{"id":1443,"date":"2023-11-27T09:29:00","date_gmt":"2023-11-27T12:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=1443"},"modified":"2023-11-26T22:44:14","modified_gmt":"2023-11-27T01:44:14","slug":"afroempreendedorismo-desafios-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2023\/11\/27\/afroempreendedorismo-desafios-e-perspectivas\/","title":{"rendered":"Afroempreendedorismo: desafios e perspectivas\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Maria Rita Rolim\/Super\u00e1vit Caseiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O empreendedorismo tem se destacado cada vez mais como uma op\u00e7\u00e3o de renda, sendo a necessidade um dos principais motivos que levam muitas pessoas a optar por empreender. Dentro da diversidade de tipos de empreendedorismo existentes, o afroempreendedorismo est\u00e1 ganhando espa\u00e7o de destaque no cen\u00e1rio atual do Brasil. De acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2022, 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira se autodeclarou como negra, compreendendo tanto aqueles que se identificam como pretos quanto pardos (IBGE, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o afroempreendedorismo refere-se a empreendimentos criados e administrados por pessoas negras, abrangendo uma variedade de nichos de mercado. Essa forma de empreendedorismo estimula, sobretudo, o &#8220;black money&#8221; (dinheiro negro), um conceito que busca promover a circula\u00e7\u00e3o de renda e reduzir as desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciana Cust\u00f3dio, aos 51 anos, \u00e9 professora e acad\u00eamica no curso de Pedagogia na UFPEL. Al\u00e9m disso, fundadora da FeMENI Feira de Mulheres Empreendedoras Negras e Ind\u00edgenas, propriet\u00e1ria da Original Empadaria, e apoiadora do Movimento Black Money. Luciana tamb\u00e9m \u00e9 atuante na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo nacionalmente para o PLPs Mulher Negra. Em sua narrativa sobre a experi\u00eancia como empreendedora, ela relata:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa minha concep\u00e7\u00e3o de empreender, uma mulher negra j\u00e1 nasce empreendendo, sobrevivendo. Sou uma mulher que sempre arriscou; trabalho desde os meus 15 anos e, paralelamente, sempre busquei atividades que me proporcionassem autonomia financeira. J\u00e1 produzi bijuterias feitas de mi\u00e7angas, trabalhei como manicure, cabeleireira, salgadeira (e retornei a esse ramo), e tamb\u00e9m fui vendedora. No entanto, o marco que me fez compreender toda essa trajet\u00f3ria, e que me mant\u00e9m nos tr\u00eas anos de exist\u00eancia da Original Empadaria, foi o per\u00edodo da pandemia&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acrescenta que durante a pandemia, al\u00e9m de ficar desempregada, enfrentou um problema de sa\u00fade que a impediu de ter contato com outras pessoas. &#8220;Esse momento desafiador me levou a me reinventar, a redescobrir nas receitas da minha m\u00e3e um caminho para me encontrar como pessoa, mulher e empreendedora. As minhas receitas representam mais do que simplesmente cozinhar; s\u00e3o uma busca pelas ra\u00edzes que moldaram a minha identidade, um reencontro com as minhas mem\u00f3rias afetivas\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"500\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/11\/imagem-black.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1446\" style=\"aspect-ratio:1.5;width:572px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/11\/imagem-black.jpeg 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/11\/imagem-black-400x267.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/11\/imagem-black-600x400.jpeg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: Adobe Communications Team<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u00a0A autoestima desempenha um papel crucial em sua jornada empresarial, em um contexto social onde persistem desafios relacionados \u00e0 representatividade e igualdade de oportunidades. Muitas pessoas negras se deparam com estere\u00f3tipos e preconceitos ao tentar iniciar um novo neg\u00f3cio ou at\u00e9 para manter o que j\u00e1 tem, o que ressalta a import\u00e2ncia de uma autoestima e intelig\u00eancia emocional bem estruturadas para resistir a essas press\u00f5es externas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, incentivar a autoestima n\u00e3o se limita apenas a uma quest\u00e3o pessoal; trata-se, tamb\u00e9m, de uma estrat\u00e9gia fundamental para fomentar um ambiente empreendedor mais inclusivo e diversificado. Conforme ressalta Thaiane Madruga, Terapeuta Integrativa e graduanda em gest\u00e3o empreendedora, que tamb\u00e9m atua como aut\u00f4noma, um dos desafios significativos enfrentados por pessoas negras no empreendedorismo \u00e9 lidar com cren\u00e7as limitantes relacionadas \u00e0 ancestralidade e ao sistema familiar. Isso engloba a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencimento a determinados espa\u00e7os, destacando a import\u00e2ncia de abordar e superar esses obst\u00e1culos para promover a igualdade de oportunidades no mundo empreendedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O caminho \u00e9 muito mais dif\u00edcil porque as nossas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 grana e, na maioria das vezes, n\u00e3o t\u00eam acesso ao estudo. E quando a gente tem esse acesso, ainda para n\u00f3s, \u00e9 algo muito novo. A gente se sente culpado, parece que n\u00e3o \u00e9 permitido, parece que n\u00e3o pertencemos, parece que estamos deixando a nossa fam\u00edlia de origem. Ent\u00e3o, com certeza, as cren\u00e7as em n\u00edvel hist\u00f3rico s\u00e3o um dos maiores desafios que a gente pode enfrentar porque. Al\u00e9m disso, vem o julgamento, vem a parte social, hist\u00f3rica.\u00a0 O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito racista. Ent\u00e3o, enfrentamos muito isso todos os dias, e n\u00e3o adianta apenas ganhar dinheiro, \u00e0s vezes isso nos ilude, o dinheiro nos d\u00e1 apenas um acesso melhor, mas os olhares continuam e n\u00f3s notamos isso&#8221;, afirma Thaiane.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o negra enfrenta uma exclus\u00e3o mais acentuada no mercado de trabalho brasileiro. Ao analisar os dados do IBGE referentes ao primeiro trimestre deste ano, observa-se que entre os que se autodeclararam pretos, a taxa era de 11,3%, enquanto entre os pardos era de 10,1%, e entre os brancos, de 6,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aos poucos que o cen\u00e1rio vai mudando e, para isso, as pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas ao afroempreendedorismo desempenham um papel fundamental na busca por equidade e inclus\u00e3o no cen\u00e1rio empreendedor. Iniciativas como o Projeto de Lei 2.538\/2020 promovem e fortalecem empreendimentos liderados por pessoas negras. Em 2023, o governo de Lula estabeleceu o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial do Brasil, encarregado de planejar, coordenar e executar pol\u00edticas p\u00fablicas em \u00e2mbito nacional que promovam a igualdade racial e combatam o racismo. Essas a\u00e7\u00f5es refletem o compromisso em construir uma sociedade mais economicamente inclusiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Rita Rolim\/Super\u00e1vit Caseiro O empreendedorismo tem se destacado cada vez mais como uma op\u00e7\u00e3o de renda, sendo a necessidade um dos principais motivos que levam muitas pessoas a optar por empreender. 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