Por Enrique Carvalho Bohm/Superávit Caseiro
Na quarta-feira, dia 29 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom), presidido por Gabriel Galípolo, decidiu pelo aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, elevando-a para 13,25% ao ano. A Selic é um dispositivo que está sendo utilizado para conter a inflação, que no final do ano passado encerrou em 4,83%, 0,33% acima da projeção esperada. Quanto maiores os juros, menos a população sente-se inclinada ao consumo, isso faz a procura por produtos diminuir e os preços acompanharem a baixa demanda.
A alta nos juros dificulta objetivamente a utilização do crédito, fazendo com que diversos projetos de desenvolvimento profissional de pequenos empreendedores fiquem estagnados. Empréstimos para aquisição de bens para o trabalho, como: uma moto para tele-entregas, um carro para trabalhar em função de aplicativos, aluguel de um espaço para empreender, crédito rotativo para investimentos, dentre outros, ficaram mais caros de obter.
Com pouco espaço para aplicar a verba restante após pagar as contas do mês, precisa-se saber as melhores opções de investimentos, pois não é muito favorável aplicar o restante do capital salvo sem estar ciente dos aspectos de cada tipo de investimento. Precisamos sentir a temperatura da água antes de mergulharmos, por assim dizer. Selecionar a melhor alternativa depende de fatores, pessoas e profissionais ligados a cada um, como a própria situação sócio-econômica.
- Títulos Públicos
Conhecido mais popularmente como Tesouro Direto, é uma alternativa para quem está entrando no universo de investimentos. Seu ganho ao ano corresponde à taxa Selic, o que significa que quanto mais a taxa aumentar, o que é previsto para março deste ano, mais seu dinheiro irá render. Como aqui estão sendo comprados títulos da dívida pública, é certo dizer que o investimento é sólido e garantido. Há diversas alternativas de valores que podem ser investidos através de instituições financeiras, como corretoras de investimento, de forma completamente online.
Além da segurança garantida pelo Tesouro Nacional, os títulos podem ser resgatados a qualquer momento, privilegiando o investidor em caso de algum imprevisto profissional ou pessoal. É uma ótima opção, por exemplo, para se fazer uma reserva de emergência.
- Crédito Privado
Semelhante ao Título Público, o crédito privado opera de forma paralela, apenas com o diferencial do investidor estar adquirindo papéis de empresas privadas com uma rentabilidade maior que o Tesouro Direto. É um investimento mais arriscado, pois não há a garantia que o Estado fornece de que não irá falir antes do resgate dos títulos. O crédito é um investimento de renda fixa, o que significa que os rendimentos são claros desde o momento da compra. Por um lado, garante que o valor investido será constante, sem diminuir, porém ele não tem a perspectiva de um aumento repentino.
As melhores opções de compra são créditos de grandes empresas já consagradas no mercado, como, por exemplo, a Vale – apesar do momento de baixa. Outros setores muito rentáveis são o do agronegócio que há décadas é um dos fortes pilares do capital nacional e pode ser visto no CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) ou nos investimentos do setor imobiliário que vem se beneficiando por anos com as especulações em grandes centros econômicos e que são encontrados nas carteiras CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários).
- Ações
As ações providenciam ao investidor comprar pedaços de uma empresa que aumentam e diminuem de preços e que, na maioria dos casos, oferecem o pagamento de dividendos (parte dos lucros da empresa são compartilhados entre os acionistas). Pertencendo à renda variável, aqui você literalmente está comprando a participação em uma empresa de capital aberto. A variabilidade do mercado pode possibilitar grandes lucros fazendo rendimentos básicos irem relativamente às alturas, mas também pode fazer ir a quase 0 o valor inicial depositado caso a empresa quebre. Tais variabilidades decorrem de inúmeros fatores, como a variação da própria taxa Selic.
No caso de alta da Selic, os juros sobem e a tendência é que o consumo diminua. Isso, além de afetar as camadas mais necessitadas da sociedade brasileira os privando de consumo e de crédito, também afeta as empresas de serviços e o comércio. Com menor demanda, menor a rotatividade de capital. Outro episódio que pode ser citado é o da DeepSeek. A inteligência artificial chinesa foi apresentada ao mundo e demonstrou que diversos recursos caríssimos, que antes eram vitais na construção de um I.A. não eram tão relevantes assim. Por consequência, as empresas detentoras dos ditos recursos perderam valor especulativo de mercado e o prejuízo chegou a quase 1 trilhão de dólares em poucas horas.
- Fundos Imobiliários

Consiste na aquisição de títulos que servem de referência à aquisição de uma porcentagem em um empreendimento imobiliário; como se você estivesse comprando parte de uma casa e no momento do vencimento do investimento o inquilino paga a você a proporção de dinheiro devida conforme a aplicação inicial. Apresenta-se como uma alternativa estável e de bons resultados, tendo o dividend yield médio do Ifix, o lucro recebido pelo investimento, atingindo 12,5% de retorno em janeiro de 2025.
Há riscos de investir nos fundo imobiliários quando a Selic está aumentando. Com o crescimento da taxa de juros, torna-se mais difícil para o trabalhador adquirir um imóvel próprio, isso faz com que a demanda dos fundos diminua e acabe olhando para outras opções de investimento mais atrativas.
- Fundos de investimento
Os fundos são uma ótima opção de entrada no mundo dos investimentos. Você pode aplicar valores menores ao entrar nessa categoria e há a possibilidade de ter um gestor para tomar conta do fundo por você; ter um especialista no mercado gerindo os investimentos libera o investidor para cuidar de seus negócios paralelos, uma grande vantagem para aqueles com tempo limitado na agenda.
O fundo reúne investimento de um grupo de pessoas direcionadas para a mesma espécie de ativo, como a bolsa, mercado de renda fixa ou câmbio. Os fundos apresentam cotas com valores fixos e pode-se adquirir um vasto número delas, e cada uma representa proporcionalmente o valor a ser ganho no dia do vencimento. As carteiras são diversas em diferentes áreas do capital, o que dá uma ideia de estabilidade. O maior risco aqui é os fundos variarem com as taxas como a Selic que podem esfriar alguns mercados, como vimos com os fundos imobiliários, além de outros fatores imprevisíveis.
- Moeda exterior
Especialistas afirmam que mesmo com a alta de juros nacional, investir em opções de investimento em uma moeda estrangeira forte pode ser uma boa opção. A variação do valor independe da situação política no nosso país, mas está sujeita às políticas do país de origem. Portanto, é preciso ter bom discernimento no momento de selecionar a moeda do investimento desejado. Comprar ações (stocks) de empresas americanas em momentos de baixa do dólar, por exemplo, é uma alternativa. Outra opção, não tão aconselhável, pois depende de especulações, é comprar moeda. A maioria dos especialistas não considera essa atitude como investimento, mas sim, como especulação – que são coisas distintas. Até porque o valor do dólar comercial e do dólar turismo são diferentes: uma pessoa física paga mais caro pelo dólar turismo e vende mais barato como dólar comercial. Se mesmo assim a pessoa quiser comprar moeda estrangeira na expectativa do aumento do valor, é fundamental o acompanhamento das notícias em relação à economia dos países protagonistas economicamente, como Estados Unidos, China e os membros da União Europeia, pois dessa forma pode se tentar fazer uma previsão aproximada de como o mercado irá operar e saber o melhor momento de resgatar o valor. Tal atitude, contudo, é se aproxima mais de uma aposta do que de um investimento, que são coisas completamente diferentes.