{"id":121,"date":"2025-03-30T14:22:15","date_gmt":"2025-03-30T17:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/?p=121"},"modified":"2025-03-30T14:22:15","modified_gmt":"2025-03-30T17:22:15","slug":"marco-temporal-a-luta-dos-povos-indigenas-pelo-direito-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/reportagememcurso\/2025\/03\/30\/marco-temporal-a-luta-dos-povos-indigenas-pelo-direito-a-terra\/","title":{"rendered":"Marco Temporal: a luta dos povos ind\u00edgenas pelo direito \u00e0 terra"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"0\" data-end=\"555\"><em>Por Vanessa Oliveira\/Reportagem em Curso<\/em><\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"0\" data-end=\"555\">A tese do Marco Temporal tem sido um dos temas mais pol\u00eamicos no debate sobre os direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas no Brasil. Defendida pela bancada ruralista e setores ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de terras, a tese sustenta que apenas os povos ind\u00edgenas que ocupavam suas terras em 5 de outubro de 1988 \u2014 data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u2014 teriam direito \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios. Contudo, essa perspectiva ignora o hist\u00f3rico de expuls\u00f5es for\u00e7adas, viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00f5es que afastaram in\u00fameras comunidades de suas terras ancestrais.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"557\" data-end=\"1113\">Para os povos ind\u00edgenas, o Marco Temporal n\u00e3o se resume a uma quest\u00e3o jur\u00eddica, mas representa um ataque direto \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, identidade e cultura. Jussara de Oliveira, estudante de Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas e ind\u00edgena do povo Kaingang, alerta: \u201cSe essa tese for validada, muitos territ\u00f3rios ind\u00edgenas poder\u00e3o ser perdidos, afetando n\u00e3o s\u00f3 a posse da terra, mas tamb\u00e9m nossa identidade, tradi\u00e7\u00f5es e modos de vida.\u201d Para ela, os territ\u00f3rios ind\u00edgenas s\u00e3o essenciais para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos saberes tradicionais.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1115\" data-end=\"1657\">O impacto da tese se amplia quando se considera sua rela\u00e7\u00e3o com a crise clim\u00e1tica. Thaira Pripr\u00e1, ind\u00edgena do povo Xokleng e estudante de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina, explica: \u201cA sobreviv\u00eancia da humanidade depende tamb\u00e9m da demarca\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios, pois somos n\u00f3s os guardi\u00f5es da biodiversidade do planeta.\u201d Ela v\u00ea o Marco Temporal como uma manobra pol\u00edtica da bancada ruralista para impedir a demarca\u00e7\u00e3o de terras e facilitar a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desses espa\u00e7os, frequentemente em preju\u00edzo ao meio ambiente.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1659\" data-end=\"2038\">Outro ponto crucial \u00e9 o posicionamento do Estado brasileiro. Victor Saraiva, ind\u00edgena do povo Kokama e estudante de Direito na Universidade Federal de Pelotas, destaca: \u201cO que est\u00e1 em jogo \u00e9 a nossa hist\u00f3ria, nossa heran\u00e7a e o futuro das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.\u201d Ele sublinha que, apesar de se sentirem \u201cdesprotegidos pelo Estado\u201d, os povos ind\u00edgenas seguem na luta por seus direitos.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2040\" data-end=\"2493\">No Congresso Nacional, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 desfavor\u00e1vel \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. Como Thaira aponta, \u201ca grande maioria dos parlamentares \u00e9 anti-ind\u00edgena, e a bancada ruralista tem grande poder.\u201d J\u00e1 no Supremo Tribunal Federal (STF), h\u00e1 uma expectativa de que os ministros ajam de maneira independente em rela\u00e7\u00e3o aos interesses pol\u00edticos predominantes no Legislativo. \u201cEsperamos que o STF reconhe\u00e7a nosso direito, como j\u00e1 fez antes\u201d, afirma Victor.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2495\" data-end=\"2823\">A luta contra o Marco Temporal vai al\u00e9m das esferas governamentais e exige o apoio da sociedade civil. Thaira defende: \u201cA sociedade brasileira deve entender a vis\u00e3o dos povos ind\u00edgenas sobre a terra e analisar com cuidado os representantes pol\u00edticos, pois a preserva\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas \u00e9 crucial para a vida de todos.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"2825\" data-end=\"3125\">Diante desse cen\u00e1rio, os povos ind\u00edgenas seguem mobilizados, participando ativamente de debates e ocupando espa\u00e7os acad\u00eamicos para fortalecer sua resist\u00eancia. \u201cQue as universidades sejam ocupadas pelos povos ind\u00edgenas, pois isso contribui para um debate mais s\u00e9rio sobre essas teses\u201d, conclui Victor.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"3127\" data-end=\"3312\">A decis\u00e3o sobre o Marco Temporal n\u00e3o determinar\u00e1 apenas o futuro das terras ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e a justi\u00e7a hist\u00f3rica para os povos origin\u00e1rios do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vanessa Oliveira\/Reportagem em Curso A tese do Marco Temporal tem sido um dos temas mais pol\u00eamicos no debate sobre os direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas no Brasil. 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