{"id":59,"date":"2025-03-27T11:21:50","date_gmt":"2025-03-27T14:21:50","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=59"},"modified":"2025-03-27T23:06:35","modified_gmt":"2025-03-28T02:06:35","slug":"mercado-central-de-pelotas-tradicao-e-historia-no-coracao-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/27\/mercado-central-de-pelotas-tradicao-e-historia-no-coracao-da-cidade\/","title":{"rendered":"Mercado Central de Pelotas: tradi\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria no cora\u00e7\u00e3o da cidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Brenda Pereira Paranhos e Maria Eduarda Dias Fran\u00e7a\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Em meio ao burburinho do centro de Pelotas, um pr\u00e9dio centen\u00e1rio se destaca entre as constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Com suas paredes carregadas de mem\u00f3rias e sua arquitetura ecl\u00e9tica, o Mercado Central \u00e9 mais do que um ponto comercial: \u00e9 um espa\u00e7o de encontros e cultura. Nesta reportagem, voc\u00ea vai conhecer um pouco mais sobre esse local que carrega tanta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Erguendo Um Patrim\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>O Mercado Central de Pelotas come\u00e7ou a ser constru\u00eddo em 1845, durante a passagem de Dom Pedro II pela cidade. A regi\u00e3o escolhida para a edifica\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio foi um terreno pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da Regenera\u00e7\u00e3o, atual Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio. Durante o per\u00edodo colonial, os comerciantes solicitaram a constru\u00e7\u00e3o de um local para trocas e vendas de mercadorias, como o charque. Paralelamente ao crescimento econ\u00f4mico, houve tamb\u00e9m o crescimento populacional, com a forma\u00e7\u00e3o dos bairros ao redor do centro do munic\u00edpio. A obra do Mercado Central foi finalizada em 1852 e, d\u00e9cadas depois, em 1912, passou por uma restaura\u00e7\u00e3o inspirada na arquitetura europeia.<\/p>\n<p>Entre 1911 e 1914, o Mercado sofreu transforma\u00e7\u00f5es significativas em sua fachada e planta, incluindo a instala\u00e7\u00e3o da torre do rel\u00f3gio e do farol de ferro, importados de Hamburgo, na Alemanha, e inspirados na Torre Eiffel de Paris. Em 1969, um grande inc\u00eandio destruiu parte do local, restando apenas a estrutura de ferro. O epis\u00f3dio quase levou \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio para a constru\u00e7\u00e3o de um supermercado em seu lugar. No entanto, a prefeitura decidiu reconstru\u00ed-lo, e, em 1985, o ent\u00e3o prefeito Bernardo de Souza decretou o tombamento do edif\u00edcio pelo Instituto Nacional do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/p>\n<p>Em 2001, Pelotas aderiu ao programa Monumenta, uma iniciativa do governo federal para financiar a restaura\u00e7\u00e3o de s\u00edtios hist\u00f3ricos no Brasil. O projeto contemplou a revitaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea central da cidade, incluindo obras na Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio e no Mercado Central. Com essa reforma, houve tamb\u00e9m a redescoberta do valor afetivo e hist\u00f3rico do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Entre o Passado e o Futuro<\/strong><\/p>\n<p>Considerado o cora\u00e7\u00e3o de Pelotas, com seus 176 anos, o Mercado Central \u00e9 um dos mais antigos do pa\u00eds. Sua arquitetura ecl\u00e9tica traduz o passado da cidade, ao mesmo tempo que dialoga com a modernidade. Essa combina\u00e7\u00e3o torna o espa\u00e7o \u00fanico e atrai centenas de visitantes todos os anos. Em uma noite de ver\u00e3o, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel ouvir uma roda de pagode enquanto se toma um mate ou se come um pastel, cercado por paralelep\u00edpedos e pr\u00e9dios hist\u00f3ricos que s\u00f3 Pelotas proporciona.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-67 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-300x400.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-300x400.jpeg 300w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-600x800.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3-945x1260.jpeg 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-3.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>De acordo com o perfil do Instagram &#8220;Mercado Central de Pelotas&#8221;, o local conta com 83 bancas, das quais apenas 42 est\u00e3o alugadas. Entre os com\u00e9rcios presentes, encontram-se docerias, armaz\u00e9ns, restaurantes, lojas de produtos artesanais, lancherias e peixarias, todas repletas de tradi\u00e7\u00e3o e cultura local.<\/p>\n<p>Seja para relaxar ap\u00f3s o trabalho, saborear um &#8220;doce de Pelotas&#8221;, visitar a feira de pulgas aos fins de semana, ouvir uma palestra ou simplesmente contemplar a arquitetura e a hist\u00f3ria do local, o Mercado agrada a diversos p\u00fablicos. E ainda oferece uma bela oportunidade para fotos com a &#8220;Torre Eiffel pelotense&#8221;, mais conhecida como Torre do Rel\u00f3gio.<\/p>\n<p><strong>Vozes do Mercado<\/strong><\/p>\n<p>O Mercado Central \u00e9 um espa\u00e7o onde diferentes hist\u00f3rias se cruzam, e, em nossa pesquisa para esta reportagem, conhecemos alguns personagens que fazem parte desse ambiente.<\/p>\n<p><strong>Kl\u00e9cio Santos<\/strong><\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio da pesquisa, descobrimos o livro <em>Mercado Central 1985-2014<\/em>, que registra a trajet\u00f3ria do local, seus detalhes e curiosidades, al\u00e9m de um rico acervo fotogr\u00e1fico. Conversamos com o jornalista e autor da obra, Kl\u00e9cio Santos, que compartilhou sua principal motiva\u00e7\u00e3o para escrev\u00ea-la: &#8220;Escrevi porque considero esse um dos locais mais importantes de Pelotas, no cora\u00e7\u00e3o da cidade. Mais que um ponto de com\u00e9rcio, o Mercado foi palco de encontros, cultura e resist\u00eancia&#8221;. Ele tamb\u00e9m relembrou os per\u00edodos de incertezas, a supera\u00e7\u00e3o do inc\u00eandio e a consolida\u00e7\u00e3o do Mercado como um dos principais pontos tur\u00edsticos da cidade.<\/p>\n<p><strong>Fernando Ferreira<\/strong><\/p>\n<p>Fernando Ferreira \u00e9 artes\u00e3o, desenhista profissional e m\u00fasico h\u00e1 20 anos. No in\u00edcio de 2024, solicitou autoriza\u00e7\u00e3o da prefeitura para expor seu trabalho em espa\u00e7os p\u00fablicos. Apresentou-se em diferentes pontos da cidade e, em dezembro, foi convidado pela Loja de Doces Imperatriz, no Mercado Central, para interagir com o p\u00fablico e oferecer desenhos personalizados aos clientes. Seu trabalho vai de caricaturas a retratos realistas, agregando ainda mais arte ao local.<\/p>\n<p><strong>Entre o Balc\u00e3o e a Gest\u00e3o: Perspectivas do Com\u00e9rcio Local<\/strong><\/p>\n<p>Conversamos tamb\u00e9m com Aline Leivas, funcion\u00e1ria de uma loja de lembrancinhas, e Vera Venzke, empres\u00e1ria da Doceria Fran&#8217;s. Ambas apontaram desafios como a burocracia imposta pela prefeitura e a falta de divulga\u00e7\u00e3o. Segundo Vera, muitos clientes desconhecem que as docerias do Mercado funcionam aos domingos. Para elas, um maior apoio ajudaria a expandir o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p><strong>Realce para um Resgate<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-68 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1-300x400.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1-300x400.jpeg 300w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1-600x800.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1-945x1260.jpeg 945w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-1.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A cultura tradicional refletida no Mercado Central resiste ao tempo, atravessando gera\u00e7\u00f5es e acolhendo diferentes p\u00fablicos. Para que esse patrim\u00f4nio n\u00e3o se perca, \u00e9 essencial o empenho da comunidade e o suporte do poder p\u00fablico. Esta reportagem buscou registrar um fragmento dessa hist\u00f3ria, que, apesar de marcada por desafios, segue viva. Se voc\u00ea tiver a oportunidade, visite e consuma a cultura local. N\u00e3o vai se arrepender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brenda Pereira Paranhos e Maria Eduarda Dias Fran\u00e7a\/Reportagem em Curso Em meio ao burburinho do centro de Pelotas, um pr\u00e9dio centen\u00e1rio se destaca entre as constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Com suas paredes carregadas de mem\u00f3rias e sua arquitetura ecl\u00e9tica, o Mercado Central&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/27\/mercado-central-de-pelotas-tradicao-e-historia-no-coracao-da-cidade\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1422,"featured_media":65,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-59","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/03\/mercado-2.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1422"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59\/revisions\/69"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}