das vendas em local f\u00edsico e parte <em>online<\/em>. Acredito que as vendas <em>online <\/em>vieram para ficar e muitos empres\u00e1rios, em especial os pequenos, precisam apostar nisso. O consumidor cada vez mais escolhe o que comprar, como comprar e onde comprar. Ent\u00e3o as compet\u00eancias e as tecnologias digitais precisam ser melhoradas, h\u00e1 ainda muito espa\u00e7o para crescer. \u00c9 preciso atender bem o consumidor que quer comprar pelo <em>whatsaap<\/em> ou pelo <em>Facebook,<\/em> por exemplo, em especial a gera\u00e7\u00e3o mais jovem. Tamb\u00e9m buscar novos fornecedores de diferentes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/guerra.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-304\" width=\"555\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/guerra.jpeg 771w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/guerra-400x218.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/guerra-768x418.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/guerra-600x327.jpeg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><figcaption>Guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e1 afetando a economia global. Foto: Serhii Nuzhnenko\/Reuters<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT &#8211; Quais seriam os prov\u00e1veis cen\u00e1rios diante de um controle maior sobre a pandemia e um acordo na Ucr\u00e2nia? E no caso contr\u00e1rio: se surgirem novas variantes agressivas e volt\u00e1ssemos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de <em>lockdown<\/em> e se a guerra se estender mais e se tornar ainda mais cruel, com mais san\u00e7\u00f5es para a R\u00fassia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia tende a melhorar, at\u00e9 porque o povo decretou o fim informal da pandemia. Como o Brasil tem tradi\u00e7\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o e uma alta taxa de vacinados, em minha opini\u00e3o que n\u00e3o sou da \u00e1rea da sa\u00fade, \u00e9 que o pior j\u00e1 passou e vamos ter uma retomada lenta e gradual da economia e dos neg\u00f3cios. N\u00e3o acredito que teremos novos fechamentos de com\u00e9rcio, at\u00e9 porque <em>lockdowns<\/em>, como na Europa ou na China, nunca tivemos. A quest\u00e3o da guerra \u00e9 imprevis\u00edvel, pois uma guerra se sabe como come\u00e7a e nunca como termina. Ainda \u00e9 cedo para dizer alguma coisa. Mas mesmo que acabasse logo, os efeitos ainda ir\u00e3o perdurar, pois atacaram as cadeias de suprimentos, as exporta\u00e7\u00f5es e h\u00e1 muitas san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia. Por outro lado, a guerra abriu a necessidade de termos mais produ\u00e7\u00e3o nacional, como de fertilizantes, combust\u00edveis e at\u00e9 itens de defesa, e depender menos de importa\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses. Precisamos ter uma pol\u00edtica industrial consistente, de longo prazo e incentivar uma base industrial nacional, reduzindo custos como tribut\u00e1rios, log\u00edsticos e de produ\u00e7\u00e3o. Isso geraria mais empregos (e bem remunerados) e receita interna. Mas isso \u00e9 algo para m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUPER\u00c1VIT \u2013 O que podemos aprender com todo esse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Eduardo Maehler &#8211; <\/strong>As crises sempre s\u00e3o ruins e tem custo em vidas e econ\u00f4micas enormes, que lamento muito. Por outro lado, nos apontam caminhos, solu\u00e7\u00f5es e necessidades, como incentivar a produ\u00e7\u00e3o nacional de diversos itens, em especial de m\u00e9dio e alto valor agregado, como vacinas, equipamentos hospitalares, f\u00e1rmacos, fertilizantes&#8230; h\u00e1 elementos que alguns pa\u00edses como os Estados unidos j\u00e1 est\u00e3o considerando de seguran\u00e7a ou interesse nacional, como chips de computador, muito importados da \u00c1sia. A pr\u00f3pria Europa, em especial a Alemanha, ir\u00e1 rever a importa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo de pa\u00edses como a R\u00fassia e vai aumentar muito os investimentos em defesa, que por muitos anos foram reduzidos. Ser\u00e1 que vacinas n\u00e3o deveriam ser consideradas de interesse nacional, e termos uma base forte local de produ\u00e7\u00e3o? Ou chips de computador, fertilizantes para seguran\u00e7a alimentar? O Estado, junto com pequenas, m\u00e9dias e grandes empresas, precisa pensar uma pol\u00edtica industrial s\u00e9ria, de longo prazo. Hoje grande parte do nosso g\u00e1s natural \u00e9 importado da Bol\u00edvia, por exemplo. E se esse pa\u00eds amea\u00e7ar parar de exportar para n\u00f3s, ou dobrar o pre\u00e7o? Al\u00e9m disso, precisou uma crise para o governo federal criar uma estrat\u00e9gia nacional de produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes. Por que s\u00f3 agora, que o problema j\u00e1 est\u00e1 acontecendo? Precisamos pensar e planejar mais as pol\u00edticas e os neg\u00f3cios no longo prazo e considerar diversas vari\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como apontou reportagem do Super\u00e1vit Caseiro da \u00faltima semana, a guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e1 trazendo reflexos sobre a economia mundial. Para aprofundar mais o assunto, o Super\u00e1vit Caseiro ouviu o coordenador do Curso Superior de Tecnologias em Processos Gerenciais da&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/03\/21\/a-guerra-abriu-a-necessidade-de-termos-mais-producao-nacional-como-de-fertilizantes-combustiveis-e-ate-itens-de-defesa\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1210,"featured_media":303,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[31,27,86,80,87,79,78],"class_list":["post-301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-economia","tag-entrevista","tag-guerra-na-ucrania","tag-macroeconomia","tag-microeconomia","tag-russia","tag-ucrania"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/Prof-Alisson.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1210"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":309,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions\/309"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}