Vídeo: I Seminário da RIPEFOR 2025

A Rede Interinstitucional de Pesquisas sobre Formação e Práticas Docentes (RIPEFOR) inaugurou sua agenda de 2025 com a realização do I Seminário da rede, evento que também marca o início das celebrações de seus 20 anos de atuação. O encontro reuniu coordenadores, pesquisadores e pós-graduandos dos 15 grupos de pesquisa que compõem a RIPEFOR para debater a identidade e a solidez metodológica da área.

O seminário teve como destaque a conferência do professor Dr. Júlio Emílio Diniz (UFMG), coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Profissão Docente (PRODOC). Ele apresentou os achados centrais de uma metapesquisa financiada pelo CNPq intitulada “O que sabemos e o que não sabemos a partir das pesquisas sobre docência e/ou formação de professores no Brasil”.

O estudo analisou sistematicamente 539 teses e dissertações defendidas entre 2006 e 2015 em Programas de Pós-Graduação em Educação com conceito 7 na CAPES (UFMG, UERJ e Unisinos).

Raio-X da Produção Acadêmica e Foco na Resolução de Problemas

A apresentação evidenciou dados críticos sobre como a pesquisa educacional tem sido estruturada no país, apontando lacunas que exigem correção de rota por parte de orientadores e programas. Entre os pontos técnicos de atenção levantados pelo pesquisador estão:

  • Saturação Qualitativa e Omissão Epistemológica: Embora 70% das pesquisas sejam qualitativas, essa dominância gerou uma naturalização do método. A maioria dos trabalhos falha em explicitar nos resumos suas bases epistemológicas e conceitos-chave (apenas 23% o fazem).

  • Instrumento vs. Metodologia: O diagnóstico revelou que 82% dos trabalhos informam os instrumentos de geração de dados (como questionários e entrevistas), mas quase 70% omitem o tipo de metodologia adotada e menos de 1/3 detalha os procedimentos de análise.

  • Autonomia e Autoridade do Campo: Apenas 28% das teses e dissertações utilizam autores especificamente originários do campo da formação docente. Foi enfatizada a urgência de consumir e referenciar teóricos nacionais que já fornecem densidade conceitual à área.

Identidade Profissional e Novos Passos da RIPEFOR

O encontro reforçou o posicionamento da rede em defender a nomenclatura “Pesquisa sobre Docência e Formação de Professores”, garantindo a indissociabilidade entre a prática profissional e o processo formativo. O grupo defende a consolidação dessa identidade como uma subárea autônoma junto aos órgãos de fomento, como o CNPq.

Alinhada a esse movimento de maturidade institucional e distanciamento de matrizes eurocêntricas, a coordenação da RIPEFOR anunciou o desenvolvimento de sua quarta publicação literária. O novo livro fará um mapeamento de referenciais teóricos da América Latina, trazendo uma perspectiva decolonial para a investigação educacional.