{"id":1371,"date":"2023-09-15T19:26:45","date_gmt":"2023-09-15T22:26:45","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/?p=1371"},"modified":"2023-09-15T19:28:43","modified_gmt":"2023-09-15T22:28:43","slug":"a-necessidade-que-pulsa-o-saber-ancestral-as-trancas-como-figuras-centrais-no-afroempreendedorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2023\/09\/15\/a-necessidade-que-pulsa-o-saber-ancestral-as-trancas-como-figuras-centrais-no-afroempreendedorismo\/","title":{"rendered":"A necessidade que pulsa o saber ancestral: as tran\u00e7as como figuras centrais no afroempreendedorismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Ester Caetano\/Acad\u00eamica do curso de Jornalismo da UFPEL<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como na m\u00fasica de Karol com K, o empreendedorismo negro no Brasil &#8220;alavanc\u00f4&#8221; e vem ganhando espa\u00e7o nos segmentos de investimento e economia criativa. Atualmente, in\u00fameras iniciativas est\u00e3o dando vaz\u00e3o a projetos com protagonismo negro, trazendo \u00e0 tona a discuss\u00e3o sobre o lugar do empreendedor negro na cena econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de muitos empreendedores brancos, que iniciam seus neg\u00f3cios por voca\u00e7\u00e3o ou continua\u00e7\u00e3o familiar, a maioria das pessoas negras empreende por necessidade. De acordo com o estudo &#8220;Afroempreendedorismo Brasil&#8221;, desenvolvido pela RD Station, Inventivos e o Movimento Black Money, 40% da popula\u00e7\u00e3o negra adulta no Brasil s\u00e3o empreendedores, e a maioria deles s\u00e3o mulheres. Elas se destacam nos mercados de beleza e ind\u00fastria criativa. No entanto, enfrentam diversos desafios no mundo dos neg\u00f3cios, desde o racismo at\u00e9 a falta de investimento, infraestrutura e conhecimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas dificuldades s\u00e3o insignificantes diante da vontade e do desejo de transformar e expandir seus neg\u00f3cios, como \u00e9 o caso de Sthefanne Negonna, hairstylist, produtora, slammer e empreendedora de 22 anos. Desde os 9 anos de idade, ela cuidava e tran\u00e7ava os cabelos de seus familiares. Sua m\u00e3e, que sempre trabalhou com est\u00e9tica, a orientou a seguir o mesmo caminho. Aos 15 anos, Sthefanne percebeu que poderia gerar renda ajudando em casa com penteados afro.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a tran\u00e7ar cabelos de casa em casa e, em 2017, fundou sua pr\u00f3pria marca, a StillBlack. H\u00e1 dois anos, decidiu estruturar sua marca como uma empresa, visando oferecer um ambiente mais confort\u00e1vel para suas clientes. Ela diz: &#8220;comecei a planejar, embora tenha enfrentado uma tentativa infrut\u00edfera em 2021 quando engravidei. Queria proporcionar um espa\u00e7o melhor para minhas clientes. No final do ano, abri meu MEI, o que realmente me consolidou como empreendedora&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-1-512x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1374\" style=\"width:326px;height:651px\" width=\"326\" height=\"651\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-1-512x1024.jpeg 512w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-1-200x400.jpeg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-1-600x1200.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-1.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sthefanne viu na sua t\u00e9cnica uma oportunidade de neg\u00f3cio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sthefanne enfatiza que, embora o CNPJ seja importante para sua carreira, sempre se viu como dona do seu neg\u00f3cio e como uma aut\u00f4noma. Ela tamb\u00e9m observa que o termo &#8220;afroempreendedorismo&#8221; est\u00e1 ganhando destaque agora, mas em comunidades negras e perif\u00e9ricas, empreender significa sobreviver. &#8220;Isso j\u00e1 acontecia antes e agora est\u00e1 sendo nomeado como afroempreendedorismo. Conhe\u00e7o muitas pessoas que empreendem de v\u00e1rias formas, desde artesanato at\u00e9 trabalhos aut\u00f4nomos\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra &#8220;empreender&#8221; muitas vezes carrega conota\u00e7\u00f5es brancas. Devido \u00e0 estrutura racista da sociedade, os negros t\u00eam dificuldade em se afirmar. Sthefanne ressalta a import\u00e2ncia de os empreendedores negros se posicionarem como tal: &#8220;\u00c9 crucial para a popula\u00e7\u00e3o negra se identificar dessa maneira, porque enfrentamos recortes e falta de oportunidades em diversas \u00e1reas. Sabemos que, como pessoas negras, independente da \u00e1rea em que atuamos, a jornada \u00e9 mais dif\u00edcil. Portanto, \u00e9 muito v\u00e1lido falar sobre empreendedorismo negro e empreendedorismo das mulheres negras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de oportunidades no empreendedorismo resulta em falhas na gest\u00e3o dos neg\u00f3cios. Muitos afroempreendedores iniciam suas atividades sem conhecimento das regras do jogo. A trancista revela que n\u00e3o recebeu orienta\u00e7\u00e3o sobre como abrir sua MEI e enfrentou dificuldades para encontrar informa\u00e7\u00f5es sobre as taxas de pagamento do CNPJ e o processo de documenta\u00e7\u00e3o como pessoa jur\u00eddica. Assim, ela teve que pesquisar e aprender sozinha para compreender como se posicionar como microempreendedora individual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um desafio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sempre foi um desafio para pessoas negras, e quando se trata de educa\u00e7\u00e3o financeira, o abismo se aprofunda. Isso pode ser um dos fatores que impedem o progresso de suas ideias e cria\u00e7\u00f5es. Sthefanne comenta: &#8220;A educa\u00e7\u00e3o financeira, especialmente para empresas, muitas vezes n\u00e3o faz parte da vida das pessoas negras e, quando consideramos as diferen\u00e7as de classe, torna-se ainda mais inacess\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-4-512x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1375\" style=\"width:367px;height:733px\" width=\"367\" height=\"733\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-4-512x1024.jpeg 512w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-4-200x400.jpeg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-4-600x1200.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-4.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 367px) 100vw, 367px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trabalho de Sthefanne explora a ancestralidade de empreender<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A ancestralidade desempenha um papel fundamental no empreendedorismo. Empreender envolve tend\u00eancias e planejamento, que podem ser enraizados por meio de pesquisas no passado, que ampliam horizontes e fornecem respostas para o futuro. Sthefanne enfatiza a import\u00e2ncia de compreender a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do que se faz, destacando que o empreendedorismo e a tecnologia n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente brancos, mas t\u00eam ra\u00edzes ancestrais. Ela menciona que muitas tecnologias surgiram no Egito, trazidas por pessoas negras na di\u00e1spora. Muitas mulheres negras tiveram seus cabelos raspados como uma tentativa de apagar suas culturas de tran\u00e7ar e manter essas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sthefanne, entender sua hist\u00f3ria \u00e9 um caminho para o empoderamento e a capacidade de ocupar espa\u00e7os que antes estavam indispon\u00edveis ou inacess\u00edveis. Ela afirma: &#8220;quando voc\u00ea esquece suas ra\u00edzes, voc\u00ea \u00e9 apagado. As tran\u00e7as carregam um peda\u00e7o da cultura africana, e ao considerar a perspectiva do Egito, as tran\u00e7as, o empreendedorismo, a tecnologia, a arquitetura e a engenharia s\u00e3o todos conhecimentos ancestrais que foram roubados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da est\u00e9tica, Sthefanne procura mudar a perspectiva das pessoas sobre o significado das tran\u00e7as, dos cabelos e dos penteados. Ela conclui: &#8220;cheguei a um ponto na minha carreira em que vejo a produ\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da est\u00e9tica, como uma forma de carinho e cuidado. Falo muito sobre afeto e desmistifica\u00e7\u00e3o do que tem sido constru\u00eddo como dor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O afroempreendedorismo vem como um movimento que n\u00e3o apenas cria oportunidades econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m resgata e celebra as ra\u00edzes culturais e ancestrais das comunidades negras. Sthefanne Negonna e outros empreendedores negros est\u00e3o liderando esse movimento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1376\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-3.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-3-400x225.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Afroempreendedorismo ainda tem muitos desafios no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ester Caetano\/Acad\u00eamica do curso de Jornalismo da UFPEL Assim como na m\u00fasica de Karol com K, o empreendedorismo negro no Brasil &#8220;alavanc\u00f4&#8221; e vem ganhando espa\u00e7o nos segmentos de investimento e economia criativa. Atualmente, in\u00fameras iniciativas est\u00e3o dando vaz\u00e3o&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/2023\/09\/15\/a-necessidade-que-pulsa-o-saber-ancestral-as-trancas-como-figuras-centrais-no-afroempreendedorismo\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1210,"featured_media":1373,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[336,335,34,337,35],"class_list":["post-1371","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-afroenpreendedorismo","tag-diversidade","tag-empreendedorismo","tag-inclusao","tag-negocios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/files\/2023\/09\/superavit-2.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1210"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1371"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1378,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1371\/revisions\/1378"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/superavit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}