{"id":203,"date":"2022-03-10T17:04:41","date_gmt":"2022-03-10T20:04:41","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=203"},"modified":"2022-03-10T17:26:20","modified_gmt":"2022-03-10T20:26:20","slug":"quando-a-gente-nao-tem-a-informacao-basica-qualquer-informacao-que-chega-e-a-certa-pois-eu-nao-tenho-como-argumentar-o-que-eu-nao-conheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2022\/03\/10\/quando-a-gente-nao-tem-a-informacao-basica-qualquer-informacao-que-chega-e-a-certa-pois-eu-nao-tenho-como-argumentar-o-que-eu-nao-conheco\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; \u201cQuando a gente n\u00e3o tem a informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, qualquer informa\u00e7\u00e3o que chega \u00e9 a certa, pois eu n\u00e3o tenho como argumentar o que eu n\u00e3o conhe\u00e7o\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O economista Mauro Roberto Bom tem uma longa trajet\u00f3ria profissional e acad\u00eamica na \u00e1rea de economia, finan\u00e7as e empreendedorismo. No entanto, nessa entrevista ao Super\u00e1vit Caseiro, ele revela que desde que ingressou na Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas (ACP), inicialmente como s\u00f3cio, h\u00e1 aproximadamente seis anos, mudou muito a sua forma de ver o associativismo. Em abril de 2018, ele tomou posse como presidente da ACP, entidade que completa 150 anos de exist\u00eancia no ano que vem. O mandato da atual gest\u00e3o encerra neste ano. Al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o de Mauro Roberto Bom na ACP, ele tamb\u00e9m teve atua\u00e7\u00e3o marcante na Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), onde foi gerente de Ag\u00eancia, gerente Regional nas \u00e1reas da Constru\u00e7\u00e3o Civil, Empresarial, Privada e de Governo (Gest\u00e3o P\u00fablica) entre 1997 e 2004. Posteriormente, de 2004 at\u00e92015, foi superintendente Regional em Pelotas, Santa Maria e Novo Hamburgo. Na academia, foi professor de Economia e Macroeconomia da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (UCPEL), al\u00e9m de ter sido coordenador do curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e membro do Conselho Universit\u00e1rio da entidade. Durante quatro anos, presidiu a Associa\u00e7\u00e3o dos Economistas de Pelotas e foi membro da Funda\u00e7\u00e3o de Apoio Universit\u00e1rio da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). \u00c9 s\u00f3cio propriet\u00e1rio da MB Consultoria, atuando como consultor empresarial nas \u00e1reas de Finan\u00e7as, Gest\u00e3o P\u00fablica e Privada e Lideran\u00e7a. Com toda essa bagagem e repert\u00f3rio, o economista comenta nesta entrevista a situa\u00e7\u00e3o empresarial de Pelotas e Regi\u00e3o, os impactos da pandemia, as perspectivas para o futuro e a necessidade de alfabetizar a popula\u00e7\u00e3o brasileira no que diz respeito a planejamento financeiro e empreendedorismo. Ao final, ele faz um convite para que toda a comunidade pelotense procure conhecer a ACP,&nbsp;uma entidade empresarial atuante h\u00e1 quase 150 anos, &nbsp;um importante canal de informa\u00e7\u00e3o sobre&nbsp;&nbsp;desenvolvimento de Pelotas e regi\u00e3o.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Qual \u00e9 o perfil do empres\u00e1rio de Pelotas e regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom<\/strong> \u2013 Nesses anos todos trabalhando na regi\u00e3o, a gente percebe que o empresariado pelotense vem mudando, o que eu acho muito positivo. Claro que mais ou menos 63% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) \u00e9 de com\u00e9rcio e servi\u00e7o, que \u00e9 o carro chefe da regi\u00e3o e do pa\u00eds, mas a gente percebe que al\u00e9m da pot\u00eancia e da for\u00e7a do com\u00e9rcio e do servi\u00e7o local, h\u00e1 diversos outros setores que tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, afinal, n\u00f3s temos cerca de 40 mil estudantes universit\u00e1rios, em uma cidade de 340 mil habitantes, ou seja, \u00e9 uma propor\u00e7\u00e3o enorme. Isso \u00e9 a qualidade do servi\u00e7o prestado, caso contr\u00e1rio n\u00e3o ter\u00edamos todo esse p\u00fablico aqui. Um exemplo: o com\u00e9rcio \u00e9 muito pujante e o agroneg\u00f3cio realmente vem inovando muito, com novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o, de gest\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essas s\u00e3o as duas marcas do perfil das empresas ou do empresariado pelotense quando voc\u00ea olha de fora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 E quais foram as principais mudan\u00e7as nesse perfil nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De 10 anos para c\u00e1, se percebe outra mudan\u00e7a muito forte, que \u00e9 a quest\u00e3o tecnol\u00f3gica. A cria\u00e7\u00e3o do nosso Parque Tecnol\u00f3gico, o Tecnosul, tem mudado o cen\u00e1rio. O primeiro fator positivo foi uma aproxima\u00e7\u00e3o da academia, ou seja, da UFPEL, do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia Sul-riograndense (IFSUL) e da UCPEL com as empresas de tecnologia. Essa aproxima\u00e7\u00e3o fazia falta e agora ela come\u00e7ou e vem evoluindo. Nosso parque tem de cinco para seis anos e j\u00e1 tem mais de 30 empresas incubadas que geram mais de 270 empregos diretos, e tem empresas que j\u00e1 se emanciparam, evolu\u00edram e at\u00e9 j\u00e1 foram vendidas, al\u00e9m de outras tantas em cria\u00e7\u00e3o. Tem ainda o projeto chamado Inova Cuca, que participei recentemente, e que \u00e9 uma oportunidade que os estudantes t\u00eam de apresentar as suas ideias, os seus projetos, as ideias de como eu transformo isso em um neg\u00f3cio ou potencial de neg\u00f3cios. \u00c9 um trabalho muito interessante que estimula a classe empresarial a pensar: opa, aqui n\u00f3s temos c\u00e9rebro, aqui n\u00f3s temos pessoas com ideias inovadoras e n\u00f3s temos pessoas com capacidade de fazer algo novo. Eu vejo que, se h\u00e1 20, 30 anos, grande parte da nossa m\u00e3o de obra formada aqui ia embora, muitas vezes para o Vale dos Sinos, para a grande Porto Alegre, para a Serra ou para outros estados, porque eles tinham um parque tecnol\u00f3gico melhor, eu diria que hoje me parece um setor criativo muito forte aqui em Pelotas. N\u00f3s temos ind\u00fastrias em Pelotas muito fortes, que pouco falamos nelas. A gente fala muito no com\u00e9rcio e no servi\u00e7o, que realmente \u00e9 onde est\u00e1 o maior volume, e tamb\u00e9m no agroneg\u00f3cio, que \u00e9 uma refer\u00eancia no Brasil, por exemplo, com a cultura do arroz, mas eu percebo um vi\u00e9s novo de uma nova onda de empres\u00e1rios, homens e mulheres, voltados para as novas tecnologias e para a inova\u00e7\u00e3o do ponto de vista operacional e tamb\u00e9m do ponto de vista da gest\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o. Eu vejo uma grande mudan\u00e7a nos \u00faltimos anos que, no meu ver, \u00e9 positiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Dentro desse contexto de mudan\u00e7as temos que considerar que em todas as \u00e1reas acaba acontecendo situa\u00e7\u00f5es de dificuldade. Qual seria hoje a maior dificuldade que o empres\u00e1rio pelotense enfrenta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom<\/strong> \u2013 Eu diria que uma das maiores dificuldades do empres\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 em Pelotas, mas no Brasil, \u00e9 o nosso modelo tribut\u00e1rio. Nossa matriz tribut\u00e1ria \u00e9 algo que deveria ter sido mudado h\u00e1 30 anos, como mudou aqui do lado o Uruguai, a Argentina, ou o Chile. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 nenhuma megalomania. N\u00f3s n\u00e3o conseguimos criar um sistema tribut\u00e1rio mais simples. E estou falando apenas do formato, n\u00e3o estou falando de reduzir a carga tribut\u00e1ria, que tamb\u00e9m seria importante. Em um primeiro momento, n\u00e3o seria a redu\u00e7\u00e3o o grande canal. O grande canal seria simplificar a forma de voc\u00ea pagar os impostos. O maior exemplo \u00e9 que foi criado h\u00e1 dez anos o Simples. Bom, se foi criado o Simples \u00e9 porque se tem o complexo. Ent\u00e3o se algu\u00e9m criou o Simples \u00e9 porque algu\u00e9m dentro do pr\u00f3prio sistema governamental admitiu que \u00e9 muito complicado. S\u00f3 que o Simples n\u00e3o abrange todo mundo e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Ent\u00e3o, na verdade esse \u00e9 um problema n\u00e3o apenas do \u00e2mbito local. J\u00e1 uma quest\u00e3o mais local \u00e9 a quest\u00e3o energ\u00e9tica, por exemplo. N\u00f3s n\u00e3o temos g\u00e1s. Agora n\u00f3s estamos com o licenciamento aprovado de uma termoel\u00e9trica em Rio Grande, que vai impactar muito aqui na regi\u00e3o. Eu diria que na minha forma de ver, a regi\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 mais a mesma depois da conclus\u00e3o dessa termoel\u00e9trica: em n\u00famero de emprego, gera\u00e7\u00e3o de renda, pagamento de impostos, mas principalmente, porque hoje n\u00f3s n\u00e3o temos g\u00e1s. Por exemplo: n\u00e3o adianta ter um polo industrial cheio de terrenos sem a energia, seja em Pelotas, seja em Rio Grande. Isso faz com que muita gente n\u00e3o venha para c\u00e1: indo para Serra Ga\u00facha, para o Vale dos Sinos, para o polo petroqu\u00edmico, pois l\u00e1 chega o g\u00e1s. Aqui n\u00e3o. Ent\u00e3o, isso ser\u00e1 um divisor de \u00e1guas, nesse outro contexto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-207\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-400x267.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-768x512.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-600x400.jpg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/DSC_1637-945x630.jpg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Seguindo com a quest\u00e3o das dificuldades do empresariado local, qual a avalia\u00e7\u00e3o que pode ser feita sobre o impacto da pandemia ap\u00f3s dois anos do surgimento da Covid-19?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom \u2013 <\/strong>Impactou muito. Os impactos econ\u00f4micos e sociais foram fortes. Apesar disso, n\u00f3s tivemos alguns setores que n\u00e3o sofreram nenhum tipo de conting\u00eancia devido ao tipo do setor em que atuam, como o agroneg\u00f3cio, que \u00e9 rural, a constru\u00e7\u00e3o civil ao ar livre, etc. Nas empresas, nas escolas, nos servi\u00e7os, no com\u00e9rcio e onde se trabalha em ambientes fechados e onde se tem poss\u00edvel aglomera\u00e7\u00e3o, houve grandes perdas. N\u00f3s tivemos lojas que fecharam, academias que fecharam, sal\u00f5es de beleza que fecharam, universidades fechadas, escolas fechadas, ou seja, uma cidade onde o carro chefe \u00e9 o com\u00e9rcio e o servi\u00e7o, todos esses neg\u00f3cios que n\u00f3s estamos falando que fecharam impactou muito no resultado da cidade, pois tem um peso maior no PIB do munic\u00edpio. Claro que nem uma perda compensa perder uma vida e a gente tem a\u00ed in\u00fameras vidas perdidas, apesar de todo o esfor\u00e7o, de toda a evolu\u00e7\u00e3o que houve no aumento de leitos hospitalares, no aumento de leitos de UTIs, no aumento de equipes m\u00e9dicas, na dedica\u00e7\u00e3o \u00edmpar dos profissionais de Sa\u00fade, fazendo todo um esfor\u00e7o. Mas mesmo assim perdemos muitas vidas. Aqui no pr\u00e9dio da ACP, que \u00e9 da pr\u00f3pria entidade e que aluga para terceiros, por exemplo, n\u00f3s chegamos a ficar com 14 salas desocupadas. Muitas empresas com anos de trajet\u00f3ria n\u00e3o suportaram, tiveram que fechar, tiveram dificuldades, n\u00e3o conseguiram pagar o aluguel e tiveram que entregar. Hoje o cen\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 outro, mais da metade dessas 14 pe\u00e7as j\u00e1 foram realocadas e a vida continua. Mas, houve realmente um impacto forte, setorialmente falando. Todo aquele sistema, cuja a caracter\u00edstica \u00e9 atender direto ao p\u00fablico, foi mais impactado pela pandemia, com certeza. Por outro lado, olhando a cidade, uma cidade com 340 mil habitantes, n\u00f3s temos sete hospitais e tivemos hospitais ampliados, com mais leitos e mais leitos de UTIs, e agora vamos ter o hospital de pronto-socorro, al\u00e9m do hospital da Unimed, inaugurado a n\u00e3o muito tempo. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil achar uma cidade do nosso porte com tamanha estrutura no setor de sa\u00fade. Ent\u00e3o, eu vejo que teve um ganho por essa \u00f3tica, n\u00e3o s\u00f3 de investimento e qualifica\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m na amplia\u00e7\u00e3o da tecnologia na \u00e1rea da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Falando agora das atividades da ACP, o que \u00e9 poss\u00edvel destacar para o p\u00fablico sobre as principais a\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es de eventos nessa retomada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom \u2013 <\/strong>N\u00f3s tivemos que nos reinventar. Somos uma entidade que no ano que vem completa 150 anos, sendo a terceira mais antiga do Rio Grande do Sul, e nosso pr\u00e9dio fez 80 anos, agora em janeiro. Al\u00e9m disso, durante a pandemia, conseguimos nos reinventar, oferecendo solu\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es aos associados, seja na \u00e1rea de sa\u00fade, de cr\u00e9dito, na \u00e1rea jur\u00eddica, etc. N\u00f3s rec\u00e9m t\u00ednhamos lan\u00e7ado um site novo da entidade, ent\u00e3o, tivemos que lan\u00e7ar a entidade muito forte nas redes sociais. Aquilo que faz\u00edamos sempre presencial, aprendemos a fazer por redes sociais, como reuni\u00e3o almo\u00e7o, caf\u00e9, <em>happy hour<\/em>, tudo por redes sociais. E para a nossa sorte houve uma grande aceita\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tivemos uma m\u00e9dia, em 2021, de mais de 30 eventos, praticamente todos virtuais e uns poucos h\u00edbridos. E n\u00f3s tivemos mais de sete mil pessoas assistindo nossas <em>lives<\/em> pelas redes sociais. Nosso sal\u00e3o aqui em cima, ele comporta em m\u00e9dia, em uma reuni\u00e3o almo\u00e7o, no m\u00e1ximo 120 pessoas, e a nossa m\u00e9dia de reuni\u00e3o almo\u00e7o virtual foi de mais de 300 pessoas. Ou seja, \u00e9 mais do que comportaria o nosso sal\u00e3o. E isso tamb\u00e9m permite a participa\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o est\u00e1 na cidade. Para n\u00f3s foi uma grande mudan\u00e7a em que sa\u00edmos praticamente do zero e hoje temos quase 8 mil seguidores nas redes sociais. Ent\u00e3o, para n\u00f3s foi uma necessidade e ao mesmo tempo uma oportunidade para dar uma guinada no mundo das novas tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Para o futuro, voc\u00ea acredita que essa \u00e9 uma nova realidade que veio para ficar ou vai voltar a ser tudo presencial como antes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom <\/strong>&nbsp;&#8211; Eu acho que grande parte das mudan\u00e7as vieram para ficar. Vou dar alguns exemplos pontuais. N\u00f3s fomos educados com o trabalho todo presencial. At\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, quando algu\u00e9m dizia que estava fazendo algo \u00e0 dist\u00e2ncia, em geral havia um sentimento de preconceito. Como se algu\u00e9m dissesse que uma pessoa em casa n\u00e3o produz, s\u00f3 produz se estiver presencialmente em um determinado lugar. Por\u00e9m, hoje sabemos que dependendo da situa\u00e7\u00e3o, pode haver uma produ\u00e7\u00e3o melhor em casa. As empresas, por exemplo, est\u00e3o desalugando os grandes escrit\u00f3rios e est\u00e3o reduzindo custos para investir em novas tecnologias e na qualifica\u00e7\u00e3o de pessoas. Grande parte de algumas cidades possuem redes de hot\u00e9is voltada para o chamado turismo executivo e hoje se percebe que, mesmo com as atividades retomando, a maioria das reuni\u00f5es continuam sendo virtuais, afinal, assim se reduz o custo para quem faz as reuni\u00f5es. Por\u00e9m, \u00e9 preju\u00edzo para o dono do hotel que esperava todo o m\u00eas a reuni\u00e3o l\u00e1. Ent\u00e3o, eu percebo que boa parte do nosso cen\u00e1rio atual, vai ficar. Nossos conceitos, a nossa cabe\u00e7a, a nova gera\u00e7\u00e3o de empreendedores, de estudantes, de professores, a nova gera\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios e empres\u00e1rias, j\u00e1 est\u00e3o percebendo que eu n\u00e3o preciso mais ficar olhando para voc\u00ea, para voc\u00ea produzir. Que eu tenho como fazer isso \u00e0 dist\u00e2ncia. Claro que ainda h\u00e1 muito a ser adaptado, como legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e uma s\u00e9rie de coisas, porque n\u00f3s t\u00ednhamos o modelo \u00fanico presencial, e agora j\u00e1 se tornou no m\u00ednimo um modelo h\u00edbrido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Agora falando como economista, o Brasil tem um dos menores \u00edndices no que se refere \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o financeira no mundo e anualmente a gente v\u00ea not\u00edcias do aumento no endividamento da popula\u00e7\u00e3o. Como seria poss\u00edvel capacitar melhor a popula\u00e7\u00e3o em termos de conhecimento sobre economia e finan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom \u2013 <\/strong>Eu acredito que n\u00f3s dever\u00edamos ter, a partir do s\u00e9timo ano do Ensino Fundamental e todo o Ensino M\u00e9dio, uma disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Financeira. Junto com a Hist\u00f3ria, a Geografia, o Portugu\u00eas, enfim, com as outras disciplinas que j\u00e1 temos. As pessoas precisam conhecer mais como funcionam os mecanismos financeiros do cotidiano, como o cheque especial, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, o que representa o parcelamento da fatura, o que \u00e9 uma taxa de juros do governo, etc. Ningu\u00e9m fala para o jovem sobre aquilo: o que \u00e9 uma taxa de juros, o que \u00e9 o IPTU, o que \u00e9 o ITBI e outros impostos. Isso \u00e9 fundamental para saber quanto que eu ganho, quanto que eu pago, como que s\u00e3o feitas as reten\u00e7\u00f5es e tudo o mais. Isso j\u00e1 deveria come\u00e7ar no s\u00e9timo ano. No segundo grau deveria continuar com esse assunto e incluir mais um, que \u00e9 fundamental e que a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o conhece, ficando ref\u00e9m do sistema p\u00fablico: a educa\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, que \u00e9 um ramo da financeira. Tamb\u00e9m acho que deve ser trabalhado um contexto mais amplo, como por exemplo, ensinar como funcionam t\u00edtulos p\u00fablicos, um CDB, uma Letra de C\u00e2mbio, ou seja, eu acredito que n\u00f3s perdemos ao n\u00e3o oferecer ao aluno essa informa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da vida dele. &nbsp;Hoje, como funciona? Eu me formo, n\u00e3o me programo financeiramente na vida, n\u00e3o planejo e fico ref\u00e9m de, quando eu tiver idade para me aposentar, o governo vai me dar alguma coisa. A gente n\u00e3o tem uma cultura de planejamento e cria\u00e7\u00e3o. E isso deveria ser ensinado para todos, tanto no ensino p\u00fablico quanto no privado. E essa \u00e9 uma defici\u00eancia do sistema.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"581\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-1024x581.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-208\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-1024x581.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-400x227.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-768x436.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-1536x872.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-600x341.jpg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP-945x537.jpg 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2022\/03\/ACP.jpg 1740w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Pr\u00e9dio da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas, localizado no centro hist\u00f3rico da cidade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 E sobre os pequenos empres\u00e1rios, como por exemplo, aquele empres\u00e1rio por necessidade, aquele que perdeu o emprego na pandemia e precisou montar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio para poder sobreviver. Como capacitar essas pessoas, principalmente considerando o alto n\u00famero de empresas que abrem e pouco tempo depois fecham as portas por falta de planejamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom \u2013 <\/strong>Na pergunta anterior, eu respondi toda ela sob a \u00f3tica da Pessoa F\u00edsica. Mas, eu creio que no Ensino M\u00e9dio j\u00e1 daria para colocar quest\u00f5es da Pessoa Jur\u00eddica. Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o h\u00e1 emprego para todos. Sempre vai ter um grupo de pessoas que de alguma forma vai ter que achar outro meio para sobreviver que n\u00e3o seja exercendo o seu trabalho. Na melhor situa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s vivemos no Brasil, tivemos taxa de pouco mais de 4% [2014]. Mas em um pa\u00eds com mais de 100 milh\u00f5es de pessoas com idade para trabalhar, 4% s\u00e3o quatro milh\u00f5es de pessoas. Ou seja, n\u00e3o tem empresa para todos, n\u00e3o tem emprego para todos. E quando tem, exige um n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o que \u00e0s vezes esse cidad\u00e3o n\u00e3o tem. Ent\u00e3o, eu colocaria no Ensino M\u00e9dio o m\u00ednimo de finan\u00e7as do Microempreendedor Individual (MEI), da microempresa, para n\u00e3o ser uma pessoa ref\u00e9m. Isso tinha que estar no Ensino M\u00e9dio em todo o Brasil. Hoje muitas pessoas se formam nas mais diversas \u00e1reas e n\u00e3o tem ideia sobre como fazer para montar o seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Elas ficam ref\u00e9ns de achar um contador ou um profissional da \u00e1rea financeira e administrativa que lhe preste alguma consultoria, porque n\u00e3o conhecem essa \u00e1rea. Elas n\u00e3o t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre isso. Quando a gente n\u00e3o tem a informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, qualquer informa\u00e7\u00e3o que chega \u00e9 a certa, pois eu n\u00e3o tenho como argumentar o que eu n\u00e3o conhe\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super\u00e1vit \u2013 Como est\u00e3o hoje as rela\u00e7\u00f5es da ACP com a sociedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mauro Roberto Bom \u2013 <\/strong>Antes de eu ter essa viv\u00eancia dentro da ACP, h\u00e1 cerca de seis anos, eu n\u00e3o tinha o conhecimento da import\u00e2ncia do associativismo. Voc\u00ea montou a sua empresa, o seu pequeno neg\u00f3cio, e as pessoas de modo geral, o qu\u00ea fazem? Eu vou ter que contratar um empregado, vou ter que ir ao Sindicato para pelo menos fazer um acordo coletivo ou algo parecido. Mas muitas vezes eu n\u00e3o dou import\u00e2ncia para as entidades de classe. As entidades de classe s\u00e3o um ponto de informa\u00e7\u00e3o. Nesse m\u00eas de mar\u00e7o, por exemplo, temos quatro eventos. No dia 10, uma <em>live<\/em> virtual para marcar a Semana da Mulher. J\u00e1 no dia 19, teremos o primeiro encontro das mulheres empres\u00e1rias do ano. No dia 24, depois de dois anos fazendo no formato virtual, vamos ter o primeiro \u201cT\u00e1 na Hora\u201d presencial. E no dia 29 teremos mais uma <em>live<\/em>. Ent\u00e3o, teremos dois eventos virtuais e dois presenciais em apenas um m\u00eas, todos dando informa\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o, viv\u00eancia, relacionamento para o associado e para quem n\u00e3o \u00e9 associado. N\u00f3s temos todo o tipo de s\u00f3cio: desde produtor rural, comerciante, prestador de servi\u00e7os, microempreendedor, pequena, m\u00e9dia e grande empresa. Ent\u00e3o, a entidade tem essa vis\u00e3o corporativa no sentido de ser um fomentador, e n\u00e3o ser um dependente, para que voc\u00ea consiga tocar o seu neg\u00f3cio. E nesse sentido fazemos v\u00e1rios eventos e a\u00e7\u00f5es, inclusive com nossos parceiros, como o Sebrae, por exemplo, onde a gente vai oportunizando esses conhecimentos para evitar que as empresas nas\u00e7am e fechem em pouco tempo por desconhecimento. A gente oportuniza isso. Mas se voc\u00ea estiver longe da entidade, muitas vezes voc\u00ea nem fica sabendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista Mauro Roberto Bom tem uma longa trajet\u00f3ria profissional e acad\u00eamica na \u00e1rea de economia, finan\u00e7as e empreendedorismo. 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