{"id":2011,"date":"2025-02-20T09:19:00","date_gmt":"2025-02-20T12:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=2011"},"modified":"2025-02-19T19:23:43","modified_gmt":"2025-02-19T22:23:43","slug":"opiniao-por-que-o-brasil-continua-sendo-um-pais-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2025\/02\/20\/opiniao-por-que-o-brasil-continua-sendo-um-pais-desigual\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O &#8211; Por que o Brasil continua sendo um pa\u00eds desigual?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Gabriele Brittes\/ Super\u00e1vit Caseiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem uma das maiores economias do mundo, mas continua entre os pa\u00edses mais desiguais. Apesar de avan\u00e7os recentes, como a redu\u00e7\u00e3o da pobreza extrema, dados do IBGE divulgados na reportagem de <em>O Globo<\/em> (2024) indicam que, em 2023, 4,4% da popula\u00e7\u00e3o vivia nessa condi\u00e7\u00e3o \u2014 o menor n\u00edvel registrado. Ao todo, 8,7 milh\u00f5es de brasileiros sa\u00edram da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros mais recentes, citados em reportagem do <em>G1<\/em>, mostram que 28,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros vivem em pobreza multidimensional, segundo dados do Unicef. Isso significa que, em pleno 2025, quase um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o entre 0 e 17 anos sobrevive sem acesso a direitos b\u00e1sicos como saneamento, \u00e1gua pot\u00e1vel, educa\u00e7\u00e3o e moradia digna.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o n\u00famero tenha ca\u00eddo 16% desde 2017, permitindo que milh\u00f5es respirassem aliviados, a distribui\u00e7\u00e3o de riqueza permanece travada. Os n\u00fameros, por mais relevantes que sejam, contam apenas parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A raiz da desigualdade<\/h3>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o remonta \u00e0 hist\u00f3ria. O Brasil herdou tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o, seguidos por pol\u00edticas que ignoraram a inclus\u00e3o de negros e pobres no projeto de desenvolvimento nacional. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, ainda hoje, trabalhadores negros recebem sal\u00e1rios significativamente menores do que os de pessoas brancas, mesmo em fun\u00e7\u00f5es similares. A exclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um acidente: \u00e9 um sistema que se perpetua silenciosamente a cada gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade tamb\u00e9m se reflete nas oportunidades. Enquanto jovens de fam\u00edlias mais ricas ocupam vagas em universidades e empregos formais, quase metade dos adolescentes das periferias segue \u00e0 margem: sem estudar, sem trabalhar, sem perspectivas. Escolas sem infraestrutura, professores desvalorizados e a falta de pol\u00edticas para a primeira inf\u00e2ncia agravam esse ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p>O abismo digital \u00e9 outro reflexo da desigualdade. Apesar da amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 internet, milh\u00f5es ainda permanecem desconectados, exclu\u00eddos de um mundo que gira em torno das telas. Sem habilidades digitais, essas pessoas s\u00e3o empurradas para a informalidade, onde a precariedade \u00e9 regra. Enquanto isso, representantes das classes mais favorecidas consolidam vantagens em um mercado cada vez mais competitivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A geografia da exclus\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Os dados destacados pelo <em>G1<\/em> mostram que a desigualdade no Brasil tem CEP, cor e classe social. No Norte e no Nordeste, estados como Par\u00e1 e Maranh\u00e3o registram quase 90% das crian\u00e7as vivendo em priva\u00e7\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, esse percentual cai para 31,8%. Nas zonas rurais, 95% dos jovens n\u00e3o t\u00eam acesso a saneamento b\u00e1sico, contra 28% nas cidades. Crian\u00e7as negras, herdeiras de um passado de escravid\u00e3o nunca reparado, representam 63% das v\u00edtimas da pobreza multidimensional, enquanto entre as brancas esse n\u00famero \u00e9 de 45%.<\/p>\n\n\n\n<p>Programas sociais, como o Bolsa Fam\u00edlia, criado em 2003, ajudaram a tirar milhares de fam\u00edlias da pobreza extrema e desempenharam um papel fundamental no combate \u00e0 desigualdade. No entanto, desafios como a inseguran\u00e7a alimentar, que ainda afeta 5% dos jovens, e a persist\u00eancia do trabalho infantil, presente em 3,4% das crian\u00e7as, mostram que h\u00e1 um longo caminho a percorrer.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A conta da desigualdade no Brasil<\/h3>\n\n\n\n<p>O crescimento do PIB nem sempre se traduz em desenvolvimento real. No Brasil, 28,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as ainda vivem sem acesso a direitos b\u00e1sicos \u2014 um problema que precisa estar no centro de qualquer projeto de na\u00e7\u00e3o. A estrutura tribut\u00e1ria atual contribui para essa desigualdade: segundo dados do IBGE, os 10% mais ricos concentram 49,8% da renda nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds j\u00e1 demonstrou ser capaz de reduzir a pobreza, mas o combate \u00e0 desigualdade precisa ser tratado como prioridade. Medidas como a tributa\u00e7\u00e3o de grandes fortunas, a universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento e investimentos cont\u00ednuos na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica s\u00e3o essenciais para garantir oportunidades reais para todos. Construir um futuro melhor exige agir agora, garantindo que todos tenham um presente digno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriele Brittes\/ Super\u00e1vit Caseiro O Brasil tem uma das maiores economias do mundo, mas continua entre os pa\u00edses mais desiguais. 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