{"id":75,"date":"2025-03-28T13:52:35","date_gmt":"2025-03-28T16:52:35","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=75"},"modified":"2025-03-28T13:52:35","modified_gmt":"2025-03-28T16:52:35","slug":"26-anos-do-maniaco-do-cassino-o-serial-killer-que-aterrorizou-o-rio-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/28\/26-anos-do-maniaco-do-cassino-o-serial-killer-que-aterrorizou-o-rio-grande\/","title":{"rendered":"26 anos do Man\u00edaco do Cassino: O Serial Killer que aterrorizou o Rio Grande"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por In\u00e1cio Amorim, <\/em><em>Sofia Mazza e <\/em><em>Pedro Ezequiel\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cNa rua cheia de sol vago h\u00e1 casas paradas e gente que anda.<br \/>\nUma tristeza cheia de pavor esfria-me.<br \/>\nPressinto um acontecimento do lado de l\u00e1 das frontarias e dos movimentos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o, n\u00e3o, isso n\u00e3o!<br \/>\nTudo menos saber o que \u00e9 o Mist\u00e9rio! (&#8230;)\u201d<br \/>\n<u>\u00c1lvaro de Campos<\/u><\/em><\/p>\n<p data-start=\"141\" data-end=\"672\">\n<p class=\"\" data-start=\"141\" data-end=\"672\">H\u00e1 vinte e seis anos, em dezembro de 1998, a cidade de Rio Grande, no litoral ga\u00facho, foi tomada pelo terror quando os corpos de Felipe Santos e B\u00e1rbara Dias, de 19 e 22 anos, foram encontrados ao lado de um carro, \u00e0 beira-mar. A busca desenfreada durou tr\u00eas meses, e treze suspeitos chegaram a ser presos at\u00e9 a captura do verdadeiro culpado, que, \u00e0quela altura, j\u00e1 havia feito sete v\u00edtimas. Paulo S\u00e9rgio Guimar\u00e3es da Silva, conhecido como \u201cTitica\u201d ou \u201cMan\u00edaco do Cassino\u201d, tornou-se o primeiro <em>serial killer<\/em> ga\u00facho do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"674\" data-end=\"959\">Sua captura foi um marco, mas a hist\u00f3ria n\u00e3o terminou com sua pris\u00e3o. Em vez disso, a cidade mergulhou em um clima de incerteza, medo e, ao mesmo tempo, fasc\u00ednio. O caso n\u00e3o era apenas um drama de assassinatos brutais, mas tamb\u00e9m um reflexo da maneira como a m\u00eddia tratou a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"961\" data-end=\"1234\">Em 1998, o bairro do Cassino, em Rio Grande, era uma regi\u00e3o tranquila, conhecida por suas praias e casas simples. No entanto, os crimes brutais cometidos por Paulo S\u00e9rgio marcaram a mem\u00f3ria dos moradores. As pessoas passaram a evitar ruas desertas e temiam novos ataques.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1236\" data-end=\"1645\">O caso foi amplamente coberto pela imprensa, que, em sua busca por audi\u00eancia, transformou o &#8220;Man\u00edaco do Cassino&#8221; em uma figura quase m\u00edtica. \u00c0 medida que as investiga\u00e7\u00f5es avan\u00e7avam, a cidade, como nos versos de \u00c1lvaro de Campos, sentia-se \u00e0 beira de um acontecimento que n\u00e3o poderia compreender por completo \u2014 um acontecimento que, uma vez desvendado, revelaria algo que todos temiam, mas n\u00e3o podiam evitar.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1647\" data-end=\"2315\">A investiga\u00e7\u00e3o foi complexa e passou por v\u00e1rias fases. Ricardo Bertoletti, ent\u00e3o policial do DEPREC, relembra que uma das primeiras pistas surgiu quando uma empregada dom\u00e9stica notou um homem estranho pegando um \u00f4nibus para a regi\u00e3o da Z3. O cobrador confirmou que esse homem, com as cal\u00e7as sujas de barro, conversava com outro passageiro. A partir dessa conex\u00e3o, os investigadores chegaram a Paulo S\u00e9rgio Guimar\u00e3es da Silva, que j\u00e1 possu\u00eda um hist\u00f3rico criminal em Rio Grande. O reconhecimento por testemunhas e a identifica\u00e7\u00e3o de uma tatuagem mal feita de um drag\u00e3o \u2014 descrita por Brenda Graebin, a \u00fanica sobrevivente dos ataques \u2014 foram decisivos para sua pris\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2317\" data-end=\"2656\">O impacto do caso n\u00e3o se limitou \u00e0 pris\u00e3o do assassino. Ele gerou um profundo debate sobre o papel da m\u00eddia na constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa de pavor e sobre como esse tipo de cobertura pode distorcer a percep\u00e7\u00e3o da realidade, transformando v\u00edtimas e culpados em personagens de uma hist\u00f3ria que, muitas vezes, pouco tem a ver com os fatos.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2658\" data-end=\"3154\">F\u00e1bio Schafner, jornalista que acompanhou o caso desde os primeiros desdobramentos, refor\u00e7a o impacto da m\u00eddia na forma\u00e7\u00e3o da narrativa sobre o <em>serial kille<\/em>r. Segundo ele, a cobertura sensacionalista da \u00e9poca ajudou a refor\u00e7ar o clima de terror, mas tamb\u00e9m trouxe consequ\u00eancias \u00e9ticas problem\u00e1ticas. Informa\u00e7\u00f5es imprecisas e boatos circularam por semanas e, at\u00e9 hoje, fake news sobre o caso continuam sendo disseminadas nas redes sociais, incluindo rumores infundados sobre a soltura de Titica.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"3156\" data-end=\"3611\">Outro aspecto relevante foi a maneira como o caso influenciou a mem\u00f3ria coletiva do Cassino. Kl\u00e9cio Santos, \u00e0 \u00e9poca editor da Zero Hora e hoje CEO de uma das maiores empresas de comunica\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste, lembra como a descoberta de um corpo nos molhes consolidou a ideia de que o criminoso era um serial killer. Naquele momento, a imprensa passou a abordar os crimes como parte de uma sequ\u00eancia met\u00f3dica, o que ampliou ainda mais o medo na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"3613\" data-end=\"4032\">Al\u00e9m do impacto imediato, a hist\u00f3ria do Man\u00edaco do Cassino ressurge periodicamente na cultura popular. O projeto de uma hist\u00f3ria em quadrinhos \u00e9 um exemplo de como a sociedade segue tentando entender e processar os eventos daquele per\u00edodo. A rela\u00e7\u00e3o entre crime e notoriedade, questionada por Kl\u00e9cio Santos, levanta um dilema inc\u00f4modo: teria Titica se tornado ainda mais ousado devido \u00e0 aten\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica que recebeu?<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"4034\" data-end=\"4456\">O poema \u201cO Demogorgon\u201d, de \u00c1lvaro de Campos, que abre esta reportagem, traduz a sensa\u00e7\u00e3o de pressentimento e horror que pairou sobre o Cassino naquela virada de s\u00e9culo. O medo do desconhecido, do mist\u00e9rio que espreita al\u00e9m das apar\u00eancias, ecoa nos corredores da mem\u00f3ria da cidade. A hist\u00f3ria de Titica \u00e9 um lembrete de que, por tr\u00e1s das manchetes e investiga\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um abismo que jamais ser\u00e1 completamente compreendido.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"4458\" data-end=\"4786\">O caso do &#8220;Man\u00edaco do Cassino&#8221; n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria de crime, mas tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre como o medo, o sensacionalismo e a busca por respostas moldam a mem\u00f3ria coletiva. Depois de 26 anos, o impacto do caso ainda ecoa em Rio Grande, uma cidade que, de alguma forma, ficou marcada por essa tr\u00e1gica e complexa hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por In\u00e1cio Amorim, Sofia Mazza e Pedro Ezequiel\/Reportagem em Curso &nbsp; \u201cNa rua cheia de sol vago h\u00e1 casas paradas e gente que anda. Uma tristeza cheia de pavor esfria-me. 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