{"id":176,"date":"2025-04-03T11:01:46","date_gmt":"2025-04-03T14:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=176"},"modified":"2025-04-03T11:01:46","modified_gmt":"2025-04-03T14:01:46","slug":"deixa-ela-trabalhar-a-campanha-que-expos-o-assedio-contra-mulheres-no-jornalismo-esportivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/04\/03\/deixa-ela-trabalhar-a-campanha-que-expos-o-assedio-contra-mulheres-no-jornalismo-esportivo\/","title":{"rendered":"Deixa ela trabalhar: A Campanha que exp\u00f4s o ass\u00e9dio contra mulheres no jornalismo esportivo"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"68\" data-end=\"567\"><em>Por Nicolly Fernandes\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"68\" data-end=\"567\">Diante de in\u00fameros casos de ass\u00e9dio moral e sexual, 52 jornalistas se uniram para lan\u00e7ar o movimento <strong data-start=\"169\" data-end=\"191\">#DeixaElaTrabalhar<\/strong>. A iniciativa busca combater o ass\u00e9dio sofrido por profissionais da imprensa esportiva em est\u00e1dios, nas ruas e dentro das reda\u00e7\u00f5es. Segundo a <strong data-start=\"334\" data-end=\"344\">Abraji<\/strong> (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo), a primeira a\u00e7\u00e3o do grupo foi a divulga\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo-manifesto nas redes sociais, denunciando a recorr\u00eancia do machismo e da viol\u00eancia dentro do jornalismo esportivo.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"569\" data-end=\"857\">Desde o seu lan\u00e7amento, diversos clubes demonstraram apoio \u00e0 campanha, entre eles: Atl\u00e9tico-MG, Atl\u00e9tico-GO, Bahia, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Gr\u00eamio, Internacional, Palmeiras, Paysandu, Santa Cruz, Santos, S\u00e3o Paulo, Sport e Vit\u00f3ria.<\/p>\n<h2 class=\"\" data-start=\"859\" data-end=\"935\">O dia em que a luta contra o ass\u00e9dio no jornalismo esportivo ganhou voz<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"937\" data-end=\"1099\">A campanha <strong data-start=\"948\" data-end=\"970\">#DeixaElaTrabalhar<\/strong> foi lan\u00e7ada em 25 de mar\u00e7o de 2018, ap\u00f3s uma sequ\u00eancia de epis\u00f3dios de ass\u00e9dio contra jornalistas esportivas no in\u00edcio do m\u00eas.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1101\" data-end=\"1660\">No come\u00e7o de mar\u00e7o, a rep\u00f3rter da <strong data-start=\"1135\" data-end=\"1151\">R\u00e1dio Ga\u00facha<\/strong>, Renata Medeiros, foi insultada por um torcedor do Internacional, que gritou: <em data-start=\"1230\" data-end=\"1251\">&#8220;Sai daqui, sua put<\/em>&#8220;*. Tr\u00eas dias depois, durante uma transmiss\u00e3o ao vivo, a rep\u00f3rter do <strong data-start=\"1320\" data-end=\"1342\">Esporte Interativo<\/strong>, Bruna Dealtry, foi surpreendida por um torcedor do Vasco que tentou beij\u00e1-la enquanto cobria um jogo da Libertadores. No pr\u00f3prio dia do lan\u00e7amento da campanha, mais um caso ocorreu: a jornalista Kelly Costa, da <strong data-start=\"1555\" data-end=\"1565\">RBS TV<\/strong>, foi ofendida por um torcedor do S\u00e3o Jos\u00e9-RS durante uma partida contra o Brasil de Pelotas.<\/p>\n<h2 class=\"\" data-start=\"1662\" data-end=\"1698\">&#8220;Mulher n\u00e3o entende de futebol&#8221;<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"1700\" data-end=\"1966\">Gabriela Moreira, diretora da Abraji e uma das integrantes do movimento, j\u00e1 passou por situa\u00e7\u00f5es semelhantes. Ela relata que o ass\u00e9dio n\u00e3o vem apenas dos torcedores, mas tamb\u00e9m de profissionais do meio esportivo. Em um depoimento publicado pela Abraji, ela lembra:<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1968\" data-end=\"2209\"><em data-start=\"1968\" data-end=\"2207\">&#8220;J\u00e1 teve rep\u00f3rter ouvindo de treinador que &#8216;mulher n\u00e3o entende de futebol&#8217;. J\u00e1 teve um procurador do Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva (TJD) dizendo que &#8216;ia explicar para as mulheres que n\u00e3o sabem o tamanho da trave&#8217; durante um julgamento.&#8221;<\/em><\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2211\" data-end=\"2420\">O grupo surgiu de uma conversa em um grupo de WhatsApp e, desde ent\u00e3o, cresceu significativamente, reunindo quase 100 mulheres. Al\u00e9m da den\u00fancia, elas tamb\u00e9m buscam a\u00e7\u00f5es concretas para enfrentar o problema.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2422\" data-end=\"2930\"><em data-start=\"2422\" data-end=\"2465\">&#8220;Fiquei respons\u00e1vel pela parte jur\u00eddica&#8221;,<\/em> explica Moreira. <em data-start=\"2483\" data-end=\"2928\">&#8220;Nos est\u00e1dios, sempre h\u00e1 profissionais dos Juizados Especiais Criminais (Jecrim) de plant\u00e3o. Em casos de racismo, a torcida geralmente identifica os respons\u00e1veis, e o Jecrim toma provid\u00eancias. Mas quando se trata de machismo, muitos ainda encaram como algo &#8216;natural&#8217; no ambiente esportivo. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 formalizar uma representa\u00e7\u00e3o ao Jecrim para mudar essa percep\u00e7\u00e3o e garantir que esses casos sejam tratados com a seriedade que merecem.&#8221;<\/em><\/p>\n<h2><span lang=\"PT\" style=\"color: #111111;\">Mulheres no Jornalismo Esportivo: Desafios e Conquistas em um Meio <span style=\"letter-spacing: -.1pt;\">Machista<\/span><\/span><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-178 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-160x400.png\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-160x400.png 160w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-410x1024.png 410w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-768x1920.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-614x1536.png 614w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2-600x1500.png 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/nicoli-2.png 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Vozes Femininas no Jornalismo Esportivo: Relatos de Desafios e Resist\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A presen\u00e7a feminina no jornalismo esportivo tem aumentado, mas os desafios permanecem. Mulheres que ocupam esses espa\u00e7os ainda enfrentam questionamentos sobre sua compet\u00eancia, al\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio no ambiente de trabalho. Em entrevista, as jornalistas Mariana Dionisio e Mylena Costa demonstram como o machismo e a desigualdade de g\u00eanero continuam sendo barreiras a serem enfrentadas.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Durante sua trajet\u00f3ria, Mariana enfrentou situa\u00e7\u00f5es em que sentiu seu trabalho ser desvalorizado por ser mulher. Al\u00e9m disso, j\u00e1 sofreu ass\u00e9dio durante sua atua\u00e7\u00e3o profissional. Ela relatou um epis\u00f3dio espec\u00edfico durante a grava\u00e7\u00e3o de um especial com um colega. Havia um acordo com uma das fontes de que mais pessoas participariam, mas, ap\u00f3s uma conversa, ficou decidido que isso n\u00e3o seria ideal no momento e a ideia foi descartada. Mais tarde, ao ser questionada pela fonte sobre a mudan\u00e7a, Mariana explicou a decis\u00e3o tomada. No entanto, a fonte respondeu: \u201cTudo bem, vou falar com o fulano, ele resolve\u201d. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, a jornalista se sentiu desvalorizada profissionalmente: \u201cFoi como se a opini\u00e3o do meu colega valesse mais do que a minha, como se ele fosse o respons\u00e1vel por tomar as decis\u00f5es, como se o que eu dizia n\u00e3o tivesse import\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Assim como Mariana, a jornalista Mylena Costa tamb\u00e9m passou por epis\u00f3dios em que sua compet\u00eancia foi questionada simplesmente por ser mulher. Em entrevista, ela compartilhou experi\u00eancias de ass\u00e9dio e desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional. \u201cJ\u00e1 aconteceu de questionarem minha compet\u00eancia. Em alguns espa\u00e7os do jornalismo esportivo, fica evidente o quanto a opini\u00e3o dos homens sobre futebol \u00e9 mais validada do que a das mulheres. Precisamos nos impor mais em determinados momentos, o que \u00e9 um grande desafio\u201d, explicou. Ela relatou ainda que frequentemente recebe perguntas como \u201cO que \u00e9 linha de impedimento?\u201d ou \u201cQuais eram os 11 jogadores na conquista de determinado t\u00edtulo?\u201d, como se esse tipo de conhecimento definisse sua capacidade profissional.<\/p>\n<h2>O Futuro do Jornalismo Esportivo: Desafios e Perspectivas para as Mulheres na \u00c1rea<\/h2>\n<p>Apesar dos desafios, Mylena destaca o crescimento da presen\u00e7a feminina no jornalismo esportivo. \u201cPor exemplo, na final do Campeonato Ga\u00facho, nos olhamos e percebemos quantas mulheres estavam ali. Fizemos uma foto juntas e ficou claro o nosso tamanho. Essa representatividade tem crescido muito, e esse \u00e9 o nosso lugar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a feminina na \u00e1rea ainda \u00e9 uma realidade, especialmente em fun\u00e7\u00f5es como an\u00e1lise t\u00e1tica e coment\u00e1rios t\u00e9cnicos. \u201cAinda h\u00e1 uma grande resist\u00eancia em aceitar mulheres no jornalismo esportivo nesses espa\u00e7os\u201d, afirma Emilly do Amaral, estudante de jornalismo que pretende seguir carreira na \u00e1rea. Segundo ela, a exig\u00eancia sobre as mulheres \u00e9 muito maior do que sobre os homens. \u201c\u00c9 como se, a qualquer erro, por menor que seja, minha capacidade fosse questionada de forma muito mais dura do que seria com um homem na mesma situa\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, precisamos trabalhar dobrado para sermos reconhecidas\u201d.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, especialistas e profissionais defendem que universidades e empresas do setor invistam em a\u00e7\u00f5es para ampliar a presen\u00e7a feminina. \u201cAs universidades e o mercado de trabalho deveriam investir mais em iniciativas que incentivem as mulheres no jornalismo esportivo. Isso inclui oferecer espa\u00e7os seguros para discutir o tema, promover mentorias com profissionais experientes e criar pol\u00edticas para combater a discrimina\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho\u201d, pontua a estudante.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria das mulheres no jornalismo esportivo tem sido marcada por desafios, mas tamb\u00e9m por avan\u00e7os significativos. Com uni\u00e3o e resist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel superar obst\u00e1culos e continuar ocupando espa\u00e7os cada vez mais representativos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nicolly Fernandes\/Reportagem em Curso Diante de in\u00fameros casos de ass\u00e9dio moral e sexual, 52 jornalistas se uniram para lan\u00e7ar o movimento #DeixaElaTrabalhar. 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