{"id":1384,"date":"2023-09-21T08:08:00","date_gmt":"2023-09-21T11:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=1384"},"modified":"2023-09-21T17:21:00","modified_gmt":"2023-09-21T20:21:00","slug":"entrevista-o-desenvolvimento-socioeconomico-brasileiro-e-consideracoes-sobre-politicas-economicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2023\/09\/21\/entrevista-o-desenvolvimento-socioeconomico-brasileiro-e-consideracoes-sobre-politicas-economicas\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; O desenvolvimento socioecon\u00f4mico brasileiro e considera\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edticas econ\u00f4micas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Kaique Cangirana\/Super\u00e1vit Caseiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta semana, o Super\u00e1vit Caseiro conversou com o economista e professor Pedro Cezar Dutra Fonseca, que compartilhou um pouco de sua trajet\u00f3ria, bem como apresentou algumas perspectivas da economia brasileira. O professor do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), possui mais de quatro d\u00e9cadas de carreira dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, pesquisa acad\u00eamica e forma\u00e7\u00e3o de economistas. Doutor em Economia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), seus feitos e trajet\u00f3ria tamb\u00e9m lhe renderam o t\u00edtulo de Economista do Ano em 2022, pr\u00eamio concedido pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul. A seguir, o leitor pode acompanhar alguns dos pontos destacados pelo professor durante a conversa com o Super\u00e1vit Caseiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pontos de uma carreira longeva: a trajet\u00f3ria de Pedro Fonseca e sua carreira na Economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PEDRO FONSECA &#8211; <\/strong>Eu nasci em S\u00e3o Borja (RS) e vim para Porto Alegre com 15 anos para fazer o Ensino M\u00e9dio. J\u00e1 em Porto Alegre, ingressei na Escola T\u00e9cnica de Com\u00e9rcio da UFRGS e fiz o curso de Contabilidade. Depois, cursei a faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tamb\u00e9m fiz meu mestrado aqui. Ent\u00e3o, apenas me afastei para fazer o doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Quando fui fazer o doutorado, eu j\u00e1 era professor da universidade pois, na \u00e9poca, ainda se abria concursos mesmo para a pessoa que n\u00e3o tinha doutorado. Entrei como professor Assistente antes de ingressar na USP. Mais tarde, fiz concurso para professor Titular. Para teres uma ideia, eu entrei na universidade como professor em 1978, ent\u00e3o, este ano est\u00e1 fazendo 45 anos que estou na universidade. Eu n\u00e3o me aposentei ainda, e a pergunta mais frequente \u00e9: quando vou me aposentar? (risos) Mas eu continuo dando aula, tanto de gradua\u00e7\u00e3o como de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Sou pesquisador do CNPq desde 1987 e continuadamente tenho aprovado projetos de pesquisa. Uma coisa que gosto muito na minha vida universit\u00e1ria, \u00e9 essa parte de formar as pessoas, n\u00e3o apenas pesquisando sozinho, mas tamb\u00e9m introduzindo as pessoas na pesquisa, na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Tenho tido bons frutos com bons quadros de doutores, de mestres e de graduandos em Economia que eu ajudei a formar, sem contar os milhares de alunos nessa trajet\u00f3ria toda.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da universidade, eu j\u00e1 ocupei quase todos os cargos poss\u00edveis, fui vice-reitor de 2004 a 2008 e n\u00e3o quis concorrer \u00e0 elei\u00e7\u00e3o porque eu acho que se fosse reitor, eu n\u00e3o conseguiria conciliar com as atividades de ensino e pesquisa. Mesmo tendo diversos cargos, como por exemplo, fui chefe de departamento e coordenador de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, reitor de pesquisa e vice-reitor, eu nunca me afastei da sala de aula. Eu sempre continuava dando aula de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes diminu\u00eda um pouco a carga das orienta\u00e7\u00f5es, mas nunca deixei de exercer as atividades na sala de aula. Sempre tive essa vida na universidade, sim, me afastei da UFRGS em determinado momento, por exemplo, quando eu fui Presidente da FAPERGS, que \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul. Eu sempre tive essas atividades fora da universidade, mas acad\u00eamicas tamb\u00e9m. Sempre escrevi em jornais e revistas cient\u00edficas. Para ser pesquisador do CNPq, tem que ter produ\u00e7\u00e3o em revistas especializadas, mas eu tamb\u00e9m procurava escrever artigos em jornais para a divulga\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes o mundo acad\u00eamico n\u00e3o gosta muito disso, mas tive por um bom tempo uma coluna no Correio do Povo, depois escrevi por algum tempo tamb\u00e9m na Zero Hora e em outras publica\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o. Escrevi artigos n\u00e3o cient\u00edficos, fora daquele formato acad\u00eamico, e mais como artigos de opini\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o sobre economia. Tamb\u00e9m fui coordenador e participei da comiss\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) na \u00e1rea de Economia. Depois, j\u00e1 no CNPq, tamb\u00e9m fui membro do Comit\u00ea Cient\u00edfico por v\u00e1rios anos. Trabalhei muito nessas institui\u00e7\u00f5es vinculadas ao ensino e a pesquisa na \u00e1rea de Economia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A linhas de trabalho acad\u00eamico e as disciplinas que o professor Pedro Cezar Dutra Fonseca leciona na universidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PEDRO FONSECA<\/strong> &#8211; O livro mais tradicional que se conhece sobre a economia brasileira \u00e9 a obra de Celso Furtado \u201cForma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Brasil\u201d, que \u00e9 o livro mais traduzido, bem como \u00e9 tamb\u00e9m um dos mais utilizados e mais reimpressos de Economia no Brasil. Um livro tradicional escrito l\u00e1 em 1959 que trata mais da quest\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica. Hoje, j\u00e1 existem v\u00e1rios livros de Economia de v\u00e1rios professores, fica at\u00e9 dif\u00edcil falarmos sobre um, pois tem v\u00e1rios muitos muito bons. A minha produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para, quem quiser olhar est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/professor.ufrgs.br\/pedrofonseca\">https:\/\/professor.ufrgs.br\/pedrofonseca<\/a>. Neste endere\u00e7o est\u00e1 toda a minha produ\u00e7\u00e3o de livros e artigos de Economia, assim como artigos em revistas especializadas, fora esses que eu te falei nos jornais. Hoje, h\u00e1 um esfor\u00e7o dos economistas em falar para o grande p\u00fablico, como j\u00e1 se viu em outras atividades. A \u00e1rea de minhas pesquisas \u00e9 relacionada ao Desenvolvimento Econ\u00f4mico, porque essa \u00e9 a \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o do nosso curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Leciono a disciplina de Economia Brasileira e tamb\u00e9m dou outra disciplina de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que se chama \u201cInterpreta\u00e7\u00f5es no Brasil\u201d, onde a gente j\u00e1 analisa alguns autores relevantes que tentaram entender o Brasil, interpretar o Brasil. Alguns deles s\u00e3o: Celso Furtado, S\u00e9rgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, enfim, uma gama de autores que, em diferentes vis\u00f5es, tentaram ter uma no\u00e7\u00e3o globalizante sobre o Brasil.&nbsp; O professor tamb\u00e9m aprende com essas disciplinas, porque a obra desses autores sempre \u00e9 muito rica e permite releituras da pr\u00f3pria obra ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O professor avalia a economia brasileira do s\u00e9culo XX at\u00e9 a contemporaneidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PEDRO FONSECA &#8211; <\/strong>A economia brasileira, desde 1980, est\u00e1 numa fase que eu chamaria de \u201csemi estagna\u00e7\u00e3o\u201d. Tivemos um grande per\u00edodo de crescimento no Brasil que foi de 1930 at\u00e9 1980, aproximadamente. O Brasil era a economia do mundo que mais crescia com, a poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o. Havia uma ideia de \u201cpa\u00eds do futuro\u201d, do \u201cBrasil que vai para frente\u201d, animosidade, uma cren\u00e7a de que o pa\u00eds iria superar os seus problemas a partir de 1980, \u00e9poca denominada como uma d\u00e9cada perdida. Mas o Brasil nunca mais conseguiu ter uma forma de crescimento e se sustentar, mas sim, a gente tem pequenos ciclos de crescimento. \u00c0s vezes as pessoas chamam voo de galinha, voa um pouquinho, mas cai em seguida (risos), pois n\u00e3o consegue sustentar. Tivemos fases como na \u00e9poca do Plano Cruzado, tivemos o primeiro governo Lula, inclusive empolgados pelo crescimento da China, o Brasil surgiu como um grande produtor mundial de <em>commodities<\/em>, aquilo rendeu um grande crescimento para o pa\u00eds junto a uma melhoria da distribui\u00e7\u00e3o de renda, mas aquilo tamb\u00e9m n\u00e3o foi sustent\u00e1vel. Depois, partimos para uma situa\u00e7\u00e3o de desindustrializa\u00e7\u00e3o, um problema que como sintoma gerou a regress\u00e3o do Brasil. O Brasil j\u00e1 teve quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) como uma ind\u00fastria, superando aquela fase da economia s\u00f3 de caf\u00e9 de a\u00e7\u00facar; ela come\u00e7a a se industrializar a partir de 1930. Mas o agroneg\u00f3cio ocupa esse espa\u00e7o e n\u00e3o existe um conflito entre tu ter um grande agroneg\u00f3cio e uma grande ind\u00fastria, n\u00e3o \u00e9 um jogo em que se um ganha o outro tem que perder. N\u00f3s podemos ter um grande agroneg\u00f3cio e uma grande ind\u00fastria, ent\u00e3o, eu n\u00e3o vejo as coisas totalmente associadas em que um est\u00e1 tomando o lugar do outro. Eu acho \u00f3timo ter um agroneg\u00f3cio forte que exporte bem e que o mundo reconhe\u00e7a que garanta o saldo da balan\u00e7a de pagamento, que respeite o meio ambiente, \u00e9 poss\u00edvel tudo isso acontecer. Agora, poderia tamb\u00e9m a ind\u00fastria crescer e qualificar os servi\u00e7os, a pesquisa tecnol\u00f3gica. Os servi\u00e7os, hoje, s\u00e3o servi\u00e7os com a internet das coisas e tecnologia, que s\u00e3o intensivos em conhecimento, ent\u00e3o, a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia e tecnologia para eles \u00e9 muito importante. A economia brasileira tem momentos melhores, momentos piores e, como todo mundo, foi abalado pela pandemia. No Brasil n\u00e3o seria diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, sobre o que est\u00e1 acontecendo hoje, os dados que tem sa\u00eddo ultimamente s\u00e3o muito animadores. Por exemplo, o d\u00f3lar est\u00e1&nbsp; abaixo de R$5 quando a previs\u00e3o \u00e9 de que poderia estar acima ou pr\u00f3ximo de 6; a taxa de crescimento do pa\u00eds, que&nbsp; iniciou o ano pensando que seria de meio ponto percentual, depois foi para um ponto e j\u00e1 tem previs\u00e3o de ser a 2,3% neste ano. Temos bons saltos na balan\u00e7a de pagamentos, na balan\u00e7a comercial do pa\u00eds. Ent\u00e3o, hoje h\u00e1 um certo clima de otimismo, o governo conseguiu aprovar algumas reformas importantes que foram encaminhadas do Executivo para o Legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O professor tamb\u00e9m avalia como crises pol\u00edticas impactam a economia do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/Bandeira-do-Brasil.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1386\" style=\"width:694px;height:390px\" width=\"694\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/Bandeira-do-Brasil.jpg 640w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/Bandeira-do-Brasil-400x225.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/Bandeira-do-Brasil-600x338.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 694px) 100vw, 694px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Getty Images\/bandeira do Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>PEDRO FONSECA &#8211; <\/strong>O Brasil tem um problema com uma radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica muito grande. As pessoas tem dois lados opostos sem qualquer di\u00e1logo, isso \u00e9 p\u00e9ssimo para a economia e \u00e9 p\u00e9ssimo para a sociedade, pois o importante \u00e9 os brasileiros tamb\u00e9m terem uma identifica\u00e7\u00e3o comum, e n\u00e3o de um torcer contra o outro como se fosse um jogo ou algo semelhante. Eu acho que respeitar as diferen\u00e7as n\u00e3o quer dizer inexist\u00eancia de di\u00e1logo, ent\u00e3o, este problema pol\u00edtico que tem o Brasil, essa radicaliza\u00e7\u00e3o, que de certo modo se reflete no Congresso, dificulta o progresso. Tamb\u00e9m \u00e9 uma dificuldade para qualquer governo, seja de direita, de esquerda ou de centro, governar com mais de 20 partidos no Congresso (risos). N\u00e3o acho que no Brasil h\u00e1 o presidencialismo de coaliz\u00e3o como se diz. N\u00e3o h\u00e1 coaliz\u00e3o nenhuma, isso n\u00e3o aconteceu com Lula, com Bolsonaro e nem com o Temer, porque na verdade, os pol\u00edticos n\u00e3o obedecem suas lideran\u00e7as partid\u00e1rias e votam individualmente. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes os partidos est\u00e3o no governo, mas n\u00e3o seguem essa orienta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a e eu acho que esse \u00e9 um problema pol\u00edtico. Qualquer democracia do mundo sup\u00f5e que exista um entrosamento entre o Legislativo e o Executivo com forma\u00e7\u00e3o de uma maioria, e essa maioria deveria ser inst\u00e1vel independente da ideologia do governo. O que eu estou falando \u00e9 tratado como governabilidade, e por que estou falando disso numa discuss\u00e3o de economia? Porque tem tudo haver com economia, se n\u00e3o tivermos essas regras est\u00e1veis, elas n\u00e3o v\u00e3o se refletir numa governan\u00e7a econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O economista tamb\u00e9m explanou suas considera\u00e7\u00f5es acerca de uma moeda alternativa e a pol\u00edtica externa do Brasil atualmente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PEDRO FONSECA &#8211; <\/strong>Ainda precisamos de mais tempo para avaliar a pol\u00edtica externa do governo. H\u00e1 boas negocia\u00e7\u00f5es que j\u00e1 se estendem a tempos, no caso a negocia\u00e7\u00e3o para aproximar os blocos econ\u00f4micos europeu e sulamericano, que h\u00e1 mais de 20 anos se tenta e n\u00e3o se consegue. O que considero mais importante \u00e9 tentar recuperar esse papel do Brasil, que sempre foi muito respeitado em sua pol\u00edtica externa. A retomada do protagonismo brasileiro vai depender muito dessa quest\u00e3o do clima, pois a quest\u00e3o ambiental sofre uma press\u00e3o dos pa\u00edses do primeiro mundo, mesmo que \u00e0s vezes seja uma press\u00e3o de cal\u00e7a curta, porque eles tamb\u00e9m n\u00e3o seguem essa pol\u00edtica.&nbsp; Me parece uma tentativa, mas se isso vai trazer resultados, n\u00f3s vamos ver no futuro. Uma coisa importante \u00e9 a pol\u00edtica externa ser muito mais pragm\u00e1tica do que ideol\u00f3gica. Tem que se pensar antes nos interesses do pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma moeda \u00fanica para o com\u00e9rcio Internacional at\u00e9 faz sentido, mas aquela ideia de que haveria uma moeda \u00fanica do Mercosul j\u00e1 \u00e9 mais dif\u00edcil (risos). Haver uma alternativa ao d\u00f3lar no com\u00e9rcio Internacional \u00e9 uma coisa que j\u00e1 se fala h\u00e1 muito tempo, isso desde os anos 1970. A amplia\u00e7\u00e3o dos BRICS &#8211; grupo de pa\u00edses de mercado emergente em rela\u00e7\u00e3o ao seu desenvolvimento econ\u00f4mico &#8211; poderia ser, como j\u00e1 houve, uma pena que essa nova amplia\u00e7\u00e3o se deu praticamente com governos autorit\u00e1rios que passam a ocupar um espa\u00e7o muito grande dentro do que est\u00e1 sendo proposto. Mas eu considero que sim, os BRICS s\u00e3o uma boa iniciativa. Quando ele foi criado, a tentativa era reunir esses pa\u00edses emergentes que j\u00e1 tinham uma import\u00e2ncia, pa\u00edses menores sem muita express\u00e3o. Ter\u00edamos outros pa\u00edses como poss\u00edveis integrantes para incorporar o BRICS, aqui na Am\u00e9rica Latina mesmo, pa\u00edses como a Argentina e o M\u00e9xico,&nbsp; que a gente pode chamar de emergentes e que s\u00e3o um pouco maiores. Vamos dizer que a\u00ed depende da proposta pol\u00edtica que esse grupo vai querer.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que \u00e9 poss\u00edvel ter uma moeda alternativa, n\u00e3o seria no p\u00f3s-guerra, quando se tinha uma hegemonia absoluta do d\u00f3lar americano. A guerra terminou em 1945, n\u00f3s estamos em 2023, o mundo mudou, a geopol\u00edtica mundial mudou, por isso que surgem essas alternativas. Claro que os Estados Unidos n\u00e3o v\u00e3o gostar (risos) como eles tamb\u00e9m n\u00e3o foram a favor do surgimento do euro. At\u00e9 pressionaram, mas a Europa resolveu e foi bem-sucedida nessa alternativa, que \u00e9 muito mais radical, porque tem uma moeda comum dos pa\u00edses. Aqui est\u00e1 se falando de uma coisa bem mais light, que \u00e9 uma moeda para o com\u00e9rcio internacional, que inclusive poderia ter apenas uma parte em d\u00f3lar sem extinguir este como moeda internacional, isso criaria uma alternativa. Ent\u00e3o, s\u00e3o propostas que est\u00e3o na mesa para discuss\u00e3o com pontos positivos e pontos negativos e esses pontos variam entre os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kaique Cangirana\/Super\u00e1vit Caseiro Nesta semana, o Super\u00e1vit Caseiro conversou com o economista e professor Pedro Cezar Dutra Fonseca, que compartilhou um pouco de sua trajet\u00f3ria, bem como apresentou algumas perspectivas da economia brasileira. 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