{"id":99,"date":"2025-03-29T13:27:41","date_gmt":"2025-03-29T16:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=99"},"modified":"2025-03-31T10:17:15","modified_gmt":"2025-03-31T13:17:15","slug":"feminicidio-a-violencia-silenciosa-que-mata-milhares-de-mulheres-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/29\/feminicidio-a-violencia-silenciosa-que-mata-milhares-de-mulheres-no-brasil\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio: a viol\u00eancia silenciosa que mata milhares de mulheres no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Maikelly Silva, Najara Leal e Raissa Iepsen\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"89\" data-end=\"357\">O assassinato de mulheres, no contexto da viol\u00eancia baseada em quest\u00f5es de g\u00eanero, recebeu uma designa\u00e7\u00e3o: feminic\u00eddio. No Brasil, foi considerado crime hediondo apenas h\u00e1 10 anos, com a aprova\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 13.104, que estabeleceu essa classifica\u00e7\u00e3o no C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"359\" data-end=\"707\">Identificar o nome do problema \u00e9 parte da jornada para compreender sua gravidade, mas h\u00e1 passos mais decisivos a serem dados no combate a essa viol\u00eancia. Enquanto os n\u00fameros seguem alarmantes e muitas v\u00edtimas n\u00e3o encontram prote\u00e7\u00e3o, o desafio vai al\u00e9m do reconhecimento: \u00e9 preciso agir para que o feminic\u00eddio deixe de ser uma realidade cotidiana. Mas, afinal, o que \u00e9 feminic\u00eddio e por que ele representa mais do que um crime de morte?<\/p>\n<h2><strong>O que \u00e9 feminic\u00eddio?<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"112\" data-end=\"2028\">N\u00e3o se trata de qualquer assassinato de mulher, mas de um crime de \u00f3dio, baseado em desigualdade e viol\u00eancia de g\u00eanero.<br data-start=\"231\" data-end=\"234\" \/>O termo surgiu nos anos 1970, como parte da luta feminista para evidenciar que as motiva\u00e7\u00f5es de muitos homic\u00eddios de mulheres estavam ligadas a motivos de controle e subordina\u00e7\u00e3o, caracterizando uma viol\u00eancia sistem\u00e1tica direcionada ao g\u00eanero feminino.<br data-start=\"486\" data-end=\"489\" \/>No Brasil, o termo ganhou destaque em 2015, devido \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o da Lei Federal 13.104\/15, que caracterizou o feminic\u00eddio como um crime hediondo. A visibilidade do problema tamb\u00e9m foi impulsionada pela Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito sobre a Viol\u00eancia contra a Mulher (CPMI-VCM), que investigou a viol\u00eancia contra as mulheres em v\u00e1rios estados do pa\u00eds, de mar\u00e7o de 2012 a julho de 2013.<br data-start=\"883\" data-end=\"886\" \/>\u201cA viol\u00eancia come\u00e7a no psicol\u00f3gico e s\u00f3 termina quando a sociedade interv\u00e9m. Muitas v\u00edtimas n\u00e3o denunciam por medo, vergonha ou por acreditarem que o agressor vai mudar. Nosso dever \u00e9 acolher, orientar e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha nessa jornada\u201d, afirma a psic\u00f3loga Tuany Becker de Carvalho.<br data-start=\"1195\" data-end=\"1198\" \/>Portanto, a quest\u00e3o do feminic\u00eddio representa um esfor\u00e7o para sensibilizar a sociedade sobre o fato de que esses crimes s\u00e3o fruto de uma estrutura social desigual e de uma cultura que, muitas vezes, normaliza o dom\u00ednio sobre as mulheres.<br data-start=\"1435\" data-end=\"1438\" \/>O feminic\u00eddio, muitas vezes, ocorre em um cen\u00e1rio tr\u00e1gico de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2014 um lugar onde o sentimento deveria ser de prote\u00e7\u00e3o. Com frequ\u00eancia, vemos nos notici\u00e1rios casos em que as v\u00edtimas foram mortas por parceiros ap\u00f3s vivenciarem um ciclo cont\u00ednuo de abuso, sem interven\u00e7\u00e3o efetiva das pol\u00edticas p\u00fablicas ou do sistema judicial.<br data-start=\"1777\" data-end=\"1780\" \/>\u201cO feminic\u00eddio, em geral, n\u00e3o tem o \u2018perfil de assassino\u2019 que imaginamos. S\u00e3o homens que passaram despercebidos, com atitudes normalizadas, e que, em algum momento, estouraram. O feminic\u00eddio tem raiz social\u201d, complementa a advogada \u00c2ngela Schwab.<\/p>\n<h2 data-start=\"2030\" data-end=\"2280\"><strong data-start=\"2030\" data-end=\"2068\">Tipos de viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"2030\" data-end=\"2280\">O feminic\u00eddio \u00e9 o est\u00e1gio mais grave da viol\u00eancia de g\u00eanero, por\u00e9m, h\u00e1 diversas formas de viol\u00eancia que podem anteced\u00ea-lo. Os cinco tipos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, segundo a Lei Maria da Penha, s\u00e3o:<\/p>\n<ul data-start=\"2281\" data-end=\"3255\">\n<li class=\"\" data-start=\"2281\" data-end=\"2455\">\n<p class=\"\" data-start=\"2283\" data-end=\"2455\"><strong data-start=\"2283\" data-end=\"2303\">Viol\u00eancia f\u00edsica<\/strong>: qualquer conduta que afete a integridade f\u00edsica da mulher (espancamentos, atirar objetos, sacudir os bra\u00e7os, estrangulamento, queimaduras, tortura);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2456\" data-end=\"2658\">\n<p class=\"\" data-start=\"2458\" data-end=\"2658\"><strong data-start=\"2458\" data-end=\"2483\">Viol\u00eancia psicol\u00f3gica<\/strong>: qualquer conduta que cause dano emocional e diminui\u00e7\u00e3o da autoestima da mulher (amea\u00e7as, constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, isolamento, persegui\u00e7\u00e3o, insultos, etc);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2659\" data-end=\"2877\">\n<p class=\"\" data-start=\"2661\" data-end=\"2877\"><strong data-start=\"2661\" data-end=\"2681\">Viol\u00eancia sexual<\/strong>: qualquer conduta que constranja a mulher a presenciar, manter ou participar de rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o desejada (estupro, impedir o uso de m\u00e9todos contraceptivos, for\u00e7ar matrim\u00f4nio, gravidez, etc);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2878\" data-end=\"3103\">\n<p class=\"\" data-start=\"2880\" data-end=\"3103\"><strong data-start=\"2880\" data-end=\"2905\">Viol\u00eancia patrimonial<\/strong>: qualquer conduta que configure reten\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o parcial ou total de seus objetos (controlar dinheiro, deixar de pagar pens\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o de documentos, furto, estelionato, etc);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"3104\" data-end=\"3255\">\n<p class=\"\" data-start=\"3106\" data-end=\"3255\"><strong data-start=\"3106\" data-end=\"3125\">Viol\u00eancia moral<\/strong>: qualquer conduta que configure cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria (acusar a mulher de trai\u00e7\u00e3o, expor sua vida \u00edntima, mentir, etc).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"3257\" data-end=\"4702\"><strong data-start=\"3257\" data-end=\"3297\">O ciclo da viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><br data-start=\"3297\" data-end=\"3300\" \/>Para entender o feminic\u00eddio como a evolu\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica que realmente \u00e9, \u00e9 essencial compreender o chamado ciclo da viol\u00eancia, um processo que acaba prendendo muitas mulheres em rela\u00e7\u00f5es abusivas, dificultando o rompimento e a busca por ajuda.<br data-start=\"3539\" data-end=\"3542\" \/><strong data-start=\"3542\" data-end=\"3561\">Fase 1 \u2013 Tens\u00e3o<\/strong><br data-start=\"3561\" data-end=\"3564\" \/>Os primeiros sinais de abuso come\u00e7am a surgir. A mulher, muitas vezes, tenta evitar conflitos e explicar o comportamento agressivo do parceiro, acreditando que ele est\u00e1 apenas \u201cestressado\u201d ou que a culpa \u00e9 dela.<br data-start=\"3775\" data-end=\"3778\" \/><strong data-start=\"3778\" data-end=\"3799\">Fase 2 \u2013 Agress\u00e3o<\/strong><br data-start=\"3799\" data-end=\"3802\" \/>A viol\u00eancia se concretiza. Pode ser f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial ou moral. Ap\u00f3s o ataque, \u00e9 comum que o agressor coloque a culpa na v\u00edtima, distorcendo a realidade para manter o controle.<br data-start=\"4001\" data-end=\"4004\" \/><strong data-start=\"4004\" data-end=\"4031\" data-is-only-node=\"\">Fase 3 \u2013 Arrependimento<\/strong><br data-start=\"4031\" data-end=\"4034\" \/>O agressor pede desculpas, promete mudar e, muitas vezes, se mostra carinhoso. A v\u00edtima, confusa e fragilizada emocionalmente, acredita que ele pode mudar, permanecendo na rela\u00e7\u00e3o.<br data-start=\"4214\" data-end=\"4217\" \/>Esse ciclo foi desenvolvido pela psic\u00f3loga norte-americana Lenore Walker, na d\u00e9cada de 70.<br data-start=\"4307\" data-end=\"4310\" \/>Com o passar do tempo, a fase 3 come\u00e7a a desaparecer, gerando agress\u00f5es constantes e mais violentas, que podem culminar no feminic\u00eddio.<br data-start=\"4445\" data-end=\"4448\" \/>A psic\u00f3loga Tuany Becker ainda nos conta que \u201ca depend\u00eancia emocional e o medo fazem com que a mulher duvide da pr\u00f3pria realidade. \u00c9 essencial que a sociedade ofere\u00e7a um espa\u00e7o seguro para que essas mulheres possam contar suas hist\u00f3rias sem julgamentos.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Maria da Penha &#8211; A lei que representa a luta das mulheres<\/strong><\/h2>\n<div id=\"attachment_102\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-102\" class=\"size-medium wp-image-102\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-400x239.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-400x239.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-1024x613.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-768x459.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-600x359.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha-945x565.png 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/maria-da-penha.png 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-102\" class=\"wp-caption-text\">Imagem 2 &#8211; Maria da Penha, ativista pelos direitos das mulheres, durante sess\u00e3o solene no Congresso Nacional em defesa do combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. Foto: Marcelo Camargo \/ Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/div>\n<p class=\"\" data-start=\"112\" data-end=\"1213\">Maria da Penha Maia Fernandes se tornou um dos s\u00edmbolos mais importantes na luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil. Ela foi v\u00edtima de uma tentativa de feminic\u00eddio em 1983, enquanto dormia: seu marido atirou nela, fazendo com que Maria da Penha ficasse parapl\u00e9gica. O agressor foi condenado quase duas d\u00e9cadas depois, apesar de todas as provas.<br data-start=\"460\" data-end=\"463\" \/>A busca incans\u00e1vel por justi\u00e7a levou Maria da Penha a transformar sua dor em for\u00e7a e, em 2006, sua hist\u00f3ria deu origem \u00e0 lei que carrega seu nome. O objetivo principal da legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 fornecer medidas de prote\u00e7\u00e3o urgentes, como o afastamento do agressor, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de delegacias especializadas e do oferecimento de suporte psicol\u00f3gico e social \u00e0s v\u00edtimas.<br data-start=\"824\" data-end=\"827\" \/>Ainda assim, existem obst\u00e1culos \u00e0 efic\u00e1cia da lei. Essa conquista tamb\u00e9m enfrentou resist\u00eancia social ao tratar a viol\u00eancia dom\u00e9stica com a seriedade que merece, muitas vezes limitando a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos garantidos por essa legisla\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria de Maria da Penha, no entanto, segue como um exemplo de coragem e transforma\u00e7\u00e3o, mostrando que nenhuma mulher deve ser silenciada.<\/p>\n<h2 data-start=\"1215\" data-end=\"1377\"><strong data-start=\"1215\" data-end=\"1265\">Avan\u00e7os na luta contra o feminic\u00eddio no Brasil<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"1215\" data-end=\"1377\">A hist\u00f3ria do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher no Brasil \u00e9 marcada por avan\u00e7os legais importantes:<\/p>\n<ul data-start=\"1378\" data-end=\"2522\">\n<li class=\"\" data-start=\"1378\" data-end=\"1569\">\n<p class=\"\" data-start=\"1380\" data-end=\"1569\"><strong data-start=\"1380\" data-end=\"1388\">1983<\/strong> \u2013 Tentativa de feminic\u00eddio contra Maria da Penha<br data-start=\"1437\" data-end=\"1440\" \/>Maria da Penha Maia Fernandes sofre tentativa de assassinato pelo marido, ficando parapl\u00e9gica ap\u00f3s ser baleada enquanto dormia.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"1570\" data-end=\"1749\">\n<p class=\"\" data-start=\"1572\" data-end=\"1749\"><strong data-start=\"1572\" data-end=\"1580\">2001<\/strong> \u2013 Brasil \u00e9 condenado pela CIDH<br data-start=\"1611\" data-end=\"1614\" \/>A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos condena o Brasil pela demora e neglig\u00eancia no julgamento do agressor de Maria da Penha.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"1750\" data-end=\"1924\">\n<p class=\"\" data-start=\"1752\" data-end=\"1924\"><strong data-start=\"1752\" data-end=\"1760\">2006<\/strong> \u2013 Lei Maria da Penha (Lei 11.340\/06)<br data-start=\"1797\" data-end=\"1800\" \/>Promulgada uma lei que estabelece medidas protetivas e puni\u00e7\u00f5es mais severas para casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"1925\" data-end=\"2176\">\n<p class=\"\" data-start=\"1927\" data-end=\"2176\"><strong data-start=\"1927\" data-end=\"1940\">2012\u20132013<\/strong> \u2013 CPMI da Viol\u00eancia contra a Mulher<br data-start=\"1976\" data-end=\"1979\" \/>A Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito investiga casos de viol\u00eancia de g\u00eanero em diversos estados, escancarando falhas institucionais e refor\u00e7ando a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2177\" data-end=\"2359\">\n<p class=\"\" data-start=\"2179\" data-end=\"2359\"><strong data-start=\"2179\" data-end=\"2187\">2015<\/strong> \u2013 Lei do Feminic\u00eddio (Lei 13.104\/15)<br data-start=\"2224\" data-end=\"2227\" \/>O feminic\u00eddio \u00e9 inclu\u00eddo no C\u00f3digo Penal como uma especificidade atualizada do homic\u00eddio e passa a ser considerado crime hediondo.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2360\" data-end=\"2522\">\n<p class=\"\" data-start=\"2362\" data-end=\"2522\"><strong data-start=\"2362\" data-end=\"2370\">2024<\/strong> \u2013 Lei 14.994<br data-start=\"2383\" data-end=\"2386\" \/>Aprovada recentemente, essa legisla\u00e7\u00e3o transforma o feminic\u00eddio em crime aut\u00f4nomo e amplia a pena m\u00e1xima de 30 para 40 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h2><strong>A realidade do feminic\u00eddio no Brasil<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"102\" data-end=\"787\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior \u00edndice de feminic\u00eddios do mundo. Segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), o n\u00famero de feminic\u00eddios aumentou 8% no \u00faltimo ano, com 1.320 casos registrados em 2023.<br data-start=\"401\" data-end=\"404\" \/>\u00c9 importante frisar que a taxa de feminic\u00eddios no Brasil \u00e9 a quinta maior do mundo, com 4,8 feminic\u00eddios para cada 100 mil mulheres, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<br data-start=\"588\" data-end=\"591\" \/>No Brasil, uma mulher \u00e9 v\u00edtima de feminic\u00eddio a cada 7 horas. Os dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) de 2023 revelam uma crise que precisa ser tratada como prioridade nacional.<\/p>\n<ul data-start=\"788\" data-end=\"970\">\n<li class=\"\" data-start=\"788\" data-end=\"855\">\n<p class=\"\" data-start=\"790\" data-end=\"855\">Cerca de 65% dos feminic\u00eddios ocorrem dentro da casa da v\u00edtima.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"856\" data-end=\"918\">\n<p class=\"\" data-start=\"858\" data-end=\"918\">Em 70% dos casos, o agressor \u00e9 um parceiro ou ex-parceiro.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"919\" data-end=\"970\">\n<p class=\"\" data-start=\"921\" data-end=\"970\">As mulheres negras representam 62% das v\u00edtimas.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"972\" data-end=\"1172\">Esses n\u00fameros mostram que a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 um problema restrito ao ambiente familiar. \u00c9 uma emerg\u00eancia social que exige a\u00e7\u00e3o coletiva \u2014 de pol\u00edticas p\u00fablicas a mudan\u00e7as culturais profundas.<\/p>\n<h2 data-start=\"1174\" data-end=\"2060\"><strong data-start=\"1174\" data-end=\"1255\">Feminic\u00eddio em Rio Grande: um caso recente que refor\u00e7a a urg\u00eancia por justi\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"1174\" data-end=\"2060\">No dia 21 de mar\u00e7o de 2025, a cidade de Rio Grande foi novamente marcada por um caso brutal de feminic\u00eddio. A Brigada Militar, atrav\u00e9s do 6\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar, prendeu um homem acusado do crime e identificou outro indiv\u00edduo que estava com ele no momento da abordagem, no bairro Jun\u00e7\u00e3o.<br data-start=\"1553\" data-end=\"1556\" \/>A a\u00e7\u00e3o foi desencadeada ap\u00f3s den\u00fancias de um atropelamento fatal no bairro Humait\u00e1, envolvendo um Renault Sandero branco. Durante a abordagem, o suspeito portava um rev\u00f3lver calibre 32 com muni\u00e7\u00f5es e foi encaminhado \u00e0 Delegacia de Pol\u00edcia.<br data-start=\"1795\" data-end=\"1798\" \/>Casos como esse escancaram a gravidade da viol\u00eancia de g\u00eanero e a urg\u00eancia de medidas que protejam as mulheres. Cada feminic\u00eddio carrega uma hist\u00f3ria de vida interrompida \u2014 e representa o fracasso de uma sociedade em garantir o direito mais b\u00e1sico: o de viver.<\/p>\n<h2><strong>Feminic\u00eddio no Rio Grande do Sul<\/strong><\/h2>\n<div id=\"attachment_103\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-103\" class=\"size-medium wp-image-103\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-400x248.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-400x248.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-1024x635.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-768x476.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-600x372.jpg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay-945x586.jpg 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/Imagem-3-Tumisu-por-Pixabay.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-103\" class=\"wp-caption-text\">Imagem 3 &#8211; Tumisu por Pixabay.<\/p><\/div>\n<p class=\"\" data-start=\"102\" data-end=\"411\">De acordo com o <strong data-start=\"118\" data-end=\"146\">Mapa do Feminic\u00eddio 2024<\/strong>, elaborado pela Pol\u00edcia Civil do Rio Grande do Sul, o estado registrou 72 casos de feminic\u00eddio em 2024, o que representa uma queda de 15% em rela\u00e7\u00e3o a 2023. Por\u00e9m, apesar dessa queda, a viol\u00eancia baseada em quest\u00f5es de g\u00eanero continua a preocupar as autoridades.<\/p>\n<ul data-start=\"412\" data-end=\"818\">\n<li class=\"\" data-start=\"412\" data-end=\"480\">\n<p class=\"\" data-start=\"414\" data-end=\"480\">84,7% dos agressores eram parceiros ou ex-parceiros das v\u00edtimas.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"481\" data-end=\"543\">\n<p class=\"\" data-start=\"483\" data-end=\"543\">Em 36,1% dos casos, o crime foi cometido com arma de fogo.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"544\" data-end=\"627\">\n<p class=\"\" data-start=\"546\" data-end=\"627\">48% das mulheres mortas eram m\u00e3es \u2014 e, dessas, 24 tinham filhos com o agressor.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"628\" data-end=\"691\">\n<p class=\"\" data-start=\"630\" data-end=\"691\">Em 16 casos, os assassinos cometeram suic\u00eddio ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"692\" data-end=\"752\">\n<p class=\"\" data-start=\"694\" data-end=\"752\">72% dos feminic\u00eddios ocorreram dentro da casa da v\u00edtima.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"753\" data-end=\"818\">\n<p class=\"\" data-start=\"755\" data-end=\"818\">Pelo menos 100 crian\u00e7as e adolescentes ficaram \u00f3rf\u00e3os de m\u00e3e.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"820\" data-end=\"959\">Esses dados n\u00e3o apenas revelam o perfil da viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m exp\u00f5em o rastro de dor que ela deixa nas fam\u00edlias e nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2 data-start=\"961\" data-end=\"985\">A regi\u00e3o Sul do RS<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"986\" data-end=\"1448\">A situa\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio \u00e9 alarmante na regi\u00e3o Sul do estado. Apesar de avan\u00e7os no \u00e2mbito legislativo e na mobiliza\u00e7\u00e3o social, os n\u00fameros mostram que as agress\u00f5es seguem frequentes, atingindo mulheres em diferentes faixas et\u00e1rias e contextos.<br data-start=\"1229\" data-end=\"1232\" \/>De acordo com os dados oficiais da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio Grande do Sul, Pelotas, Rio Grande e S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul registraram, nos \u00faltimos cinco anos, diversos casos de diferentes tipos de viol\u00eancia.<\/p>\n<h4 class=\"\" data-start=\"1450\" data-end=\"1464\">Pelotas<\/h4>\n<p class=\"\" data-start=\"1465\" data-end=\"1753\">Pelotas, a terceira maior cidade do estado, lidera os registros de amea\u00e7as e les\u00f5es corporais entre as tr\u00eas cidades. Em 2023, a cidade registrou mais de mil amea\u00e7as contra mulheres. Os dados tamb\u00e9m mostram um grande n\u00famero de tentativas de feminic\u00eddio, com sete casos registrados em 2024.<\/p>\n<div id=\"attachment_104\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-104\" class=\"size-medium wp-image-104\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-400x209.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-400x209.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-1024x536.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-768x402.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-600x314.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1-945x495.png 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-1.png 1306w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-104\" class=\"wp-caption-text\">Tabela 1 &#8211; Viol\u00eancia contra a mulher em Pelotas de 2020 a 2025: Maikelly Silva \/ Datawrapper<\/p><\/div>\n<h4><strong>Rio Grande<\/strong><\/h4>\n<p>A cidade tamb\u00e9m apresenta \u00edndices preocupantes. Em 2024,\u00a0432 casos de les\u00e3o corporal\u00a0foram registrados, mostrando que a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o diminuiu de maneira t\u00e3o significativamente. Entre 2020 e 2024, foram\u00a012 casos de feminic\u00eddios\u00a0e\u00a029 tentativas.<\/p>\n<div id=\"attachment_105\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-105\" class=\"size-medium wp-image-105\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-400x211.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-400x211.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-1024x541.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-768x406.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-600x317.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2-945x499.png 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-2.png 1310w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-105\" class=\"wp-caption-text\">Tabela 2 &#8211; Viol\u00eancia contra a mulher em Rio Grande de 2020 a 2025: Maikelly Silva \/ Datawrapper<\/p><\/div>\n<h4><strong>S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul<\/strong><\/h4>\n<p>Mesmo que S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul seja cerca de 87,4% menor que Pelotas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, enfrenta n\u00fameros significativos sobre a viol\u00eancia contra a mulher. Em 2023, foram registrados\u00a0<strong>103 amea\u00e7as<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_106\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-106\" class=\"size-medium wp-image-106\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-400x151.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"151\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-400x151.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-1024x386.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-768x289.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-1536x579.png 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-600x226.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3-945x356.png 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/tabela-3.png 1853w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-106\" class=\"wp-caption-text\">Tabela 3 &#8211; Viol\u00eancia contra a mulher em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul de 2020 a 2025: Maikelly Silva \/ Datawrapper<\/p><\/div>\n<p>Esses n\u00fameros carregam hist\u00f3rias de dor, medo e, em muitos casos, impunidade. N\u00e3o podem ser vistos como estat\u00edsticas frias ou distantes. S\u00e3o gritos silenciosos por aten\u00e7\u00e3o, por a\u00e7\u00e3o, por pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, acolhimento digno e, acima de tudo, por uma sociedade que compreenda que a viol\u00eancia jamais deve ser normalizada.<br data-start=\"369\" data-end=\"372\" \/>Para al\u00e9m dos n\u00fameros, existem vozes que merecem ser ouvidas. A seguir, relatos de mulheres que viveram a viol\u00eancia de perto e enfrentaram, com coragem, a dif\u00edcil miss\u00e3o de sobreviver ou seguir em frente ap\u00f3s uma perda irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<h4 data-start=\"40\" data-end=\"1884\"><strong data-start=\"40\" data-end=\"72\">Relatos de dor e resist\u00eancia<\/strong><\/h4>\n<p class=\"\" data-start=\"40\" data-end=\"1884\"><strong data-start=\"75\" data-end=\"134\">Beth\u00e2nia Bauer &#8211; Irm\u00e3 de Tairane, v\u00edtima de feminic\u00eddio<\/strong><br data-start=\"134\" data-end=\"137\" \/>\u201cA Tairane sempre morou comigo. Em alguns momentos, esteve em outra resid\u00eancia, mas, na maior parte do tempo, vivemos juntas. Sempre prezamos pela educa\u00e7\u00e3o e pelo respeito uma pela outra, com aquelas briguinhas normais entre irm\u00e3s. Ela era de personalidade forte, mas nada que tornasse a conviv\u00eancia dif\u00edcil. Ela \u00e9 m\u00e3e dos meus dois primeiros sobrinhos, e o amor por ela parece transbordar ainda mais por isso.\u201d<br data-start=\"548\" data-end=\"551\" \/>\u201cSempre foi divertida, brincalhona e risonha. Gostava de reunir amigos e a fam\u00edlia para um churrasquinho. Quando lembro dela, \u00e9 sempre nesses momentos de alegria, ou ent\u00e3o, no sabor das comidas que ela preparava com tanto carinho.\u201d<br data-start=\"782\" data-end=\"785\" \/>\u201cEm 2020, houve duas situa\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o. Na segunda vez, conseguimos lev\u00e1-la \u00e0 pol\u00edcia e ela solicitou uma medida protetiva. Pens\u00e1vamos que estava segura, mas depois soubemos que ainda mantinha contato com ele.\u201d<br data-start=\"999\" data-end=\"1002\" \/>\u201cPerder algu\u00e9m de forma t\u00e3o violenta nos tira o ch\u00e3o. O que nos manteve firmes foram os anjinhos que ela nos deixou. Sab\u00edamos que n\u00e3o pod\u00edamos fracassar com eles, precis\u00e1vamos tentar suprir, ao menos um pouco, da aus\u00eancia dela.\u201d<br data-start=\"1230\" data-end=\"1233\" \/>\u201cMinha vida social mudou. O medo de sair, a ansiedade, o sentimento de estar sempre em alerta. Ficamos recolhidos, mas, com o tempo e com o apoio de amigos, da fam\u00edlia e da f\u00e9, voltamos a respirar.\u201d<br data-start=\"1431\" data-end=\"1434\" \/>\u201cO feminic\u00eddio est\u00e1 presente no cotidiano. Precisamos estar atentas at\u00e9 aos menores sinais, aos detalhes que muitas vezes ignoramos. Se algo parecer estranho, pe\u00e7a ajuda. N\u00e3o permita que a viol\u00eancia se torne sua realidade. Quem cuida de n\u00f3s somos n\u00f3s mesmas.\u201d<br data-start=\"1693\" data-end=\"1696\" \/>\u201cN\u00e3o sei o que poderia inspirar uma mudan\u00e7a definitiva, mas acredito que n\u00e3o podemos desistir. Precisamos continuar lutando por um mundo com menos viol\u00eancia e mais respeito \u00e0s mulheres.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1886\" data-end=\"4185\"><strong data-start=\"1886\" data-end=\"1969\">Relato da prima de Patr\u00edcia Cilene Ferreira de Oliveira \u2013 v\u00edtima de feminic\u00eddio<\/strong><br data-start=\"1969\" data-end=\"1972\" \/>\u201cA Patr\u00edcia era a filha mais velha de tr\u00eas irm\u00e3os, a \u00fanica mulher. Sempre sonhou em ser m\u00e3e, era uma pessoa alegre, que amava festas e ver a casa cheia. Tinha uma energia contagiante. Ela teve alguns relacionamentos antes de conhecer o Andr\u00e9, com quem teve seu \u00fanico filho, o J\u00fanior.\u201d<br data-start=\"2256\" data-end=\"2259\" \/>\u201cPor muitos anos, tentou engravidar, enfrentando dificuldades e buscando tratamentos. Quando engravidou do Andr\u00e9, foi uma felicidade imensa. Estava na melhor fase da vida dela \u2014 fazia faculdade, trabalhava, era m\u00e3e, estava plena.\u201d<br data-start=\"2489\" data-end=\"2492\" \/>\u201cEles se separaram, mas acabaram reatando. Na noite do crime, foram juntos a um show no Cassino. Houve uma briga e ele a deixou na avenida, tirou a chave de casa e o dinheiro dela. Patr\u00edcia voltou sozinha de t\u00e1xi, ficou esperando na frente de casa, e ao encontr\u00e1-lo, discutiram.\u201d<br data-start=\"2771\" data-end=\"2774\" \/>\u201cEle a matou com golpes de paralelep\u00edpedo. A m\u00e3e dele estava em casa, mas disse que n\u00e3o viu nem ouviu nada. Os vizinhos, sim, ouviram a briga.\u201d<br data-start=\"2917\" data-end=\"2920\" \/>\u201cEle foi condenado a 28 anos de pris\u00e3o. Cumpriu 8 anos em regime fechado, quase 2 em semiaberto, at\u00e9 se matar com veneno em janeiro de 2025. O J\u00fanior, filho deles, nunca quis v\u00ea-lo novamente, recusou todos os encontros. Essa condena\u00e7\u00e3o foi quase hist\u00f3rica, mas nada traz a Patr\u00edcia de volta.\u201d<br data-start=\"3212\" data-end=\"3215\" \/>\u201cEla estava t\u00e3o feliz, queria tentar ter uma menina, tinha sonhos, planos. Tinha direito \u00e0 vida. \u00c9 uma dor que n\u00e3o passa.\u201d<br data-start=\"3337\" data-end=\"3340\" \/>\u201cA lembran\u00e7a mais forte que tenho da minha prima \u00e9 da alegria dela. Ela era muito feliz, amava viver, amava ser m\u00e3e. Tudo era motivo de festa, de sorriso. Ela vivia intensamente cada minuto, como se soubesse que tinha pouco tempo de vida. Essa energia, essa vontade de viver, \u00e9 o que quero lembrar, muito al\u00e9m da trag\u00e9dia que a levou.\u201d<br data-start=\"3675\" data-end=\"3678\" \/>\u201cE se tem algo que eu gostaria de dizer para outras mulheres que est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de risco, \u00e9 mais do que uma mensagem, \u00e9 um pedido: se respeitem, se amem acima de tudo. Eu sei que muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil sair por causa da casa, dos filhos\u2026 mas minha prima foi morta dentro de casa. O filho dela perdeu tudo, toda refer\u00eancia de fam\u00edlia. Ficou sozinho no mundo. Gra\u00e7as a Deus, foi acolhido pela av\u00f3, mas nem todo \u00f3rf\u00e3o tem essa sorte. Por isso, escolham viver. Escolham por voc\u00eas e pelos filhos de voc\u00eas.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"4187\" data-end=\"6352\"><strong data-start=\"4187\" data-end=\"4253\">Relato de uma sobrevivente \u2013 Viol\u00eancia dom\u00e9stica em Rio Grande<\/strong><br data-start=\"4253\" data-end=\"4256\" \/>\u201cConheci o pai dos meus filhos quando ele veio trabalhar no Sul. No in\u00edcio, tudo parecia maravilhoso, mas com o tempo ele mudou. Controlava minhas sa\u00eddas, as roupas que eu usava. Dizia que mulher dele n\u00e3o podia usar decote. Em uma briga, me empurrou na frente dos amigos, depois pediu desculpas. Eu perdoei, mas as coisas s\u00f3 pioraram.\u201d<br data-start=\"4591\" data-end=\"4594\" \/>\u201cNa gravidez do meu primeiro filho, sofri muito. N\u00e3o pude aproveitar esse momento como sonhei. Ap\u00f3s o parto, ele me for\u00e7ava a ter rela\u00e7\u00f5es e me dava p\u00edlulas do dia seguinte. Fui parar no hospital com dores. Descobri que estava gr\u00e1vida de novo. Ele quis que eu tirasse, mas recusei. Tive minha filha e enfrentei ainda mais agress\u00f5es.\u201d<br data-start=\"4927\" data-end=\"4930\" \/>\u201cFui morar em outros estados com ele. Ficava trancada em casa. Ap\u00f3s uma cirurgia, mesmo com pontos, ele me pressionava, me amea\u00e7ava. Dizia que ia me matar e me mandar num saco preto para o hospital. Chegou a deixar uma faca sobre o guarda-roupa para me intimidar.\u201d<br data-start=\"5194\" data-end=\"5197\" \/>\u201cVoltei para o Sul com meus filhos quando meu pai sofreu um acidente. Achei que ele mudaria. N\u00e3o mudou. As crian\u00e7as come\u00e7aram a presenciar tudo. Uma vez, ele veio com um fac\u00e3o para me agredir, e s\u00f3 parou porque a filha dele gritou. Ele teria me matado naquele dia.\u201d<br data-start=\"5462\" data-end=\"5465\" \/>\u201cAs agress\u00f5es continuavam. Xingamentos, amea\u00e7as, medo constante. Eu dizia a ele: \u2018Vai embora\u2019. Ele n\u00e3o acreditava. At\u00e9 que perdi o medo de morrer. Quando isso aconteceu, tive for\u00e7a. Chamei minha irm\u00e3 e fui embora com meus filhos. Ele nunca mudou. S\u00f3 enganava. Mas eu consegui sair. E sobrevivi.\u201d<br data-start=\"5760\" data-end=\"5763\" \/>\u201cEu n\u00e3o suporto nem ouvir a voz dele, mas infelizmente ainda tenho que manter contato por causa da pens\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 paga pela justi\u00e7a.\u201d<br data-start=\"5899\" data-end=\"5902\" \/>\u201cNunca procurei ajuda por medo. Ele dizia que, se fosse preso, um dia sairia \u2014 e faria pior. Nunca quis preocupar minha fam\u00edlia. Meu pai faleceu sem saber tudo o que vivi. E isso d\u00f3i.\u201d<br data-start=\"6086\" data-end=\"6089\" \/>\u201cPara quem ouvir minha hist\u00f3ria: nunca acredite que o agressor vai mudar. Eles n\u00e3o mudam. A mudan\u00e7a \u00e9 s\u00f3 moment\u00e2nea. Hoje, sou casada de novo com uma pessoa maravilhosa, que cuida de mim e dos meus filhos. Depois de tudo que passei, eu ainda acreditei no amor.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"6354\" data-end=\"7011\"><strong data-start=\"6354\" data-end=\"6435\">Tuany tamb\u00e9m fala sobre como poder\u00edamos, como sociedade, ajudar essas v\u00edtimas<\/strong><br data-start=\"6435\" data-end=\"6438\" \/>\u201cEu penso que, em primeira inst\u00e2ncia, \u00e9 sempre acolher e n\u00e3o julgar quando se recebe um relato de abuso, de tentativa de feminic\u00eddio, de viol\u00eancia. Porque j\u00e1 envolve tantos obst\u00e1culos trazer \u00e0 tona, fazer essa den\u00fancia, relatar esses epis\u00f3dios, que s\u00e3o muito dolorosos para a v\u00edtima&#8230; Que diminuir a for\u00e7a dessa mulher, fazer com que ela se sinta mais constrangida ou envergonhada com a situa\u00e7\u00e3o, dificulta \u2013 e muito \u2013 a recupera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o acredito que, num primeiro momento, quando algu\u00e9m recebe uma informa\u00e7\u00e3o ou uma not\u00edcia disso, acolha e n\u00e3o julgue j\u00e1 ajuda muito.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"7013\" data-end=\"7074\"><strong data-start=\"7013\" data-end=\"7035\">Como buscar ajuda?<\/strong><br data-start=\"7035\" data-end=\"7038\" \/>H\u00e1 diversas formas de pedir ajuda.<\/p>\n<ul data-start=\"7075\" data-end=\"7595\">\n<li class=\"\" data-start=\"7075\" data-end=\"7177\">\n<p class=\"\" data-start=\"7077\" data-end=\"7177\"><strong data-start=\"7077\" data-end=\"7090\">Ligue 180<\/strong>: Central de Atendimento \u00e0 Mulher, que funciona 24h por dia, todos os dias da semana.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7178\" data-end=\"7292\">\n<p class=\"\" data-start=\"7180\" data-end=\"7292\"><strong data-start=\"7180\" data-end=\"7204\">Delegacias da Mulher<\/strong>: Atendimento especializado para registrar ocorr\u00eancias e solicitar medidas protetivas.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7293\" data-end=\"7390\">\n<p class=\"\" data-start=\"7295\" data-end=\"7390\"><strong data-start=\"7295\" data-end=\"7317\">Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong>: Pode acionar a justi\u00e7a para garantir seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7391\" data-end=\"7501\">\n<p class=\"\" data-start=\"7393\" data-end=\"7501\"><strong data-start=\"7393\" data-end=\"7428\">Centros de Refer\u00eancia da Mulher<\/strong>: Oferecem apoio psicol\u00f3gico, orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e assist\u00eancia social.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7502\" data-end=\"7595\">\n<p class=\"\" data-start=\"7504\" data-end=\"7595\"><strong data-start=\"7504\" data-end=\"7512\">Apps<\/strong>: Alguns estados oferecem aplicativos para den\u00fancia e pedido de socorro imediato.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"7597\" data-end=\"7656\"><strong data-start=\"7597\" data-end=\"7634\">Onde buscar ajuda presencialmente<\/strong><br data-start=\"7634\" data-end=\"7637\" \/><strong data-start=\"7637\" data-end=\"7654\">Pelotas (RS):<\/strong><\/p>\n<ul data-start=\"7657\" data-end=\"7846\">\n<li class=\"\" data-start=\"7657\" data-end=\"7744\">\n<p class=\"\" data-start=\"7659\" data-end=\"7744\">DEAM \u2013 Delegacia da Mulher: Rua Sete de Setembro, 455 \u2013 Centro. Tel: (53) 3222-6789<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7745\" data-end=\"7846\">\n<p class=\"\" data-start=\"7747\" data-end=\"7846\">Centro de Refer\u00eancia da Mulher (CRM): Rua Bar\u00e3o de Santa Tecla, 583 \u2013 Centro. Tel: (53) 3305-1907<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"7848\" data-end=\"7870\"><strong data-start=\"7848\" data-end=\"7868\">Rio Grande (RS):<\/strong><\/p>\n<ul data-start=\"7871\" data-end=\"8062\">\n<li class=\"\" data-start=\"7871\" data-end=\"7965\">\n<p class=\"\" data-start=\"7873\" data-end=\"7965\">DEAM \u2013 Delegacia da Mulher: Rua Francisco Campello, 361 \u2013 Cidade Nova. Tel: (53) 3233-2202<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"7966\" data-end=\"8062\">\n<p class=\"\" data-start=\"7968\" data-end=\"8062\">CRM \u2013 Centro de Refer\u00eancia: Rua Domingos de Almeida, 3155 \u2013 Cidade Nova. Tel: (53) 3231-0300<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"8064\" data-end=\"8095\"><strong data-start=\"8064\" data-end=\"8093\">S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul (RS):<\/strong><\/p>\n<ul data-start=\"8096\" data-end=\"8301\">\n<li class=\"\" data-start=\"8096\" data-end=\"8196\">\n<p class=\"\" data-start=\"8098\" data-end=\"8196\">Brigada Militar \u2013 Patrulha Maria da Penha: Rua Bento Gon\u00e7alves, 50 \u2013 Centro. Tel: (53) 3251-1555<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"8197\" data-end=\"8301\">\n<p class=\"\" data-start=\"8199\" data-end=\"8301\">Secretaria da Mulher e Assist\u00eancia Social: Rua J\u00falio de Castilhos, 147 \u2013 Centro. Tel: (53) 3251-9588<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"8303\" data-end=\"8464\"><strong data-start=\"8303\" data-end=\"8347\">O que levar ao registrar uma ocorr\u00eancia?<\/strong><br data-start=\"8347\" data-end=\"8350\" \/>Voc\u00ea pode ir at\u00e9 a delegacia especializada ou comum para registrar uma den\u00fancia de viol\u00eancia. Leve, se poss\u00edvel:<\/p>\n<ul data-start=\"8465\" data-end=\"8734\">\n<li class=\"\" data-start=\"8465\" data-end=\"8505\">\n<p class=\"\" data-start=\"8467\" data-end=\"8505\">Documento de identidade (RG ou CNH);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"8506\" data-end=\"8536\">\n<p class=\"\" data-start=\"8508\" data-end=\"8536\">Comprovante de resid\u00eancia;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"8537\" data-end=\"8598\">\n<p class=\"\" data-start=\"8539\" data-end=\"8598\">Provas como prints de mensagens, fotos, \u00e1udios ou v\u00eddeos;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"8599\" data-end=\"8734\">\n<p class=\"\" data-start=\"8601\" data-end=\"8734\">Relato escrito ou testemunhas, se poss\u00edvel.<br data-start=\"8644\" data-end=\"8647\" \/>Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha provas ou documentos, voc\u00ea pode e deve registrar a ocorr\u00eancia.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"8736\" data-end=\"9360\"><strong data-start=\"8736\" data-end=\"8766\">O papel da Brigada Militar<\/strong><br data-start=\"8766\" data-end=\"8769\" \/>A policial Marina Gabriela Bork, integrante da Patrulha Maria da Penha em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, destaca os desafios do atendimento:<br data-start=\"8899\" data-end=\"8902\" \/>\u201cNosso trabalho come\u00e7a com a colheita de informa\u00e7\u00f5es ainda na sala de opera\u00e7\u00f5es. Tentamos proteger a v\u00edtima, evitar que ela reviva o trauma e garantir que o agressor seja conduzido em viatura separada, sempre que poss\u00edvel.\u201d<br data-start=\"9125\" data-end=\"9128\" \/>Ela refor\u00e7a que ap\u00f3s o registro da ocorr\u00eancia, a Brigada acompanha as medidas protetivas e faz visitas \u00e0s v\u00edtimas:<br data-start=\"9242\" data-end=\"9245\" \/>\u201cA presen\u00e7a policial constante inibe novos ataques e passa uma mensagem clara ao agressor: ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"0\" data-end=\"359\">Combater o feminic\u00eddio n\u00e3o come\u00e7a com leis e pris\u00f5es; come\u00e7a antes disso, na base da sociedade \u2014 com a educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial que a educa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero seja oferecida nas escolas, para que crian\u00e7as e jovens aprendam, desde cedo, que o respeito n\u00e3o deve ser exigido pelo medo, que ningu\u00e9m pertence a ningu\u00e9m e que a viol\u00eancia jamais pode ser confundida com amor.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"361\" data-end=\"809\">Precisamos desconstruir as narrativas que sustentam o privil\u00e9gio masculino. Precisamos ousar desafiar culturas que silencia e idealizam o controle. A \u00fanica maneira de superar o \u00f3dio e a viol\u00eancia em uma sociedade \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o: educa\u00e7\u00e3o em igualdade, empatia e direitos humanos. Isso \u00e9 um investimento no futuro das mulheres, para que possam viver sem medo, em um mundo onde liberdade e dignidade sejam direitos, n\u00e3o privil\u00e9gios de poucos.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"811\" data-end=\"1156\">Educar \u00e9 semear os valores de uma sociedade mais justa, para que as futuras gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham que lutar para sobreviver, mas possam simplesmente viver. Prevenir o feminic\u00eddio \u00e9, antes de tudo, formar cidad\u00e3os que compreendam que o respeito \u00e9 a base de qualquer conviv\u00eancia e que a vida de uma mulher nunca deve ser interrompida pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1158\" data-end=\"1242\">Feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um destino \u2014 \u00e9 a consequ\u00eancia de sil\u00eancio, omiss\u00e3o e desigualdade.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1244\" data-end=\"1327\">Toda mulher tem o direito de viver sem medo. Toda voz importa. <strong>Toda den\u00fancia salva<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maikelly Silva, Najara Leal e Raissa Iepsen\/Reportagem em Curso O assassinato de mulheres, no contexto da viol\u00eancia baseada em quest\u00f5es de g\u00eanero, recebeu uma designa\u00e7\u00e3o: feminic\u00eddio. No Brasil, foi considerado crime hediondo apenas h\u00e1 10 anos, com a aprova\u00e7\u00e3o&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/29\/feminicidio-a-violencia-silenciosa-que-mata-milhares-de-mulheres-no-brasil\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1422,"featured_media":101,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-99","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/najara-1-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1422"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":125,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99\/revisions\/125"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}