{"id":1735,"date":"2025-03-31T10:12:39","date_gmt":"2025-03-31T13:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/siiepe\/?page_id=1735"},"modified":"2026-06-02T16:27:43","modified_gmt":"2026-06-02T19:27:43","slug":"apresentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/siiepe\/siiepe-2025\/apresentacao\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cEduca\u00e7\u00e3o e trabalho no mundo digital: aprender a aprender&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Semana Integrada de Inova\u00e7\u00e3o, Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (SIIEPE) 2026 assume como tema a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e trabalho no mundo digital, com foco na metacompet\u00eancia aprender a aprender. A digitaliza\u00e7\u00e3o deixou de ser apenas um conjunto de ferramentas e passou a operar como infraestrutura que organiza pr\u00e1ticas de estudo, comunica\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, gest\u00e3o e trabalho. A incorpora\u00e7\u00e3o acelerada de sistemas algor\u00edtmicos e de intelig\u00eancia artificial (IA) atravessa profiss\u00f5es, servi\u00e7os p\u00fablicos, cadeias produtivas e o cotidiano acad\u00eamico, reconfigurando tempos, linguagens, processos e expectativas. Esse cen\u00e1rio oferece oportunidades concretas de cria\u00e7\u00e3o, acesso e efici\u00eancia, mas tamb\u00e9m pode produzir novas desigualdades, precariza\u00e7\u00f5es e formas de depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, especialmente quando o uso \u00e9 acr\u00edtico ou quando as condi\u00e7\u00f5es de acesso e forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o desiguais (CINI, 2023; CHAVES, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As quest\u00f5es centrais que orientam esta edi\u00e7\u00e3o s\u00e3o diretas: o que muda quando aprender a aprender se torna a compet\u00eancia central para viver, trabalhar e se formar no mundo digital com IA? Colocar essa discuss\u00e3o no centro significa deslocar o debate do fasc\u00ednio tecnol\u00f3gico para a forma\u00e7\u00e3o de capacidades humanas e institucionais. Em um contexto em que tarefas s\u00e3o automatizadas, decis\u00f5es s\u00e3o influenciadas por sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es de trabalho se reorganizam em ambientes digitais, torna-se decisivo compreender o que se ganha, o que se perde e quem fica para tr\u00e1s. Perspectivas cr\u00edticas sobre grandes bases de dados, IA e automa\u00e7\u00e3o mostram que os efeitos n\u00e3o s\u00e3o neutros: dependem de arranjos de poder, de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e de regula\u00e7\u00e3o social, o que torna a educa\u00e7\u00e3o um eixo estrat\u00e9gico para ampliar autonomia, proteger direitos e sustentar desenvolvimento com responsabilidade (WALTON; NAYAK, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, aprender a aprender envolve autorregula\u00e7\u00e3o, m\u00e9todo e intencionalidade. \u00c9 a capacidade de identificar lacunas de conhecimento, formular boas perguntas, selecionar fontes confi\u00e1veis, testar ideias, revisar escolhas e transferir aprendizagens para situa\u00e7\u00f5es novas. No ambiente acad\u00eamico, isso se conecta \u00e0 integridade intelectual e ao compromisso com evid\u00eancias: aprender a aprender implica construir repert\u00f3rio para avaliar qualidade, reconhecer limites do pr\u00f3prio conhecimento e sustentar decis\u00f5es com base em dados e argumentos. Essa metacompet\u00eancia ganha centralidade porque o volume de informa\u00e7\u00e3o cresce, a velocidade de circula\u00e7\u00e3o aumenta e as media\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas alteram o modo como se estuda, se pesquisa e se trabalha. Ao mesmo tempo, a aprendizagem deixa de ser etapa que se encerra na gradua\u00e7\u00e3o ou na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e passa a ser um processo continuado, com requalifica\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o ao longo de trajet\u00f3rias profissionais diversas (ANGWAOMAODOKO, 2025; HOU, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse horizonte, consolidar a alfabetiza\u00e7\u00e3o em IA torna-se parte da responsabilidade formativa da educa\u00e7\u00e3o superior. Alfabetiza\u00e7\u00e3o em IA \u00e9 a capacidade de compreender, usar e avaliar criticamente sistemas de IA em situa\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e profissionais, reconhecendo limita\u00e7\u00f5es, vieses, implica\u00e7\u00f5es de privacidade e riscos de respostas incorretas ou inventadas. Estudos recentes prop\u00f5em modelos de compet\u00eancias para alfabetiza\u00e7\u00e3o em IA e apontam que essas compet\u00eancias variam conforme grupos de aprendizes e contextos, combinando dimens\u00f5es t\u00e9cnicas, cognitivas, sociais e \u00e9ticas (CHEE; AHN; LEE, 2024; CHIU et al., 2024; TENBERGA; DANIELA, 2024). Al\u00e9m disso, reafirmar a forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida como compromisso institucional e social implica articular educa\u00e7\u00e3o formal, n\u00e3o formal e experi\u00eancias de trabalho como espa\u00e7os de aprendizagem, de modo a enfrentar transi\u00e7\u00f5es ocupacionais e demandas emergentes sem naturalizar exclus\u00f5es (ANGWAOMAODOKO, 2025; HOU, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na educa\u00e7\u00e3o superior, a IA amplia possibilidades, mas tamb\u00e9m exige responsabilidade. Pesquisas sobre integra\u00e7\u00e3o de IA no ensino e na aprendizagem indicam potencial para personaliza\u00e7\u00e3o, acessibilidade e apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o intelectual, desde que orientados por objetivos pedag\u00f3gicos n\u00edtidos e por governan\u00e7a \u00e9tica (IFENTHALER et al., 2024; WANG; WANG; SU, 2024). Ao mesmo tempo, a comunidade acad\u00eamica j\u00e1 enfrenta dilemas pr\u00e1ticos que precisam ser tratados com seriedade: autoria e integridade acad\u00eamica, transpar\u00eancia de uso, qualidade do aprendizado, prote\u00e7\u00e3o de dados e avalia\u00e7\u00e3o do que estudantes efetivamente sabem e conseguem fazer. A discuss\u00e3o sobre compet\u00eancias digitais para uso eficaz de IA generativa em contextos de ensino superior refor\u00e7a que n\u00e3o basta usar a ferramenta: \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver capacidades de planejamento, curadoria, verifica\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, alinhadas a finalidades formativas e padr\u00f5es de qualidade acad\u00eamica (LEVY-NADAV; INBAL-SHAMIR; BLAU, 2025). Isso exige pactos institucionais e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que valorizem processos de aprendizagem, e n\u00e3o apenas produtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto, vale um convite espec\u00edfico aos docentes, porque a transforma\u00e7\u00e3o digital frequentemente produz a sensa\u00e7\u00e3o de choque de gera\u00e7\u00f5es, como se a experi\u00eancia pedag\u00f3gica estivesse, de repente, desatualizada diante de novas linguagens e ferramentas. O caminho mais potente para reduzir esse choque n\u00e3o \u00e9 competir com a familiaridade tecnol\u00f3gica dos estudantes, mas reafirmar a doc\u00eancia como lideran\u00e7a formativa e assumir a aprendizagem cont\u00ednua como parte do pr\u00f3prio of\u00edcio. Evid\u00eancias em compet\u00eancia digital docente e compet\u00eancias relacionadas \u00e0 IA indicam que o desenvolvimento profissional precisa combinar dom\u00ednio de ferramentas com crit\u00e9rios pedag\u00f3gicos, reflex\u00e3o \u00e9tica e capacidade de orientar o uso cr\u00edtico, inclusive quando estudantes j\u00e1 chegam sabendo usar, mas ainda precisam aprender a avaliar, verificar, argumentar e produzir com rigor (FALLOON, 2020; NG et al., 2023; TENBERGA; DANIELA, 2024). Quando docentes atualizam repert\u00f3rios, constroem rotinas de experimenta\u00e7\u00e3o e compartilham pr\u00e1ticas entre pares, abre-se espa\u00e7o para uma cultura de aprendizagem intergeracional, na qual experi\u00eancia pedag\u00f3gica e novas possibilidades tecnol\u00f3gicas se encontram para qualificar o ensino e reduzir inseguran\u00e7as. Mais do que adotar recursos, trata-se de ampliar a autonomia docente para decidir quando usar IA, como explicitar seus limites, como desenhar avalia\u00e7\u00f5es n\u00edtidas e como proteger autoria, privacidade e equidade no ambiente acad\u00eamico (AKGUN; GREENHOW, 2021; FU; WENG, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para transformar princ\u00edpios em pr\u00e1tica, a SIIEPE 2026 se organiza por eixos orientadores que ajudam a estruturar debates, submiss\u00f5es e interlocu\u00e7\u00f5es entre \u00e1reas, sem perder a unidade do tema. Esses eixos re\u00fanem experi\u00eancias e investiga\u00e7\u00f5es sobre autonomia e autorregula\u00e7\u00e3o da aprendizagem, metodologias e avalia\u00e7\u00e3o em ambientes digitais, e tamb\u00e9m sobre compet\u00eancias para atuar no mundo digital com IA, como alfabetiza\u00e7\u00e3o em IA e em dados, curadoria e verifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o multimodal e colabora\u00e7\u00e3o em rede, conectando forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica \u00e0s demandas do trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos (NG et al., 2023; CHAN, 2024). Da mesma forma, explicitam que n\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel sem confian\u00e7a p\u00fablica e responsabilidade institucional: integrar IA a pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, cient\u00edficas e administrativas demanda princ\u00edpios de transpar\u00eancia, prote\u00e7\u00e3o de dados, mitiga\u00e7\u00e3o de vieses e preven\u00e7\u00e3o de danos, al\u00e9m de pol\u00edticas de integridade e de bem-estar digital. Pesquisas em \u00e9tica da IA na educa\u00e7\u00e3o apontam a necessidade de abordagens centradas nas pessoas, com responsabiliza\u00e7\u00e3o e nitidez sobre limites, especialmente quando tecnologias passam a influenciar avalia\u00e7\u00e3o, acesso a oportunidades e trajet\u00f3rias educacionais (AKGUN; GREENHOW, 2021; FU; WENG, 2024). Por fim, esses eixos refor\u00e7am que acesso ao digital n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de uso qualificado: diferen\u00e7as de infraestrutura, tempo dispon\u00edvel, suporte pedag\u00f3gico, repert\u00f3rio cultural e condi\u00e7\u00f5es materiais podem ampliar desigualdades, o que torna a forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida insepar\u00e1vel de pol\u00edticas de perman\u00eancia, acessibilidade, acolhimento e oportunidades reais de desenvolvimento para diferentes perfis de estudantes e trabalhadores (ANGWAOMAODOKO, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na UFPel, esse debate tem um sentido adicional. Como universidade p\u00fablica, gratuita, inclusiva e de qualidade, a UFPel assume a responsabilidade de formar com excel\u00eancia e de produzir conhecimento comprometido com o desenvolvimento social. Em um mundo digital atravessado por IA, isso implica democratizar compet\u00eancias, ampliar participa\u00e7\u00e3o e fortalecer pr\u00e1ticas que reduzam vulnerabilidades informacionais. Implica tamb\u00e9m articular ensino, pesquisa, extens\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e internacionaliza\u00e7\u00e3o como agenda integrada, capaz de sustentar rigor acad\u00eamico, impacto territorial e coopera\u00e7\u00e3o com redes externas, sem abrir m\u00e3o de princ\u00edpios p\u00fablicos. A universidade p\u00fablica tem papel decisivo para que a transforma\u00e7\u00e3o digital n\u00e3o se converta em aprofundamento de desigualdades, mas em amplia\u00e7\u00e3o de oportunidades, direitos e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SIIEPE 2026 convida docentes, estudantes, estudantes de escolas, t\u00e9cnicos-administrativos em educa\u00e7\u00e3o, pesquisadoras e pesquisadores, grupos de ensino, projetos de extens\u00e3o, grupos de inova\u00e7\u00e3o e parcerias institucionais a submeter trabalhos, relatar experi\u00eancias e construir caminhos coletivos. Interessa-nos tanto a investiga\u00e7\u00e3o rigorosa quanto \u00e0s pr\u00e1ticas que j\u00e1 est\u00e3o reconfigurando salas de aula, laborat\u00f3rios, servi\u00e7os e comunidades. Interessa-nos discutir ganhos e limites, solu\u00e7\u00f5es e dilemas, e principalmente como garantir que a IA seja instrumento de qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho, fortalecimento da cidadania e amplia\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o um atalho que fragiliza processos formativos. A SIIEPE 2026 \u00e9 um convite para transformar as quest\u00f5es centrais em produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, em redes de colabora\u00e7\u00e3o e em compromissos institucionais: aprender a aprender, com responsabilidade, para que a UFPel siga sendo refer\u00eancia p\u00fablica de forma\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEduca\u00e7\u00e3o e trabalho no mundo digital: aprender a aprender&#8221; A Semana Integrada de Inova\u00e7\u00e3o, Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (SIIEPE) 2026 assume como tema a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e trabalho no mundo digital, com foco na metacompet\u00eancia aprender a aprender. 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