{"id":130,"date":"2025-04-01T10:57:18","date_gmt":"2025-04-01T13:57:18","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=130"},"modified":"2025-04-01T10:57:18","modified_gmt":"2025-04-01T13:57:18","slug":"brasil-no-oscar-como-a-premiacao-impacta-futuros-cineastas-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/04\/01\/brasil-no-oscar-como-a-premiacao-impacta-futuros-cineastas-brasileiros\/","title":{"rendered":"Brasil no Oscar: como a premia\u00e7\u00e3o impacta futuros cineastas brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Lucas Fabi\u00e3o, Pedro de Campos e Julia Bundchen\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O filme brasileiro &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, dirigido por Walter Salles, fez hist\u00f3ria ao se tornar a primeira produ\u00e7\u00e3o nacional a conquistar um Oscar. A vit\u00f3ria veio na categoria de Melhor Filme Internacional, na cerim\u00f4nia realizada em 2 de mar\u00e7o. Al\u00e9m dessa premia\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, o Brasil tamb\u00e9m esteve presente em outras categorias de destaque. Fernanda Torres foi indicada a Melhor Atriz, mas o pr\u00eamio ficou com Mikey Madison. O longa tamb\u00e9m concorreu na categoria principal, Melhor Filme, por\u00e9m a estatueta foi para &#8220;Anora&#8221;.<\/p>\n<p>Em um momento de grande reconhecimento para o cinema nacional, \u00e9 essencial refletir sobre a import\u00e2ncia dessa conquista e seus impactos futuros. Para compreender melhor essa influ\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio analisar o papel das universidades na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais que moldam o cinema nacional.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito acad\u00eamico, o SISU \u2014 principal meio de acesso \u00e0s universidades federais \u2014 oferece o curso de Cinema e Audiovisual em apenas 16 institui\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) disponibiliza um curso denominado apenas &#8220;Cinema&#8221;. Esse n\u00famero reflete a limita\u00e7\u00e3o da oferta acad\u00eamica na \u00e1rea, que n\u00e3o est\u00e1 presente em todos os estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, conversamos com estudantes e professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Rio Grande do Sul a oferecer esse curso, para entender como o recente reconhecimento no Oscar tem impactado suas trajet\u00f3rias acad\u00eamicas e profissionais, al\u00e9m de como isso pode contribuir para o crescimento do cinema nacional.<\/p>\n<div id=\"attachment_133\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-133\" class=\"size-full wp-image-133\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/files\/2025\/04\/cineufpel.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"257\" \/><p id=\"caption-attachment-133\" class=\"wp-caption-text\">O curso teve seu primeiro ingresso no ano de 2011 &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o\/Diret\u00f3rio Universit\u00e1rio de Cinema e Anima\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h3 data-pm-slice=\"1 1 []\">Expectativas<\/h3>\n<p>As indica\u00e7\u00f5es, por si s\u00f3, j\u00e1 geraram uma grande como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, refletindo tamb\u00e9m nos estudantes de cinema, que, divididos entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o esconderam a empolga\u00e7\u00e3o. Embora acostumados a adotar uma vis\u00e3o t\u00e9cnica, a paix\u00e3o falou mais alto, tornando a torcida genuinamente brasileira.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 gratificante ver uma obra alcan\u00e7ando espa\u00e7os que n\u00e3o foram feitos para ela alcan\u00e7ar. Querendo ou n\u00e3o, \u00e9 um reconhecimento da qualidade do cinema nacional, a qual existe em diversas obras, mas poucas t\u00eam o financeiro necess\u00e1rio para chegar l\u00e1\u201d, comenta Bruno Martins, estudante do curso.<\/p>\n<p>\u201cTalvez seja um fortalecimento da identidade do cinema brasileiro. N\u00f3s temos uma hist\u00f3ria genuinamente brasileira sendo exibida e consumida por pessoas de todos os continentes mundiais e reconhecida por isso. Isso \u00e9 muito importante\u201d, comenta a professora Liangela Xavier, respons\u00e1vel pela disciplina de Produ\u00e7\u00e3o Executiva e Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o do curso.<\/p>\n<h3>N\u00e3o \u00e9 bem assim<\/h3>\n<p>O Oscar, considerado a maior premia\u00e7\u00e3o do cinema, consolidou-se como sin\u00f4nimo de excel\u00eancia desde sua primeira cerim\u00f4nia em 1929. No entanto, entre estudantes de cinema, a credibilidade do pr\u00eamio \u00e9 questionada.<\/p>\n<p>Para quem acreditava na ideia de que o Oscar \u00e9 uma refer\u00eancia dentro das faculdades de cinema, est\u00e1 equivocado. Segundo relatos, a vis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 premia\u00e7\u00e3o \u00e9 mais realista do que idealizada.<\/p>\n<p>\u201cEm minha experi\u00eancia, as discuss\u00f5es sobre o Oscar sempre foram bastante negativas\u201d, afirma Timothy Abella, que est\u00e1 \u00e0s v\u00e9speras de se formar no curso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se relata que o pr\u00eamio n\u00e3o ocupa um papel central nas discuss\u00f5es acad\u00eamicas, com \u00eanfase maior em premia\u00e7\u00f5es independentes, que s\u00e3o vistas como mais justas. O foco tamb\u00e9m est\u00e1 em uma perspectiva latino-americana. A premia\u00e7\u00e3o \u00e9 vista por muitos como um evento de entretenimento, com crit\u00e9rios muitas vezes injustos, favorecendo produ\u00e7\u00f5es norte-americanas.<\/p>\n<p>\u201cO cinema brasileiro n\u00e3o necessita de um pr\u00eamio para demonstrar que faz bons filmes, por\u00e9m um Oscar d\u00e1 visibilidade \u00e0s produ\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas no nosso pa\u00eds. &#8216;Ainda Estou Aqui&#8217; vem quebrando essas barreiras, principalmente nos Estados Unidos, e n\u00e3o deve em nada para as outras produ\u00e7\u00f5es\u201d, comenta Anthony Soares, estudante de Cinema e Audiovisual na UFPEL, que tamb\u00e9m est\u00e1 prestes a concluir o curso.<\/p>\n<p>Questionada sobre como aborda o Oscar em sua disciplina e sua vis\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da premia\u00e7\u00e3o, Liangela destaca que a import\u00e2ncia dos festivais vai al\u00e9m do Oscar. &#8220;Os festivais s\u00e3o nossa vitrine, onde mostramos nossas produ\u00e7\u00f5es e fazemos conex\u00f5es&#8221;, comenta. Ela complementa: \u201cClaro que ningu\u00e9m pode afirmar que um filme de um aluno nosso n\u00e3o possa um dia chegar ao Oscar. Mas, no contexto universit\u00e1rio, temos festivais mais acess\u00edveis e realistas, onde \u00e9 poss\u00edvel ver nossos alunos participando, tendo seus filmes selecionados e conquistando mais visibilidade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE \u00e9 claro que o curso prioriza muito a produ\u00e7\u00e3o nacional porque n\u00f3s somos os principais interessados em que a nossa filmografia seja reconhecida e assistida. Ent\u00e3o, \u00e9 justamente priorizar filmes brasileiros e filmes latinos, para fortalecer essa forma\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio e de reconhecimento das nossas hist\u00f3rias, dessa nossa pr\u00f3pria identidade cinematogr\u00e1fica\u201d, finaliza.<\/p>\n<h3>Desafios<\/h3>\n<p>O feito de &#8216;Ainda Estou Aqui&#8217; \u00e9 altamente valorizado entre estudantes e acad\u00eamicos, dada a dificuldade de alcan\u00e7ar tais posi\u00e7\u00f5es. O Brasil poucas vezes foi indicado, e &#8216;Ainda Estou Aqui&#8217; \u00e9 o primeiro filme nacional a conquistar uma estatueta.<\/p>\n<p>&#8220;O verdadeiro pr\u00eamio de um cineasta \u00e9 ser visto&#8221;, afirma Alexia Attuati, que est\u00e1 no meio do curso.<\/p>\n<p>A comunidade acad\u00eamica tamb\u00e9m ressalta a desvaloriza\u00e7\u00e3o do cinema nacional entre os pr\u00f3prios brasileiros, que frequentemente preferem o que vem de fora e desconsideram o que \u00e9 produzido internamente. Embora conquistar o Oscar seja um grande feito, \u00e9 significativo que os brasileiros s\u00f3 estejam reconhecendo a grandeza do cinema nacional gra\u00e7as ao reconhecimento de uma premia\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>\u201cExiste ainda algum tipo de resist\u00eancia, de preconceito, enfim. Da pr\u00f3pria comunidade, do pr\u00f3prio povo brasileiro sair de casa para assistir um filme brasileiro. Ent\u00e3o, talvez, justamente por ser um Oscar, um festival t\u00e3o glamouroso, t\u00e3o mundialmente conhecido, e um filme brasileiro ter ganho como de melhor filme estrangeiro, talvez o pr\u00f3prio brasileiro passe a acreditar mais no nosso potencial de produ\u00e7\u00e3o de filmes.\u201d, aponta a professora.<\/p>\n<h3>\u201cSe fortalece o cinema brasileiro, fortalece o nosso curso\u201d<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a hist\u00f3rica conquista brasileira no Oscar, o sentimento predominante \u00e9 de esperan\u00e7a, com a expectativa de que essa vit\u00f3ria seja um marco para o futuro do cinema nacional, abrindo novas portas e oportunidades para os profissionais da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Com essa conquista, Anthony Soares reflete sobre o que est\u00e1 por vir e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. &#8220;Acredito que, em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, os pr\u00f3prios brasileiros precisam passar a ver os filmes nacionais como uma op\u00e7\u00e3o nos cinemas, e n\u00e3o apenas os internacionais. Criar um p\u00fablico fiel \u00e9 essencial para o crescimento do cinema brasileiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Prestes a se formar, ele adota uma vis\u00e3o mais cautelosa quanto aos investimentos. &#8220;Quanto ao incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de filmes, isso tamb\u00e9m depende da pol\u00edtica. Mesmo com o sucesso de um filme como &#8216;Ainda Estou Aqui&#8217;, nada impede que um pr\u00f3ximo governo corte os incentivos \u00e0 cultura e, consequentemente, ao cinema&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Fabi\u00e3o, Pedro de Campos e Julia Bundchen\/Reportagem em Curso O filme brasileiro &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, dirigido por Walter Salles, fez hist\u00f3ria ao se tornar a primeira produ\u00e7\u00e3o nacional a conquistar um Oscar. 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