{"id":148,"date":"2025-04-02T10:26:41","date_gmt":"2025-04-02T13:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=148"},"modified":"2025-04-02T10:26:41","modified_gmt":"2025-04-02T13:26:41","slug":"o-underground-vive-em-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/04\/02\/o-underground-vive-em-comunidade\/","title":{"rendered":"O Underground vive em comunidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jo\u00e3o Madeira\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A arte funciona como uma v\u00e1lvula de escape, permitindo que escapemos, de forma l\u00facia, da loucura do mundo, do cotidiano e das preocupa\u00e7\u00f5es. Seja para matar o t\u00e9dio, provocar reflex\u00f5es sobre a vida ou oferecer uma nova perspectiva, ela exerce um papel essencial. A m\u00fasica, em particular, tem o poder de mexer com as emo\u00e7\u00f5es, fazer rir, chorar, dan\u00e7ar, pular ou at\u00e9 entrar em uma roda punk.<\/p>\n<p>O punk rock \u00e9 uma dessas express\u00f5es art\u00edsticas. Embora possa n\u00e3o parecer atraente \u00e0 primeira vista, carrega uma beleza pr\u00f3pria por sua agressividade, transgress\u00e3o e esp\u00edrito contestador. Ele tira as pessoas da zona de conforto, mas tamb\u00e9m diverte. O mais fascinante \u00e9 sua acessibilidade: qualquer um pode tocar. Foi justamente essa simplicidade que deu origem aos Ramones.<\/p>\n<p><strong>&#8220;I Just Want to Have Something to Do&#8221; (Eu s\u00f3 quero ter algo para fazer)<\/strong><\/p>\n<p>Na Nova Iorque da d\u00e9cada de 1970, em meio \u00e0 Guerra Fria e \u00e0s instabilidades pol\u00edticas e econ\u00f4micas da Am\u00e9rica do Norte, a classe trabalhadora sofria com o desemprego e a perda do poder aquisitivo. O sonho americano parecia distante. Sem muitas op\u00e7\u00f5es de lazer, os jovens se reuniam para jogar basquete, usar drogas, beber ou ouvir bandas como Beatles, Rolling Stones e Stooges, tentando imitar o som dos \u00eddolos. Com limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, o estilo era tocar r\u00e1pido, com palhetadas para baixo e bateria no ritmo 4&#215;4, semelhante ao de Ringo Starr, mas a 120 bpm.<\/p>\n<p>Assim nasceu o movimento punk, que influenciou a ind\u00fastria musical n\u00e3o apenas pelo som, mas tamb\u00e9m pela filosofia de vida, pelo &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221; e pelo senso de comunidade. O objetivo n\u00e3o era fama ou sucesso no show business, mas sim participar de algo maior e espalhar mensagens para quem quisesse ouvir.<\/p>\n<p><strong>A cena de Pelotas e Marcelo Rubira<\/strong><\/p>\n<p>Em Pelotas, Marcelo Rubira foi impactado pelo Rock in Rio de 1985. Aos 14 anos, apaixonou-se pelo rock and roll e come\u00e7ou a buscar discos, fitas e informa\u00e7\u00f5es em revistas da \u00e9poca. N\u00e3o satisfeito em apenas ouvir, decidiu tocar. O quarto de sua casa se transformou em uma sala de ensaio, onde amigos se reuniam para fazer m\u00fasica. Hoje, aos 53 anos, Rubira \u00e9 uma figura fundamental no apoio \u00e0 cena independente de Pelotas. Seu est\u00fadio, conhecido como &#8220;Bokada do Rubira&#8221;, recebe in\u00fameras bandas para ensaios, grava\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es musicais. Al\u00e9m disso, ele opera o \u00e1udio dos shows organizados pelas bandas locais.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7os de resist\u00eancia e comunidade<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_151\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-151\" class=\"size-medium wp-image-151\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-1-400x301.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-1-400x301.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-1-768x579.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-1-600x452.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-1.jpeg 828w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-151\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Galp\u00e3o Satolep<\/p><\/div>\n<p>O Galp\u00e3o e a Ocupa\u00e7\u00e3o Canto de Conex\u00e3o, conhecida como &#8220;Okupa&#8221;, s\u00e3o fundamentais para a cena underground da cidade. Eles recebem bandas de metal e punk rock e, com os eventos, arrecadam fundos para apoiar causas sociais, ajudando estudantes e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. A &#8220;Cozinha das Mais Velhas&#8221; \u00e9 um exemplo de solidariedade, fornecendo alimenta\u00e7\u00e3o para quem precisa. Durante a pandemia e as enchentes de maio de 2024, v\u00e1rios eventos foram organizados para arrecadar doa\u00e7\u00f5es, demonstrando o forte engajamento social do movimento.<\/p>\n<p><strong>Marinas Found<\/strong><\/p>\n<p>Pedro Soler, vocalista, guitarrista e compositor da banda Marinas Found, sempre foi apaixonado por punk rock. Com amigos do col\u00e9gio, decidiu formar uma banda para se divertir e tocar m\u00fasicas que gostavam. Mais do que isso, era uma forma de canalizar a raiva da pol\u00edtica e gritar o que tinha para dizer. Para ele, a m\u00fasica \u00e9 um meio de express\u00e3o, fuga dos problemas e troca de ideias com diferentes pessoas. Em 2024, o Marinas Found completou 10 anos, com m\u00fasicas no Spotify e apresenta\u00e7\u00f5es em diversas cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1. A banda j\u00e1 participou do cl\u00e1ssico programa Radar, da TVE, e, em 2025, lan\u00e7ar\u00e1 um novo \u00e1lbum de forma independente.<\/p>\n<p><strong>HardCorePride<\/strong><\/p>\n<p>O HardCorePride (HCP) \u00e9 um coletivo e selo musical fundado em 2013 pelo m\u00fasico e produtor Esmute, baterista da banda Suburban Stereotype. O HCP tem como objetivo fomentar o cen\u00e1rio underground com shows e festivais. Entre os destaques, trouxeram bandas como Dead Fish e Sugar Kane, refer\u00eancias no hardcore nacional. Os Ratos de Por\u00e3o tamb\u00e9m tocaram em Pelotas, no Galp\u00e3o, com Marcelo Rubira na parte t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O selo de Esmute, pelo Avapor Est\u00fadio, lan\u00e7ou bandas como She Hoos Go, Suburban Stereotype e o rapper Zudizilla, que, em 2025, se apresentar\u00e1 no Lollapalooza em S\u00e3o Paulo, rompendo a bolha do underground.<\/p>\n<div id=\"attachment_152\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-152\" class=\"size-medium wp-image-152\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-2-400x391.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-2-400x391.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-2-768x750.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-2-600x586.jpeg 600w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-2.jpeg 828w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-152\" class=\"wp-caption-text\">Under tamb\u00e9m \u00e9 resist\u00eancia. Imagem: Jo\u00e3o Madeira<\/p><\/div>\n<p>O mais importante nessa comunidade \u00e9 o esp\u00edrito do &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221;. Eles fazem as coisas acontecerem, fomentam cultura, compartilham mensagens de reflex\u00e3o e ajudam o pr\u00f3ximo \u2014 tudo isso com muita m\u00fasica, barulho e festa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Madeira\/Reportagem em Curso A arte funciona como uma v\u00e1lvula de escape, permitindo que escapemos, de forma l\u00facia, da loucura do mundo, do cotidiano e das preocupa\u00e7\u00f5es. Seja para matar o t\u00e9dio, provocar reflex\u00f5es sobre a vida ou oferecer&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/04\/02\/o-underground-vive-em-comunidade\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1422,"featured_media":150,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/under-3.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1422"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":153,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148\/revisions\/153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}