{"id":17474,"date":"2025-01-13T18:13:04","date_gmt":"2025-01-13T21:13:04","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/?p=17474"},"modified":"2025-01-19T18:49:23","modified_gmt":"2025-01-19T21:49:23","slug":"artigo-historico-do-letramento-racial-na-ufpel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/2025\/01\/13\/artigo-historico-do-letramento-racial-na-ufpel\/","title":{"rendered":"[ARTIGO] Hist\u00f3rico do Letramento Racial na UFPel"},"content":{"rendered":"\r\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Hist\u00f3rico do Letramento Racial na UFPel<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Neste momento de transi\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o da Reitoria da UFPel e, consequentemente, de transi\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o das Pr\u00f3-Reitorias a partir das quais ser\u00e3o implementadas as propostas para o per\u00edodo de 2025 a 2028, este breve artigo tem o objetivo registrar as origens, as finalidades, e as primeiras a\u00e7\u00f5es direcionadas \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o do Letramento Racial na UFPel. Trata-se de um relato de experi\u00eancia que descrever\u00e1 os acontecimentos que levaram \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do Letramento Racial como estrat\u00e9gia interna de pr\u00e1tica antirracista na Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) e como essa estrat\u00e9gia se irradia e amplifica para se tornar parte de uma pol\u00edtica institucional de perman\u00eancia para estudantes negras e negros.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vem demonstrando um compromisso cont\u00ednuo com a promo\u00e7\u00e3o da equidade racial e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas antirracistas ao longo dos anos. A<\/span> institui\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou diversas conquistas nessa \u00e1rea, destacando avan\u00e7os importantes como a implementa\u00e7\u00e3o das A\u00e7\u00f5es Afirmativas na P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o (2017), a prioriza\u00e7\u00e3o de bolsas para estudantes contemplados por essas a\u00e7\u00f5es (2018) e a reserva de vagas para candidatos negros em concursos docentes, entre outras medidas significativas.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Neste contexto, os relatos das profissionais t\u00e9cnico-administrativas do N\u00facleo Psicopedag\u00f3gico de Apoio ao Discente (Nupadi\/CP\/PRAE)\u00a0 &#8211; que atuavam no acolhimento psicopedag\u00f3gico dos estudantes em atendimentos individuais e grupos terap\u00eauticos &#8211; trouxeram \u00e0 tona reflex\u00f5es sobre os in\u00fameros desafios de estudantes negros e negras para concluir o curso, o que\u00a0 muitas vezes culmina com o abandono por n\u00e3o ter o apoio necess\u00e1rio. Al\u00e9m disso, trouxeram exemplos do impacto que as experi\u00eancias de racismo vividas dentro da Universidade t\u00eam sobre a progress\u00e3o acad\u00eamica das(os) estudantes negras(os) e o quanto essas viv\u00eancias dificultam a conclus\u00e3o da primeira gradua\u00e7\u00e3o. Nesses di\u00e1logos entre a equipe do setor, ficou evidente que o apoio psicopedag\u00f3gico e outros atendimentos da PRAE tamb\u00e9m precisavam ser aperfei\u00e7oados para contribuir com a perman\u00eancia desses estudantes que chegaram na UFPel em maior n\u00famero a partir de 2013 por meio de a\u00e7\u00f5es afirmativas (Lei de Cotas).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Nas Universidades, o racismo \u00e9 um fator que contribui diretamente para o alijamento dos estudantes negros e negras do espa\u00e7o acad\u00eamico. Historicamente, a academia nunca recebeu esses estudantes de bra\u00e7os abertos e a falta de acolhimento voltado para esse p\u00fablico aumenta as desigualdades dentro do espa\u00e7o acad\u00eamico, contribuindo diretamente para a evas\u00e3o universit\u00e1ria. A pesquisadora Rosana Heringer (2022), que desenvolve pesquisas sobre a perman\u00eancia no Ensino Superior brasileiro e j\u00e1 publicou estudos comparados sobre o assunto com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, afirma que\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">(&#8230;) a universidade, principalmente a institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tem a responsabilidade de contribuir diretamente para o sucesso acad\u00eamico dos estudantes, desenvolvendo os meios necess\u00e1rios e que estejam ao seu alcance para que os alunos concluam a gradua\u00e7\u00e3o com sucesso, idealmente dentro do tempo previsto da integraliza\u00e7\u00e3o de cada curso. (&#8230;) Ainda que a grande maioria dos estudantes cotistas consigam ingressar, permanecer e realizar sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica com sucesso, \u00e9 preciso admitir que sua presen\u00e7a no campus nem sempre \u00e9 vista de forma positiva pelo conjunto da comunidade universit\u00e1ria. Muitas s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es que expressam a persist\u00eancia do racismo e do preconceito em nossas institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias (HERINGER, 2022, p. 64).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">O racismo estrutural, ou seja, o racismo enquanto elemento que integra a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da sociedade (ALMEIDA, 2019), se manifesta em todas as institui\u00e7\u00f5es, inclusive nas Universidades p\u00fablicas brasileiras.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">Assim como a institui\u00e7\u00e3o tem sua atua\u00e7\u00e3o condicionada a uma estrutura social previamente existente com todos os conflitos que lhe s\u00e3o inerentes \u2013, o racismo que essa institui\u00e7\u00e3o venha a expressar \u00e9 tamb\u00e9m parte dessa mesma estrutura. As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas a materializa\u00e7\u00e3o de uma estrutura social ou de um modo de socializa\u00e7\u00e3o que tem o racismo como um de seus componentes org\u00e2nicos. Dito de modo mais direto: as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o racistas porque a sociedade \u00e9 racista (ALMEIDA, 2019, p. 31).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse contexto de aus\u00eancia de uma pol\u00edtica de perman\u00eancia para estudantes negras(os) e de identifica\u00e7\u00e3o da necessidade de aperfei\u00e7oar os atendimentos da PRAE direcionados a este p\u00fablico, em 2023, a Pedagoga Josy Dias Anacleto prop\u00f4s uma atividade de forma\u00e7\u00e3o antirracista, come\u00e7ando o processo de <strong>Letramento Racial<\/strong> na PRAE,\u00a0 inicialmente com os servidores do Nupadi.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">O Letramento Racial dos servidores do Nupadi consistia na leitura e discuss\u00e3o de temas que tratavam das pr\u00e1ticas antirracistas, bem como na discuss\u00e3o sobre v\u00eddeos com a mesma tem\u00e1tica e, mais \u00e0 frente, na produ\u00e7\u00e3o de material expositivo sobre o combate ao racismo dentro da universidade. Com o objetivo de oportunizar a forma\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o antirracista para outros servidores, foram promovidos, ainda em 2023, dois encontros: O <strong>I Encontro de Forma\u00e7\u00e3o Antirracista na Prae<\/strong> e um encontro na mesma modalidade com a equipe da Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o e Cultura.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da reflex\u00e3o coletiva da equipe do Nupad durante o forma\u00e7\u00e3o de Letramento Racial, foi elaborada a exposi\u00e7\u00e3o intitulada <strong>Quem \u00e9 voc\u00ea no rol\u00ea da branquitude?<\/strong> Nessa cria\u00e7\u00e3o, foram utilizados memes, que s\u00e3o presen\u00e7a constante nas redes sociais e se utilizam de uma linguagem imag\u00e9tica e l\u00fadica capazes de\u00a0 chamar a aten\u00e7\u00e3o e prender os usu\u00e1rios das redes por horas na frente das telas. As imagens, selecionadas da internet, receberam textos explicativos criados pela equipe para guiar os espectadores da exposi\u00e7\u00e3o para algumas reflex\u00f5es como: Sob quais formas a branquitude se manifesta no meu comportamento? Ser\u00e1 que as minhas atitudes podem estar refor\u00e7ando o racismo e provocando o sofrimento das pessoas pretas? Afinal, quem sou eu no rol\u00ea da branquitude? E o que posso fazer para melhorar?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">O cerne da exposi\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 est\u00e1 evidente na sua descri\u00e7\u00e3o, foi a branquitude &#8211; conceito que passou a ter destaque nos debates sobre racismo a partir da repercuss\u00e3o da obra de Cida Bento, na qual a autora explica o conceito do <em>pacto da branquitude<\/em>:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">\u00c9 evidente que os brancos n\u00e3o promovem reuni\u00f5es secretas \u00e0s cinco dea manh\u00e3 para definir como v\u00e3o manter seus privil\u00e9gios e excluir os negros. Mas \u00e9 como se assim fosse: as formas de exclus\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios nos mais diferentes tipos de institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o similares e sistematicamente negadas ou silenciadas. Esse pacto da branquitude possui um componente narc\u00edsico, de autopreserva\u00e7\u00e3o, como se o \u201cdiferente\u201d amea\u00e7asse o \u201cnormal\u201d, o \u201cuniversal\u201d. Esse sentimento de amea\u00e7a e medo est\u00e1 na ess\u00eancia do preconceito, da representa\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita do outro e da forma como reagimos a ele (BENTO, 2022, p. 18).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Por sua vez, a professora B\u00e1rbara Carine Soares Pinheiro, em seu livro \u201cComo ser um educador Antirracista?\u201d, tamb\u00e9m nos elucida o conceito de Cida Bento:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">Branquitude n\u00e3o \u00e9 necessariamente sobre a cor da pele, mas sobre os acessos sociais que a cor da pele garante. \u00c9 sobre a boa apar\u00eancia para todos os empregos, \u00e9 sobre ocupar todos os espa\u00e7os de poder, \u00e9 sobre possuir a est\u00e9tica da beleza e da credibilidade. Nesse intuito, a branquitude \u00e9 um conceito dial\u00e9tico que articula o lugar do sujeito universal branco com os privil\u00e9gios que beneficiam todos os integrantes deste coletivo (PINHEIRO, 2023, p.55).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Quando pensamos em pautar o fim do sistema de privil\u00e9gios para as pessoas brancas e a manuten\u00e7\u00e3o dos direitos de TODAS as pessoas, estamos fazendo valer os ideais democr\u00e1ticos que colaboram para uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. Na exposi\u00e7\u00e3o citada buscamos, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de memes, retratar alguns arqu\u00e9tipos da branquitude que s\u00e3o carregados de conceitos racistas sem perder de vista a reflex\u00e3o que B\u00e1rbara Carine faz em seu livro:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">Por mais antirracista que a pessoa branca seja, ela se beneficia do racismo, mesmo sem querer. E \u00e9 disso que todo\/a branco\/a precisa se conscientizar, no m\u00ednimo. Nesse sentido, pautamos o fim da branquitude e, refor\u00e7o, isso n\u00e3o versa sobre o exterm\u00ednio de pessoas brancas, mas sobre o fim do sistema social que as privilegia!\u00a0 (PINHEIRO, 2023, p.56).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Outro aspecto sobre o qual refletimos, para al\u00e9m de combater o racismo dentro dos muros da institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 sobre o papel da Universidade P\u00fablica na forma\u00e7\u00e3o de profissionais da educa\u00e7\u00e3o que atuar\u00e3o nas redes p\u00fablica e privada de ensino. Um exemplo dessa implica\u00e7\u00e3o \u00e9: Com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, tornou-se obrigat\u00f3rio\u00a0 o ensino sobre Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira nas escolas brasileiras e, vinte e dois anos depois, essa lei ainda n\u00e3o \u00e9 cumprida na maioria das escolas de ensino fundamental no Brasil. Ao que se deve esse fato?\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Para interpretar essa quest\u00e3o do descumprimento da Lei 10.639\/2003, podemos fazer uma correla\u00e7\u00e3o com alguns dos \u201cEpis\u00f3dios de Racismo Cotidiano\u201d do livro hom\u00f4nimo de Grada Kilomba, que em seu cap\u00edtulo \u201cPerformando a Negritude\u201d relata:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 10pt\">O racismo n\u00e3o \u00e9 um problema pessoal, mas um problema branco estrutural e institucional que pessoas negras experienciam. Esse \u00e9 um acontecimento comum para negras e negros quando abordamos a quest\u00e3o do racismo: intimida\u00e7\u00e3o por um lado, patololgiza\u00e7\u00e3o individual por outro. Ambas controlam mecanismos que impedem que o sujeito branco ou\u00e7a verdades desconfort\u00e1veis, que, se levadas a s\u00e9rio, arruinariam seu poder (KILOMBA, 2019, p.204).<\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos que o problema \u201cbranco estrutural\u201d citado por Grada Kilomba nos remete a manuten\u00e7\u00e3o do poder da \u201cbranquitude\u201d que Cida Bento nos fala e que \u00e9 exemplificado pelo fato de existir uma lei que obriga professores que nunca tiveram contato em sua forma\u00e7\u00e3o com a cultura negra a ministrarem aula sobre a cultura africana! Como \u00e9 poss\u00edvel que um professor formado em uma universidade que n\u00e3o \u00e9 balizada pelas pr\u00e1ticas antirracistas venha a ser um professor antirracista em um sistema estruturalmente racista? A quem isso interessa?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Para Albernaz e Carvalho (2022), a luta antirracista, no contexto acad\u00eamico, corresponde \u00e0 interven\u00e7\u00e3o em todos os espa\u00e7os da universidade, n\u00e3o apenas no corpo discente, mas tamb\u00e9m no corpo docente, nos curr\u00edculos dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e na pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Diante destes questionamentos sobre o papel da universidade como espa\u00e7o acad\u00eamico e pol\u00edtico de forma\u00e7\u00e3o de educadores antirracistas, foi concebido um Projeto de Extens\u00e3o com o\u00a0 objetivo de alicer\u00e7ar, em nossa comunidade acad\u00eamica e entorno, os fundamentos das Pr\u00e1ticas Antirracistas. O projeto intitulado <em>C\u00edrculo de Estudos das Pr\u00e1ticas Antirracistas\u00a0 (Cepranti)<\/em> foi aprovado no in\u00edcio do ano de 2024 e foi o primeiro projeto da UFPel voltado para a discuss\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de Pr\u00e1ticas Antirracistas na educa\u00e7\u00e3o, desenvolvendo ao longo do ano diversas a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo e promo\u00e7\u00e3o da Cultura Negra, sendo elas:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<ol class=\"wp-block-list\" style=\"text-align: justify\">\r\n<li><strong>Sala das Pretas:<\/strong> \u00c9 um grupo de leitura e um espa\u00e7o de acolhimento e escuta \u00e0s mulheres pretas, especialmente, benefici\u00e1rias dos Programas de Aux\u00edlios Estudantis da PRAE UFPel. O objetivo dessa a\u00e7\u00e3o \u00e9 conversar sobre ancestralidade, antirracismo na universidade, amor, sa\u00fade, afetividade e educa\u00e7\u00e3o, replicando nossos aprendizados, tecendo novas hist\u00f3rias e resgatando a autoestima. Atrav\u00e9s da leitura de pensadoras negras, da m\u00fasica, poesia e toda a arte que permeia o universo de viv\u00eancia das mulheres pretas, procura-se ampliar o conhecimento da cultura negra. Entre o ano de 2023 e 2024 foram realizados mais de 12 encontros com 16 mulheres pretas dos diversos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, fortalecendo uma rede de acolhimento com trocas de experi\u00eancias e motiva\u00e7\u00f5es para a perman\u00eancia das mesmas na UFPel.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li><strong>Exposi\u00e7\u00e3o interativa intitulada <\/strong><strong><em>Mulheres pretas que fizeram, fazem e far\u00e3o hist\u00f3ria<\/em><\/strong><strong>. <\/strong>\u00a0A exposi\u00e7\u00e3o interativa fez parte de uma iniciativa da equipe Nupad\/CP\/PRAE e visava oportunizar aos espectadores a possibilidade de ter o contato com a biografia e obra dessas mulheres, bem como estimular novas pesquisas, a partir das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em QR CODE. Com a proposta de intera\u00e7\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o continuou na p\u00e1gina do Instagram da PRAE (@prae.ufpel) a partir da publica\u00e7\u00e3o das fotos das estudantes e das mulheres pretas que participarem do evento. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C_Aq4XCJEwV\/?igsh=azVrazU2bjJxY3Rk\">https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C_Aq4XCJEwV\/?igsh=azVrazU2bjJxY3Rk<\/a><\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li><strong>Evento Julho das Pretas: <\/strong>O \u201cJulho das Pretas\u201d \u00e9 uma agenda coletiva que traz atividades voltadas para \u201co fortalecimento da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva e aut\u00f4noma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade\u201d. Em 25 de julho se comemora o Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra: a data que celebra a l\u00edder que comandou o quilombo de Quariter\u00ea, no s\u00e9culo 18, \u00e9 o ponto alto desse calend\u00e1rio. Em 2024, o evento realizado na PRAE integrou o calend\u00e1rio nacional e contou com o apoio da profa. Ursula Rosa da Silva, vice-reitora, e do prof. Eraldo Pinheiro, Pr\u00f3-Reitor de Extens\u00e3o e Cultura . Este evento contou\u00a0 com 78 participantes entre servidores e estudantes da UFPel e a programa\u00e7\u00e3o do evento local tamb\u00e9m pode ser vista no endere\u00e7o: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/2024\/07\/19\/venha-participar-da-primeira-edicao-do-julho-das-pretas\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/2024\/07\/19\/venha-participar-da-primeira-edicao-do-julho-das-pretas\/<\/a><\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li><strong>A\u00e7\u00f5es integradas \u00e0 programa\u00e7\u00e3o do 2\u00ba Ciclo de Atividades de Educa\u00e7\u00e3o Antirracista:<\/strong> Foram realizadas tr\u00eas rodas de conversas com os temas sobre a tem\u00e1tica de mulheres negras: \u201cCabelo, identidade e mem\u00f3ria\u201d, \u201cSolid\u00e3o da mullher negra\u201d, \u201cImport\u00e2ncia das feministas negras no processo de de empoderamento das mulheres negras\u201d. Al\u00e9m disso, organizamos o primeiro encontro de Coletivos Negros da UFPel e a reapresenta\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o \u201cQuem \u00e9 voc\u00ea no Rol\u00ea\u00a0 da branquitude?\u201d<\/li>\r\n<\/ol>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Em setembro de 2024, uma importante repercuss\u00e3o das a\u00e7\u00f5es iniciais de forma\u00e7\u00e3o antirracista e das a\u00e7\u00f5es do projeto, foi a decis\u00e3o do gabinete da Pr\u00f3-Reitora de Assuntos Estudantis, conduzido pela servidora t\u00e9cnico-administrativa Rosane Brand\u00e3o, de que todos os servidores da PRAE deveriam<strong> incluir\u00a0 a atividade<\/strong> <strong>\u201cLetramento Racial\u201d em seus Planos de Progress\u00e3o por M\u00e9rito de 2024<\/strong> e que o servidores em Programa de Gest\u00e3o de Desempenho deveriam incluir em seus planos mensais, no m\u00ednimo, a reserva de carga hor\u00e1ria de quatro horas para realiza\u00e7\u00e3o dessa mesma atividade. A orienta\u00e7\u00e3o emitida pelo\u00a0 Memorando n\u00ba 33\/2024\/PRAE\/REITORIA indicava ainda que cada Coordena\u00e7\u00e3o deveria se organizar para integrar o letramento racial em suas atividades e dedicar um per\u00edodo para o estudo dessa tem\u00e1tica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Outro desdobramento foi a aproxima\u00e7\u00e3o da coordenadora do projeto, Josy Anacleto, e de outros colaboradores como a Coordenadora de Perman\u00eancia\/PRAE, Morgana Riva, e a Coordenadora de Pol\u00edticas Estudantis, Ang\u00e9lica Leitzke, na <strong>constru\u00e7\u00e3o das propostas para a perman\u00eancia estudantil do programa de gest\u00e3o para da Reitoria da UFPel 2025-2028<\/strong>, proposta liderada pela profa. Ursula Rosa da Silva e pelo prof. Eraldo Pinheiro.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Na relatoria do GT Pol\u00edtica acad\u00eamica e perman\u00eancia que contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o do programa de gest\u00e3o, ficou registrado que, para al\u00e9m da quest\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica dos estudantes que pode ser minimizada com o apoio dos aux\u00edlios estudantis, h\u00e1 aspectos acad\u00eamicos e aspectos simb\u00f3licos que impactam significativamente a perman\u00eancia dos estudantes na Universidade. Enfrentar todas essas quest\u00f5es exige, de um modo geral, que as a\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes e novas que venham a ser implementadas comecem a acontecer de forma articulada para que ganhem corpo e resultem em um maior impacto. O grupo indicou que entendia como necess\u00e1rio que a perman\u00eancia viesse a se tornar uma pol\u00edtica institucional central na pr\u00f3xima gest\u00e3o da UFPEL para enfrentar o problema de alta evas\u00e3o que p\u00f5e em risco o pr\u00f3prio sentido da exist\u00eancia da Universidade.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Fundamentadas teoricamente: a) no resultado das pesquisas de Heringer (2022) que constata, ao observar o caso brasileiro de modo comparado com outros pa\u00edses, que \u00e9 preciso considerar diferentes dimens\u00f5es relacionadas \u00e0 perman\u00eancia estudantil, entre elas a dimens\u00e3o simb\u00f3lica que engloba as quest\u00f5es de pertencimento, n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, acolhimento e respeito \u00e0 diversidade; e b) no projeto Encontro de Saberes desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Inclus\u00e3o no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), quanto\u00a0 uma a\u00e7\u00e3o de continuidade \u00e0 pol\u00edtica de cotas \u00e9tnico-raciais, ao mesmo tempo que de ruptura com rela\u00e7\u00e3o ao racismo institucional da academia brasileira (ALBERNAZ; CARVALHO, 2022); foram debatidas e apresentadas, entre outras, as seguintes propostas de a\u00e7\u00f5es incorporadas ao programa de gest\u00e3o que disputou e venceu a Consulta Informal para a Reitoria da UFPel 2025-2028 (<a href=\"https:\/\/ufpelmulti.org\/\">Programa de Gest\u00e3o<\/a>):<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<ul class=\"wp-block-list\" style=\"text-align: justify\">\r\n<li>Ofertar disciplinas ministradas por Mestres do Saber reconhecidos por seu not\u00f3rio saber.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li><strong>Oferecer capacita\u00e7\u00f5es de Letramento Racial para servidores t\u00e9cnicos e docentes.<\/strong><\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>Realizar salas de apoio pedag\u00f3gico com mestres de saberes populares para estudantes ind\u00edgenas e quilombolas.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li><strong>Institucionalizar pol\u00edticas de pr\u00e1ticas antirracistas na universidade.<\/strong><\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>Elaborar e implementar pol\u00edticas institucionais de perman\u00eancia para estudantes negros, com defici\u00eancia, e LGBTQIAPN+, evitando evas\u00e3o.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, a demanda pela implementa\u00e7\u00e3o do Letramento Racial em nossa Universidade se configura como uma ferramenta essencial que visa a promo\u00e7\u00e3o da equidade, do respeito \u00e0 diversidade e da desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos estruturais em nossa sociedade. Sua efetiva\u00e7\u00e3o busca conscientizar a comunidade acad\u00eamica\u00a0 e tamb\u00e9m o seu entorno sobre as implica\u00e7\u00f5es do racismo e fomentar uma conviv\u00eancia mais inclusiva e justa. Nesse contexto, a nova gest\u00e3o da PRAE reafirma seu compromisso em dar continuidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Letramento Racial dentro da PRAE, fortalecendo iniciativas que ampliem o di\u00e1logo com as outras inst\u00e2ncias universit\u00e1rias, promovam mudan\u00e7as culturais e garantam um ambiente universit\u00e1rio onde todos possam se sentir valorizados e respeitados em sua diversidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: right\">Pelotas, 13 de janeiro de 2025.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: right\"><em>Josy Dias Anacleto<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: right\"><em>Morgana Riva<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">ALBERNAZ, Pablo; CARVALHO, Jos\u00e9 Jorge. Encontro de Saberes: por uma universidade antirracista e pluriepist\u00eamica. <strong>Horizontes Antropol\u00f3gicos<\/strong> [Online], 63, 2022. URL: <a href=\"http:\/\/journals.openedition.org\/horizontes\/6465\">http:\/\/journals.openedition.org\/horizontes\/6465<\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">ALMEIDA, Silvio Luiz de. <strong>Racismo estrutural. <\/strong>S\u00e3o Paulo: P\u00f3len, 2019. 264 p.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">BENTO, Cida. <strong>O pacto da branquitude.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2022.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">HERINGER, Rosana. Perman\u00eancia estudantil no Ensino Superior p\u00fablico brasileiro: Reflex\u00f5es a partir de dez anos de pesquisas. <strong>Cadernos de Estudos Sociais<\/strong>, vol. 37, n. 22, 2022. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.33148\/CES(2143)\">https:\/\/doi.org\/10.33148\/CES(2143)<\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">KILOMBA, Grada. <strong>Mem\u00f3rias da planta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Rio de Janeiro: Editora Cobog\u00f3, 2019.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">PINHEIRO, B\u00e1rbara Carine Soares. <strong>Como ser um educador antirracista.<\/strong> Editora Planeta, 2023.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rico do Letramento Racial na UFPel Neste momento de transi\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o da Reitoria da UFPel e, consequentemente, de transi\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o das Pr\u00f3-Reitorias a partir das quais ser\u00e3o implementadas as propostas para o per\u00edodo de 2025 a 2028, este breve artigo tem o objetivo registrar as origens, as finalidades, e as primeiras a\u00e7\u00f5es direcionadas &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/2025\/01\/13\/artigo-historico-do-letramento-racial-na-ufpel\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;[ARTIGO] Hist\u00f3rico do Letramento Racial na UFPel&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":229,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/229"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17474"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17530,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17474\/revisions\/17530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/prae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}